Gamertag


domingo, 14 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 21

Capítulo I — Quando várias histórias se encontram

O capítulo 21 é um daqueles capítulos que parecem enormes não necessariamente pela quantidade de páginas, mas pela quantidade de coisas importantes acontecendo ao mesmo tempo.

Praticamente todas as linhas narrativas abertas até aqui recebem algum avanço.

Temos Hagrid.

Temos os testrálios.

Temos Umbridge.

Temos Cho.

Temos a Armada de Dumbledore.

Temos os sonhos de Harry.

E temos a ligação cada vez mais preocupante entre Harry e Voldemort.

Alguns capítulos avançam uma história. Este avança cinco ao mesmo tempo.

Capítulo II — Finalmente entendemos os testrálios

Uma das respostas mais aguardadas desde a chegada a Hogwarts finalmente aparece.

Os cavalos que Harry viu puxando as carruagens possuem um nome:

Testrálios.

E mais importante do que isso:

Agora entendemos por que Harry consegue vê-los.

A explicação é simples e ao mesmo tempo extremamente pesada.

Só consegue vê-los quem já presenciou a morte.

Não ouvir falar.

Não saber que alguém morreu.

Mas realmente vivenciar a experiência.

Ver a morte.

Os testrálios não são vistos pelos olhos. São vistos pelas experiências que carregamos.

E isso transforma completamente a forma como olhamos para eles.

Capítulo III — O peso invisível que Harry carrega

A explicação dos testrálios também reforça algo que vem crescendo desde o final do Cálice de Fogo.

Harry mudou.

Ele não é mais o garoto dos primeiros livros.

Ele viu Voldemort retornar.

Ele viu Cedrico morrer.

Ele quase morreu.

E agora carrega marcas que outras pessoas não enxergam.

Os testrálios são quase uma representação física disso.

Algo que está diante de todos.

Mas que apenas algumas pessoas conseguem perceber.

Existem experiências que nos mudam para sempre. Mesmo quando ninguém ao redor percebe essa mudança.

Capítulo IV — Neville e Luna

Outro detalhe interessante é descobrir que Harry não está sozinho.

Luna vê os testrálios.

Neville também.

E isso imediatamente gera perguntas.

Especialmente sobre Neville.

O livro ainda não responde tudo.

Mas apenas saber que Neville também carrega uma experiência ligada à morte acrescenta uma nova camada ao personagem.

É um daqueles momentos em que Rowling planta algo que parece pequeno, mas muda nossa percepção de alguém.

Às vezes descobrimos que uma pessoa carrega cicatrizes muito antes de descobrirmos como elas surgiram.

Capítulo V — Umbridge continua sendo Umbridge

Se existe uma constante absoluta neste livro, é Dolores Umbridge.

Ela aparece.

Ela torna o ambiente pior.

Ela vai embora.

E deixa todos mais irritados do que antes.

Sua visita à aula de Hagrid é mais um exemplo disso.

Ela não está ali para avaliar.

Não está ali para aprender.

Não está ali para ajudar.

Está ali para procurar motivos.

Motivos para punir.

Motivos para afastar.

Motivos para controlar.

Algumas inspeções procuram qualidade. Outras procuram culpados.

A de Umbridge claramente pertence ao segundo grupo.

Capítulo VI — O convite para o Natal

No meio de tanta tensão existe um pequeno momento de conforto.

Harry descobre que passará o Natal na Toca.

E é interessante perceber como isso ainda significa muito para ele.

Porque a Toca representa algo que Harry nunca teve de verdade.

Uma família.

Não perfeita.

Não rica.

Não organizada.

Mas uma família.

Um lugar onde ele é querido.

Um lugar onde ele pertence.

A Toca não é apenas uma casa para Harry. É a ideia de lar.

Capítulo VII — Cho Chang e a confusão adolescente

Então chegamos ao momento que provavelmente faz Harry entender menos do que qualquer feitiço complicado.

Cho começa a chorar.

Fala sobre Cedrico.

Fica emocional.

E então o beija.

Harry simplesmente trava.

Não entende exatamente o que aconteceu.

Não entende exatamente por quê.

E não entende exatamente o que deveria sentir.

É um retrato bastante honesto da adolescência.

Especialmente da adolescência masculina.

Harry consegue enfrentar dragões. Mas um beijo ainda o deixa completamente sem defesa.

Capítulo VIII — Hermione traduzindo emoções

Uma das coisas mais engraçadas do capítulo é que Hermione acaba funcionando como tradutora oficial dos sentimentos humanos.

Harry relata os acontecimentos.

Hermione explica.

Harry se confunde.

Hermione explica novamente.

É quase como se ela estivesse analisando um fenômeno científico.

E de certa forma está.

Porque Harry realmente parece incapaz de interpretar sozinho o que aconteceu.

Em alguns momentos Hermione entende mais sobre Harry do que o próprio Harry.

Capítulo IX — O sonho deixa de ser apenas sonho

Mas toda a leveza desaparece no final.

Porque os sonhos voltam.

E desta vez eles são diferentes.

Mais intensos.

Mais reais.

Mais assustadores.

Harry não observa a cena.

Ele participa dela.

Mais do que isso.

Por um instante ele parece ser a própria criatura que está atacando.

Essa mudança é extremamente importante.

Porque sugere que a ligação entre Harry e Voldemort está ficando mais profunda.

E potencialmente mais perigosa.

Antes Harry sonhava com Voldemort. Agora parece começar a enxergar através dele.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Para mim, o capítulo 21 fala sobre experiências que mudam as pessoas.

Harry vê os testrálios porque mudou.

Neville vê os testrálios porque mudou.

Luna vê os testrálios porque mudou.

Cho ainda chora porque foi mudada pela morte de Cedrico.

E Harry está sendo mudado novamente por essa estranha conexão com Voldemort.

Tudo no capítulo gira em torno das marcas invisíveis que certas experiências deixam.

Algumas pessoas carregam cicatrizes na pele. Outras carregam cicatrizes que apenas elas conseguem enxergar.

E o capítulo 21 mostra que Harry está começando a acumular cada vez mais delas.

O problema é que a última cicatriz talvez não pertença apenas a ele.

sábado, 13 de junho de 2026

From — Temporada 2, Episódio 3 | Tether e o desgaste de continuar vivo

Alguns episódios de From não existem para entregar respostas.

Eles existem para mostrar o custo de continuar sem elas.

O terceiro episódio da segunda temporada é exatamente isso. Depois do caos da chegada do ônibus, do colapso da casa, da volta de Boyd, da morte de Tom e da revelação inquietante de que algo agora rasteja sob a pele dele, Tether funciona quase como uma pausa.

Mas não uma pausa confortável.

É uma pausa de exaustão.

"Às vezes o horror não avança correndo. Ele apenas deixa todo mundo cansado demais para continuar inteiro."

Capítulo 1 — Quando sobreviver deixa de ser suficiente

A cidade está esgotada.

Não apenas com medo.

Esgotada.

Existe uma diferença enorme entre estar assustado e estar no limite. O medo ainda carrega energia. O limite carrega desgaste.

Todo mundo ali parece pendurado por um fio. Boyd voltou diferente. Donna tenta manter ordem. Fatima quebra. Ellis tenta encontrar sentido. Kristi carrega o peso de ser necessária demais. Marielle tenta entender uma realidade impossível. Kenny continua acumulando lutos.

E os recém-chegados do ônibus jogam mais caos em um sistema que já estava prestes a romper.

"O problema de sobreviver por muito tempo é que um dia você começa a esquecer por que estava tentando."

Capítulo 2 — Boyd e a rachadura no homem que sustentava tudo

Boyd sempre foi uma espécie de coluna da cidade.

Não porque fosse invencível, mas porque parecia capaz de continuar se movendo mesmo quando tudo ao redor desabava.

Mas agora existe algo diferente nele.

A floresta voltou com ele.

Martin voltou com ele.

A caixa de música, os vermes, Sara, a culpa e o medo voltaram com ele.

E o mais interessante é que Boyd não consegue contar tudo. Nem para Ellis. Nem para Donna. Talvez nem para si mesmo.

Porque admitir tudo seria admitir que ele não entende mais as regras.

"Liderar em um lugar impossível é fingir calma enquanto o desconhecido começa a morar dentro de você."

Capítulo 3 — Kelly e o horror da espera

A morte de Kelly é uma das cenas mais cruéis da série até aqui.

Não pelo sangue.

Não pela violência.

Mas pela espera.

Ela está presa em uma árvore, ainda viva, sabendo que vai morrer. E o que resta aos outros não é salvá-la. É acompanhar seus últimos minutos com alguma dignidade.

Essa cena resume muito do que From faz de melhor: o monstro já passou. O horror agora é humano.

É Kristi tentando cuidar de alguém que não pode salvar.

É Kenny e Ellis tendo que presenciar mais uma tragédia.

É Boyd entendendo que, às vezes, misericórdia também pode parecer brutal.

"Existem mortes que não assustam pelo fim. Assustam pelo tempo que levam para chegar."

Capítulo 4 — Fatima, Ellis e a esperança como distração necessária

Fatima sempre foi uma das luzes da série.

Mas até as luzes cansam.

Quando ela desaba, Ellis percebe algo assustador: até quem parecia mais forte estava apenas tentando continuar.

O pedido de casamento nasce desse lugar estranho.

Não é romantismo comum.

É resistência.

É uma tentativa de criar futuro em um lugar que devora futuros.

Talvez casar ali não faça sentido racionalmente.

Mas emocionalmente faz todo sentido.

"Em lugares sem amanhã, prometer futuro vira um ato de rebeldia."

Capítulo 5 — Todos sabem alguma coisa, mas ninguém sabe tudo

Uma das grandes angústias de From é que as informações estão espalhadas demais.

Jade vê símbolos.

Victor conhece caminhos.

Tabitha viu os túneis.

Boyd encontrou Martin.

Ethan parece perceber padrões.

Sara ouvia vozes.

Cada pessoa carrega uma peça. Mas ninguém parece conseguir montar a imagem completa.

Às vezes dá vontade de trancar todo mundo no restaurante e obrigar cada um a contar absolutamente tudo que sabe.

Mas talvez esse seja o próprio horror da cidade: impedir que as peças se encontrem.

"O quebra-cabeça só continua impossível porque cada pessoa sangra segurando uma peça sozinha."

Conclusão — O verdadeiro monstro talvez seja o desgaste

Tether não é um episódio de grandes respostas.

Mas é um episódio importante.

Porque ele mostra o que acontece depois do trauma.

Depois da correria.

Depois da chegada.

Depois da perda.

A cidade não mata apenas com criaturas sorrindo na janela. Ela mata lentamente, desgastando vínculos, esperança, sanidade e identidade.

Os monstros vêm à noite.

Mas o cansaço fica o dia inteiro.

"From é mais assustadora quando lembra que sobreviver não significa sair inteiro."

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 20

Capítulo I — Um capítulo isolado dentro da história principal

O capítulo 20 é um capítulo curioso porque ele funciona quase como uma história independente dentro do livro.

Enquanto vários capítulos recentes estavam ligados diretamente à Umbridge, ao Ministério da Magia, à Armada de Dumbledore ou aos conflitos de Harry, aqui nós praticamente fazemos uma pausa para acompanhar Hagrid.

É como se Rowling abrisse uma janela paralela para mostrar algo que estava acontecendo enquanto Harry lidava com seus próprios problemas.

Nem toda batalha contra Voldemort acontece dentro de Hogwarts. Algumas estão acontecendo em lugares tão distantes que Harry sequer sabia que existiam.

Capítulo II — O retorno de Hagrid

Desde a chegada a Hogwarts uma pergunta pairava sobre a história:

Onde está Hagrid?

Sua ausência era estranha.

Principalmente porque Hagrid sempre foi uma presença constante na vida de Harry.

Agora finalmente temos a resposta.

E ela é muito maior do que imaginávamos.

Hagrid não estava apenas viajando.

Ele estava realizando uma missão para Dumbledore.

Uma missão extremamente perigosa.

Uma missão diplomática.

Uma missão que poderia alterar o equilíbrio de forças da guerra que se aproxima.

Capítulo III — Os gigantes e o mundo além de Hogwarts

Uma das coisas que mais gosto neste capítulo é como ele amplia o universo de Harry Potter.

Até aqui a maior parte dos conflitos gira em torno de Hogwarts, do Ministério e dos Comensais da Morte.

Mas o mundo mágico é muito maior do que isso.

Os gigantes são prova disso.

Eles possuem sociedade própria.

Lideranças próprias.

Conflitos próprios.

Tradições próprias.

E problemas próprios.

Uma guerra nunca é travada apenas pelos lados principais. Ela sempre envolve povos, alianças e interesses espalhados muito além do campo de batalha.

Capítulo IV — A política dos gigantes

Talvez o elemento mais interessante da história contada por Hagrid seja perceber que os gigantes possuem uma estrutura social extremamente instável.

O poder muda constantemente.

Líderes caem.

Novos líderes surgem.

Conflitos internos acontecem o tempo todo.

Isso torna praticamente impossível construir qualquer tipo de aliança duradoura.

Dumbledore tentou.

Hagrid tentou.

Mas o cenário já estava se deteriorando antes mesmo da negociação começar.

É uma situação que lembra muitos conflitos políticos da vida real.

Às vezes não importa o quanto uma proposta seja boa.

Não existe estabilidade suficiente para ela prosperar.

Capítulo V — O fracasso que não parece fracasso

Oficialmente, Hagrid falha.

Ele não consegue trazer os gigantes para o lado de Dumbledore.

Ele não consegue uma aliança.

Ele não consegue uma vitória clara.

Mas existe uma diferença importante entre fracassar e impedir um desastre.

Mesmo sem conquistar os gigantes, Hagrid pelo menos tenta evitar que eles sejam imediatamente recrutados por Voldemort.

E isso já possui algum valor estratégico.

Às vezes vencer significa conquistar aliados. Outras vezes significa apenas impedir que eles se tornem inimigos.

Capítulo VI — Os ferimentos de Hagrid

Durante toda a conversa existe uma pergunta pairando no ar:

Como Hagrid ficou naquele estado?

Machucado.

Ferido.

Coberto de hematomas.

E o mais interessante é que ele evita responder diretamente.

Isso gera uma curiosidade enorme.

Porque conhecemos Hagrid.

Poucas criaturas conseguem machucá-lo daquela forma.

E o fato de ele esconder os detalhes sugere que ainda existe algo naquela viagem que não foi revelado.

Algo que provavelmente voltará mais tarde.

Capítulo VII — Umbridge continua sendo a verdadeira ameaça imediata

Mesmo quando a história parece focada apenas em Hagrid, Umbridge consegue invadir a narrativa.

E isso é proposital.

Porque neste momento ela é a ameaça mais presente da vida dos alunos.

Voldemort está distante.

Os Comensais estão distantes.

Mas Umbridge está dentro de Hogwarts.

Observando.

Investigando.

Criando decretos.

Tentando encontrar motivos para punir pessoas.

Tentando eliminar qualquer influência ligada a Dumbledore.

Os grandes vilões costumam estar longe. Os pequenos tiranos costumam estar na sala ao lado.

Capítulo VIII — A cena sob a cabana

A chegada de Umbridge na cabana de Hagrid cria um dos momentos mais tensos do capítulo.

Porque os riscos são reais.

Não existe combate.

Não existe magia espetacular.

Mas existe a possibilidade concreta de tudo dar errado.

Harry, Rony e Hermione escondidos sob a capa da invisibilidade acabam funcionando como uma metáfora interessante.

Eles estão cada vez mais vivendo escondidos.

Escondendo a Armada.

Escondendo informações.

Escondendo aliados.

Escondendo a verdade.

Tudo porque o ambiente em Hogwarts se tornou hostil.

Capítulo IX — Hagrid e Dumbledore

Outra coisa que fica evidente é a lealdade absoluta de Hagrid.

Dumbledore pede.

Hagrid vai.

Não importa o perigo.

Não importa a dificuldade.

Não importa o resultado.

Ele simplesmente vai.

Poucos personagens da série demonstram esse nível de fidelidade.

E talvez por isso Dumbledore continue confiando nele para tarefas que ninguém mais recebe.

Existem pessoas inteligentes. Existem pessoas talentosas. E existem pessoas em quem você confiaria a própria vida.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Embora pareça um capítulo sobre gigantes, para mim ele é um capítulo sobre guerra.

Não sobre batalhas.

Não sobre feitiços.

Não sobre duelos.

Mas sobre preparação.

Sobre alianças.

Sobre diplomacia.

Sobre movimentações que acontecem antes dos confrontos.

Pela primeira vez sentimos claramente que Dumbledore já está jogando um jogo muito maior do que Harry consegue enxergar.

Enquanto Harry tenta sobreviver a Umbridge dentro de Hogwarts, Dumbledore já está pensando em gigantes, alianças e na guerra que se aproxima.

As grandes guerras não começam quando o primeiro feitiço é lançado. Elas começam quando os lados escolhem quem ficará ao seu lado.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 19

Capítulo I — O primeiro gosto de vitória

O capítulo 19 começa de uma forma relativamente rara para este livro.

Harry está feliz.

Ou pelo menos mais feliz do que esteve durante boa parte da Ordem da Fênix.

A Armada de Dumbledore está funcionando.

As aulas estão acontecendo.

Os alunos estão aprendendo.

E, pela primeira vez em muito tempo, Harry sente que está fazendo alguma coisa útil.

Quando passamos muito tempo apenas reagindo aos problemas, agir novamente pode parecer uma forma de liberdade.

A criação da Armada devolve a Harry algo que ele havia perdido: propósito.

Capítulo II — A sombra do quadribol

Mas a felicidade dura pouco.

O foco do capítulo rapidamente muda para a partida de quadribol.

E junto dela surge um velho problema:

Draco Malfoy.

A Sonserina percebe rapidamente a maior fragilidade da Grifinória naquele momento.

Não é Harry.

Não é Angelina.

Não são os batedores.

É Rony.

E eles exploram isso sem qualquer piedade.

Algumas pessoas jogam para vencer. Outras jogam para destruir a confiança do adversário.

Capítulo III — A crueldade da canção

A música criada pelos sonserinos é uma das partes mais cruéis do capítulo.

Porque ela não tenta vencer através do jogo.

Ela tenta vencer através da humilhação.

E o pior é que funciona.

Rony escuta.

Rony sente.

Rony absorve cada palavra.

O leitor já conhece suas inseguranças.

Conhece o peso de viver à sombra dos irmãos.

Conhece seu medo constante de não ser bom o suficiente.

A música atinge exatamente esse ponto.

As ofensas mais dolorosas não são aquelas que inventam defeitos. São aquelas que exploram inseguranças que já existem.

Capítulo IV — Harry faz o que Harry sempre faz

Mesmo com toda a pressão da partida, Harry continua sendo Harry.

Quando surge a oportunidade, ele pega o pomo.

E garante a vitória da Grifinória.

É quase engraçado como isso se tornou uma constante da série.

Por mais caótico que o jogo esteja.

Por mais problemático que o ambiente esteja.

Por mais complicada que a situação pareça.

Harry continua encontrando o pomo.

Algumas pessoas ganham porque são as melhores. Harry frequentemente ganha porque se recusa a desistir.

Capítulo V — A vitória que não parece vitória

Normalmente uma vitória no quadribol encerraria o capítulo em clima de celebração.

Mas não aqui.

Porque Rowling não está mais escrevendo o mesmo tipo de história dos primeiros livros.

A vitória acontece.

Mas a tensão permanece.

A alegria dura apenas alguns minutos.

E logo é substituída por algo pior.

Em tempos difíceis, até as vitórias parecem provisórias.

Capítulo VI — Malfoy cruza uma linha

Draco sempre provocou Harry.

Sempre provocou Rony.

Sempre provocou Hermione.

Mas neste capítulo ele ultrapassa um limite.

Suas provocações deixam de ser apenas rivalidade escolar.

Elas se tornam ataques pessoais.

Ataques direcionados às famílias.

À pobreza dos Weasley.

Aos pais.

Àquilo que realmente importa para os personagens.

Existe uma diferença entre provocar alguém e tentar ferir aquilo que essa pessoa ama.

Capítulo VII — Fred, Jorge e Harry finalmente explodem

Talvez o mais interessante da reação dos três seja que ela parece inevitável.

Não é correta.

Mas parece inevitável.

Harry já está emocionalmente esgotado há meses.

Fred e Jorge sempre foram extremamente protetores em relação à família.

Quando Malfoy ataca exatamente esse ponto, a explosão acontece.

E pela primeira vez vemos Harry perder completamente o controle em público.

Este momento é o resultado de meses de pressão.

A raiva raramente explode por causa de uma única palavra. Ela explode por causa de todas as palavras acumuladas antes dela.

Capítulo VIII — A punição revela quem Umbridge realmente é

A reação de Umbridge é talvez a parte mais importante do capítulo.

Porque ela não está interessada em justiça.

Ela está interessada em Harry.

Uma punição comum não basta.

Uma suspensão não basta.

Uma detenção não basta.

Ela quer algo que machuque.

Algo que humilhe.

Algo que demonstre poder.

Quando uma autoridade escolhe punições desproporcionais, o objetivo já não é corrigir comportamentos. É demonstrar controle.

Capítulo IX — A proibição eterna

A decisão de proibir Harry, Fred e Jorge de jogarem quadribol para sempre é absurda.

E justamente por isso é tão reveladora.

Não existe equilíbrio.

Não existe proporcionalidade.

Não existe justiça.

Existe apenas o desejo de atingir pessoas específicas.

Principalmente Harry.

Porque o quadribol é uma das poucas coisas que ainda traz felicidade genuína para ele.

Para Harry, o quadribol faz parte de quem ele é.

Algumas punições tiram privilégios. Outras tentam apagar partes da identidade de alguém.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Se eu tivesse que resumir o capítulo 19 em uma única palavra, seria:

Humilhação.

Rony é humilhado pela Sonserina.

Harry é humilhado pela perseguição constante de Umbridge.

Fred e Jorge veem sua família ser humilhada por Malfoy.

E ao final, a própria punição de Umbridge possui um caráter profundamente humilhante.

O capítulo inteiro gira em torno de pessoas tentando diminuir outras pessoas.

Algumas batalhas não são travadas para derrotar alguém. São travadas para fazê-lo acreditar que vale menos do que realmente vale.

E é exatamente esse tipo de batalha que Harry, Rony e os Weasley enfrentam aqui.

Uma batalha contra a humilhação.

E, infelizmente, desta vez ela termina com Umbridge vencendo a rodada.

12 de Junho — O Dia dos Namorados no Brasil

Quatro meses se passaram desde aquele Valentine's Day que veio logo após uma sexta-feira 13. O calendário mudou, mas o eco daquela metáfora ainda ressoa por aqui.

1. O Ruído das Vitrines e o Silêncio do Quarto

Chegamos ao 12 de junho. O Dia dos Namorados "oficial" do Brasil. Se em fevereiro eu me sentia em Crystal Lake, hoje eu me sinto em um daqueles cenários de The Stanley Parable: um escritório cheio de portas, onde todas as escolhas parecem levar ao mesmo corredor vazio.

As vitrines estão vermelhas. O Instagram é um mar de declarações editadas. E eu? Eu continuo aqui, no "etc" da vida, tentando entender por que algumas datas parecem gritar enquanto a gente só queria um pouco de silêncio.

"O problema de certas datas não é a solidão. É o contraste entre o que o mundo celebra e o que a gente sustenta no escuro."

2. O Ordinário que Ninguém Compra

Recentemente, andei pensando muito sobre Epicuro e o tal "prazer extraordinário". O mercado do 12 de junho vive disso: do extraordinário. Do jantar caro, da aliança na taça, da foto perfeita. Mas, como eu escrevi dias atrás, o extraordinário impressiona, mas é o ordinário que sustenta.

Eu percebi que o que eu tenho para oferecer — a lealdade, a parceria nos boletos, o café coado na segunda-feira — não tem valor de mercado nessa data. As pessoas querem o Ocarina of Time: o mito, a fantasia, a jornada épica. Ninguém quer o jogo de sobrevivência do dia a dia, onde o gráfico é simples, mas a mecânica é real.

"A fantasia nunca perde para a realidade porque ela se recusa a jogar o mesmo jogo. E eu cansei de tentar ser o prêmio de uma partida que já começou com o resultado reservado."

3. Junho: O Começo do Fim

Estamos em junho, o mês que antecede aquele julho que dividiu minha vida. O Facebook e o Google Fotos já começaram a me "presentear" com lembranças de versões de mim que eu nem reconheço mais. É irônico como o Dia dos Namorados cai justamente no mês em que eu começo a sentir o peso dos ciclos se fechando.

Em fevereiro, eu disse que meu espelho estava quebrado. Hoje, eu acho que ele está apenas... limpo. Eu parei de tentar enxergar nele o reflexo de alguém que gera declarações públicas. Talvez a minha presença seja mesmo esse lugar discreto e seguro. E talvez, só talvez, o erro não seja meu, mas de quem só consegue enxergar o que brilha sob o refletor.

Conclusão — A Reconstrução Silenciosa

“Estar solteiro no dia dos namorados pode ser como estar vivo no dia de finados. Às vezes, estamos melhor que os homenageados...”
— Devaneios de Dário Enquanto o Café Esfria

Neste Dia dos Namorados, eu não estou tão quebrado como estava há quatro meses. Estou em reconstrução. Uma daquelas obras lentas, que não aparecem na fachada, mas que reforçam os alicerces.

Não espero declarações. Não espero ser escolhido hoje. O que eu espero é conseguir olhar para o espelho e, mesmo sem o brilho de ser visto como o ápice, me ver inteiro. Porque, no fim das contas, a maior armadilha é querer apenas o extraordinário. E como Henry em Firewatch, preciso encarar o vazio sem esquecer que a felicidade mora no comum.

E o comum, hoje, é apenas eu, meu blog e a coragem de não precisar de um imperador para proibir o que eu sinto. Eu mesmo já aprendi a colocar os limites.

"Nem todo amor termina em abandono. Alguns terminam em uma paz que a gente demorou uma vida inteira para encontrar."