Capítulo I — Consequências imediatas
O capítulo 8 começa exatamente no instante em que o capítulo anterior termina.
Harry continua caído no chão do trem, imobilizado pelo feitiço de Draco Malfoy, com o nariz quebrado e escondido sob a própria capa da invisibilidade.
Talvez seja um dos finais mais desconfortáveis de toda a série até aqui.
Não existe plano de fuga.
Não existe solução improvisada.
Não existe golpe de sorte.
Existe apenas Harry deitado no chão, ouvindo todos os alunos deixarem o Expresso de Hogwarts e acreditando que ficará ali até alguém eventualmente perceber seu desaparecimento.
Sua cabeça naturalmente começa a criar cenários cada vez piores.
Malfoy contando para todos.
As pessoas rindo dele.
Seu desaparecimento virando motivo de piada.
É um momento pequeno, mas muito humano.
Às vezes o pior castigo não é a dor física. É a humilhação que imaginamos que virá depois dela.
Capítulo II — A chegada inesperada de Tonks
Mas alguém aparece.
E esse alguém é Tonks.
Talvez justamente a última pessoa que Harry esperaria encontrar ali.
Descobrimos que ela está posicionada em Hogsmeade ajudando na segurança de Hogwarts e dos alunos.
Isso ajuda a reforçar uma das principais mudanças do sexto livro:
A guerra não está mais distante.
Ela não está acontecendo apenas em reuniões secretas da Ordem da Fênix.
Ela está alterando a rotina da escola.
Está alterando o transporte.
Está alterando a segurança.
Está alterando tudo.
Hogwarts continua sendo Hogwarts.
Mas já não é mais o castelo protegido e isolado dos primeiros livros.
Quando a guerra chega, até os lugares que pareciam eternamente seguros começam a mudar.
Capítulo III — O Patrono de Tonks
Existe um detalhe pequeno nesse capítulo que provavelmente terá importância mais para frente.
Tonks envia um Patrono para avisar Hagrid sobre Harry.
Mas Snape imediatamente percebe algo diferente.
Ele comenta que o Patrono dela mudou.
E comenta também que gostava mais do anterior.
Tonks claramente não gosta do comentário.
Existe desconforto.
Existe tristeza.
Existe algo acontecendo ali que ainda não entendemos completamente.
Os Patronos não costumam mudar sem motivo.
Então claramente Rowling está plantando algo para colher mais adiante.
É um daqueles detalhes que a autora costuma espalhar meses antes da revelação.
Em Harry Potter, pequenos comentários quase nunca existem por acaso.
Capítulo IV — Snape continua sendo Snape
Quem acaba indo buscar Harry não é Hagrid.
É Snape.
E naturalmente o encontro entre os dois é tão agradável quanto um acidente ferroviário.
Harry continua carregando toda a raiva do quinto livro.
Continua lembrando da Penseira.
Continua lembrando das aulas de Oclumência.
Continua lembrando da morte de Sirius.
Snape, por sua vez, continua sendo Snape.
Provoca.
Ironiza.
Faz comentários desnecessários.
E parece extrair algum tipo de prazer em deixar Harry desconfortável.
Existe algo curioso nessa relação.
Os dois possuem motivos legítimos para não gostarem um do outro.
Mas nenhum dos dois parece disposto a diminuir a distância entre eles.
Cada encontro apenas aumenta ainda mais o abismo.
Algumas rivalidades sobrevivem ao tempo porque ambos os lados continuam alimentando o incêndio.
Capítulo V — A grande surpresa do banquete
Ao chegarem ao castelo, finalmente acontece o tradicional banquete de início de ano.
Mas desta vez ele traz duas grandes revelações.
A primeira delas é relativamente esperada:
Horácio Slughorn será o novo professor de Poções.
Isso surpreende muitos alunos.
Principalmente porque todos acreditavam que Snape finalmente assumiria a disciplina.
Mas é justamente aí que vem a segunda revelação.
Snape finalmente conseguiu aquilo que desejava havia anos.
Ele se tornou professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Talvez nenhum cargo em Hogwarts tenha sido tão associado a um personagem quanto esse foi associado a Snape ao longo da série.
Livro após livro surgiam comentários.
Livro após livro apareciam insinuações.
Livro após livro ficava claro que era algo que ele desejava profundamente.
Agora finalmente aconteceu.
Alguns desejos demoram tanto para se realizar que, quando finalmente acontecem, deixam de parecer vitórias e passam a parecer presságios.
Capítulo VI — A vitória de Snape
O mais interessante é observar a reação coletiva ao anúncio.
Ninguém comemora.
Ninguém parece feliz.
A sensação é quase de preocupação.
Snape é um excelente bruxo.
Provavelmente um excelente professor do ponto de vista técnico.
Mas ele também é alguém extremamente parcial.
Impaciente.
Cruel em alguns momentos.
Especialmente com Harry.
Ver justamente ele assumindo a disciplina responsável por ensinar defesa e combate cria imediatamente uma sensação de desconforto.
Principalmente porque agora Harry terá contato ainda mais direto com alguém que já tornou sua vida difícil durante cinco anos.
E existe ainda outro detalhe importante.
A cadeira de Defesa Contra as Artes das Trevas possui uma fama terrível dentro da série.
Nenhum professor permanece nela por muito tempo.
Isso transforma a promoção de Snape em algo ainda mais intrigante.
Considerações Finais
O capítulo 8 não é um capítulo de grandes acontecimentos.
Mas ele funciona perfeitamente como uma transição.
Ele fecha a excelente sequência iniciada no capítulo anterior.
Mostra as consequências da derrota de Harry para Draco.
Reforça o clima de guerra ao redor de Hogwarts.
Planta pequenos mistérios envolvendo Tonks.
E termina com uma das maiores mudanças de status da série:
Severo Snape finalmente conseguiu o cargo que perseguia desde o início.
Depois de cinco livros ouvindo sobre esse desejo, finalmente ele se tornou realidade.
A questão agora deixa de ser se Snape conseguiria o cargo.
A verdadeira pergunta passa a ser:
O que exatamente ele fará com ele?
Algumas conquistas representam o fim de uma jornada. Outras representam apenas o começo dos problemas.





