Capítulo I — Quando a verdade começa a circular
O capítulo 26 é um daqueles momentos em que finalmente começamos a enxergar as consequências das ações dos personagens.
Durante boa parte do livro, Harry, Hermione, Rony e a Armada de Dumbledore têm trabalhado praticamente nas sombras.
Pouca gente acreditava neles.
Pouca gente acreditava em Dumbledore.
Pouca gente acreditava na volta de Voldemort.
Mas agora algo muda.
A entrevista publicada no Pasquim começa a espalhar a versão dos acontecimentos que Harry vinha tentando contar desde o final do Cálice de Fogo.
Pela primeira vez, a narrativa oficial do Ministério encontra uma oposição organizada.
Durante meses Harry tentou convencer as pessoas. Agora suas próprias palavras começam a fazer esse trabalho por ele.
Capítulo II — Hermione continua sendo a pessoa mais inteligente da sala
O capítulo já começa resolvendo uma das situações mais previsíveis do livro:
Harry não entendeu absolutamente nada do encontro com Cho.
E, como quase sempre acontece, Hermione precisa explicar.
Existe algo quase cômico nessa dinâmica.
Harry sobrevive a dragões.
Sobrevive a Voldemort.
Sobrevive a basiliscos.
Mas continua completamente perdido quando o assunto envolve emoções adolescentes.
Felizmente, desta vez Rowling não prolonga esse drama.
Ele existe.
Mas passa rapidamente.
Hermione não apenas resolve mistérios mágicos. Às vezes ela precisa traduzir seres humanos para Harry Potter.
Capítulo III — O efeito Streisand de Umbridge
Uma das partes mais divertidas do capítulo é observar a reação de Umbridge ao Pasquim.
Ela entra em pânico.
Fica furiosa.
Cria decretos.
Proíbe leituras.
Impede Harry de ir a Hogsmeade.
Tenta controlar a circulação da informação.
E faz exatamente o que qualquer autoridade autoritária costuma fazer:
Transforma algo relativamente pequeno em algo enorme.
Muitos alunos talvez nem tivessem interesse no Pasquim.
Mas no instante em que ele é proibido, todos querem ler.
Nada desperta mais curiosidade em adolescentes do que uma proibição.
Capítulo IV — Harry finalmente começa a ser ouvido
As cartas recebidas por Harry são importantes justamente porque mostram algo novo.
Nem todos acreditam nele.
Mas muitos acreditam.
E isso representa uma mudança enorme.
Desde o começo do livro Harry vinha sendo tratado como mentiroso.
Como exagerado.
Como alguém confuso ou traumatizado.
Agora ele finalmente encontra pessoas dispostas a escutá-lo.
Não significa vitória.
Mas significa progresso.
A verdade ainda está longe de vencer. Mas já não está mais sozinha.
Capítulo V — Voldemort continua trabalhando
Enquanto isso, Voldemort continua sendo Voldemort.
Harry recebe mais uma visão.
Mais uma demonstração de que a ligação permanece ativa.
E talvez mais forte do que nunca.
O interessante é que Harry já começa a tratar essas visões de forma diferente.
Não corre imediatamente para contar.
Não entra em pânico.
Ele observa.
Processa.
Guarda para si.
O que mostra o quanto a situação já se tornou parte da sua rotina.
O assustador não é Harry ter visões. É Harry estar começando a se acostumar com elas.
Capítulo VI — Pequenos avanços na Oclumência
Pela primeira vez temos algum sinal positivo nas aulas com Snape.
Ainda existe hostilidade.
Ainda existe antipatia.
Ainda existe tensão.
Mas Harry finalmente consegue algum progresso.
Ele consegue bloquear.
Consegue resistir.
Consegue defender a mente.
Ainda que por pouco tempo.
Isso é importante porque mostra que o treinamento funciona.
Mesmo sendo ministrado pela pessoa que Harry menos gostaria de ter como professor.
Às vezes o pior professor possível ainda é melhor do que professor nenhum.
Capítulo VII — A queda de Trelawney
Então chegamos ao momento mais doloroso do capítulo.
A demissão da professora Trelawney.
Durante toda a série ela foi frequentemente usada como alívio cômico.
Excêntrica.
Exagerada.
Dramática.
Mas aqui Rowling muda completamente o tom.
Porque agora não estamos vendo uma personagem engraçada.
Estamos vendo alguém perder sua casa.
Seu emprego.
Sua dignidade.
Tudo em público.
Diante de alunos.
Diante de colegas.
Diante de Hogwarts inteira.
O que torna Umbridge tão odiosa não é apenas o poder que ela possui. É a forma como escolhe usá-lo.
Capítulo VIII — Dumbledore lembra quem manda
A melhor cena do capítulo talvez seja a reação de Dumbledore.
Porque durante boa parte do livro ele parece distante.
Passivo.
Silencioso.
Mas aqui ele intervém.
E lembra algo fundamental:
Umbridge pode ter autoridade.
Mas Hogwarts ainda é Hogwarts.
E ele ainda é o diretor.
A forma tranquila como ele desmonta a tentativa de expulsão de Trelawney é quase elegante.
Sem gritos.
Sem ameaças.
Sem espetáculo.
Apenas autoridade verdadeira.
Algumas pessoas precisam levantar a voz para demonstrar poder. Dumbledore apenas precisa falar.
Capítulo IX — O retorno de Firenze
A chegada de Firenze é um daqueles momentos que recompensam leitores atentos.
Nós o conhecemos no primeiro livro.
Ele salvou Harry na Floresta Proibida.
Foi um dos primeiros seres mágicos realmente nobres que encontramos na série.
E agora retorna.
Não como visitante.
Mas como professor.
A escolha é perfeita.
Especialmente porque Firenze representa uma visão completamente diferente da adivinhação.
Mais profunda.
Mais filosófica.
Menos teatral.
Menos baseada em previsões dramáticas.
Enquanto Trelawney olha para o futuro procurando sinais, Firenze olha para o universo procurando padrões.
Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo
O capítulo 26 fala sobre resistência.
Harry resiste à narrativa do Ministério.
Os alunos resistem às proibições.
A verdade resiste à censura.
Trelawney resiste à humilhação.
Dumbledore resiste ao avanço de Umbridge.
E até Harry começa finalmente a resistir dentro das aulas de Oclumência.
É um capítulo onde várias pequenas vitórias acontecem simultaneamente.
Nenhuma delas derrota Voldemort.
Nenhuma delas derrota Umbridge.
Mas todas mostram que os dois não estão vencendo sem oposição.
O capítulo 26 marca o momento em que Hogwarts deixa de apenas suportar Umbridge e começa, lentamente, a enfrentá-la.
E talvez seja exatamente por isso que o final do capítulo termina com Firenze entrando pelos portões do castelo:
Porque, pela primeira vez em muito tempo, parece que o lado de Harry está começando a ganhar algum terreno.





