Capítulo I — A pressão não diminui
O capítulo 14 continua exatamente de onde o anterior terminou.
Harry continua preocupado com a dor na cicatriz.
Continua irritado com Dumbledore.
Continua sobrecarregado pelos estudos.
Continua carregando o peso de coisas que ninguém parece disposto a discutir com ele.
É interessante como a Ordem da Fênix não permite que Harry tenha um momento de descanso.
Mesmo quando nada catastrófico acontece, existe uma tensão constante.
Algumas histórias usam monstros para criar medo. Outras usam a espera.
Este livro parece estar usando os dois.
Capítulo II — Cho Chang finalmente deixa de ser um sonho distante
A conversa entre Harry e Cho é pequena, mas é importante.
Porque durante vários livros Cho existiu quase como uma ideia.
Uma paixão distante.
Uma garota admirada de longe.
E aqui, ela começa a se tornar uma pessoa real.
Ela fala com Harry.
Demonstra empatia.
Reconhece o que ele enfrentou.
Às vezes a coragem mais difícil não é enfrentar um dragão. É iniciar uma conversa.
E para Harry isso continua sendo um enorme desafio.
Capítulo III — Filch continua sendo Filch
A cena das bombas de bosta é quase cômica dentro de um livro tão pesado.
Filch continua sendo exatamente quem sempre foi: alguém desesperado para pegar alunos cometendo infrações.
O curioso é que Harry sequer parece surpreso.
É como se certas coisas em Hogwarts fossem tão permanentes quanto os próprios corredores.
Mesmo quando o mundo muda, algumas pessoas permanecem exatamente iguais.
Filch é uma dessas constantes.
Capítulo IV — O começo da insegurança de Rony
O treino de quadribol é um prenúncio importante.
Rony conseguiu algo que desejava.
Mas conseguir uma oportunidade e sentir-se preparado para ela são coisas completamente diferentes.
Ele quer ser goleiro.
Mas agora precisa provar que merece a posição.
E isso o assusta.
Conquistar um sonho costuma ser mais fácil do que conviver com a responsabilidade que vem depois.
O capítulo começa a mostrar exatamente isso.
Capítulo V — A carta de Percy
Talvez a parte mais forte do capítulo seja a carta enviada por Percy, porque ela deixa claro que a ruptura não foi um simples desentendimento familiar.
Percy escolheu um lado e não foi o da família.
Ele escolheu o Ministério.
Escolheu a carreira.
Escolheu a versão oficial dos acontecimentos.
Existem conflitos em que pessoas discordam.
Existem conflitos em que pessoas se afastam.
E existem conflitos em que pessoas escolhem lados.
Capítulo VI — O elogio que machuca
Uma das coisas mais interessantes da carta é que Percy não escreve apenas para atacar Harry.
Ele também parabeniza Rony e isso torna tudo mais complicado.
Porque Rony sempre admirou Percy em algum nível.
Mesmo quando achava o irmão pomposo.
Mesmo quando o criticava.
Ainda existia admiração.
Por isso a carta machuca tanto.
Algumas decepções doem mais quando vêm acompanhadas de elogios.
Porque elas mostram que a pessoa ainda se importa.
Mas escolheu outro caminho.
Capítulo VII — Sirius continua preso ao passado
A conversa pela lareira é uma das mais reveladoras do capítulo.
Porque ela mostra um lado de Sirius que vem aparecendo cada vez mais.
Ele está preso.
Não apenas fisicamente.
Emocionalmente também.
A casa dos Black é uma prisão.
A guerra o afastou do mundo.
E Harry acabou se tornando uma das poucas conexões que restaram.
Algumas pessoas sentem tanta falta da própria vida que começam a viver através da vida dos outros.
Existe um pouco disso acontecendo com Sirius.
Capítulo VIII — A comparação com Tiago Potter
Talvez o momento mais doloroso da conversa seja quando Sirius diz que Harry não se parece com o pai.
Porque ele sabe exatamente onde atingir.
Harry admira Tiago.
Harry quer conhecê-lo.
Harry sente falta de alguém que nunca conheceu.
Então ouvir isso o atinge profundamente.
Mas a fala também revela algo sobre Sirius.
Ele está magoado.
Está frustrado.
Está reagindo emocionalmente.
Muitas vezes as pessoas não dizem o que acreditam. Dizem aquilo que sabem que vai machucar.
E Sirius claramente está falando sob efeito dessa frustração.
Capítulo IX — Harry toma a decisão mais madura
O curioso é que, pela primeira vez em bastante tempo, Harry é o mais responsável da conversa.
Ele não está pensando em aventura.
Não está pensando em quebrar regras.
Não está pensando em diversão.
Ele está pensando em segurança.
Ele entende que Sirius é um homem procurado.
Entende que Malfoy o reconheceu.
Entende que um encontro em Hogsmeade pode dar muito errado.
Crescer é perceber que nem todo risco vale a emoção.
Harry demonstra uma maturidade que Sirius, naquele momento, não demonstra.
Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo
Se eu tivesse que resumir este capítulo em uma única palavra, seria:
Fraturas.
A família Weasley está fraturada por Percy.
Harry e Sirius sofrem uma pequena fratura emocional.
Harry continua afastado de Dumbledore.
O Ministério continua afastado da verdade.
Até Hogwarts parece cada vez mais dividida.
As guerras raramente começam quebrando castelos. Primeiro elas quebram relações.
E este capítulo mostra várias dessas rachaduras começando a aparecer ao mesmo tempo.
Ainda não vemos a queda dos muros.
Mas já conseguimos ouvir os estalos.





