Capítulo I — Finalmente a história encontra seu rumo
Se eu tivesse que escolher um capítulo para marcar o verdadeiro início da segunda metade de A Ordem da Fênix, provavelmente escolheria este.
Não porque aconteça algo gigantesco.
Não porque Voldemort apareça.
Não porque exista uma grande revelação.
Mas porque finalmente vemos várias linhas narrativas convergirem para um mesmo ponto.
Harry deixa de apenas reagir aos acontecimentos e passa a agir.
Durante muitos capítulos Harry foi empurrado pela história. Agora ele começa a empurrar a história de volta.
E isso muda completamente a energia do livro.
Capítulo II — A tempestade fora e dentro de Hogwarts
O treino da Grifinória é finalmente liberado.
Mas a sensação de vitória dura pouco.
A chuva transforma tudo em caos.
Os treinos não rendem.
Os jogadores cometem erros.
Rony continua inseguro.
E Harry continua carregando preocupações maiores do que quadribol.
É curioso como o clima parece refletir o estado emocional dos personagens.
Às vezes a chuva não está apenas caindo do céu. Ela está caindo dentro das pessoas.
Capítulo III — A paranoia deixa de ser paranoia
Um dos elementos mais interessantes do capítulo é que Harry já não parece exagerado quando suspeita estar sendo vigiado.
Nos capítulos anteriores poderia existir dúvida.
Talvez fosse impressão.
Talvez fosse trauma.
Talvez fosse excesso de preocupação.
Agora não.
Edwiges foi atacada.
As cartas podem estar sendo interceptadas.
Umbridge claramente está tentando controlar informações.
A vigilância é real.
Existe uma enorme diferença entre paranoia e perseguição. A diferença é que uma delas realmente está acontecendo.
Capítulo IV — A revolução dos gorros
A situação dos elfos domésticos continua sendo uma das histórias paralelas mais curiosas do livro.
Hermione tenta libertá-los.
Os elfos não querem ser libertados.
Hermione insiste.
Os elfos ficam ofendidos.
É uma dinâmica muito mais complexa do que parecia quando começou.
E o resultado acaba sendo bastante engraçado.
Todos param de limpar a sala comunal.
Menos um. Dobby.
Toda revolução produz consequências inesperadas. Até mesmo uma revolução feita de gorros de lã.
Capítulo V — Dobby volta a ser importante
Uma das coisas que mais gosto neste capítulo é o retorno de Dobby.
Ele passou um bom tempo aparecendo pouco.
Mas quando surge novamente, traz consigo algo fundamental para a história.
A Sala Precisa.
E é muito interessante que essa descoberta venha justamente dele.
Porque Dobby sempre esteve ligado aos cantos escondidos de Hogwarts.
Ele conhece passagens. Conhece segredos. Conhece caminhos que os alunos ignoram.
Dobby conhece Hogwarts melhor do que quase qualquer aluno.
Algumas das maiores descobertas não vêm dos heróis. Vêm das pessoas que conhecem os bastidores.
Capítulo VI — A Sala Precisa é uma ideia brilhante
A primeira vez que conhecemos a Sala Precisa é um daqueles momentos em que Hogwarts volta a parecer mágica de uma forma muito especial.
Porque não é apenas uma sala secreta.
Ela responde a uma necessidade.
Ela aparece quando é necessária.
Ela oferece exatamente aquilo que a pessoa procura.
É uma das ideias mais criativas de toda a série.
Alguns lugares são construídos por arquitetos. Outros parecem ter sido construídos pelos desejos das pessoas.
Capítulo VII — O nascimento real da Armada de Dumbledore
O encontro em Hogsmeade foi a fundação.
Mas aqui nasce o grupo de verdade.
Agora existe um local.
Agora existe uma aula.
Agora existe um objetivo.
E, principalmente, agora existe um professor.
Harry.
O mais curioso é que ele não se vê como professor.
Mas os outros alunos veem.
Muitas vezes a liderança começa quando os outros acreditam em você antes mesmo que você acredite.
E é exatamente isso que está acontecendo.
Capítulo VIII — O primeiro feitiço não poderia ser outro
Existe algo muito simbólico no fato de Harry começar ensinando o Expelliarmus.
Entre todos os feitiços possíveis.
Entre todas as maldições.
Entre todos os encantamentos.
Ele ensina justamente aquele que desarma o inimigo.
Não deixa de ser poético que um grupo criado para aprender defesa contra as artes das trevas comece aprendendo a melhor das defesas.
É uma escolha perfeita para representar o que a Armada se tornará.
Capítulo IX — Cho Chang e os pequenos sinais
No meio de toda essa tensão existe espaço para algo muito adolescente.
Cho ficando nervosa.
Harry ficando nervoso.
Os dois percebendo a presença um do outro.
E nenhum deles sabendo exatamente o que fazer.
É um contraste interessante.
Porque estamos falando de alunos treinando para enfrentar um bruxo das trevas.
Mas ainda assim continuam sendo adolescentes.
O fim do mundo pode estar chegando. Mas isso não impede alguém de ficar nervoso diante de uma paixão.
Rowling sempre foi muito boa nesses pequenos contrastes.
Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo
Para mim, este capítulo fala sobre construção.
Construção de confiança.
Construção de resistência.
Construção de amizade.
Construção de conhecimento.
Durante boa parte do livro vimos o Ministério construir medo.
Vimos Umbridge construir controle.
Vimos o Profeta Diário construir mentiras.
Agora vemos Harry construir algo diferente.
Uma comunidade.
Um espaço seguro.
Uma forma de preparação para o que está por vir.
As trevas costumam crescer através do medo. A resistência cresce através da união.
E o capítulo 18 marca exatamente o nascimento dessa resistência.
Não apenas da Armada de Dumbledore.
Mas da confiança de Harry em si mesmo.


















