Gamertag


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 24

Capítulo I — Esse capítulo me enganou

O capítulo 24 me enganou completamente.

Ele começa com toda a aparência de que seria mais um daqueles capítulos de Harry Potter dominados pelos dramas adolescentes que tanto me incomodam.

Harry, Rony e Hermione conversam sobre o sucesso da missão envolvendo Slughorn.

A verdadeira lembrança foi conseguida.

Dumbledore e Harry finalmente sabem o segredo das Horcruxes.

Pela primeira vez existe uma maneira concreta de derrotar Voldemort.

Só que rapidamente tudo isso sai do centro da conversa.

Rony e Lilá terminaram.

Gina e Dino também terminaram.

E Harry imediatamente volta àquela guerra interna que vem enfrentando havia alguns capítulos.

Ele gosta de Gina.

Agora Gina está solteira.

Mas Gina é irmã de Rony.

E Rony é seu melhor amigo.

Quadribol também está próximo.

Tudo parecia perfeitamente preparado para mais um capítulo inteiro de namoro, ciúme e conflitos adolescentes.

E eu já estava preparado para reclamar novamente.

Só que o capítulo 24 tinha outros planos.

Alguns capítulos começam parecendo intervalo. Então, sem qualquer aviso, lembram que ainda estamos em uma história sobre uma guerra.

Capítulo II — Harry e Gina

Não dá para ignorar que alguma coisa mudou definitivamente na maneira como Harry olha para Gina.

Aquilo que inicialmente parecia uma sensação estranha quando ele a viu beijando Dino já não pode mais ser tratado apenas como proteção de irmão postiço.

Harry gosta dela.

E agora que o relacionamento terminou, essa possibilidade deixa de ser completamente abstrata.

O problema possui nome.

Rony Weasley.

Harry não sabe como seu melhor amigo reagiria à ideia de vê-lo com Gina.

Então passa a imaginar situações, possibilidades e consequências.

É exatamente aquele drama adolescente que já apareceu tantas vezes nos últimos livros.

E durante algumas páginas realmente achei que ficaríamos apenas nisso.

Felizmente, não ficamos.

Capítulo III — Draco Malfoy está chorando

Tudo muda quando Harry encontra Draco Malfoy no banheiro da Murta Que Geme.

E existe alguma coisa diferente naquela cena desde o início.

Draco não está simplesmente conspirando.

Não está provocando alguém.

Não está exibindo sua arrogância habitual.

Ele está destruído.

Harry percebe Draco conversando com Murta.

E percebe também que alguma coisa está claramente dando errado com aquilo que Malfoy vem tentando fazer durante todo o livro.

Isso combina com todas as pistas anteriores.

Draco disse a Snape que seu plano estava demorando.

Passa horas escondido na Sala Precisa.

Utiliza Crabbe e Goyle como vigias.

Está cada vez mais isolado.

E agora Harry o encontra emocionalmente abalado dentro de um banheiro.

Existe uma pressão enorme sobre Malfoy.

Só que Harry não tem muito tempo para compreender isso.

Draco percebe sua presença.

E começa o confronto.

Capítulo IV — Sectumsempra

Harry e Draco começam a trocar feitiços.

E a situação rapidamente deixa de ser uma simples briga escolar.

Quando Draco tenta lançar uma maldição extremamente perigosa contra Harry, Harry reage utilizando um feitiço que encontrou anotado no livro do Príncipe Mestiço.

Um feitiço que ele nunca havia testado.

Um feitiço cujo efeito ele sequer conhecia.

Sectumsempra.

E então tudo muda.

Draco é atingido.

Seu corpo se abre em cortes.

Sangue começa a se espalhar.

Malfoy cai.

E Harry fica completamente aterrorizado.

Até esse momento, o livro do Príncipe era praticamente um aliado.

Melhorava poções.

Apresentava atalhos.

Ensinava feitiços.

Transformou Harry no melhor aluno de Poções da turma.

Agora descobrimos que, entre suas páginas, também existe magia extremamente sombria.

Harry confiou tanto no Príncipe que utilizou uma palavra desconhecida contra uma pessoa antes mesmo de descobrir o que aquela palavra fazia.

Capítulo V — Pela primeira vez, o livro cobra seu preço

Essa cena muda completamente minha percepção sobre o livro do Príncipe Mestiço.

Hermione vinha alertando Harry desde o início.

Harry sempre respondeu utilizando os resultados como argumento.

As anotações funcionavam.

As poções ficavam melhores.

Os feitiços eram úteis.

Então qual seria o problema?

Agora existe uma resposta.

Harry não sabe quem escreveu aquele livro.

Não conhece as intenções daquela pessoa.

E, principalmente, não sabe o que os feitiços anotados ali fazem.

Utilizar Sectumsempra sem conhecer seu efeito foi uma irresponsabilidade enorme.

Isso não transforma Draco em inocente no confronto.

Ele também estava utilizando magia extremamente perigosa contra Harry.

Mas existe uma diferença importante.

Harry lançou uma maldição sem sequer saber qual seria o resultado.

E pela primeira vez parece compreender o risco da confiança quase absoluta que depositou no Príncipe.

Capítulo VI — Snape sabe exatamente o que fazer

Snape chega.

E sua reação imediatamente chama atenção.

Ele sabe como salvar Draco.

Utiliza uma contramaldição.

Repete o encantamento.

Consegue fechar os ferimentos.

E manda Malfoy para a enfermaria.

Esse detalhe não passa despercebido.

Snape parece compreender perfeitamente aquilo que aconteceu.

Depois, volta sua atenção para Harry.

E começa a tentar descobrir de onde aquele feitiço veio.

Harry percebe o perigo.

Snape tenta penetrar seus pensamentos.

Harry procura resistir e esconder aquilo que realmente importa.

O livro.

De repente, aquele objeto que Harry carregava praticamente como um tesouro precisa desaparecer.

Capítulo VII — O livro volta para a Sala Precisa

Harry consegue ganhar tempo.

Pega emprestado o livro de Poções de Rony.

E leva o exemplar do Príncipe Mestiço até a Sala Precisa.

É curioso que justamente a sala que Harry tenta desesperadamente invadir para descobrir o segredo de Draco se torne o lugar onde ele próprio esconde seu maior segredo.

Harry encontra um local para guardar o livro entre uma quantidade absurda de objetos escondidos.

Marca mentalmente o lugar.

E abandona ali o Príncipe Mestiço.

Pelo menos por enquanto.

Existe quase uma separação simbólica nessa cena.

Harry passou meses confiando naquela voz escrita nas margens.

Agora finalmente precisa afastá-la.

Não porque Hermione venceu uma discussão.

Mas porque Harry viu sangue suficiente para compreender sozinho.

Alguns avisos só se tornam convincentes quando deixam de estar escritos nas margens e aparecem diante de nós em sangue.

Capítulo VIII — Snape e o prazer de tornar uma punição pior

Harry merece uma punição.

Isso, para mim, não está realmente em discussão.

Ele utilizou um feitiço desconhecido e quase matou outro aluno.

O problema é Snape.

Porque Snape nunca parece satisfeito apenas em punir.

Ele precisa encontrar uma maneira de tornar a punição pessoal.

Harry recebe detenções.

E uma delas acontece justamente durante a partida de quadribol.

Depois, durante a detenção, Snape coloca Harry para trabalhar com antigos registros de punições.

Entre eles estão registros envolvendo James Potter e Sirius Black.

E aqui volto para algo que me incomoda profundamente na personalidade de Snape.

Não é apenas antipatia.

Não é apenas rigor.

Existe crueldade em determinadas escolhas.

James e Sirius estão mortos.

Snape sabe disso.

Sabe também o peso que Sirius possui para Harry.

Mesmo assim, transforma as memórias das punições deles em parte do castigo.

Para mim, isso ultrapassa bastante a ideia de um professor simplesmente aplicando uma consequência disciplinar.

Snape frequentemente parece sentir prazer em descobrir exatamente onde consegue machucar alguém emocionalmente.

Punir um erro é uma coisa. Escolher deliberadamente a ferida que tornará a punição mais dolorosa é outra completamente diferente.

Capítulo IX — E novamente o quadribol paga a conta

Existe também uma coisa quase engraçada na relação de Harry com o quadribol ao longo dos livros.

Harry não consegue simplesmente disputar um campeonato normalmente.

Sempre acontece alguma coisa.

Professor.

Detenção.

Suspensão.

Ferimento.

Proibição.

Alguma circunstância externa inevitavelmente interfere.

E isso começa a tirar um pouco do espírito competitivo do esporte para mim.

Porque professores possuem poder suficiente para interferir diretamente na escalação de uma equipe.

Uma detenção no dia de uma partida não pune apenas Harry.

Pune a Grifinória inteira.

Afeta um campeonato entre casas.

Altera o resultado esportivo.

E Hogwarts parece simplesmente considerar isso absolutamente normal.

É evidente que Harry precisava ser punido pelo que fez com Draco.

Mas marcar a punição exatamente durante uma partida transforma uma sanção individual em uma interferência direta numa competição coletiva.

O livro não parece particularmente preocupado com isso.

Hogwarts muito menos.

Capítulo X — Harry perde a partida

Harry precisa aceitar.

Não estará no jogo.

E isso também significa abrir mão de sua função como capitão justamente em uma partida decisiva.

Enquanto seus companheiros estão jogando, ele está preso com Snape lendo registros antigos.

Talvez seja uma das detenções mais dolorosas possíveis para Harry naquele momento.

Não apenas pela ausência do quadribol.

Mas porque ele não sabe o que está acontecendo.

Não pode ajudar.

Não pode comandar.

Não pode sequer assistir.

Quando finalmente é liberado, precisa descobrir sozinho qual foi o resultado.

Capítulo XI — A Grifinória ganhou sem Harry

Quando Harry retorna à sala comunal, encontra uma festa.

A Grifinória venceu.

Mesmo sem ele.

E gosto desse detalhe.

Harry é um excelente jogador.

É o capitão.

É importantíssimo para a equipe.

Mas a Grifinória não depende exclusivamente dele.

O time conseguiu vencer.

E a comemoração está acontecendo quando alguma coisa completamente diferente toma conta de Harry.

Gina corre em sua direção.

E Harry simplesmente a beija.

Capítulo XII — Finalmente, Harry e Gina

Depois de páginas e páginas de hesitação, ciúme e preocupação com a reação de Rony, tudo acontece praticamente sem planejamento.

Harry beija Gina diante de todo mundo.

E somente depois olha ao redor.

Dino não parece particularmente feliz.

Romilda Vane também não.

E então existe Rony.

O grande obstáculo imaginário que Harry construiu durante todo esse tempo.

Rony olha para ele.

Não parece exatamente encantado com a situação.

Mas também não parece disposto a impedir nada.

É quase uma autorização silenciosa.

Ou talvez simplesmente a percepção de que Gina fará aquilo que quiser independentemente da opinião dele.

Gina então chama Harry para saírem dali.

E assim termina um capítulo que começou me fazendo acreditar que seria apenas mais uma sequência de drama adolescente.

Ironicamente, ele termina justamente concretizando o romance.

Capítulo XIII — Mas o verdadeiro acontecimento foi Sectumsempra

Apesar do beijo entre Harry e Gina encerrar o capítulo, para mim o acontecimento realmente importante continua sendo Sectumsempra.

Porque ele modifica completamente o mistério do Príncipe Mestiço.

Até agora, a grande pergunta era:

Quem escreveu esse livro?

Agora existe outra.

Que tipo de pessoa escreveu esse livro?

Alguém extremamente inteligente.

Alguém brilhante em Poções.

Alguém capaz de melhorar receitas publicadas nos livros escolares.

Alguém que inventava feitiços.

Mas também alguém que conhecia — e aparentemente criava — magia capaz de produzir ferimentos terríveis.

O Príncipe Mestiço deixa de ser apenas um aluno genial do passado.

Existe alguma coisa muito mais sombria por trás daquelas anotações.

E existe ainda um detalhe impossível de ignorar.

Snape reconheceu imediatamente o que precisava fazer.

Não sei ainda exatamente o que isso significa.

Mas depois deste capítulo fica impossível não guardar essa informação.

Considerações Finais

O capítulo 24 me enganou.

Começou parecendo exatamente o tipo de capítulo que menos gosto em Harry Potter.

Namoros.

Términos.

Ciúmes.

Harry pensando em Gina.

Rony tentando escapar de Lilá.

Quadribol.

Tudo apontava para uma pausa depois da enorme revelação sobre as Horcruxes.

Então Harry encontra Draco no banheiro.

E o livro muda completamente de tom.

Sectumsempra é provavelmente a maior consequência até agora da confiança de Harry no livro do Príncipe.

E existe algo importante aqui.

Hermione estava certa em desconfiar.

Mas Harry também possuía motivos para confiar.

O livro funcionava.

Ele realmente continha informações extraordinárias.

O problema nunca foi as anotações estarem erradas.

Talvez o problema seja justamente o contrário.

Elas funcionam perfeitamente.

Inclusive quando Harry não sabe o que está pedindo que elas façam.

Isso torna o Príncipe Mestiço muito mais interessante.

Existe inteligência naquele livro.

Existe talento.

Existe conhecimento.

Mas agora sabemos que também existe magia das trevas.

E Snape, de alguma maneira, parece conhecer essa magia.

Ao mesmo tempo, Draco parece cada vez mais quebrado pela missão que recebeu.

Harry e Gina finalmente ficam juntos.

A Grifinória consegue vencer sem Harry.

E Harry termina o capítulo tendo conseguido algo que desejava enquanto perde, pelo menos temporariamente, uma das coisas que mais valorizou durante este ano: o livro do Príncipe.

No fim, aquele velho exemplar de Poções deixou de ser apenas a ferramenta que transformou Harry no melhor aluno de Slughorn.

Agora existe sangue entre suas páginas.

O perigo do livro do Príncipe Mestiço nunca esteve em ensinar Harry coisas que não funcionavam. Estava em funcionar mesmo quando Harry não fazia ideia do que estava fazendo.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 23

Capítulo I — Agora a história tem um porquê

O capítulo 23 é extremamente direto.

E talvez justamente por isso seja um dos capítulos mais importantes de toda a história até aqui.

Depois de tantas lembranças.

Depois do orfanato.

Depois dos Gaunt.

Depois de Hepzibah Smith.

Depois do diário.

Do anel.

Do medalhão.

Da taça.

Depois de tantas perguntas sobre por que Dumbledore estava mostrando tudo aquilo a Harry, finalmente existe uma resposta.

Agora a história tem um porquê.

Não estávamos assistindo a uma biografia de Voldemort.

Estávamos investigando como matá-lo.

Dumbledore nunca esteve apenas contando a história de Voldemort. Estava ensinando Harry a encontrar as partes que ele deixou para trás.

Capítulo II — Harry finalmente cumpre sua missão

Harry chega ao castelo ainda sentindo os últimos efeitos da Felix Felicis.

Ele conseguiu aquilo que parecia impossível.

Conseguiu a verdadeira lembrança de Slughorn.

E quando descobre que Dumbledore está em Hogwarts, não existe qualquer motivo para esperar.

Harry corre até a sala do diretor.

Diz que conseguiu.

E a reação de Dumbledore mostra imediatamente a importância daquela conquista.

Não existe conversa desnecessária.

Não existe comemoração.

A Penseira aparece praticamente imediatamente.

Eles precisam saber o que realmente aconteceu entre Horácio Slughorn e Tom Riddle.

E depois de tantos capítulos esperando por essa resposta, finalmente entramos na memória verdadeira.

Capítulo III — O que Slughorn realmente contou a Tom Riddle

A diferença é fundamental.

Na lembrança alterada, Slughorn se recusava a explicar Horcruxes.

Aquilo era mentira.

Na memória verdadeira, ele explica.

Uma Horcrux é criada quando um bruxo divide sua própria alma e esconde uma parte dela em outro recipiente.

O assassinato é fundamental nesse processo porque matar rompe a alma.

E enquanto uma parte da alma permanecer protegida fora do corpo, a pessoa não poderá morrer completamente.

De repente, uma das maiores perguntas de toda a saga recebe uma resposta.

Como Voldemort sobreviveu naquela noite em Godric's Hollow?

Seu corpo foi destruído.

Mas sua alma não estava inteira dentro dele.

Parte dela permanecia em outro lugar.

Voldemort havia criado Horcruxes.

O segredo da sobrevivência de Voldemort não estava em seu corpo. Estava justamente nas partes de si mesmo que ele havia retirado dele.

Capítulo IV — Por que sete?

Mas existe uma pergunta feita por Tom Riddle que muda completamente a dimensão da descoberta.

Ele não quer simplesmente saber como criar uma Horcrux.

Ele pergunta sobre dividir a alma várias vezes.

E menciona o número sete.

Esse é o detalhe que Dumbledore precisava desesperadamente confirmar.

Tom Riddle não pretendia criar apenas uma Horcrux.

Ele queria dividir sua alma em sete partes.

Isso significaria seis Horcruxes, mantendo a sétima parte dentro do próprio corpo.

E isso também explica por que Slughorn sentia tanta vergonha daquela lembrança.

Ele não simplesmente explicou a um aluno um conceito obscuro de magia.

Ele respondeu à pergunta que ajudou Tom Riddle a compreender até onde poderia levar aquele processo.

Talvez Slughorn tenha passado todos esses anos se perguntando quanto daquela monstruosidade nasceu também de uma conversa que ele poderia ter interrompido.

Capítulo V — O diário nunca foi apenas um diário

E então Dumbledore reorganiza diante de Harry algo que conhecemos desde A Câmara Secreta.

O diário de Tom Riddle era uma Horcrux.

Harry já destruiu uma.

Na época, ele não fazia ideia do que estava fazendo.

Para Harry, aquele diário era apenas um objeto mágico extremamente perigoso que estava consumindo Gina Weasley e tentando trazer Tom Riddle de volta.

Agora tudo muda.

Aquele pedaço de Tom que saiu das páginas não era simplesmente uma memória encantada.

Era parte de sua alma.

E Harry a destruiu com o dente do basilisco.

Isso dá um peso completamente diferente a acontecimentos que ocorreram quatro livros atrás.

Harry já havia começado a derrotar Voldemort muito antes de saber exatamente o que precisava destruir.

Capítulo VI — E finalmente entendemos a mão de Dumbledore

Existe outra revelação que esperávamos desde o começo deste livro.

O anel dos Gaunt também era uma Horcrux.

Dumbledore encontrou o anel.

E o destruiu.

Isso finalmente começa a iluminar também o mistério que acompanha o diretor desde suas primeiras aparições em O Enigma do Príncipe.

Sua mão destruída está relacionada àquilo que aconteceu durante sua busca.

Ainda existem detalhes que eu não conheço, mas agora pelo menos sabemos que Dumbledore não passou esse tempo simplesmente desaparecendo de Hogwarts sem motivo.

Ele estava trabalhando.

Investigando.

Procurando Horcruxes.

Enquanto Harry tentava descobrir o que Draco fazia dentro da Sala Precisa, Dumbledore estava procurando literalmente os pedaços da alma de Voldemort.

E isso muda completamente a maneira de enxergar suas constantes ausências do castelo.

Capítulo VII — As aulas finalmente fazem sentido

Aqui está, para mim, uma das grandes recompensas do capítulo.

Durante as primeiras aulas particulares, eu não entendia por que Dumbledore estava mostrando tudo aquilo a Harry.

Por que saber que Tom roubava objetos no orfanato?

Por que conhecer os Gaunt?

Por que observar o interesse de Tom pelo anel?

Por que conhecer Hepzibah Smith?

Por que mostrar a taça de Helga Lufa-Lufa?

Por que mostrar o medalhão de Salazar Sonserina?

Agora entendo.

Dumbledore não sabe exatamente quais são todas as Horcruxes.

Então ele precisa conhecer Tom Riddle suficientemente bem para deduzir quais objetos Voldemort teria considerado dignos de carregar partes de sua alma.

E foi exatamente isso que Dumbledore ensinou Harry a fazer.

Ele não entregou simplesmente uma lista.

Ensinou o raciocínio necessário para construir essa lista.

Para encontrar as Horcruxes, Harry não precisa apenas conhecer magia. Precisa conhecer o homem que escolheu onde esconder a própria alma.

Capítulo VIII — Tom Riddle nunca escolheria qualquer coisa

Essa é a importância de todos aqueles pequenos detalhes sobre a personalidade de Voldemort.

Tom sempre quis ser especial.

Sempre odiou a ideia de ser comum.

Odiava até seu próprio nome porque existiam outros Toms.

Desde criança, guardava objetos roubados como troféus.

Depois passou a buscar objetos historicamente importantes.

Por isso Dumbledore acredita que Voldemort dificilmente colocaria fragmentos de sua alma em objetos banais.

Ele escolheria símbolos.

Relíquias.

Objetos ligados à história de Hogwarts.

Objetos relacionados aos grandes fundadores.

Objetos dignos, segundo sua própria visão megalomaníaca, de receber partes de Lord Voldemort.

E então Harry consegue acompanhar o raciocínio.

A taça de Helga Lufa-Lufa.

O medalhão de Salazar Sonserina.

Os objetos que vimos na casa de Hepzibah Smith deixam de ser simples antiguidades mágicas.

Eles passam a ser candidatos extremamente prováveis a Horcruxes.

Capítulo IX — O mapa começa a aparecer

Agora podemos finalmente organizar aquilo que sabemos.

Voldemort queria dividir sua alma em sete partes.

Uma permaneceria nele.

As outras estariam ligadas às Horcruxes que criou.

Duas já foram encontradas e destruídas.

O diário de Tom Riddle.

O anel de Marvolo Gaunt.

Dumbledore acredita que a taça de Lufa-Lufa e o medalhão de Sonserina provavelmente também foram utilizados.

Ainda restam peças desconhecidas.

Mas já não estamos completamente no escuro.

Existe agora um mapa.

Incompleto.

Cheio de hipóteses.

Mas existe.

Capítulo X — Nagini

Outra possibilidade levantada durante a conversa é Nagini.

A serpente possui uma ligação extraordinariamente próxima com Voldemort.

Harry também considera essa possibilidade.

Dumbledore não apresenta tudo como certeza absoluta, mas considera plausível que Voldemort tenha utilizado Nagini para guardar uma parte de sua alma.

Isso seria diferente dos outros objetos.

Nagini é um ser vivo.

Mas também possui uma importância especial para Voldemort.

E depois de tudo aquilo que aprendemos sobre a maneira como Tom escolhe suas Horcruxes, essa importância simbólica não pode ser ignorada.

Ainda faltam respostas.

Mas agora sabemos exatamente quais perguntas precisam ser feitas.

Capítulo XI — As ausências de Dumbledore

Outra coisa que finalmente ganha significado são as constantes ausências de Dumbledore.

Desde o começo do livro, ele desaparece de Hogwarts por longos períodos.

Harry não sabe exatamente onde ele está.

Nós também não.

Agora existe uma resposta.

Dumbledore está procurando Horcruxes.

Está investigando os lugares importantes para Tom Riddle.

Seguindo rastros.

Tentando localizar os objetos.

Tentando desmontar, pedaço por pedaço, aquilo que Voldemort construiu durante décadas.

E isso faz com que a guerra contra Voldemort pareça muito diferente.

Enquanto o Ministério procura Comensais da Morte e tenta controlar o caos, Dumbledore está atacando algo muito mais fundamental.

A própria razão pela qual Voldemort continua sendo praticamente impossível de matar.

Capítulo XII — Pela primeira vez existe uma maneira de vencer

E é aqui que o capítulo 23 muda completamente a saga para mim.

Desde A Pedra Filosofal, sabemos que Harry precisará enfrentar Voldemort.

Sabemos que Voldemort precisa ser derrotado.

A profecia reforçou isso.

Mas existia um problema enorme.

Como?

Voldemort já havia sobrevivido à destruição do próprio corpo.

Um Avada Kedavra voltou contra ele e mesmo assim não conseguiu matá-lo definitivamente.

Então como alguém poderia realmente derrotá-lo?

Agora existe uma resposta.

As Horcruxes precisam ser encontradas.

Precisam ser destruídas.

Uma por uma.

Somente quando Voldemort deixar de possuir essas âncoras será possível finalmente matá-lo.

Pela primeira vez, derrotar Voldemort deixa de ser uma esperança. Torna-se um plano.

Capítulo XIII — Dumbledore não está apenas ensinando Harry

E existe uma coisa que me chama ainda mais atenção depois dessa revelação.

Dumbledore poderia simplesmente ter contado tudo isso a Harry.

Poderia dizer:

Voldemort criou Horcruxes.

Precisamos encontrá-las.

Provavelmente são esses objetos.

Mas não fez isso.

Ele levou Harry até o orfanato.

Mostrou a família Gaunt.

Mostrou o jovem Tom Riddle.

Mostrou seus crimes.

Seus troféus.

Sua obsessão pela própria importância.

Seus objetos.

Sua relação com Hogwarts.

Dumbledore está ensinando Harry a chegar sozinho às conclusões.

E começo a desconfiar que existe um motivo importante para isso.

Harry precisa ser capaz de continuar esse raciocínio.

Não basta depender das respostas de Dumbledore.

Ele precisa aprender o método.

Porque encontrar aquilo que falta exige conhecer Voldemort de uma maneira que nenhuma lista pronta conseguiria ensinar.

Não sei ainda até onde isso vai levar.

Mas depois deste capítulo, as aulas particulares parecem muito menos aulas.

Parecem preparação.

Considerações Finais

O capítulo 23 é um daqueles capítulos que reorganizam tudo aquilo que veio antes.

Agora entendo as aulas de Dumbledore.

Entendo a importância da memória de Slughorn.

Entendo por que conhecer a infância de Tom era importante.

Entendo por que seus pequenos roubos importavam.

Entendo por que o anel importava.

Entendo por que Dumbledore prestou tanta atenção ao medalhão e à taça.

Entendo por que suas ausências de Hogwarts são tão frequentes.

E, finalmente, entendo como Voldemort conseguiu sobreviver.

O mais interessante é perceber que Rowling apresentou uma parte essencial dessa resposta quatro livros atrás.

Harry já destruiu uma Horcrux.

Nós simplesmente não sabíamos que aquilo era uma Horcrux.

Dumbledore já destruiu outra.

Agora existem outras espalhadas pelo mundo.

E a missão começa a parecer assustadoramente concreta.

Encontrá-las.

Descobrir como destruí-las.

Eliminar cada uma.

E somente depois enfrentar aquilo que restar de Voldemort.

A grande diferença é que agora sabemos que ele pode morrer.

Não facilmente.

Não imediatamente.

Mas existe um caminho.

Depois de seis livros construindo Lord Voldemort como uma presença quase impossível de eliminar, o capítulo 23 finalmente apresenta sua fraqueza.

E talvez essa seja a grande ironia de tudo.

Tom Riddle mutilou a própria alma tentando conquistar a imortalidade.

Ao fazer isso, espalhou pelo mundo exatamente as peças que precisam ser encontradas para destruí-lo.

Voldemort dividiu a própria alma para nunca morrer. Dumbledore transformou cada pedaço dela em um caminho para que Harry finalmente possa matá-lo.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 22

Capítulo I — Finalmente, a peça que faltava

Terminei o capítulo 22 ainda bastante impactado.

Talvez porque ele consiga pegar vários elementos que o livro vinha preparando havia muitos capítulos e fazê-los funcionar juntos de uma maneira extremamente satisfatória.

A missão de Dumbledore.

A resistência de Slughorn.

A morte de Aragog.

A relação de Slughorn com Lily.

E principalmente a Felix Felicis, aquela pequena garrafa que Harry conquistou muitas páginas atrás e que permanecia guardada esperando o momento certo.

Tudo converge.

E o mais interessante é que praticamente nada acontece da maneira como Harry havia planejado.

Talvez seja justamente essa a melhor demonstração possível de como a Felix Felicis funciona.

Talvez ter sorte não seja fazer o impossível acontecer. Talvez seja escolher corretamente entre todas as pequenas possibilidades que já estavam diante de nós.

Capítulo II — Harry está travado

No começo do capítulo, Harry está frustrado.

E por dois motivos diferentes.

Ele finalmente descobriu que Draco Malfoy está utilizando a Sala Precisa, mas continua sem saber o que ele faz lá dentro.

Harry conhece a localização.

Conhece os vigias.

Conhece o método utilizado por Crabbe e Goyle.

Mas não consegue atravessar a última porta.

Ao mesmo tempo, existe um fracasso ainda mais importante.

A lembrança de Slughorn.

Dumbledore deixou absolutamente claro que não existe motivo para continuar suas aulas enquanto Harry não conseguir a memória verdadeira.

E Harry continua sem conseguir.

Por isso, quando recebe outro bilhete, sua primeira reação é imaginar Dumbledore.

E também sentir certo medo.

Afinal, o que o diretor teria para dizer se Harry ainda não cumpriu sua missão?

Só que o bilhete não veio de Dumbledore.

Veio de Hagrid.

Capítulo III — Aragog morreu

Aragog morreu.

Hagrid está devastado e pede que Harry, Rony e Hermione participem do enterro.

Existe algo melancólico nessa notícia porque Aragog está conosco desde A Câmara Secreta.

Nunca foi exatamente uma criatura pela qual eu tivesse grande carinho — principalmente considerando sua disposição em permitir que seus descendentes devorassem Harry e Rony —, mas sua morte representa o desaparecimento de mais um elemento da história de Hagrid.

Para Hagrid, obviamente, a relação é completamente diferente.

Aragog era seu amigo.

Foi uma criatura que ele protegeu quando ainda era estudante.

Uma ligação que atravessou décadas.

Harry, Rony e Hermione, porém, inicialmente decidem não comparecer.

Existe o perigo de sair do castelo durante a noite.

Existe toda a situação envolvendo Draco.

E Harry possui uma missão mais urgente.

Ele precisa encontrar uma maneira de conseguir a memória.

Capítulo IV — A pequena garrafa dourada

É então que surge a solução.

Felix Felicis.

A sorte líquida.

A poção que Harry ganhou de Slughorn justamente por ter preparado a melhor Poção do Morto-Vivo da turma utilizando as instruções do Príncipe Mestiço.

Rony e Hermione concordam que talvez tenha chegado o momento de utilizá-la.

Harry havia tentado conversar diretamente com Slughorn.

Falhou.

Tentou encontrar o professor sozinho.

Slughorn passou a evitá-lo.

Tentou esperar.

Nada aconteceu.

Talvez fosse necessário acrescentar sorte à equação.

E aqui começa uma das partes que mais gostei no capítulo.

Porque minha ideia sobre aquilo que a Felix Felicis faria estava errada.

Capítulo V — A sorte não entrega respostas

Harry bebe a poção.

E Rowling poderia ter escolhido o caminho mais óbvio.

Harry poderia simplesmente encontrar Slughorn sozinho.

O professor poderia estar excepcionalmente receptivo.

Algum acidente conveniente poderia entregar a Harry exatamente aquilo que precisava.

Mas não é assim que acontece.

Harry continua sendo Harry.

O mundo continua sendo o mesmo.

O que muda é sua percepção das escolhas.

De repente, ele simplesmente sabe que precisa ir até Hagrid.

Rony e Hermione protestam.

Aquilo parece completamente absurdo.

O objetivo é encontrar Slughorn.

Por que diabos Harry iria ao enterro de Aragog?

Mas Harry sente absoluta confiança.

Pega a Capa da Invisibilidade.

Sai.

E começa a obedecer às pequenas intuições provocadas pela poção.

Felix Felicis não parece mudar o mundo para favorecer Harry. Ela faz Harry enxergar qual movimento deve fazer dentro do mundo que já existe.

Capítulo VI — Um caminho ligeiramente diferente

Esse detalhe é excelente.

Harry muda ligeiramente seu caminho.

Nada grandioso.

Nenhum clarão mágico.

Nenhuma coincidência impossível.

Apenas uma decisão.

E essa pequena alteração faz com que ele encontre Slughorn.

A partir daí, tudo começa a se encaixar.

Harry comenta que está indo ao enterro de Aragog.

E Slughorn imediatamente percebe uma oportunidade.

Veneno de acromântula.

Uma substância extremamente rara e valiosa.

Agora o professor possui um motivo próprio para acompanhar Harry.

E isso é fundamental.

Harry não precisou convencer Slughorn a acompanhá-lo para conseguir a memória.

A Felix Felicis colocou Harry numa situação em que Slughorn decidiu acompanhá-lo por interesse próprio.

É uma diferença pequena.

Mas brilhante.

Capítulo VII — O enterro que Harry não pretendia frequentar

Assim, Harry chega à cabana de Hagrid acompanhado justamente pelo homem que vinha tentando encontrar havia tanto tempo.

Hagrid está devastado.

Aragog é enterrado.

Slughorn faz seu discurso.

E, discretamente, consegue retirar o valioso veneno da acromântula.

Todo mundo consegue alguma coisa naquela noite.

Hagrid consegue companhia para se despedir de um velho amigo.

Slughorn consegue um ingrediente raríssimo.

E Harry consegue finalmente ficar próximo de Slughorn fora das defesas que o professor havia construído ao seu redor.

Mas ainda falta uma coisa.

A memória.

Capítulo VIII — Vinho, Hagrid e as defesas desaparecendo

A noite continua.

As garrafas aparecem.

Hagrid bebe.

Slughorn bebe.

Harry também participa daquele ambiente.

E pouco a pouco as barreiras do professor começam a desaparecer.

É importante perceber que Felix Felicis não simplesmente obriga Slughorn a entregar a memória.

Ela conduz Harry até uma situação em que ele encontra as palavras certas.

Isso torna toda a sequência muito mais interessante.

Harry percebe quando deve falar.

Quando deve esperar.

Quando deve pressionar.

E principalmente qual é o ponto emocional capaz de atravessar a resistência de Slughorn.

Lily Potter.

Capítulo IX — Harry usa a própria mãe

Essa é provavelmente a parte mais poderosa da estratégia de Harry.

E também uma das mais cruéis.

Ele faz uma enorme chantagem emocional com Slughorn.

E funciona.

Harry sabe que o professor gostava profundamente de Lily.

Slughorn já falou várias vezes sobre ela.

Sobre seu talento.

Sobre sua inteligência.

Sobre como era uma de suas alunas favoritas.

Então Harry coloca a memória dentro de um contexto do qual Slughorn não consegue fugir.

Voldemort matou Lily.

Ela não precisava morrer.

Ela poderia ter sobrevivido.

Mas escolheu proteger Harry.

E agora o filho de Lily está diante dele pedindo ajuda para derrotar o homem que a matou.

A memória que Slughorn esconde pode ajudar nisso.

Harry praticamente transforma a recusa do professor em uma nova traição à memória de Lily.

É pesado.

É manipulador.

E é exatamente aquilo que precisava ser dito.

Harry não pede apenas que Slughorn ajude Dumbledore. Ele obriga o professor a decidir se sua vergonha vale mais do que a memória de Lily.

Capítulo X — A vergonha de Slughorn

E talvez seja aqui que finalmente compreendemos melhor por que Slughorn alterou aquela lembrança.

Não parece ser medo de Dumbledore.

Não parece simplesmente desejo de esconder alguma ilegalidade.

É vergonha.

Existe alguma coisa naquela conversa com Tom Riddle que Slughorn não suporta admitir.

Talvez tenha dito algo que não deveria.

Talvez tenha ajudado Tom de alguma maneira.

Ainda não sabemos.

Mas sabemos que aquilo o atormenta.

Harry percebe isso.

E Felix Felicis parece lhe dar a confiança necessária para continuar pressionando exatamente onde dói.

Até Slughorn finalmente ceder.

A missão que parecia impossível está cumprida.

Harry conseguiu a verdadeira lembrança.

Capítulo XI — Agora eu entendi a Felix Felicis

Para mim, uma das grandes conquistas deste capítulo é finalmente mostrar o funcionamento da Felix Felicis.

E gostei muito mais do conceito depois de vê-lo funcionando.

Ela não transforma Harry em um deus.

Não cria milagres.

Não faz objetos caírem do céu.

Ela altera uma sucessão de pequenas decisões.

Harry decide ir até Hagrid.

Decide mudar o caminho.

Encontra Slughorn.

Percebe o interesse dele pelo veneno de acromântula.

Convida-o.

Permite que a noite continue.

Encontra o momento correto para falar sobre Lily.

Escolhe exatamente os argumentos capazes de quebrar Slughorn.

É quase como se a poção permitisse que Harry enxergasse a melhor possibilidade entre dezenas de futuros possíveis.

Isso é muito mais interessante do que simplesmente “ter sorte”.

Capítulo XII — E aqui Hogwarts Legacy desperdiçou uma oportunidade enorme

Depois deste capítulo, fica impossível não pensar em Hogwarts Legacy.

E, sinceramente, o jogo desperdiçou completamente a Felix Felicis.

Pelo amor de Deus.

Depois de ver como essa poção funciona no livro, reduzir seu efeito no jogo basicamente a ajudar o jogador a localizar determinados baús parece quase uma piada.

A Felix Felicis poderia ter sido uma das poções mais raras e difíceis de produzir de todo o jogo.

Poderia exigir ingredientes absurdamente difíceis de encontrar.

Poderia possuir um tempo enorme de preparação.

Poderia exigir uma missão específica para aprender sua receita.

Mas, principalmente, seu efeito deveria modificar a maneira como jogamos.

Imagine utilizá-la e, durante um período limitado, perceber caminhos alternativos.

Encontrar soluções diferentes para determinadas missões.

Ter acesso a opções especiais de diálogo.

Descobrir passagens que normalmente não perceberíamos.

Aumentar drasticamente a chance de encontrar determinados itens raros.

Ou receber pequenas indicações de que uma determinada escolha produziria um resultado melhor.

Isso reproduziria exatamente a sensação apresentada neste capítulo.

Não seria uma poção que simplesmente aumenta um atributo.

Seria uma poção que altera nossa relação com as possibilidades do mundo.

Depois do capítulo 22, usar Felix Felicis apenas para encontrar baús parece o equivalente mágico de utilizar uma Ferrari para buscar pão na esquina.

Capítulo XIII — Uma solução preparada muito antes

Também gosto muito da construção narrativa por trás dessa solução.

Felix Felicis não apareceu neste capítulo.

Harry ganhou a poção muito antes.

Slughorn não começou a gostar de Lily agora.

Essa relação já vinha sendo construída.

Aragog também não surgiu convenientemente apenas para morrer.

Nós o conhecemos desde o segundo livro.

O interesse de Slughorn por ingredientes raros combina perfeitamente com aquilo que sabemos sobre ele.

E a missão de conseguir a memória existe há vários capítulos.

Rowling simplesmente pega elementos que estavam espalhados pela história e faz todos se encontrarem durante uma única noite.

É por isso que a sequência funciona tão bem.

Não parece que o roteiro inventou uma solução.

Parece que a solução sempre esteve ali.

Harry apenas precisava encontrar o caminho até ela.

Considerações Finais

O capítulo 22 é facilmente um dos capítulos que mais gostei até aqui em O Enigma do Príncipe.

Não existe uma grande batalha.

Não existe um confronto com Voldemort.

Não existe sequer uma grande revelação sobre Draco.

Mesmo assim, existe uma tensão enorme porque acompanhamos Harry finalmente tentando cumprir a missão que Dumbledore colocou em suas mãos.

E o melhor de tudo é a maneira como ele consegue.

A Felix Felicis não resolve o problema.

Ela conduz Harry por uma sequência de decisões capazes de colocá-lo na posição em que ele próprio consegue resolvê-lo.

Isso torna a poção muito mais fascinante do que eu imaginava.

Harry continua precisando conversar.

Continua precisando perceber as fraquezas de Slughorn.

Continua precisando pressioná-lo.

Continua precisando utilizar Lily.

A sorte apenas parece colocar cada peça no lugar correto.

E existe algo especialmente bonito no fato de ser justamente Lily quem finalmente quebra a resistência de Slughorn.

Ela morreu há muitos anos.

Mas a lembrança que deixou naquele professor ainda é forte o suficiente para ajudá-lo a escolher fazer a coisa certa.

Agora Harry possui aquilo que Dumbledore afirmou ser a lembrança mais importante de todas.

Depois de tantas aulas observando pedaços da vida de Tom Riddle, finalmente vamos descobrir o que Slughorn realmente contou a ele sobre Horcruxes.

E talvez finalmente descubramos por que Dumbledore passou este livro inteiro ensinando Harry não apenas sobre Lord Voldemort, mas sobre o menino que existia antes dele.

Harry tomou uma poção para ter sorte. Mas a sorte apenas o levou até a porta. Para atravessá-la, ele precisou usar tudo aquilo que já sabia sobre as pessoas que estavam do outro lado.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 21

Capítulo I — Finalmente, o trio está de volta

O capítulo 21 mantém o ritmo acelerado que O Enigma do Príncipe recuperou nos últimos capítulos.

Muita coisa acontece.

Algumas perguntas finalmente recebem respostas.

Outras imediatamente aparecem no lugar.

E, principalmente, Harry começa a perceber que possui dois grandes mistérios diante dele e não consegue abandonar nenhum dos dois.

Pelo menos existe uma boa notícia.

Harry, Rony e Hermione estão novamente juntos.

Depois de toda aquela longa sequência de ciúmes, provocações e brigas, o trio finalmente voltou a funcionar como trio.

Rony ainda possui um problema pendente.

Lilá Brown.

Ele claramente quer terminar o relacionamento, mas demonstra uma incapacidade quase impressionante de realmente fazer isso.

Depois de passar boa parte do livro querendo provar que conseguia ter uma namorada, agora passa boa parte do tempo tentando descobrir como deixar de tê-la.

Rony finalmente conseguiu aquilo que queria. O problema foi descobrir que já não queria aquilo que conseguiu.

Capítulo II — Dobby e Monstro trazem respostas

Enquanto Harry, Rony e Hermione estão na sala comunal, finalmente aparecem Dobby e Monstro.

A missão dada por Harry no capítulo anterior produziu resultados.

Os dois elfos seguiram Draco Malfoy.

E o relatório deles entrega informações extremamente importantes.

A primeira finalmente explica um mistério que vinha incomodando Harry havia vários capítulos.

Draco está utilizando a Sala Precisa.

É por isso que desaparece do Mapa do Maroto.

Harry não estava imaginando coisas.

Malfoy realmente encontrava uma maneira de desaparecer dentro de Hogwarts.

Agora sabemos onde.

Mas ainda não sabemos o que ele faz lá dentro.

E, como acontece tantas vezes neste livro, uma resposta imediatamente cria uma pergunta ainda mais interessante.

Descobrir onde alguém está escondido resolve apenas metade do mistério. A outra metade começa quando descobrimos por que ele precisava se esconder.

Capítulo III — As garotas que não eram garotas

A segunda informação dos elfos explica outro comportamento estranho observado por Harry.

Draco vinha sendo visto acompanhado por diferentes garotas.

Mas aquelas garotas não eram exatamente quem pareciam.

Eram Crabbe e Goyle.

Os dois estavam utilizando Poção Polissuco para assumir a aparência de estudantes de Hogwarts.

A função deles é vigiar o corredor enquanto Draco permanece dentro da Sala Precisa.

Isso também explica um detalhe que Harry havia observado sem compreender.

Em determinados momentos, uma das garotas deixava algum objeto cair.

Não era acidente.

Era um sinal.

Crabbe e Goyle estavam avisando Draco sobre a aproximação de alguém.

Tudo começa a se encaixar.

Draco não apenas possui um esconderijo.

Ele criou um sistema para protegê-lo.

Utiliza Poção Polissuco.

Utiliza vigias.

Utiliza sinais.

E passa períodos enormes trabalhando dentro da Sala Precisa.

Se ainda existia alguma dúvida de que Malfoy estava fazendo alguma coisa importante, ela fica cada vez menor.

Capítulo IV — A resposta estava diante de Harry o tempo inteiro

Existe algo particularmente interessante na revelação da Sala Precisa.

Harry conhece aquele lugar.

Muito bem.

Foi ali que funcionou a Armada de Dumbledore.

Ele próprio utilizou a sala para esconder reuniões secretas dentro de Hogwarts.

Agora Draco está fazendo exatamente a mesma coisa.

A Sala Precisa oferece aquilo de que seu usuário necessita.

Para Harry, ela ofereceu um lugar para aprender Defesa Contra as Artes das Trevas.

Para Draco, oferece alguma coisa diferente.

Mas Harry não consegue descobrir o quê.

Porque existe uma característica fundamental da sala que agora trabalha contra ele.

Quando alguém já está utilizando a Sala Precisa para uma determinada finalidade, não basta simplesmente desejar entrar.

Harry precisa descobrir exatamente aquilo de que Draco necessita.

E ele não sabe.

É uma inversão muito boa.

Um dos maiores trunfos de Harry no livro anterior agora se transforma em uma barreira praticamente impossível de atravessar.

Capítulo V — A obsessão muda de endereço

Harry começa então a passar cada vez mais tempo tentando entrar na Sala Precisa.

Testa possibilidades.

Caminha diante da parede.

Tenta imaginar diferentes necessidades.

Nada funciona.

E sua investigação sobre Draco começa novamente a se transformar em obsessão.

Hermione percebe isso.

E lembra Harry de uma coisa muito mais importante.

Dumbledore lhe deu uma missão.

Ele precisa conseguir a verdadeira lembrança de Slughorn.

Harry tenta.

Mas Slughorn agora evita cuidadosamente ficar sozinho com ele.

O professor sabe exatamente o que Harry pretende perguntar.

E não oferece oportunidade.

Com isso, Harry começa a se concentrar ainda mais em Draco.

Talvez porque Draco represente um mistério sobre o qual ele consegue agir.

Slughorn, ao contrário, exige algo muito mais difícil.

Persuasão.

É muito mais fácil perseguir uma porta fechada do que convencer alguém a abrir voluntariamente aquilo que mantém trancado dentro de si.

Capítulo VI — Duas missões, dois Harrys

Existe agora uma disputa interessante pela atenção de Harry.

De um lado está Draco Malfoy.

Essa investigação nasceu do próprio Harry.

Ele acredita desde o começo do livro que Draco se tornou um Comensal da Morte e recebeu uma missão de Voldemort.

Pouquíssimas pessoas acreditaram nele.

Agora surgem cada vez mais evidências de que pelo menos parte de suas suspeitas estava correta.

Do outro lado está Slughorn.

Essa é a investigação de Dumbledore.

O diretor afirmou claramente que aquela memória é essencial para compreender Voldemort.

E também deixou claro que não haverá novas aulas enquanto Harry não cumprir sua tarefa.

O problema é que Harry parece muito mais atraído pelo mistério que escolheu do que pela missão que recebeu.

Isso pode se tornar importante.

Porque talvez Harry esteja certo sobre Draco.

Mas isso não significa que Dumbledore esteja errado sobre aquilo que realmente deveria ser prioridade.

Capítulo VII — Tonks

Durante uma das tentativas de descobrir o segredo da Sala Precisa, Harry encontra Tonks.

E novamente percebe que existe alguma coisa muito errada com ela.

Tonks está diferente desde o início do livro.

Sua aparência mudou.

Seu comportamento mudou.

Sua energia desapareceu.

Até seu Patrono mudou.

Harry, Rony e Hermione começam a construir uma teoria.

Talvez Tonks estivesse apaixonada por Sirius.

Talvez a morte dele tenha provocado toda aquela transformação.

A hipótese parece explicar algumas coisas.

Lupin já havia dito que grandes abalos emocionais podem modificar a forma de um Patrono.

E Tonks claramente parece estar sofrendo desde a morte de Sirius.

Ainda assim, o livro não confirma nada.

É apenas mais um pequeno mistério acontecendo paralelamente aos grandes.

Capítulo VIII — Hogwarts não está isolada da guerra

Enquanto Harry tenta descobrir o que Draco está fazendo dentro da Sala Precisa, o mundo exterior continua piorando.

Pessoas estão desaparecendo.

Notícias ruins continuam chegando.

A presença de Voldemort e dos Comensais da Morte começa a ser percebida mesmo quando eles não aparecem diretamente.

Mundungo Fletcher também acaba preso depois de ser flagrado tentando negociar objetos roubados.

A situação reforça uma sensação que este livro vem construindo desde suas primeiras páginas.

O mundo bruxo está se desintegrando aos poucos.

Não existe necessariamente uma grande batalha acontecendo diante dos protagonistas.

Existe algo talvez mais inquietante.

Pessoas simplesmente desaparecem.

Famílias deixam de receber notícias.

Restrições aumentam.

Hogsmeade deixa de ser seguro.

Hogwarts aumenta sua proteção.

E ninguém sabe exatamente onde Voldemort atacará em seguida.

O medo mais eficiente não precisa aparecer todos os dias. Basta fazer todos acreditarem que pode aparecer amanhã.

Capítulo IX — A Sala Precisa muda completamente o mistério de Draco

A grande revelação do capítulo, para mim, continua sendo a Sala Precisa.

Até agora, Harry tentava responder:

Onde Draco vai?

Essa pergunta está resolvida.

Agora existe outra.

O que Draco está fazendo lá dentro?

E essa pergunta é muito mais preocupante.

Sabemos pela conversa com Snape que Draco possui um plano.

Sabemos que esse plano está demorando mais do que ele esperava.

Sabemos que ele não confia em Snape.

Sabemos que Bellatrix lhe ensinou Oclumência.

Sabemos que Crabbe e Goyle montam guarda enquanto ele trabalha.

E sabemos agora que esse trabalho acontece dentro da Sala Precisa.

As peças começam a formar alguma coisa.

Mas ainda não conseguimos enxergar a imagem completa.

Considerações Finais

O capítulo 21 continua fazendo aquilo que O Enigma do Príncipe vem fazendo muito bem quando está em sua melhor forma:

entregar respostas sem diminuir o mistério.

Descobrimos finalmente onde Draco desaparecia.

Descobrimos quem eram as misteriosas garotas que apareciam ao seu lado.

Descobrimos como Crabbe e Goyle o avisavam quando alguém se aproximava.

Mas nenhuma dessas respostas resolve a questão principal.

O plano continua desconhecido.

E existe agora outro problema que começa a me chamar bastante atenção.

Harry possui duas missões.

Uma foi criada por ele mesmo.

Descobrir o que Draco está fazendo.

A outra foi dada diretamente por Dumbledore.

Conseguir a verdadeira lembrança de Slughorn.

Harry parece muito mais interessado na primeira.

Só que Dumbledore já deixou claro que considera a segunda essencial.

Talvez as duas investigações acabem se encontrando.

Talvez não.

Mas existe uma tensão interessante surgindo justamente daí.

Harry está cada vez mais perto de provar que tinha razão sobre Draco.

Ao mesmo tempo, continua falhando justamente na missão que Dumbledore afirmou ser indispensável para compreender Voldemort.

E enquanto Harry tenta decidir para qual mistério olhar, o mundo ao redor de Hogwarts continua ficando mais perigoso.

O problema de ter duas portas fechadas diante de nós é nunca saber qual delas esconde aquilo que precisamos encontrar primeiro.

domingo, 26 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 20

Capítulo I — Os três juntos novamente

O capítulo 20 começa com Harry e Rony finalmente deixando a enfermaria.

Os dois estão recuperados e, aparentemente, alguma coisa também se curou fora dali.

A longa briga entre Rony e Hermione parece ter terminado.

Talvez quase perder Rony tenha colocado toda aquela discussão adolescente em perspectiva para Hermione. Depois de envenenamento, risco de morte e dias na enfermaria, continuar sustentando aquela guerra de ciúmes simplesmente parece pequeno demais.

Harry, naturalmente, fica feliz.

Depois de capítulos acompanhando os dois amigos trocando provocações e utilizando-o praticamente como intermediário involuntário de uma briga que nenhum deles tinha maturidade para resolver, finalmente o trio está reunido novamente.

Uma pessoa, porém, não parece particularmente satisfeita com a situação.

Lilá Brown.

Seu relacionamento com Rony está cada vez pior, e Harry acaba pressionando o amigo para que finalmente converse com ela em vez de continuar fugindo.

Às vezes, basta chegar perto de perder alguém para algumas brigas revelarem o tamanho insignificante que sempre tiveram.

Capítulo II — Uma mensagem de Dumbledore

É nesse intervalo que Luna entrega a Harry uma mensagem.

Dumbledore quer encontrá-lo naquela noite.

Mais uma aula.

E imediatamente voltamos ao que considero a parte mais interessante de O Enigma do Príncipe.

As aulas particulares entre Harry e Dumbledore se tornaram praticamente uma investigação sobre a construção de Lord Voldemort.

Cada lembrança acrescenta alguma coisa.

Cada pequeno comportamento de Tom Riddle parece possuir importância.

E agora Harry chega à sala de Dumbledore carregando também uma missão que deveria ter cumprido.

O problema é que não cumpriu.

Capítulo III — Harry decepciona Dumbledore

A primeira pergunta de Dumbledore é direta.

Harry conseguiu a verdadeira lembrança de Slughorn?

Não.

E talvez seja apenas nesse momento que Harry compreenda realmente a importância da tarefa que recebeu.

Depois da primeira tentativa fracassada, ele deixou o assunto esfriar.

Havia Draco.

Havia o quadribol.

Rony quase morreu.

Muitas coisas aconteceram.

Mas Dumbledore não havia pedido aquilo como uma atividade escolar qualquer.

Ele precisava daquela memória.

E a decepção do diretor atinge Harry de uma maneira muito diferente de qualquer bronca.

Dumbledore não precisa gritar.

Harry percebe sozinho que falhou.

E fica profundamente decepcionado consigo mesmo.

Algumas repreensões doem não pelo que alguém diz, mas pela percepção de que aquela pessoa esperava mais de nós.

Capítulo IV — Tom Riddle, funcionário da Borgin & Burkes

Mesmo assim, Dumbledore prossegue com a aula.

A primeira lembrança mostra Tom Riddle depois de deixar Hogwarts.

E existe uma surpresa aqui.

Um aluno extremamente talentoso, brilhante e admirado por professores poderia ter seguido praticamente qualquer carreira dentro do mundo bruxo.

Mas Tom escolheu trabalhar na Borgin & Burkes.

Uma loja especializada justamente em objetos mágicos raros, antigos e muitas vezes relacionados às Artes das Trevas.

À primeira vista, poderia parecer uma escolha pequena demais para alguém com suas capacidades.

Mas depois de tudo que Dumbledore vem mostrando, a decisão começa a fazer muito sentido.

Tom sempre teve fascínio por objetos.

Desde o orfanato.

Desde os pequenos pertences roubados das outras crianças.

Ele gosta de possuir coisas.

Principalmente coisas que possuem significado.

E Borgin & Burkes oferece exatamente o acesso que alguém assim desejaria.

Capítulo V — Hepzibah Smith e dois objetos extraordinários

Através da lembrança da elfa doméstica Hokey, acompanhamos uma das visitas de Tom Riddle a Hepzibah Smith, uma cliente extremamente rica e colecionadora de objetos mágicos.

Tom sabe exatamente como lidar com ela.

É educado.

Charmoso.

Atencioso.

Completamente diferente do menino frio que Dumbledore encontrou no orfanato.

Mas agora sabemos que Tom aprendeu a utilizar o charme como ferramenta.

Hepzibah então decide mostrar a ele dois de seus maiores tesouros.

Uma pequena taça que pertenceu a Helga Lufa-Lufa.

E um medalhão que pertenceu a Salazar Sonserina.

A reação de Tom muda imediatamente.

Principalmente diante do medalhão.

É impossível não lembrar de Mérope Gaunt.

Do medalhão que pertenceu à família.

Da descendência direta de Salazar Sonserina.

E da maneira como aquela peça acabou sendo vendida antes do nascimento de Tom.

Ele parece compreender imediatamente o que está diante dele.

Uma parte de sua própria história familiar retornou às suas mãos.

Para algumas pessoas, objetos guardam lembranças. Para Tom Riddle, eles parecem guardar poder, identidade e conquista.

Capítulo VI — Outra morte, outra memória roubada

Dois dias depois, Hepzibah Smith morre.

Os dois objetos desaparecem.

E a culpada pelo assassinato acaba sendo Hokey.

Ou melhor:

Hokey acredita ser culpada.

Novamente estamos diante de um padrão que já vimos anteriormente.

Tom matou seu pai e seus avós paternos.

Depois modificou a memória de Morfin Gaunt para fazê-lo acreditar que havia cometido os assassinatos.

Agora Hepzibah morre.

E a memória de sua elfa doméstica também é alterada.

Tom não apenas mata.

Ele fabrica culpados.

Utiliza pessoas vulneráveis como recipientes para seus crimes.

E desaparece deixando outra pessoa carregar as consequências.

Isso também mostra como suas técnicas foram ficando mais sofisticadas.

O menino que roubava pequenos objetos no orfanato agora mata para possuir relíquias históricas.

O comportamento é essencialmente o mesmo.

A escala mudou completamente.

O menino colecionava troféus. O homem continuou fazendo o mesmo — apenas passou a deixar cadáveres para trás.

Capítulo VII — Dez anos depois

A segunda lembrança pertence ao próprio Dumbledore.

Dez anos se passaram.

Tom Riddle retorna a Hogwarts.

Mas alguma coisa mudou.

O jovem bonito e carismático que saiu da escola já começa a apresentar sinais da transformação que conhecemos.

Ele também já possui outro nome.

Lord Voldemort.

Dumbledore, porém, continua chamando-o de Tom.

E gosto muito desse detalhe.

Voldemort construiu um nome para separar-se daquilo que considerava comum.

Criou uma identidade que deveria provocar medo.

Dumbledore simplesmente se recusa a participar dessa construção.

Para ele, aquela criatura continua sendo Tom Riddle.

Capítulo VIII — O emprego que Voldemort queria

Tom retorna a Hogwarts para pedir o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.

A escolha é curiosa.

Por que alguém que passou tantos anos viajando, estudando magia obscura e construindo sua própria reputação desejaria voltar para Hogwarts como professor?

Dumbledore também parece desconfiar de suas intenções.

E deixa claro que sabe muito mais sobre Tom do que ele gostaria.

Sabe que ele abandonou o emprego na Borgin & Burkes.

Sabe que passou anos desaparecido.

Sabe que reuniu seguidores.

Sabe inclusive como esses seguidores passaram a ser chamados.

Comensais da Morte.

Por alguns instantes, parece que Tom percebe que não consegue manipular Dumbledore da mesma maneira que manipula outras pessoas.

O charme não funciona.

A reputação não funciona.

O novo nome não funciona.

Dumbledore conhece o menino que existia antes de Lord Voldemort.

E talvez seja exatamente por isso que Tom nunca consiga se sentir completamente confortável diante dele.

É difícil construir uma nova identidade diante de alguém que ainda se lembra perfeitamente de quem você era antes dela.

Capítulo IX — Dumbledore diz não

Dumbledore recusa o pedido.

Tom Riddle não será professor de Hogwarts.

E a conversa termina com uma hostilidade quase silenciosa entre os dois.

Dumbledore sabe que existe alguma coisa profundamente errada diante dele.

Tom percebe que Dumbledore sabe.

Nenhum dos dois precisa dizer muito mais.

Existe ainda outro detalhe curioso ligado a essa visita.

Dumbledore explica a Harry que, desde aquela recusa, nenhum professor permaneceu por muito tempo no cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Aquilo que durante vários livros parecia quase uma piada recorrente dentro de Hogwarts passa a ganhar uma possível origem muito mais sombria.

Talvez a instabilidade daquele cargo não seja simplesmente azar.

Talvez Tom tenha deixado alguma coisa para trás depois de receber aquele não.

Capítulo X — Finalmente começo a entender as aulas de Dumbledore

A esta altura, começa a ficar muito mais claro por que Dumbledore está mostrando tudo isso a Harry.

No início dessas aulas, eu ainda não conseguia compreender completamente o objetivo.

Parecia uma longa biografia de Voldemort.

Agora já não parece.

Dumbledore está mostrando padrões.

Tom sempre quis ser diferente.

Sempre desprezou aquilo que considerava comum.

Desde criança, roubava objetos como troféus.

Depois passou a buscar objetos raros.

Objetos históricos.

Objetos ligados aos grandes nomes do mundo bruxo.

O anel dos Gaunt.

O medalhão de Sonserina.

A taça de Lufa-Lufa.

E, paralelamente, existe a palavra que Slughorn tentou apagar de sua própria memória:

Horcruxes.

Ainda não sabemos exatamente como essas coisas se conectam.

Mas agora é impossível acreditar que Dumbledore esteja apresentando esses objetos por acaso.

Capítulo XI — Sem a memória, não existe próxima aula

É então que Dumbledore volta ao fracasso de Harry.

Ele deixa claro que chegaram ao limite daquilo que pode ensinar sem a verdadeira lembrança de Slughorn.

Não haverá sentido em continuar.

Porque aquela memória é a peça central de tudo.

A mais importante.

Harry precisa consegui-la.

Agora a missão deixa de ser apenas uma tarefa dada pelo diretor.

Ela se transforma na única maneira de prosseguir com a investigação.

E isso muda completamente seu peso.

Dumbledore passou várias aulas mostrando a Harry peças de um quebra-cabeça.

Agora colocou diante dele um espaço vazio.

E avisou:

a próxima peça terá de ser encontrada por você.

Dumbledore mostrou o caminho inteiro. Mas existe uma porta que ele não pode abrir por Harry.

Considerações Finais

O capítulo 20 é excelente porque finalmente começa a conectar elementos que estavam espalhados pelas aulas anteriores.

Tom Riddle não colecionava objetos aleatoriamente.

Desde criança, ele transformava pertences roubados em troféus.

Quando adulto, esse comportamento permanece, mas seus troféus passam a ser objetos ligados à história do mundo bruxo e à sua própria ancestralidade.

Também existe um padrão cada vez mais assustador em seus assassinatos.

Tom mata.

Rouba.

Modifica a memória de alguém.

E deixa um inocente carregando a culpa.

Morfin Gaunt.

Hokey.

Duas pessoas completamente diferentes utilizadas exatamente da mesma maneira.

E no centro de tudo continua existindo a memória que Slughorn se recusa a entregar.

Uma conversa com Tom Riddle.

Uma pergunta sobre Horcruxes.

E alguma resposta tão importante que Dumbledore considera aquela lembrança a mais importante de todas.

Agora entendo melhor por que ele está ensinando tudo isso a Harry.

Não basta saber que Voldemort é poderoso.

Dumbledore quer que Harry compreenda como ele pensa.

O que deseja.

O que valoriza.

Que objetos escolhe.

Que padrões repete.

Talvez porque derrotar Voldemort dependa menos de compreender sua magia do que de compreender Tom Riddle.

E pela primeira vez desde que essas aulas começaram, Harry possui uma peça do quebra-cabeça que Dumbledore não possui.

Ou melhor:

uma peça que apenas Harry pode conseguir.

Para descobrir como Lord Voldemort pode ser derrotado, talvez Harry precise primeiro compreender aquilo que Tom Riddle jamais conseguiu deixar de ser.