Capítulo I — A falsa lentidão
O capítulo 6 começa de maneira lenta. Tão lenta que, em determinado momento, eu realmente imaginei que a história não iria rodar muito. Parece um daqueles capítulos que existem apenas para preencher rotina escolar: rivalidades, provocações, excesso de matérias, pequenas tensões.
Malfoy zoa Harry. Hermione está atolada de disciplinas. Ela diz que combinou com a professora Minerva uma forma de cursar todas as matérias. E isso já soa estranho, mesmo que não seja explorado ainda. Mas a lentidão aqui não é estagnação. É construção silenciosa.
Algumas histórias parecem parar — quando, na verdade, estão preparando terreno.
Capítulo II — Quadros que falam e corredores que guiam
Há um detalhe que me chamou atenção: os quadros de Hogwarts. A ideia de que você pode conversar com uma figura pintada, que essa figura pode orientar, guiar, indicar caminhos. Um cavaleiro que literalmente os leva até a aula.
Esse tipo de detalhe reforça algo que sempre me encanta em Hogwarts: o castelo não é cenário. Ele é organismo. Ele responde. Ele participa.
Em Hogwarts, até as paredes parecem ter memória.
Capítulo III — A borra de chá e o anúncio da morte
Chegamos à aula de Adivinhação. Leitura da borra de chá. Símbolos vagos. Interpretações dramáticas. E então — a previsão da morte de Harry.
O clima pesa. A sala inteira sente. É o tipo de cena que carrega tensão simbólica. A professora transforma presságio em espetáculo.
Mas logo depois, na aula da professora Minerva, tudo é relativizado. Ela comenta que todo ano a professora de Adivinhação prevê a morte de algum aluno. E isso quase esvazia o peso.
Hermione trata como bobagem. Minerva trata como exagero. Harry fica entre preocupado e indiferente.
Quando a morte vira rotina, o medo perde o impacto — ou se esconde melhor.
Capítulo IV — Profecias que ecoam além do chá
Se eu estivesse apenas com os livros, talvez conectasse essa previsão com os centauros do primeiro livro. Eles também falavam em tragédia. Também falavam em destino.
Mas aqui entra o problema — ou a vantagem — de já ter visto os filmes. Eu sei o que acontece. Eu sei o final. O suspense, para mim, não é mais “o que vai acontecer”. É “como vai acontecer”.
Isso não estraga a experiência. Mas altera a surpresa. Até agora, nada nos livros me surpreendeu, porque as grandes revelações eu já conhecia.
Saber o fim não mata a jornada — mas muda o tipo de emoção que sentimos.
Capítulo V — A primeira aula de Hagrid
Depois das aulas teóricas, vem algo que quebra o ritmo: a primeira aula de Trato das Criaturas Mágicas com Hagrid.
E aqui a memória do filme vem forte. O hipogrifo. A cena de Malfoy. O risco. O erro.
Mas, curiosamente, o hipogrifo também me remete ao jogo. Em Hogwarts Legacy, eu não gostei de usá-lo como transporte. Achei inferior à vassoura em quase todos os sentidos. Sempre preferi voar com simplicidade e agilidade.
Ainda assim, ler Harry montando o hipogrifo me trouxe imediatamente essa conexão. Mesmo sendo um meio de transporte que eu quase não usei, ele existe como memória.
Nem toda lembrança é favorita — mas algumas são inevitáveis.
Capítulo VI — O erro de Malfoy e o medo de Hagrid
Malfoy se machuca. O hipogrifo reage. Hagrid entra em desespero.
Não é apenas um acidente. É o medo de perder tudo. Hagrid acabou de conquistar sua posição. Foi inocentado. Finalmente reconhecido. E agora pode perder o cargo na primeira aula.
Existe uma fragilidade muito humana aqui. Hagrid não é apenas professor. Ele é alguém que sempre esteve à margem. E agora teme voltar para lá.
Para quem sempre viveu sob suspeita, qualquer erro parece definitivo.
Capítulo VII — A preocupação constante
Ao visitarem Hagrid à noite, ele reage com preocupação quase exagerada. Manda que voltem. Lembra do perigo. Lembra de Sirius Black.
O pano de fundo deste livro é isso: Harry está em risco. Todos sabem. Todos agem em função disso.
Mesmo que eu já saiba o motivo real, mesmo que o suspense principal esteja comprometido pelo meu conhecimento prévio, o clima de vigilância constante é bem construído.
Quando o perigo não aparece, ele passa a morar na expectativa.
Capítulo VIII — O capítulo que cresceu
No fim das contas, o capítulo que começou devagar acabou sendo mais interessante do que parecia. Adivinhações. Dementadores. Hagrid professor. Hipogrifo. Rivalidades.
Ele não avança a grande trama de forma explosiva, mas consolida o clima. Reforça a tensão. Apresenta novas dinâmicas.
E quando percebi, já tinha acontecido bastante coisa.
Às vezes, o movimento não é percebido — só entendido depois.





