Nos últimos dias, enquanto reorganizava minha biblioteca de jogos, revisava títulos que ainda gostaria de jogar e outros que já não despertavam tanto interesse, comecei a perceber uma característica curiosa na minha relação com os videogames. Uma característica que, embora estivesse presente há muito tempo, talvez eu nunca tivesse observado com a atenção necessária. Foi depois de olhar para os jogos mencionados na minha primeira Jornada Gamer Semanal que essa percepção começou a ganhar forma.
Eu tenho uma tendência muito forte a jogar jogos que não terminam.
Não estou falando necessariamente de jogos que não possuem uma conclusão, mas daqueles cuja experiência não depende de chegar até ela. Jogos que podem continuar indefinidamente, nos quais o encerramento não acontece porque a história acabou, mas porque o jogador decidiu que já estava satisfeito. Em muitos casos, são experiências que podemos reiniciar quantas vezes quisermos, construindo novas jornadas sem precisar seguir uma progressão rigorosamente linear.
Os exemplos mais recentes estão justamente nos meus últimos textos. Cities: Skylines, Bloons TD 6 e Yu-Gi-Oh! são jogos bastante diferentes entre si, mas compartilham essa capacidade de permanecer comigo durante muito tempo. Mesmo quando existe uma campanha, um objetivo ou uma conclusão possível, há sempre alguma coisa que permite continuar jogando.
Foi então que surgiu uma pergunta: eu sempre fui esse tipo de jogador?
Ou essa preferência por experiências praticamente infinitas é uma característica do Dário Gamer atual, construída ao longo dos anos, depois de tantas mudanças na minha rotina, nas plataformas que utilizo e na maneira como encaro os videogames?
Para compreender meus hábitos mais recentes, tenho uma ferramenta bastante conveniente: os sistemas de conquistas. Eles permitem observar o que joguei, quando joguei, o que consegui completar e quais experiências permaneceram comigo durante mais tempo. Mas, quando tento olhar para um passado mais distante, esses registros simplesmente não existem.
Preciso recorrer à memória.
E foi justamente aí que percebi que estava diante de um novo capítulo de algo que já havia explorado em outros textos: as diferentes versões de mim mesmo.
Desta vez, entretanto, a investigação seria feita através dos videogames.
Talvez a maneira como jogamos diga muito sobre quem somos. Mas talvez diga ainda mais sobre quem éramos quando aqueles jogos faziam parte da nossa vida.
Capítulo 1 — O Dário do Velho Testamento
Para encontrar a primeira versão desse jogador, precisei voltar bastante no tempo. Voltar para uma época anterior às bibliotecas digitais, às gamertags, às conquistas e a qualquer sistema que registrasse automaticamente minha história com os videogames.
O Dário do Velho Testamento jogou bastante Atari. Mas foi no Nintendinho que passou uma parte considerável de sua vida como jogador. Foi ali que muitas das minhas primeiras experiências mais duradouras aconteceram, quando jogar ainda significava colocar um cartucho no console, ligar a televisão e descobrir até onde conseguiria chegar.
Resolvi abrir o RetroAchievements e observar os jogos disponíveis para o Nintendo Entertainment System. Inicialmente, minha intenção era bastante simples: tentar identificar quais jogos daquela época eu realmente havia terminado.
Foi quando comecei a perceber que muitos dos títulos que eu jogava tinham uma estrutura muito próxima daquilo que continuo procurando atualmente.
Dois exemplos bastante claros são Ice Climber e Balloon Fight.
São jogos que possuem objetivos e podem apresentar uma conclusão, mas que, na minha experiência, funcionavam quase como jogos infinitos. Eu jogava, repetia, tentava avançar, perdia e começava novamente. O prazer estava muito mais na atividade de jogar do que na necessidade de alcançar um encerramento.
Em minha defesa, existe uma explicação bastante razoável para eu não ter terminado esses jogos naquela época: além da dificuldade, eu gostava muito de jogá-los no multiplayer.
E existe uma particularidade interessante nesses dois títulos. Jogar acompanhado pode tornar a experiência muito mais divertida, mas também pode deixá-la consideravelmente mais difícil.
Principalmente quando a outra pessoa não está preocupada em terminar o jogo.
Normalmente, eu jogava com minha mãe, minhas irmãs ou algum amigo que estava passando um tempo em casa. Não eram necessariamente pessoas interessadas em dominar as mecânicas, memorizar fases ou desenvolver estratégias. Estavam ali para se divertir comigo.
Consequentemente, avançar no jogo nem sempre era a prioridade.
E talvez essa seja uma lembrança importante. Porque, quando observo aqueles jogos hoje, posso pensar em quantas fases deixei de completar ou em quantos desafios nunca consegui superar. Mas, quando penso na experiência que realmente tive, lembro das pessoas que estavam jogando comigo.
O jogo era também uma atividade compartilhada.
Uma desculpa para passar algum tempo juntos.
Entretanto, eu também terminei jogos naquela época. E comecei a tentar lembrar quais eram.
Foi então que surgiu um segundo problema: nem todos os jogos que conheci estão necessariamente disponíveis no RetroAchievements, e nem todos aqueles que estão disponíveis correspondem imediatamente às versões que utilizei.
Minha memória também não é um catálogo perfeito. Existem jogos dos quais lembro claramente, outros que reconheço apenas quando vejo uma imagem e alguns cujos nomes provavelmente já esqueci.
Por isso, em vez de continuar dependendo exclusivamente das lembranças, resolvi transformar a investigação em uma nova atividade.
Capítulo 2 — Uma nova missão: terminar jogos
Criei uma nova pasta para organizar os jogos de Nintendinho que quero revisitar, procurando utilizar as versões compatíveis com o RetroAchievements. Isso significa identificar os arquivos corretos, os hashes reconhecidos e as revisões necessárias para que o sistema consiga registrar as conquistas.
É um trabalho que já se tornou familiar dentro da minha jornada com emulação. E, como sempre, existe alguma satisfação nerd em organizar tudo corretamente antes de começar.
Mas dessa vez surgiu uma missão um pouco diferente.
Terminar jogos.
Não necessariamente completar todas as conquistas. Não necessariamente fazer tudo o que cada jogo oferece. A proposta inicial é chegar ao final daqueles títulos que considero interessantes e que gostaria de concluir.
Essa diferença é importante.
Nos sistemas de conquistas, muitas vezes existe uma distância considerável entre terminar um jogo e completá-lo. Podemos derrotar o último chefe, assistir aos créditos e encerrar a aventura, mas ainda ter dezenas de desafios opcionais esperando para serem realizados.
Minha missão com essa primeira versão do Dário não é transformar todos os jogos do Nintendinho em uma obrigação interminável.
É descobrir quantas dessas experiências eu gostaria de levar até o final.
E aconteceu algo interessante durante essa pesquisa. Enquanto procurava jogos que já havia terminado, comecei a encontrar também jogos que gostaria de jogar novamente. A lista deixou de ser apenas uma investigação sobre o passado e passou a funcionar como um planejamento para o futuro.
Uma surpresa particularmente agradável foi reencontrar Kings of the Beach, ou, como gosto de chamá-lo, Os Reis da Praia.
É um jogo de vôlei de praia de que gosto muito, construído sobre regras diferentes das utilizadas atualmente no esporte. Essa característica faz parte da experiência que conheço e aprecio.
Kings of the Beach reúne três condições que o tornam perfeito para essa nova missão: é um jogo de que gosto bastante, é um jogo que já terminei e, até onde eu sabia, era um jogo que não possuía conquistas disponíveis.
Mas, ao pesquisar novamente, encontrei uma lista de conquistas para ele.
Isso foi uma ótima surpresa.
Agora tenho a possibilidade de revisitar um jogo que já conheço, gosto e terminei, acrescentando uma nova camada de objetivos à experiência.
Ele já entrou na minha lista.
É assim que nasce essa primeira missão do Dário do Velho Testamento: revisitar jogos do Nintendinho, descobrir quais ainda quero jogar e tentar chegar ao final de alguns deles.
Em um segundo momento, provavelmente ampliarei a proposta para o Mega Drive e o Super Nintendo. Imagino que nessas plataformas encontrarei ainda mais jogos que terminei ou que gostaria de terminar.
Mas isso fica para uma próxima etapa.
Por enquanto, o Nintendinho já oferece material suficiente para começar.
Não preciso terminar todos os jogos que fizeram parte da minha infância. Mas gosto da ideia de oferecer uma conclusão, tantos anos depois, a algumas aventuras que ficaram pelo caminho.
Capítulo 3 — O Dário dos 25 anos: PlayStation 2, Nintendo Wii e uma vida em transformação
A segunda versão desse jogador já é consideravelmente mais velha.
É o Dário por volta dos 25 anos, vivendo uma fase diferente da vida e acompanhado principalmente pelo PlayStation 2 e pelo Nintendo Wii.
Essa versão tinha uma característica bastante clara: jogava muitos jogos até o final.
Eu me lembro disso porque minha relação com os videogames naquela época frequentemente envolvia começar uma experiência e acompanhá-la até sua conclusão. Não significa que eu terminasse absolutamente tudo, mas havia uma disposição muito presente para seguir uma aventura até o encerramento.
É uma diferença interessante em relação ao jogador que encontro quando revisito minhas lembranças do Nintendinho.
Na primeira fase, muitos jogos eram experiências repetidas, compartilhadas e frequentemente interrompidas pela dificuldade. Na segunda, encontro um jogador que dedicava mais tempo a campanhas completas e a aventuras com começo, desenvolvimento e fim.
Entretanto, não pretendo abordar essa geração da mesma maneira que estou organizando os jogos de Nintendo.
Com o Nintendinho, quero montar uma lista relativamente ampla de títulos que pretendo terminar. Já com o PlayStation 2 e o Wii, minha intenção é avançar de maneira muito mais vagarosa.
Existem alguns motivos para isso.
O primeiro é que os conjuntos de conquistas para Nintendo Wii ainda estão em uma fase inicial. A quantidade de jogos disponíveis no RetroAchievements é relativamente pequena, especialmente quando comparada à biblioteca do console.
O PlayStation 2 já possui uma quantidade maior de jogos com conquistas, o que abre mais possibilidades. Ainda assim, não quero transformar essa fase em uma corrida.
O segundo motivo é a própria natureza das experiências.
PlayStation 2 e Nintendo Wii representam uma geração muito interessante para mim. São plataformas com jogos mais longos, aventuras que exigem dedicação e experiências que podem ocupar bastante tempo.
Quero aproveitar esses jogos com calma.
Quero revisitar suas histórias, reencontrar suas mecânicas e observar como me relaciono com eles hoje.
Já comecei esse processo com um título de WiiWare, Final Fantasy Crystal Chronicles: My Life as a King, que está sendo minha primeira experiência de Nintendo Wii com conquistas.
Mas não tenho pressa para transformar essa pequena experiência inicial em uma lista enorme de jogos.
Essa segunda versão do Dário merece uma jornada mais demorada.
Até porque ela representa uma fase da minha vida em que os videogames acompanharam mudanças importantes. O Nintendo Wii, especialmente, esteve presente durante minha transição para a vida adulta, quando passei a assumir responsabilidades familiares e construir minha própria rotina.
Revisitar esses jogos não significa apenas reencontrar aventuras antigas. Significa também reencontrar lembranças de quem eu era enquanto as jogava.
Talvez por isso eu queira aproveitar melhor cada retorno.
Capítulo 4 — O Dário atual: Switch, PC, conquistas e temporadas
A terceira versão é muito mais fácil de observar.
É o Dário atual, aquele que passou bastante tempo jogando no Nintendo Switch e que, posteriormente, migrou boa parte de sua rotina para o computador.
Hoje, minhas principais bibliotecas estão distribuídas entre Steam, Epic Games Store e GOG, com preferência crescente pelo PC como plataforma de jogo.
Essa versão aprendeu a jogar por conquistas.
Não significa que as conquistas tenham se tornado a única razão para jogar, mas elas passaram a representar uma parte importante da experiência. Gosto de acompanhar minha progressão, observar os objetivos disponíveis e construir um histórico que permita revisitar aquilo que fiz.
Também gosto de jogos por temporadas, especialmente quando existe alguma estrutura multiplayer interessante que justifique o retorno periódico.
É uma maneira diferente de acompanhar um jogo. Em vez de necessariamente procurar uma conclusão definitiva, aceito participar de ciclos que começam, oferecem novos objetivos e depois se encerram para dar lugar a outros.
Mas essa versão também está bastante interessada em terminar e completar jogos de computador.
Sejam títulos antigos relançados em coleções, versões remasterizadas, remakes ou jogos mais recentes, existe uma vontade clara de construir uma biblioteca de experiências concluídas.
E aqui aparecem novamente duas ideias que faço questão de manter separadas.
Existem jogos que quero terminar.
E existem jogos que quero completar.
Terminar significa chegar ao encerramento da experiência principal. Completar significa perseguir também os objetivos adicionais, as conquistas e tudo aquilo que o sistema registra como parte de sua progressão.
Nem sempre quero as duas coisas.
Em alguns jogos, a história é suficiente. Em outros, o conjunto de conquistas acrescenta objetivos que tornam a experiência mais interessante e prolongam minha vontade de continuar.
O Dário atual é o jogador que aprendeu a fazer essas distinções e a organizar sua biblioteca levando em consideração o tipo de experiência que procura.
É também o jogador que possui mais ferramentas para acompanhar aquilo que faz.
Tenho registros, conquistas, horas jogadas e bibliotecas organizadas. Consigo comparar plataformas, observar progressões e revisitar experiências com uma precisão que seria impossível para minhas versões mais antigas.
Mas isso não significa que essa seja necessariamente a melhor versão do jogador.
É apenas a versão que dispõe de mais recursos.
Capítulo 5 — Três jogadores diferentes dentro da mesma pessoa
O mais interessante de toda essa investigação não foi descobrir quais jogos quero terminar.
Foi perceber que essas três versões de mim continuam existindo.
O Dário do Nintendinho, que passava horas repetindo fases, enfrentando monstros, descobrindo caminhos e jogando com familiares e amigos, não desapareceu.
O Dário do PlayStation 2 e do Nintendo Wii, que mergulhava em aventuras mais longas e frequentemente seguia até o final, também continua presente.
E o Dário atual, que organiza bibliotecas digitais, acompanha conquistas, participa de temporadas e tenta completar jogos, não substituiu completamente nenhum dos dois.
Os três coexistem.
Às vezes, quero simplesmente abrir Crystalis e passar algum tempo derrotando monstros para subir de nível, sem qualquer preocupação imediata com o andamento da história.
Em outros momentos, quero me envolver em uma aventura longa, acompanhar seus personagens e descobrir como tudo termina.
Também existem dias em que minha satisfação está em desbloquear uma conquista, avançar em algum objetivo específico ou observar os números de minha biblioteca aumentando.
E existem aqueles momentos em que quero apenas abrir um jogo simples no celular, mesmo que ele não possua conquista alguma.
Durante muito tempo, talvez eu tenha tentado compreender minha identidade gamer procurando um único tipo de experiência que me representasse.
Mas essa investigação sugere algo diferente.
Talvez eu nunca tenha sido apenas um tipo de jogador.
Talvez minhas preferências tenham mudado porque minha vida mudou. E talvez muitas das características que considero atuais já estivessem presentes em versões anteriores de mim, apenas se manifestando de maneiras diferentes.
Não existe necessariamente um jogador antigo que ficou para trás e um jogador novo que tomou seu lugar. Existem diferentes versões de mim que continuam disputando, e compartilhando, o mesmo controle.
Capítulo 6 — A quarta versão: o jogador que quer deixar rastros
E talvez essa convivência tenha criado uma quarta versão.
Uma versão que não pertence exatamente ao Nintendinho, ao PlayStation 2, ao Nintendo Wii, ao Nintendo Switch ou ao computador.
Uma versão que reúne características de todas as anteriores.
Esse novo Dário gosta de voltar ao passado, mas também continua interessado no futuro. Gosta de histórias imersivas, personagens complexos e aventuras que exigem dezenas de horas de dedicação. Mas também consegue passar muito tempo em jogos que praticamente não possuem narrativa.
Gosta de conquistas, mas não precisa delas em absolutamente todas as experiências.
Gosta de jogos infinitos, mas também quer terminar campanhas.
Gosta de revisitar experiências antigas, mas não quer abandonar a possibilidade de descobrir alguma coisa completamente nova.
E, principalmente, gosta de deixar rastros.
Talvez essa seja a característica que melhor define a versão atual de mim.
Quando o jogo oferece um sistema de registro, eu o utilizo. Acompanho conquistas, horas jogadas, objetivos e progressões.
Quando não oferece, procuro criar alguma forma de registrar a experiência por conta própria.
Organizo listas, faço anotações, construo pequenas metas e escrevo sobre aquilo que estou vivendo.
É aqui que a Jornada Gamer encontra sua verdadeira função.
Porque esses textos não são apenas análises de videogames. Também não são somente registros de conquistas ou recomendações sobre o que vale a pena jogar.
São uma maneira de acompanhar o jogador.
O que ele estava procurando em determinado momento. O que conseguiu encontrar. O que abandonou. O que decidiu revisitar. Quais experiências lhe ofereceram conforto e quais deixaram de fazer sentido.
Talvez daqui a alguns anos eu volte a este artigo e descubra que minhas preferências mudaram novamente.
Talvez esteja jogando em outra plataforma. Talvez tenha abandonado a busca por conquistas. Talvez tenha encontrado um novo tipo de jogo que hoje sequer imagino que vá me interessar.
Mas terei um registro de como pensava agora.
E isso me parece importante.
Porque, quando olho para o passado, percebo quantas experiências aconteceram sem deixar qualquer registro além da minha memória.
Não quero que tudo aquilo que vivo hoje dependa exclusivamente da capacidade de lembrar.
Quando o jogo não cria um rastro, eu crio para ele.
Conclusão — A missão nunca foi apenas terminar jogos
Este texto começou com uma pergunta aparentemente simples: por que tenho jogado tantos jogos que não terminam?
Mas, ao tentar respondê-la, acabei encontrando algo muito mais interessante.
Encontrei diferentes versões de mim mesmo.
O menino que jogava Nintendinho e que nem sempre precisava chegar ao final para se divertir.
O jovem adulto que passava horas no PlayStation 2 e no Nintendo Wii, acompanhando aventuras até sua conclusão.
O jogador atual, cercado por bibliotecas digitais, sistemas de conquistas e uma quantidade enorme de possibilidades.
E, finalmente, essa quarta versão que parece querer reunir tudo isso em uma experiência contínua.
Não sei se minha preferência por jogos infinitos é uma característica antiga ou uma consequência da maneira como minha vida funciona atualmente.
Provavelmente existe um pouco das duas coisas.
Mas já não considero tão importante encontrar uma resposta definitiva.
O que me interessa agora é observar como essas diferentes maneiras de jogar continuam coexistindo e como posso construir novas experiências a partir delas.
Por isso, nasce uma nova missão dentro da Jornada Gamer.
O Dário do Velho Testamento terá sua lista de jogos de Nintendinho para terminar, com a possibilidade de expandi-la futuramente para Mega Drive e Super Nintendo.
O Dário do PlayStation 2 e do Nintendo Wii terá uma jornada mais lenta, dedicada a revisitar experiências que marcaram outra fase de sua vida.
E o Dário atual continuará explorando suas bibliotecas de PC, buscando conquistas, terminando campanhas, completando jogos e participando das temporadas que ainda despertarem seu interesse.
Enquanto isso, a quarta versão tentará organizar todas essas histórias.
Talvez seja ela a responsável por escrever estes textos.
Talvez seja ela quem consiga olhar para as outras três e perceber que nenhuma deixou de existir completamente.
Porque, no fim das contas, este nunca foi um artigo sobre os jogos.
Foi um artigo sobre o jogador.
Sobre alguém que mudou de plataformas, de rotinas, de responsabilidades e de expectativas, mas que continua encontrando nos videogames uma maneira de se divertir, revisitar lembranças e construir novas histórias.
Talvez eu tenha passado a vida inteira tentando terminar jogos. E só agora esteja percebendo que a verdadeira jornada sempre foi acompanhar as diferentes versões de mim que seguraram o controle.
A missão começa agora.
Não necessariamente para completar tudo.
Mas para descobrir o que cada uma dessas versões ainda tem vontade de jogar.
E, desta vez, deixar tudo registrado.

















