Gamertag

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 8

Capítulo I — As peças continuam sendo posicionadas

O Capítulo 8 é mais um daqueles capítulos de afirmação da história. Nada explode. Nada resolve. Mas tudo se encaixa um pouco mais.

As aulas continuam. A rotina da escola segue seu curso. Harry gosta cada vez mais das aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas. Lupin conquista os alunos com naturalidade. Enquanto isso, as aulas de Poções com Snape ficam mais tensas.

Algumas rivalidades não precisam crescer — elas apenas se aprofundam.

Capítulo II — Snape, orgulho ferido e atmosfera pesada

Depois do episódio do bicho-papão vestido com as roupas da avó de Neville, Snape está ainda mais amargo. A humilhação — mesmo indireta — parece ter deixado marcas.

Quando você já está imerso no universo, seja pelos livros ou por Hogwarts Legacy, é muito fácil visualizar a cena: Snape atravessando a sala, passos rígidos, olhar cortante, silêncio pesado.

Harry não gosta das aulas de Snape. E também não gosta das aulas de Adivinhação. Uma o oprime. A outra o condena.

Entre o sarcasmo e o presságio, Harry nunca tem descanso.

Capítulo III — Bichento, Perebas e algo maior

Hermione e Rony têm uma pequena rusga. O gato Bichento tenta atacar Perebas. Parece algo simples. Um conflito doméstico.

Mas existe algo de estranho nisso. Eu me lembro que essa história é maior. Não sei se neste livro. Não sei se é reflexo dos filmes. Mas sei que há algo ali.

Nem todo detalhe em Harry Potter é casual. Alguns parecem pequenos. Até que deixam de ser.

Às vezes o que parece apenas instinto é, na verdade, intuição narrativa.

Capítulo IV — A expectativa por Hogsmeade

Finalmente chega o dia da visita a Hogsmeade. E aqui há algo curioso. Eu estava animado. Muito animado.

Eu já conheço Hogsmeade. Eu caminhei por ela incontáveis vezes no jogo. Comprei vassouras. Poções. Ingredientes. Passei por aquelas ruas.

Mas, assim como Harry, eu fico para trás.

Os alunos vão. Harry fica. E eu fico com ele.

Às vezes a frustração do personagem se torna também a nossa.

Capítulo V — Lupin, Voldemort e o medo coletivo

Harry encontra Lupin. Conversam. E finalmente a explicação: o professor não o deixou enfrentar o bicho-papão porque temia que ele se transformasse em Lord Voldemort.

Não por incapacidade de Harry. Mas pelo impacto que isso causaria nos outros alunos.

É um detalhe importante. Lupin não pensa apenas no indivíduo. Ele pensa no coletivo.

Às vezes proteger alguém é também proteger os que estão ao redor.

Capítulo VI — A poção de Snape e a suspeita conveniente

Snape aparece com um cálice. Lupin está doente. Desde o trem, aliás.

A poção é difícil. Poucos sabem fazer. E Snape sabe.

O livro planta a suspeita. Mas eu não compro. Mesmo que eu não tivesse visto os filmes, acho que já perceberia o padrão: o primeiro suspeito nunca é o culpado.

Snape não parece vilão — parece ferido.

Capítulo VII — Quadribol e memória recente

O treino de Quadribol ganha peso emocional. O goleiro está no último ano. Nunca ganhou a taça.

No primeiro ano, Harry se machuca. No segundo, o campeonato é cancelado. Este é o último ano. A última chance.

E aqui minha experiência recente entra de novo: comprei o jogo Harry Potter: Campeões de Quadribol. Tenho treinado. E agora o esporte tem uma camada extra de significado.

O que era apenas narrativa agora também é prática.

Capítulo VIII — A Festa das Bruxas e o quadro rasgado

A Festa do Dia das Bruxas traz leveza. Doces. Dedos de mel. Amizade.

Mas quando retornam para a sala comunal, algo está errado. A Mulher Gorda não está lá. O quadro foi atacado.

Dumbledore chega. O clima muda. Pirraça sabe algo.

E aqui há algo que me pesa: Pirraça não está nos filmes. Mas está no jogo. E nos livros ele tem presença. Ele é caos. Ele é testemunha.

O que os filmes cortam os livros preservam.

Capítulo IX — A revelação

A revelação final: Sirius Black atacou o quadro. A Mulher Gorda fugiu.

O perigo, que antes era rumor, agora tem ação concreta.

O livro não avança a história de forma explosiva. Mas muda o clima. O risco não é mais distante. Ele tocou as paredes de Hogwarts.

Quando o inimigo alcança a porta, a ameaça deixa de ser teoria.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 7

Capítulo I — Leveza depois da tensão

Até agora, o Capítulo 7 foi o que mais me agradou neste livro. Existe uma leveza diferente nele. Não é ausência de conflito, mas uma forma mais dinâmica de conduzir os acontecimentos.

A rivalidade continua. Malfoy ainda finge estar machucado, exagerando sua dor para tentar prejudicar Hagrid, usando inclusive a influência do pai. Há algo quase teatral nessa encenação — um drama sustentado por conveniência.

Alguns personagens não sofrem — eles performam sofrimento.

Capítulo II — Snape, favoritismo e desgaste

Nas aulas de Poções, Snape segue sendo exatamente o que já conhecemos: mal educado, ranzinza, parcial. A perseguição aos alunos da Grifinória é clara. E Malfoy, mesmo “machucado”, recebe tratamento quase privilegiado.

Esse tipo de dinâmica reforça algo que já vimos antes: Hogwarts não é um ambiente neutro. Existem favoritismos. Existem pequenas injustiças. E elas moldam o clima emocional da escola.

A injustiça cotidiana é mais corrosiva do que qualquer grande vilão.

Capítulo III — Hermione e o enigma do tempo

Hermione começa a se tornar um mistério dentro do próprio livro. Ela some. Reaparece. Está em aulas demais. Participa de disciplinas que seriam fisicamente impossíveis de encaixar no mesmo horário.

Acredito que isso esteja ligado ao acordo que ela fez com a professora Minerva. Mas como? Feitiço? Objeto mágico? Poção?

Algo está acontecendo. E o livro planta essa semente de forma discreta, sem explicar demais.

Quando alguém parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, o mistério deixa de ser suspeita e vira promessa.

Capítulo IV — A melhor aula até agora

A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas foi, até aqui, a parte mais interessante do livro. E talvez a mais criativa.

O bicho-papão. Uma criatura que assume a forma do maior medo. É uma ideia simples, mas extremamente poderosa.

O maior medo de Neville? O professor Snape. O que diz muito sobre o ambiente que ele vive.

E então surge o feitiço Riddikulus. Um feitiço que transforma o medo em algo ridículo, algo engraçado.

O riso é uma forma de resistência.

Capítulo V — Snape de vestido e o poder do riso

A cena de Neville imaginando Snape usando as roupas da avó é simplesmente brilhante. O medo se torna caricatura. A figura opressora se torna cômica.

Eu não me lembro claramente se essa cena está no filme. Se estiver, é uma daquelas cenas que merecem ser revisitadas. Porque o conceito é perfeito.

O bicho-papão não é derrotado com força. Ele é derrotado com humor. E isso é quase filosófico.

O medo perde poder quando é ridicularizado.

Capítulo VI — O que ficou em aberto

No fim da aula, restam duas perguntas. Por que Lupin não deixou Harry enfrentar o bicho-papão? E por que o medo do próprio Lupin parecia ser uma bola de cristal?

São detalhes pequenos. Mas detalhes em Harry Potter nunca são apenas detalhes. Eles sempre apontam para algo maior.

O que não é explicado no momento costuma ser a chave do próximo capítulo.

Capítulo VII — Malfoy e a provocação final

Antes de terminar, ainda há a provocação de Malfoy: perguntando se Harry não quer se vingar de Sirius Black.

Pode ser apenas maldade. Pode ser informação que Harry ainda não possui. Pode ser manipulação.

Mas uma coisa é clara: mesmo num capítulo leve, a sombra de Sirius continua presente.

Mesmo quando a história ri, o perigo não desaparece.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 6

Capítulo I — A falsa lentidão

O capítulo 6 começa de maneira lenta. Tão lenta que, em determinado momento, eu realmente imaginei que a história não iria rodar muito. Parece um daqueles capítulos que existem apenas para preencher rotina escolar: rivalidades, provocações, excesso de matérias, pequenas tensões.

Malfoy zoa Harry. Hermione está atolada de disciplinas. Ela diz que combinou com a professora Minerva uma forma de cursar todas as matérias. E isso já soa estranho, mesmo que não seja explorado ainda. Mas a lentidão aqui não é estagnação. É construção silenciosa.

Algumas histórias parecem parar — quando, na verdade, estão preparando terreno.

Capítulo II — Quadros que falam e corredores que guiam

Há um detalhe que me chamou atenção: os quadros de Hogwarts. A ideia de que você pode conversar com uma figura pintada, que essa figura pode orientar, guiar, indicar caminhos. Um cavaleiro que literalmente os leva até a aula.

Esse tipo de detalhe reforça algo que sempre me encanta em Hogwarts: o castelo não é cenário. Ele é organismo. Ele responde. Ele participa.

Em Hogwarts, até as paredes parecem ter memória.

Capítulo III — A borra de chá e o anúncio da morte

Chegamos à aula de Adivinhação. Leitura da borra de chá. Símbolos vagos. Interpretações dramáticas. E então — a previsão da morte de Harry.

O clima pesa. A sala inteira sente. É o tipo de cena que carrega tensão simbólica. A professora transforma presságio em espetáculo.

Mas logo depois, na aula da professora Minerva, tudo é relativizado. Ela comenta que todo ano a professora de Adivinhação prevê a morte de algum aluno. E isso quase esvazia o peso.

Hermione trata como bobagem. Minerva trata como exagero. Harry fica entre preocupado e indiferente.

Quando a morte vira rotina, o medo perde o impacto — ou se esconde melhor.

Capítulo IV — Profecias que ecoam além do chá

Se eu estivesse apenas com os livros, talvez conectasse essa previsão com os centauros do primeiro livro. Eles também falavam em tragédia. Também falavam em destino.

Mas aqui entra o problema — ou a vantagem — de já ter visto os filmes. Eu sei o que acontece. Eu sei o final. O suspense, para mim, não é mais “o que vai acontecer”. É “como vai acontecer”.

Isso não estraga a experiência. Mas altera a surpresa. Até agora, nada nos livros me surpreendeu, porque as grandes revelações eu já conhecia.

Saber o fim não mata a jornada — mas muda o tipo de emoção que sentimos.

Capítulo V — A primeira aula de Hagrid

Depois das aulas teóricas, vem algo que quebra o ritmo: a primeira aula de Trato das Criaturas Mágicas com Hagrid.

E aqui a memória do filme vem forte. O hipogrifo. A cena de Malfoy. O risco. O erro.

Mas, curiosamente, o hipogrifo também me remete ao jogo. Em Hogwarts Legacy, eu não gostei de usá-lo como transporte. Achei inferior à vassoura em quase todos os sentidos. Sempre preferi voar com simplicidade e agilidade.

Ainda assim, ler Harry montando o hipogrifo me trouxe imediatamente essa conexão. Mesmo sendo um meio de transporte que eu quase não usei, ele existe como memória.

Nem toda lembrança é favorita — mas algumas são inevitáveis.

Capítulo VI — O erro de Malfoy e o medo de Hagrid

Malfoy se machuca. O hipogrifo reage. Hagrid entra em desespero.

Não é apenas um acidente. É o medo de perder tudo. Hagrid acabou de conquistar sua posição. Foi inocentado. Finalmente reconhecido. E agora pode perder o cargo na primeira aula.

Existe uma fragilidade muito humana aqui. Hagrid não é apenas professor. Ele é alguém que sempre esteve à margem. E agora teme voltar para lá.

Para quem sempre viveu sob suspeita, qualquer erro parece definitivo.

Capítulo VII — A preocupação constante

Ao visitarem Hagrid à noite, ele reage com preocupação quase exagerada. Manda que voltem. Lembra do perigo. Lembra de Sirius Black.

O pano de fundo deste livro é isso: Harry está em risco. Todos sabem. Todos agem em função disso.

Mesmo que eu já saiba o motivo real, mesmo que o suspense principal esteja comprometido pelo meu conhecimento prévio, o clima de vigilância constante é bem construído.

Quando o perigo não aparece, ele passa a morar na expectativa.

Capítulo VIII — O capítulo que cresceu

No fim das contas, o capítulo que começou devagar acabou sendo mais interessante do que parecia. Adivinhações. Dementadores. Hagrid professor. Hipogrifo. Rivalidades.

Ele não avança a grande trama de forma explosiva, mas consolida o clima. Reforça a tensão. Apresenta novas dinâmicas.

E quando percebi, já tinha acontecido bastante coisa.

Às vezes, o movimento não é percebido — só entendido depois.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 5

Capítulo I — A lentidão necessária

Já estando no terceiro livro, começo a perceber um padrão muito claro: as histórias de Harry Potter começam devagar. Não é desleixo. É arquitetura. A autora posiciona peças. Reapresenta personagens. Insere novos professores. Organiza o tabuleiro antes de movimentar as peças.

Em O Prisioneiro de Azkaban, não é diferente. Tudo parece caminhar com cuidado. Saída do Caldeirão Furado. Carros do Ministério da Magia. Chegada à estação. Trem. Conversas. Nada explode ainda.

Antes do conflito, vem o encaixe. Antes da guerra, vem o posicionamento.

Capítulo II — Saber o final muda o medo

Todos estão preocupados com Harry. Sirius Black pode estar atrás dele. O nome circula como ameaça.

Mas aqui acontece algo curioso: essa parte não me pega. Não porque seja mal construída, mas porque eu já sei o final. Eu joguei. Eu vi os filmes. Eu sei que Sirius Black não é o vilão.

Saber o desfecho muda completamente o suspense. As pequenas tramas que enganam o leitor deixam de me enganar.

E aí entra uma reflexão interessante: até agora, minha impressão sobre a autora é clara — o primeiro suspeito nunca é o culpado. Isso aconteceu com Severo Snape. Isso aconteceu com Tom Riddle. Sempre há uma camada.

Quando a narrativa aponta demais para alguém, é porque quer que você olhe para outro lado.

Capítulo III — O trem, o silêncio e o novo professor

No trem, Harry conta a Rony e Hermione sobre Sirius. Eles procuram um compartimento isolado. E ali, encontram um homem dormindo.

Um professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Roupas surradas. Aparência cansada. Uma figura que já carrega história antes mesmo de falar.

O modo como ele dorme. O modo como Severo Snape olha para ele. Esses pequenos detalhes já sugerem algo maior. Existe passado ali. Existe tensão anterior à nossa chegada.

Às vezes, o silêncio entre dois adultos diz mais do que qualquer explicação.

Capítulo IV — Reapresentações e estrutura

O livro, novamente, reorganiza o mundo. A amizade de Harry, Rony e Hermione é reafirmada. A rivalidade com Draco é lembrada. É como se a autora tivesse o cuidado de permitir que alguém começasse a história por aqui.

Mesmo sendo o terceiro livro, a base emocional é reforçada. O trio. O antagonismo. A estrutura da escola.

Repetir não é redundância. Às vezes é alicerce.

Capítulo V — O primeiro encontro com o frio

E então vem a primeira verdadeira novidade: os dementadores.

Já ouvimos falar deles. Mas aqui os vemos. E Harry desmaia.

Ainda não sabemos completamente o porquê. Mas há algo diferente na reação dele. O professor intervém. O salva.

A presença do dementador não é apenas ameaça física. É atmosfera. É frio. É algo que suga.

Alguns inimigos não atacam o corpo. Eles drenam o que você tem por dentro.

Capítulo VI — Ecos do primeiro livro

Ao chegar a Hogwarts, há uma imagem que remete diretamente ao início de tudo: Hagrid conduzindo os alunos do primeiro ano. É quase um espelho do primeiro livro.

Harry vai à enfermaria por causa do desmaio. A seleção é mencionada, mas não detalhada. Não há necessidade de repetir o que já vivemos.

E então Dumbledore fala. Fala sobre os dementadores. Fala sobre o perigo. E menciona algo importante: eles enxergam através da capa da invisibilidade.

Mais uma vez, fica implícito que Dumbledore vê mais do que aparenta. Ele já percebeu Harry sob a capa antes. Não é coincidência.

Em Hogwarts, o invisível raramente está oculto de verdade.

Capítulo VII — O coração aquece de novo

Entre avisos e tensões, surge algo que aquece: Hagrid se torna o novo professor de Trato das Criaturas Mágicas.

Ele foi inocentado no livro anterior. Agora assume oficialmente um lugar. E tudo faz sentido.

O livro que morde. A maneira como ele sempre tratou criaturas estranhas. Apenas Hagrid escolheria um livro assim.

Algumas promoções não são recompensa. São reconhecimento tardio.

Capítulo VIII — As portas se fecham novamente

O capítulo termina com todos indo para suas salas comunais. Nada grandioso. Nada explosivo.

Mas as peças estão no lugar. O perigo foi nomeado. O novo professor apresentado. Os dementadores posicionados. Sirius Black estabelecido como ameaça.

A história ainda não começou de verdade. Mas o tabuleiro está pronto.

Quando tudo parece calmo demais, é porque o próximo movimento já foi decidido.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 4

Capítulo I — O Caldeirão Furado como intervalo de vida

O capítulo 4 começa de um jeito que me prende imediatamente: Harry já está no Caldeirão Furado, e isso muda o “ar” das férias. É como se ele estivesse em um meio-termo — ainda não é Hogwarts, ainda não é a liberdade completa, mas também já não é o sufoco dos Dursleys. Ele está num intervalo de vida, num corredor entre mundos, onde o mundo mágico começa a respirar mais perto dele e a rotina deixa de ser medo para virar possibilidade.

E essa possibilidade se materializa no Beco Diagonal. Pela primeira vez, o livro desacelera para descrever lojas, nomes, vitrines, especialidades. Ele mostra o que cada lugar vende como se estivesse finalmente permitindo que o leitor passeie. Não é só “o lugar onde se compra coisas de bruxo”. É um ecossistema completo. Um comércio com personalidade. Um mapa com cheiro.

Há capítulos que não avançam a trama — eles expandem o mundo, e isso também é movimento.

Capítulo II — Lojas, nomes e a sensação de déjà-vu

As descrições do Beco Diagonal têm um efeito curioso em mim: eu reconheço. Não por memória literária, mas por memória de jogo. Eu tenho certeza de que vi vários daqueles nomes em Hogwarts Legacy — e isso cria um tipo de alegria silenciosa. Não é só nostalgia, é encaixe. É como se o livro estivesse, aos poucos, explicando as ruas que eu já percorri em outra mídia.

E o mais interessante é que o livro não descreve apenas as lojas como cenário; ele descreve como um lugar real que vende coisas reais. Isso dá densidade ao mundo. Deixa claro que a magia não é só feitiço e ameaça. Ela é economia. Ela é consumo. Ela é materialidade. Um mundo onde as pessoas compram, escolhem, comparam, desejam. E isso, paradoxalmente, faz Hogwarts e todo o “extraordinário” parecer mais palpável.

Um universo fica mais real quando ele tem loja, preço e vitrine — porque aí ele deixa de ser mito e vira cidade.

Capítulo III — Liberdade com prazo e a consciência do longo prazo

Harry vive, por alguns dias, uma liberdade rara: ele pode andar pelo Beco Diagonal, pode fazer seus deveres com mais calma, pode existir fora da vigilância agressiva dos Dursleys. Ao mesmo tempo, ele se depara com uma verdade que parece simples, mas é adulta: ele tem dinheiro — porém precisa pensar no futuro.

O dinheiro que ele tem é herança dos pais. Ele não vai “ganhar mais”. Não há salário, não há reposição, não há fonte nova. Por mais que pareça muito, quando você olha a longo prazo ele se torna um recurso finito, um estoque que só sofre retiradas. E esse pensamento é o tipo de coisa que transforma Harry, por instantes, em um garoto comum — um garoto com condição boa, sim, quase como um “menininho mais rico”, mas ainda assim preso à mesma lógica que qualquer pessoa entende cedo ou tarde: gastar é fácil, sustentar é o problema.

É uma maturidade discreta no meio da fantasia. Não é um discurso, é um comportamento. E eu gosto disso, porque humaniza. Harry não é só “o escolhido”. Ele é alguém que precisa calcular o amanhã.

A liberdade mais estranha é aquela que vem com planilha invisível: você pode, mas precisa pensar.

Capítulo IV — O trio se recompõe e o mundo volta a ter rosto

Perto do último dia, o capítulo começa a se aquecer com algo que sempre muda tudo: a presença dos amigos. Harry encontra rostos conhecidos fazendo compras para Hogwarts, e no último dia ele encontra Rony e Hermione — e aí o trio se completa como se o livro lembrasse, de forma natural, que a história de Harry não é só dele.

Eles conversam, compartilham as coisas, e a sensação é de retorno. Não porque a paz esteja garantida, mas porque existe um tipo de pertencimento que só existe quando eles estão juntos. E esse detalhe é importante: por alguns dias, Harry viveu algo que parece “normal” no mundo mágico — andar, comprar, estudar, planejar — mas normalidade de verdade, para ele, parece ser ter gente ao lado.

Hogwarts não é só lugar. Hogwarts também é gente.

Capítulo V — Suspense por trás da rotina

A partir daí, a sensação de tranquilidade começa a ficar… suspeita. Os Weasleys, com a família inteira, e Hermione, estão hospedados no Caldeirão Furado. E para irem até a estação, para pegar o trem para Hogwarts, serão enviados dois carros. Um detalhe que, num outro contexto, poderia parecer apenas organização. Mas aqui ganha peso. Harry estranha. Tudo parece calculado demais.

E ele descobre por quê. Quase sem querer — escondido, ouvindo conversa — Harry capta o que os adultos tentavam manter distante dele: Sirius Black, provavelmente, está atrás dele. Há um bruxo que fugiu de uma prisão. Há um nome que carrega perigo. E, de repente, tudo o que era “passeio no Beco Diagonal” se revela como uma bolha provisória prestes a estourar.

Quando a proteção fica grande demais, é porque o perigo também ficou.

Capítulo VI — Hogsmeade como perda antes mesmo de existir

Ao voltar para o quarto, Harry lamenta. A reação dele não é exatamente pânico, e isso me chama atenção. Ele não descreve medo puro; descreve sensações. Uma estranheza. Um desconforto. Um “o que eu vi foi presságio ou coincidência?”. É como se ele estivesse tentando organizar internamente um aviso que veio sem manual.

E, no meio disso, existe uma tristeza muito específica: Hogsmeade. Ele ainda nem foi, mas já sente que talvez não possa ir. A ideia de que tudo será vigiado por ele estar correndo perigo transforma um desejo simples em uma perda antecipada. E isso é cruel de um jeito quieto: tirar de alguém algo que ele mal começou a sonhar.

Algumas perdas acontecem antes do acontecimento — quando o medo toma o lugar da possibilidade.

Capítulo VII — “O lugar onde está Alvo Dumbledore”

Mesmo com a revelação, Harry se sente seguro com uma ideia muito clara: Hogwarts é o lugar onde está Alvo Dumbledore. E essa frase, que parece simples, vira quase um pilar emocional. É como se Dumbledore fosse mais do que diretor. Ele é símbolo. É fronteira. É uma espécie de garantia moral de que o mundo não vai permitir que o pior aconteça — ou, pelo menos, não sem luta.

“O lugar onde está Alvo Dumbledore” é, na prática, o lugar onde Harry acredita que o caos tem limite. É o espaço em que a ameaça, por maior que seja, encontra alguém que entende as regras ocultas do jogo. E isso, para alguém como Harry, que passou a vida inteira sendo vulnerável, é uma forma de descanso: não o descanso físico, mas o descanso de não precisar carregar tudo sozinho.

Segurança, às vezes, é só isso: saber que existe alguém maior que o seu medo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 3

Capítulo I — O medo imediato da queda

O capítulo 3 começa tenso de um jeito diferente dos anteriores. Não é uma tensão construída aos poucos — é imediata. Harry acabou de fazer magia fora da escola, perdeu o controle, e a primeira reação não é raiva nem rebeldia: é medo.

Ele acredita que será expulso. A ideia não é abstrata, ela é concreta. Harry foge da casa dos tios sem plano, sem destino claro, sem saber como vai se sustentar. Todo o dinheiro que ele possui está em Londres, longe demais para quem acabou de sair andando pela estrada com uma mala.

O que o livro mostra muito bem aqui é esse tipo específico de desespero: não é o pânico de quem está em perigo imediato, é o pânico de quem enxerga o futuro se fechando.

O medo mais cruel não é o do castigo, é o de não ter mais para onde ir.

Capítulo II — O Noitibus e o caos como solução

É nesse estado de suspensão que o Noitibus surge. Um aparecimento quase absurdo, deslocado, como se o mundo mágico tivesse decidido intervir antes que Harry afundasse completamente.

Eu me lembro dessa parte do filme com clareza. É uma cena clássica, daquelas que ficam na memória. No livro, a descrição do funcionamento do Noitibus beira uma sequência de ação: curvas impossíveis, freadas bruscas, uma sensação constante de descontrole.

É fácil imaginar que isso funcione ainda melhor no cinema, porque o que está sendo descrito é puro movimento. O Noitibus não resolve o problema com calma; ele atropela o problema até que outro cenário apareça.

Às vezes, a salvação não chega organizada. Ela chega em alta velocidade.

Capítulo III — Nome falso, identidade frágil

Assim que entra no Noitibus, Harry é reconhecido. A cicatriz entrega quem ele é. E isso aumenta ainda mais o pânico.

Temendo que o Ministério da Magia esteja atrás dele, Harry mente. Diz que seu nome é Neville. É um detalhe pequeno, mas carregado de significado. Pela primeira vez, Harry tenta se esconder não fisicamente, mas simbolicamente — apagando o próprio nome.

O desejo dele é simples: chegar ao Beco Diagonal. Não por turismo, não por curiosidade, mas por sobrevivência. Ele quer chegar ao Banco Gringotes, acessar a herança deixada pelos pais, garantir que conseguirá se manter se tudo der errado.

Quando o nome vira risco, até a identidade pede abrigo.

Capítulo IV — O encontro inesperado com o poder

O capítulo muda completamente de tom quando Harry chega ao destino e encontra ninguém menos que o próprio Ministro da Magia esperando por ele. A expectativa é clara: punição, expulsão, consequência.

Mas nada disso acontece. Harry não é expulso. Pelo contrário: providenciam um quarto para ele. Um quarto alugado. Uma solução temporária. Tudo parece… fácil demais.

Harry questiona a magia que fez. Espera ser repreendido. Mas lhe dizem que foi uma magia simples, que a situação foi resolvida, que a tia dele já foi “desinflada”, e que os Dursleys o aceitarão de volta desde que ele passe o restante das férias em Hogwarts.

Quando a punição não vem, o alívio costuma dar lugar à desconfiança.

Capítulo V — O silêncio que grita

O que torna tudo mais estranho não é o perdão — é o que não é dito. Harry pergunta sobre Sirius. Sobre a matéria que circula. E recebe silêncio.

Ele pede para ir a Hogsmeade, e o próprio Ministro da Magia recomenda que não vá. Não há explicação completa. Não há contexto. Apenas conselhos vagos e decisões tomadas por outros.

No fim, Harry fica com um quarto reservado na própria taberna do Caldeirão Furado. Um espaço seguro, mas provisório. Um lugar que não é casa, mas também não é rua.

Quando todos parecem gentis demais, algo importante está sendo escondido.

Capítulo VI — Estranheza como estado permanente

O capítulo termina com uma sensação incômoda. Tudo deu certo rápido demais. Fácil demais. Limpo demais.

Harry sente isso. O leitor sente isso. Existe uma estranheza pairando sobre cada gesto, cada resposta incompleta, cada decisão tomada por autoridades que claramente sabem mais do que estão dizendo.

Não há explosão. Não há clímax. Apenas a certeza de que algo está errado — e de que essa história está prestes a deixar de ser confortável.

Algumas calmarias não acalmam. Elas avisam.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 2

Capítulo I — O “mais do mesmo” que pesa mais

O capítulo 2 tem aquela sensação de continuidade que, à primeira vista, parece simples: “é mais do mesmo”. Harry continua na casa dos Dursley, continua preso àquele tipo de convivência que não é convivência — é tolerância forçada. E continua com um desejo específico, quase pequeno perto de todo o resto, mas que carrega uma esperança real: conseguir autorização para ir a Hogsmeade.

Eu sigo ansioso por isso. Não apenas pelo destino em si, mas pela ponte que isso cria com a minha memória do jogo. Quero ver se Hogsmeade vai aparecer de fato e como o livro vai descrever esse lugar que, em Hogwarts Legacy, foi quase um centro de gravidade: a vila onde comprei varinha, vassoura, poções, plantas, pergaminhos — a primeira vila que vira familiar, que vira referência, que vira “um lugar seguro”. A expectativa não é só turística; ela é afetiva. É como se eu estivesse esperando reencontrar um lugar onde já estive, só que por outra linguagem.

Certas expectativas não nascem do que vem pela frente, mas do que a memória já construiu por dentro.

Capítulo II — A chegada da tia Guida e o tipo específico de veneno

No meio dessa tensão silenciosa, Harry descobre que a irmã do tio Válter vai passar um tempo na casa. E a tia Guida já chega com a energia de quem não visita: invade. Ela não parece apenas desagradável. Ela parece tóxica, pesada, do tipo que transforma o ambiente inteiro em um julgamento constante.

Ela critica Harry, diminui, provoca. E o texto desenha algo muito real: existe um tipo de pessoa que não ofende por acidente. Ofende com precisão. Pessoas assim sabem exatamente qual frase encosta no lugar sensível. Elas não atiram palavras no escuro — elas miram.

Harry tenta se controlar. Tenta manter algum tipo de compostura, talvez por medo das consequências, talvez por esperança de conseguir a permissão de Hogsmeade, talvez por simples exaustão. Mas a presença dela não é apenas incômoda — é um teste contínuo.

Existem pessoas que não conversam — elas apertam feridas para ver reação.

Capítulo III — O limite é um lugar onde a pessoa chega empurrada

O que mais me pega nesse capítulo é o modo como ele retrata o empurrão até o limite. Harry vai sendo testado, testado, testado. E isso me toca de um jeito muito pessoal. Porque eu já estive em situações parecidas: momentos em que alguém vai insistindo, insistindo, insistindo — até que, em algum ponto, a nossa contenção deixa de ser escolha e vira simplesmente impossibilidade.

Existe uma diferença enorme entre “perder o controle” e “ser levado a perder o controle”. E o livro captura esse processo com uma clareza desconfortável: a reação não nasce do nada. Ela é construída. Ela é provocada. Ela é cultivada por alguém que parece querer exatamente isso: a explosão, o erro, o momento em que você vira culpado por tudo.

Nem toda explosão é impulso. Algumas são a última defesa de quem foi encurralado.

Capítulo IV — Pais, gatilho e a magia que escapa

O estopim acontece quando a tia Guida fala dos pais de Harry — principalmente do pai. E aí algo muda. Porque insultar Harry já é cruel, mas insultar a memória de quem ele perdeu é outro tipo de violência. É tocar numa ausência e transformá-la em ataque. É humilhar alguém pelo que ele não pode recuperar.

Harry perde o controle. E a magia escapa. Não como truque, não como feitiço planejado, mas como transbordamento. A tia Guida começa a flutuar como um balão. E, assim que isso acontece, uma lembrança do filme me atravessa — eu acredito que essa cena exista na adaptação. As minhas memórias dos filmes são nebulosas, espalhadas em fragmentos: uma cena aqui, outra ali. Mas essa imagem é forte.

E é interessante perceber como o livro, nesse momento, faz a magia parecer menos “poder” e mais “sintoma”. A magia não é só ferramenta, ela é resposta emocional quando a linguagem comum falha. Quando não há espaço para defender-se com palavras, o corpo e a magia falam.

Há dores que não cabem em resposta educada. Elas transbordam.

Capítulo V — Fuga: quando sair é a única forma de continuar inteiro

Depois disso, Harry faz algo que soa inevitável: ele pega suas coisas e foge de casa. Não como ato de rebeldia teatral, mas como instinto de preservação. Ele não aguenta mais aquele ambiente de ofensas e humilhações. A casa, que nunca foi abrigo, se torna insuportável.

E tem um detalhe que pesa aqui: Harry sai com tudo o que tem. É uma fuga com bagagem, com permanência implícita, com uma espécie de “não dá mais para voltar”. Ele não está saindo para respirar e retornar. Ele está saindo porque, naquele momento, ficar é aceitar ser esmagado.

O capítulo termina nesse gesto. Harry do lado de fora, carregando o que consegue, deixando para trás um lugar que nunca o quis. E, a partir daqui, a história tem um cheiro diferente. Porque agora não é mais só sobre querer voltar para Hogwarts. É sobre não ter para onde ir — e, ainda assim, seguir.

Às vezes, fugir não é covardia. É a forma mais honesta de continuar vivo por dentro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 1

Capítulo I — Um começo que não volta ao começo

A primeira coisa que chama atenção no início de O Prisioneiro de Azkaban é o que ele não faz. Diferente dos dois livros anteriores, ele não gasta tanto tempo reafirmando, explicando e reapresentando quem é Harry Potter, como se precisasse reconquistar o leitor do zero. Há uma passagem breve, quase eficiente demais, apenas para lembrar o essencial: Harry vive com os Dursleys, e a vida ali continua sendo uma mistura de contenção, vigilância e proibição.

Essa mudança de ritmo diz muito. Não parece um “recomeço”, parece uma continuação que confia no que já foi estabelecido. Como se o livro assumisse que o leitor já sabe quem ele é — e, mais do que isso, que Harry também já sabe. O drama aqui não está em descobrir o mundo mágico pela primeira vez. Está em sobreviver ao intervalo entre um mundo e outro.

Há histórias que não recomeçam — apenas seguem, com novas cicatrizes.

Capítulo II — Deveres escondidos e magia clandestina

Harry, como sempre, é proibido de estudar magia na casa dos Dursleys. Essa regra se torna quase um ritual anual: férias significam afastamento, e afastamento significa tentativa de apagamento. Ainda assim, ele dá seu jeito. Esconde um livro, lê às escondidas, faz trabalhos de casa porque Hogwarts manda deveres mesmo durante o período de férias — e isso por si só é algo curioso, porque reforça que o mundo mágico não é apenas aventura: é disciplina, é cobrança, é formação.

Harry fica esperando o retorno como quem espera respirar de novo. Ele está no quarto, não exatamente preso, não exatamente castigado, mas ainda isolado do que faz sentido para ele. É uma liberdade limitada, uma espécie de concessão que não toca na raiz do problema: a casa dos Dursleys nunca é lar, é apenas permanência forçada.

Há proibições que não existem para impedir ações, mas para lembrar a alguém que não pertence.

Capítulo III — A noite, a coruja e o tipo de paz possível

Existe um detalhe que torna este começo curiosamente confortável: Harry está à noite na cama, lendo e fazendo seus deveres. Não é uma cena explosiva, não é uma sequência dramática. É um cotidiano silencioso, quase íntimo. A coruja pode ser liberada à noite. Há pequenas permissões que dão a sensação de que, pelo menos desta vez, o verão não será um castigo completo.

E aí entram as notícias. Os Weasleys estão no Egito. Há cartas chegando. Cartões de aniversário de Rony, Hermione e Hagrid. Essas mensagens não são apenas informação — são prova de vínculo. Harry continua existindo para alguém. Continua sendo lembrado. Isso muda o peso do silêncio do quarto.

Às vezes, o que salva um dia inteiro é só saber que alguém lembrou de você.

Capítulo IV — Hogsmeade, sorriso e memória do jogo

Entre as cartas, chega uma de Hogwarts dizendo algo que, por si só, já muda o clima: os alunos estão permitidos a visitar Hogsmeade. E aqui eu sorrio.

Por quê? Porque eu conheço Hogsmeade por Hogwarts Legacy. É a vila que, no jogo, vira quase um eixo: o lugar onde comprei minha varinha, minha vassoura, poções, plantas, pergaminhos. É uma das primeiras vilas que se visita, e depois disso se torna recorrente, familiar, segura.

Então existe algo muito particular nesse momento: eu quero ver o livro descrevendo um lugar onde eu “estive” inúmeras vezes, ainda que de outra forma. Quero ver como a literatura pinta o que o jogo me deixou como memória visual e afetiva. E, ao mesmo tempo, há um desejo simples e humano: tomara que Harry consiga a permissão. Não porque isso muda o mundo, mas porque muda a experiência dele.

Certos lugares não são só cenário. São promessa de respirar fora da dor.

Capítulo V — Humor de bruxo: queimados que não queimam

O capítulo traz também uma passagem que é, ao mesmo tempo, estranha e hilária: a ideia de bruxos sendo queimados. O texto trata isso de um jeito tão leve que parece quase absurdo. Nenhum bruxo sofreu nada, porque eles usavam chamas “geladas”, que faziam no máximo cócegas. E uma bruxa gostava tanto disso que foi “queimada” quarenta e sete vezes.

Eu acho que o número é esse — e, mesmo que não fosse, o espírito da passagem é claro. Existe um humor muito específico aqui: o mundo trouxa tentando punir algo que não entende, e o mundo bruxo respondendo não com vingança, mas com ironia. É o tipo de detalhe que deixa Hogwarts mais vivo, porque mostra que a magia não serve apenas para grandes batalhas. Ela existe também no anedótico, no ridículo, no cotidiano.

O humor, às vezes, é só a inteligência se recusando a se desesperar.

Capítulo VI — Presentes que revelam o mundo

Os Weasleys seguem no Egito, e Harry recebe presentes que carregam o tempero desse universo. De Rony, um presente que acende quando algo está acontecendo — como se até a amizade viesse com utilidade mágica. De Hermione, um kit de manutenção de vassoura, que tem aquela aura dela: cuidado, método, atenção ao detalhe.

E de Hagrid… de Hagrid vem o inesperado. Um livro que sai correndo pelo quarto. A cena tem aquela assinatura típica dele: o carinho vem acompanhado de caos. Hagrid nunca entrega algo comum. Ele entrega algo que vive, que reage, que assusta, que dá trabalho.

Se não me falha a memória, eu me lembro dessa cena no filme: o livro tentando morder, andando pelo quarto como se fosse uma aranha ou um caranguejo. Mas eu teria que rever para encaixar essa imagem com exatidão. Ainda assim, a lembrança existe. E, de novo, o livro e o filme começam a se sobrepor na memória como camadas diferentes da mesma história.

Hagrid tem esse dom: até quando ajuda, ele bagunça o mundo — do melhor jeito.

Capítulo VII — Um capítulo confortável antes da virada

No fim, este primeiro capítulo tem algo raro: conforto. Não porque a vida de Harry esteja boa, mas porque há menos castigo explícito e mais um tipo de espera suportável. Ele está no quarto, sim. Sem acesso às coisas de magia, sim. Mas não está esmagado pela punição como em outros momentos.

É como se o livro estivesse respirando antes de avançar. Como se dissesse: “calma, ainda dá tempo de lembrar do que é normal antes de quebrar tudo de novo”. E isso funciona.

O ano letivo começa em 1º de setembro, como sempre. E essa frase, simples, carrega uma espécie de destino inevitável: Hogwarts está chegando. E com Hogwarts, sempre vem algo que muda tudo.

Em Hogwarts, o calendário é fixo. O perigo, não.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

February 14th - Valentine's Day

O Dia de São Valentim de 2026 veio logo depois de uma sexta-feira 13. Talvez não houvesse combinação mais honesta para o meu estado atual.

1. O amor depois do terror

O Dia de São Valentim chegou logo após uma sexta-feira 13. O dia do amor vindo imediatamente depois do dia do terror. Se existe metáfora mais fiel ao meu momento, eu desconheço.

Em 2026, eu estou quebrado no quesito acreditar no amor romântico. Não no carinho humano. Não na amizade. Mas naquele amor exposto, afirmado, declarado. Aquele amor que não pede licença para existir.

Algumas datas não nos encontram. Elas nos expõem.

São Valentim, segundo a tradição, foi um bispo que realizava casamentos proibidos pelo imperador. Um homem que defendia o amor mesmo quando o poder o condenava. Há algo de belo nisso. E há algo de profundamente irônico também.

Porque parte de mim, neste momento, desejaria o contrário. Quem me dera existisse um imperador que proibisse a afeição. Que tornasse ilegal aquilo que me atravessa.

2. O amor que me quebrou

O meu último amor romântico me quebrou. Não com violência. Não com escândalo. Mas com facilidade. Com rapidez. Com motivos mundanos.

Fui descartado como quem reorganiza prioridades. Como quem troca de plano. Como quem fecha uma aba.

E então veio a parte mais difícil. Eu a vi se apaixonar completamente por outra pessoa. Se entregar. Falar sobre respeito, confiança, conexão, romantismo, intensidade.

Eu vi ela desejar a última história da vida. Eu vi ela oferecer a alguém um amor que eu nunca tive. E que eu sempre quis.

O que dói não é perder alguém. É assistir alguém oferecer a outro aquilo que você sonhou receber.

Talvez seja ego ferido. Talvez seja inveja. Talvez seja apenas tristeza. Mas aquilo me quebrou.

3. A sensação de não ser digno

O que mais me atravessou não foi o fim. Foi a comparação pública.

A minha melhor versão não foi digna de ser amada daquela forma. Pelo menos é assim que parece. Não houve declarações públicas. Não houve admiração gritante. Não houve aquela sensação de ser escolhido com intensidade.

Na verdade, olhando para trás, eu não sei se alguma vez fui amado dessa forma. De maneira exposta. De maneira orgulhosa. De maneira celebrada.

Existe uma diferença brutal entre ser gostado e ser admirado.

E talvez o que mais doa seja essa impressão persistente: eu sou alguém para ser, no máximo, gostado. Nunca amado de forma escancarada. Sussurrado. Nunca gritado.

4. O espelho quebrado

Existe uma parte enorme de mim que adoraria viver esse tipo de amor. Ser visto. Ser escolhido. Ser admirado.

Mas há coisas que não se pedem. Há coisas que não se negociam. Há coisas que só podem existir quando nascem orgânicas. E talvez o meu espelho esteja quebrado.

Porque eu não consigo me enxergar como alguém que seria admirado em público. Não consigo me ver como alguém que geraria declarações. Parece que minha presença ocupa sempre o lugar discreto. O lugar seguro. O lugar confortável.

Às vezes não é o mundo que não nos vê. É o reflexo que nos diminui.

Eu vejo por todo lado pessoas declarando, expondo, celebrando seus amores. Mesmo anonimamente, é possível perceber admiração. "Há flores em tudo que eu vejo..." Só não são para mim.

5. O amor morto em Crystal Lake

Neste Dia de São Valentim, logo após uma sexta-feira 13, eu me sinto mais próximo de um amor que morreu em Crystal Lake do que de um amor nascendo cheio de carinho e admiração.

O lago da infância, o lago do terror cinematográfico, hoje vira metáfora. Não é Jason que me assombra. É a sensação de não ter sido suficiente.

Não é o monstro que mata. É a crença de que nunca fomos dignos de ser escolhidos.

E ainda assim, existe algo que eu preciso reconhecer: querer ser amado não é fraqueza. Desejar admiração não é vaidade. Sentir falta de intensidade não é imaturidade.

Talvez o meu espelho esteja rachado. Mas isso não significa que eu seja invisível. Significa apenas que, hoje, eu ainda não consigo me ver inteiro.

E talvez, neste Dia de São Valentim, a única coisa que eu precise admitir é que o amor romântico não morreu. O que morreu foi uma expectativa.

Nem todo amor termina em abandono. Alguns terminam em reconstrução silenciosa.

 
 
Há dias em que o palco está iluminado, o texto decorado, a alma exposta — 
e ainda assim não há ninguém para assistir.
 E o mais difícil não é atuar sozinho. 
É perceber que ninguém estava esperando a cena.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Sexta Feira 13

Sexta-feira 13 nunca foi só um dia. Foi um espelho que mudou de forma ao longo da minha vida.

1. A infância supersticiosa no interior de Minas

Sexta-feira 13, na minha infância, era um dia marcado. Não no calendário oficial, mas no calendário das vozes mais velhas. No interior de Minas, onde cresci, as histórias não vinham dos jornais — vinham das vós, das bisavós, das tias e das tias-avós. Todas profundamente supersticiosas. Todas carregando uma tradição de sinais, presságios e advertências.

Sexta-feira 13 era dia de azar. Dia de fantasmas. De demônios. Um tipo de Halloween fora de época, mas sem fantasia e sem doçura. A ameaça era séria. Era quase ritualística.

E a criança que eu fui aprendia a observar. Olhava o céu. Reparava em ruídos. Prestava atenção em qualquer coisa que pudesse confirmar que aquele dia tinha algo de diferente.

Quando somos pequenos, aprendemos a temer antes mesmo de entender.

Não era medo cinematográfico. Era medo herdado. Medo transmitido como sabedoria. E, no interior, tradição não se questiona — se respeita.

2. O nascimento do cinéfilo e o encontro com Jason

Antes mesmo de entrar na adolescência, o cinéfilo que já nascia em mim quis ir além da superstição oral. Quis ver. Quis testar. E assim começaram as idas às locadoras de VHS.

Sexta-feira 13 deixou de ser apenas um aviso. Virou uma franquia. Eu alugava uma fita aqui, outra ali. Assistia escondido da ideia de que talvez estivesse invocando algo.

E então surgiu Jason. Mais especificamente, a partir da parte 4, quando eu já tinha uns nove, dez, talvez onze anos, idade suficiente para entender que aquilo era ficção, mas jovem o bastante para ainda sentir o impacto.

Jason era a figura amedrontadora. Máscara. Facão. Silêncio. Presença inevitável.

O cinema me ensinou que o medo também pode ser consumido em capítulos.

Eu assisti todos. E fiz algo curioso: joguei jogos onde eu fugia de Jason — e outros onde eu era o próprio Jason.

Talvez ali estivesse uma metáfora precoce: entender o monstro é uma forma de diminuir o medo. E, às vezes, vestir a máscara é uma maneira de domesticar o pavor.

3. A descoberta adulta

A minha versão adulta aprendeu algo que nenhum filme explicou. Os monstros de verdade não saem de um lago. Não usam máscara. Não anunciam sua chegada com trilha sonora.

Muitas vezes, eles não têm aparência de monstros. Muitas vezes, entram na nossa vida com naturalidade. Às vezes, entram por convite.

O monstro mais perigoso é aquele que não parece ameaça quando chega.

Eu não sei se passei algum tempo tendo medo do Jason. Mas sei que não tive medo de coisas muito mais silenciosas. De situações que não vinham com aviso. De pessoas que não vestiam máscara. De decisões que pareciam pequenas.

Descobri que a vida adulta não precisa de facão para cortar. Ela corta com escolhas. Com omissões. Com lugares que aceitamos ocupar.

4. Crystal Lake não é o perigo

Hoje, numa sexta-feira 13, sentado aqui diante de Crystal Lake, com a sombra invisível de Jason perambulando pela água ou pela floresta, escrevendo calmamente essas palavras, eu posso afirmar algo com serenidade: não é ele que me causa medo.

A sexta-feira 13 não é pior do que outros dias. Eu já vivi milhares de dias piores. Dias que não tinham trilha sonora. Dias que não vinham com aviso. Dias que não carregavam nenhuma superstição no calendário.

Não é o dia que carrega o perigo. Somos nós que carregamos as decisões.

O monstro que me feriu não se afogou em Crystal Lake. Não usa máscara. Não empunha um facão.

Ele se disfarça de escolha. De insistência. De permanência onde não deveria haver permanência.

5. A verdadeira sexta-feira 13

Para essa sexta-feira 13, a reflexão é simples e desconfortável: estar em Crystal Lake não é o maior risco.

O risco maior foram os lugares onde eu aceitei estar. As situações que normalizei. As histórias que tolerei.

Sexta-feira 13 nunca foi sobre azar. Foi sobre projeção. Sobre externalizar o medo. Sobre colocar o monstro fora de nós.

O verdadeiro terror não mora no lago. Mora naquilo que aceitamos como inevitável.

E talvez amadurecer seja exatamente isso: olhar para o lago, olhar para a máscara, e perceber que o perigo mais real não estava ali.

Ele estava nas escolhas. E nas vezes em que eu disse “sim” quando deveria ter dito “não”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 18

Capítulo I — O retorno à superfície

O capítulo 18 começa com um retorno. Harry, Rony e Gina surgem novamente no mundo “normal”, acompanhados por uma versão completamente desmemoriada de Lockhart. Eles chegam à sala da professora McGonagall, onde já estão os pais de Rony e Gina, além de Dumbledore.

O contraste é imediato. Depois de basiliscos, diários amaldiçoados e descidas subterrâneas, estamos de volta a uma sala de Hogwarts. Mas nada ali é exatamente igual ao que era antes.

Voltar nem sempre significa retornar ao mesmo lugar.

Capítulo II — Dumbledore já sabia

Harry conta tudo o que aconteceu. E, enquanto fala, percebe algo importante: Dumbledore compreende mais do que parece.

Ele entende que Tom Riddle enfeitiçou Gina. Que foi Tom quem abriu a Câmara Secreta cinquenta anos atrás. Que o diário era o elo entre passado e presente.

Dumbledore não reage com surpresa exagerada. Ele reage com entendimento. Como alguém que já via aquelas possibilidades há muito tempo.

Há mestres que não esperam provas — apenas confirmação.

Capítulo III — A dúvida que ainda persiste

Mesmo depois de tudo, Harry continua carregando uma dúvida antiga: se ele teria sido melhor na Sonserina. A sombra dessa possibilidade nunca o abandona por completo.

É então que Dumbledore oferece uma resposta definitiva. Harry só conseguiu tirar a espada de Gryffindor do Chapéu Seletor porque ele pertence, de fato, à Grifinória.

Não é o talento que define a casa. É a escolha.

Não somos definidos pelo que podemos ser, mas pelo que escolhemos ser.

Capítulo IV — Tudo se encaixa

As peças finais se organizam. Lockhart lançou um feitiço contra si mesmo. Gina foi enfeitiçada, não culpada. A Câmara Secreta foi aberta por manipulação, não por acaso.

Harry só foi salvo pelas lágrimas da fênix porque foi fiel a Dumbledore. Nada ali é coincidência. Tudo responde a algo que já havia sido estabelecido antes.

Histórias bem contadas não fecham portas — fecham ciclos.

Capítulo V — Lúcio Malfoy e o elfo esquecido

Lúcio Malfoy aparece acompanhado de Dobby, o elfo doméstico da família Malfoy. É Dobby quem revela a verdade final: foi Lúcio quem colocou o diário nos livros de Gina.

Harry percebe isso rapidamente. E age.

Ele coloca sua própria meia suja dentro do diário e o entrega a Lúcio. Lúcio, com desprezo, joga a meia fora. Quando Dobby a pega, está livre.

Às vezes, a liberdade nasce do gesto mais simples.

Capítulo VI — Festa, cura e reconhecimento

Com a Câmara Secreta fechada, Hogwarts respira novamente. Há uma festa. As restrições caem. Os alunos petrificados são curados com a poção.

Grifinória vence a Taça das Casas. O heroísmo de Harry e Rony é reconhecido. Pela primeira vez em muito tempo, a escola parece segura.

Depois do medo, o alívio parece sempre exagerado — e talvez deva ser.

Capítulo VII — O fim do ano e o que espera fora do castelo

O ano termina. Harry troca contatos com Rony e Hermione, já antecipando o que o espera na casa dos Dursleys.

Fica a pergunta inevitável: por que Harry não pediu para ficar em Hogwarts, como Tom Riddle havia feito no passado?

Talvez Harry simplesmente não tenha pensado nisso. Ou talvez, no fundo, ele ainda acredite que suportar também é parte do que ele é.

Alguns lares não acolhem, apenas esperam.

Capítulo VIII — Um livro fechado, uma história que continua

Assim termina Harry Potter e a Câmara Secreta. A história se encerra, mas o caminho de Harry não.

Sabemos que as férias nos Dursleys não serão fáceis. Sabemos que algo mais ainda está por vir.

Isso fica para o próximo livro.

Todo fim é apenas o ponto exato onde outra história começa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 17

Capítulo I — Quase o fim, mas não o fim

Eu estava errado. O capítulo 17 não é o último capítulo do livro. Ainda assim, ele está perigosamente próximo do encerramento da história. É aquele ponto em que tudo aquilo que vinha sendo preparado finalmente se revela.

Harry chega à Câmara Secreta e encontra Tom Riddle ao lado de Gina. Não é um confronto imediato, mas um encontro carregado de significado. Aqui, a narrativa deixa de sugerir e passa a afirmar.

Alguns encontros não surpreendem — eles apenas confirmam um pressentimento antigo.

Capítulo II — Tom Riddle é uma lembrança

Neste capítulo, Harry descobre algo essencial: Tom Riddle não está ali de verdade. Ele é uma lembrança. Uma memória preservada.

Mas não é só isso. Harry descobre que Tom Riddle é o próprio Lord Voldemort. A revelação é pesada, quase cruel. Mais uma vez, Voldemort cruza seu caminho. Mais uma vez, a intenção é clara: matar Harry.

O impacto não está apenas na identidade, mas na repetição. Voldemort insiste em existir na vida de Harry, mesmo quando deveria ser apenas passado.

Algumas sombras não pertencem ao ontem. Elas insistem em caminhar conosco.

Capítulo III — O passado de Hagrid e o nascimento do monstro

Tom Riddle revela ainda mais. Foi ele quem arruinou a vida de Hagrid. Foi ele quem fez com que Hagrid fosse expulso, responsabilizado por algo que nunca fez.

Aqui já é possível enxergar os primeiros contornos de Voldemort como bruxo das trevas. Não apenas pelo uso da magia, mas pela manipulação, pela escolha consciente de destruir a vida de outro para salvar a própria imagem.

O mal raramente começa grandioso. Ele começa conveniente.

Capítulo IV — O plano de Dumbledore se revela

É neste ponto que percebemos que Dumbledore nunca esteve realmente ausente. Seu plano começa a se manifestar.

A fênix desce até a Câmara Secreta. Ela traz o Chapéu Seletor e a espada de Gryffindor. Neste capítulo, a espada ainda não é nomeada. O nome virá depois.

Memórias do livro e do filme começam a se sobrepor aqui. Especialmente na cena em que Tom Riddle revela que seu nome é um anagrama de Lord Voldemort.

No filme, essa revelação é mais cinematográfica, mais visual. É um dos raros momentos em que a adaptação consegue ser mais impactante que o texto.

Às vezes, o cinema grita o que o livro prefere sussurrar.

Capítulo V — O basilisco e a intervenção necessária

O confronto com o basilisco acontece. A fênix fura seus olhos, e esse detalhe, curiosamente, eu não lembrava até acontecer. Quando acontece, a memória retorna.

Harry pega a espada. Mata o basilisco. Mas não sem custo. A presa da criatura fica cravada em seu braço.

Harry é salvo pelas lágrimas da fênix, que possuem poderes curativos. Dumbledore havia mencionado isso muito antes, em sua sala. Nada aqui é gratuito.

Nenhuma vitória vem limpa. Toda vitória cobra algo.

Capítulo VI — Diário, destruição e equilíbrio

No embate final entre Harry e Tom Riddle, Harry usa a presa do basilisco para perfurar o diário.

A participação da fênix é essencial. Sem ela, tudo soaria forçado. Um garoto do segundo ano não derrotaria um basilisco e uma versão de Tom Riddle com dezesseis anos, já profundamente envolvido com as artes das trevas.

A fênix equilibra a narrativa. Torna o impossível plausível.

Às vezes, a ajuda não diminui o herói. Ela torna a história honesta.

Capítulo VII — Consequências que se encaixam

Gina está viva. O diário foi destruído. A lembrança de Tom Riddle desaparece.

Na volta, a fênix também os conduz para fora, acompanhados por Lockhart, agora completamente desmemoriado.

O feitiço de apagar memórias voltou contra ele mesmo. E aqui, mais uma peça antiga se encaixa: a varinha quebrada de Rony, lá no começo da história, foi responsável pelo feitiço dar errado.

Isso permite que Harry e Rony derrotem um bruxo adulto. Algo que, sem esse contexto, também pareceria forçado.

As falhas antigas costumam cobrar juros, mas às vezes rendem salvação.

Capítulo VIII — História encerrada, livro ainda aberto

O capítulo 17 fecha a história de Tom Riddle e do basilisco. O conflito central está resolvido.

Mas o livro ainda não acabou. Ainda existe o capítulo 18. Ainda há consequências, explicações, amarrações finais.

A história terminou. O livro, ainda não.

Nem todo final é silêncio. Alguns ainda precisam de eco.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 16

Capítulo I — Quando tudo começa a fechar

O capítulo 16 é aquele ponto da história em que não há mais como fingir que estamos apenas investigando. Aqui, o enredo chega claramente aos seus finalmentes. As peças não estão mais soltas; elas começam a se encaixar com uma precisão quase incômoda.

Com a informação de que quem foi morta pelo monstro da Câmara Secreta foi a Murta que Geme, Harry e Rony decidem confirmar isso diretamente. Não por curiosidade, mas por necessidade. A verdade agora exige verificação.

Quando o mistério começa a se resolver, a urgência substitui o medo.

Capítulo II — A escola continua, apesar de tudo

Mesmo com tudo acontecendo, Hogwarts segue tentando existir como escola. As provas são marcadas, o calendário anda, e isso força Harry e Rony a lembrar que ainda estão em um ambiente acadêmico, ainda são alunos.

Mas a escola está irreconhecível. Não há passeios, não há quadribol, não há liberdade. Os alunos não podem sair sozinhos, estão sempre acompanhados por professores. Hogwarts virou um espaço de contenção, não mais de descoberta.

Quando a segurança domina tudo, o aprendizado vira sobrevivência.

Capítulo III — Vigilância, mentira e Hermione petrificada

Harry e Rony querem perguntar a Murta o que realmente aconteceu, mas são constantemente vigiados. Qualquer movimento fora do esperado chama atenção. Quando finalmente tentam escapar, o fazem pela rota mais previsível possível: seguindo o professor mais incompetente da escola, Lockhart.

Acabam sendo interceptados por McGonagall e mentem, dizendo que queriam visitar Hermione. A mentira é prática, quase automática. Afinal, como explicar que querem ir ao banheiro feminino investigar um assassinato?

Ao verem Hermione ainda petrificada, percebem algo em sua mão. Uma página arrancada de um livro. Hermione, fiel à sua natureza, descobriu tudo antes mesmo de cair.

Algumas mentes continuam trabalhando mesmo quando o corpo é silenciado.

Capítulo IV — O basilisco e a lógica perfeita

No papel está a resposta: o monstro é um basilisco. A partir daí, tudo faz sentido.

Basiliscos são inimigos naturais das aranhas — o que explica o relato de Aragog. Têm medo do canto do galo — e isso se conecta diretamente com os galos de Hagrid mortos antes dos ataques.

É uma serpente — por isso Harry a ouvia, enquanto os outros não. Ela se move pelos canos — o que explica as vozes nas paredes e a forma como os ataques aconteciam.

Ninguém morreu porque ninguém a viu diretamente. Todos tiveram algum tipo de reflexo: a Madame Norra pela água, Colin pela câmera, outro aluno através do fantasma do Nick Quase-Sem-Cabeça, Hermione e outra aluna pelo espelho.

Quando a verdade surge, ela reorganiza o passado inteiro.

Capítulo V — O sequestro de Gina

A entrada da Câmara Secreta fica clara: o banheiro da Murta. Tudo aponta para lá. Mas, antes que consigam alertar os professores, a tragédia se antecipa.

Gina Weasley é sequestrada. E isso muda completamente o tom da investigação. Agora não é mais sobre entender o que aconteceu — é sobre salvar alguém.

Harry e Rony percebem que Gina provavelmente descobriu algo. Ela estava prestes a contar algo a eles. E isso foi o suficiente para colocá-la em perigo.

Quando alguém descobre a verdade cedo demais, o preço costuma ser alto.

Capítulo VI — Lockhart, o charlatão

Os dois procuram Lockhart, oficialmente designado para enfrentar o monstro. E é aqui que a farsa se revela por completo.

Lockhart admite que nunca lutou contra monstro algum. Ele apenas entrevista quem realizou grandes feitos, publica como se fossem seus e apaga a memória das pessoas envolvidas.

Quando tenta apagar a memória de Harry e Rony para fugir, Harry reage com um feitiço que sempre me arranca um sorriso: Expelliarmus.

Minha referência primária desse feitiço vem de Hogwarts Legacy, então toda vez que ele aparece no livro, ocorre essa inversão curiosa: o jogo vira minha memória afetiva, mesmo sabendo que a origem é literária.

Algumas referências nascem fora da ordem, mas ainda assim criam vínculo.

Capítulo VII — A descida

Eles levam Lockhart até o banheiro da Murta. Conversam com ela. Descobrem exatamente como ela morreu. E veem, finalmente, a entrada da Câmara Secreta — o lugar de onde o basilisco saiu.

A entrada exige língua de cobra. Um detalhe que também aparece em Hogwarts Legacy, onde o local existe, mas permanece fechado para quem não fala parcelmouth. Uma referência elegante e respeitosa ao material original.

Harry fala na língua das cobras. A passagem se abre. Eles descem com Lockhart.

Algumas portas só se abrem para quem carrega a maldição certa.

Capítulo VIII — Separação e inevitabilidade

Lá embaixo, Lockhart tenta novamente lançar o feitiço de esquecimento, agora com a varinha de Rony. Mas há um detalhe que nunca foi esquecido: a varinha de Rony está quebrada desde o episódio do carro.

O feitiço dá errado. Volta contra o próprio Lockhart. E, no caos, uma parede de pedra desaba, separando Harry de Rony.

Harry segue sozinho. Ele encontra, ao final do capítulo, a verdadeira entrada da Câmara Secreta: duas cobras com olhos de esmeralda.

A história está pronta para se encerrar. O herdeiro de Salazar. O basilisco. O destino de Gina.

Quando o caminho termina em solidão, não há mais escolha além de avançar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 15

Capítulo I — Quando as dicas finalmente começam a fazer sentido

No capítulo 15, a história já anda de forma considerável. Não é mais um avanço tímido, nem uma preparação disfarçada. As pistas dadas anteriormente começam a se alinhar. Hagrid deixou a frase ecoando: “sigam as aranhas”. Dumbledore, por sua vez, deixou algo ainda mais importante, quase filosófico: basta alguém precisar de mim e eu estarei lá. Sou fiel a quem ainda confia em mim.

Essa fala de Dumbledore ganha peso agora. Ele não abandona antes da hora. Não desaparece por covardia. Ele confia que os outros precisam crescer, errar, caminhar sozinhos — e isso, de certa forma, já está acontecendo.

Algumas ausências não são abandono. São confiança disfarçada.

Capítulo II — A escola em estado de cerco

Apesar das pistas e dos avanços silenciosos, Hogwarts segue funcionando. As aulas continuam. Mas o clima mudou. Os professores apertam o cerco, endurecem regras, aumentam a vigilância. Os ataques não cessaram, e a escola reage do único jeito que sabe: restringindo.

Cada nova regra carrega medo. Não é disciplina pedagógica, é contenção. A sensação é de que todos estão esperando o próximo ataque acontecer.

Quando o medo governa, a ordem deixa de ensinar e passa apenas a conter.

Capítulo III — Aranhas em movimento

É durante a aula de Herbologia que Harry e Rony veem algo aparentemente banal: aranhas se movendo em direção à Floresta Negra. Pequeno detalhe, mas carregado de significado. A frase de Hagrid retorna. A dica finalmente encontra um caminho concreto.

Eles decidem seguir. Não por coragem heroica, mas porque já não restam muitas opções. Quando as respostas não vêm até você, resta caminhar em direção a elas.

Às vezes, a verdade não se esconde. Ela apenas exige que alguém a acompanhe.

Capítulo IV — A absolvição que chega tarde

Na Floresta Negra, as descobertas finalmente acontecem. Hagrid não abriu a Câmara Secreta. Não foi a aranha que atacou as pessoas cinquenta anos atrás.

O passado se revela torto. Hagrid foi pego. A aranha levou a culpa. Não porque eram culpados, mas porque eram convenientes.

A narrativa deixa claro algo desconfortável: a verdade nem sempre vence — às vezes, ela apenas sobrevive tempo suficiente para ser redescoberta.

A justiça costuma errar primeiro e perguntar depois.

Capítulo V — O banheiro e a morte esquecida

Com a culpa das aranhas descartada e Hagrid finalmente inocentado, outra peça se encaixa. O ataque original aconteceu no banheiro. E é aí que o capítulo entrega sua revelação final.

Quem morreu naquela época foi a Murta que Geme. A vítima que nunca deixou o local do crime. A presença constante que sempre esteve ali, chorando, reclamando, sendo ignorada.

A resposta estava à vista desde o início. Mas como quase sempre acontece, ninguém levou a vítima a sério.

Algumas verdades permanecem escondidas porque ninguém escuta quem já morreu.

Capítulo VI — O quebra-cabeça começa a se fechar

O capítulo 15 não encerra a história, mas finalmente limpa o terreno. Hagrid é inocente. As aranhas não são culpadas. O local do primeiro ataque está definido.

O que antes era confusão agora começa a ganhar forma. O mistério já não é caótico, é direcionado.

E quando uma história chega a esse ponto, o perigo deixa de ser abstrato. Ele passa a ter endereço.

Quando a verdade aponta um lugar, o confronto se torna inevitável.