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sábado, 18 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 12

O livro continua correndo

Se existe algo que continua me chamando atenção em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, é o ritmo.

Depois de cinco livros, já estamos acostumados com aqueles capítulos onde a história avança centímetros, enquanto a autora movimenta cuidadosamente as peças até o momento do grande clímax.

Aqui não.

Neste livro as coisas acontecem.

Segredos aparecem.

Personagens tomam decisões.

Pistas surgem.

E, principalmente, existe a sensação constante de que alguma coisa está prestes a explodir.

O mundo bruxo finalmente está em guerra e o livro faz questão de lembrar disso o tempo inteiro.

O livro do Príncipe Mestiço

Harry continua usando o antigo livro de Poções do Príncipe Mestiço.

E o mais interessante é perceber que o livro vai muito além de simples anotações sobre ingredientes e receitas.

Existem feitiços.

Existem modificações.

Existem pequenas descobertas espalhadas pelas margens das páginas.

É quase como se Harry tivesse encontrado um diário técnico de um aluno brilhante.

Alguns desses feitiços são inclusive não verbais e Harry começa a treiná-los.

Um deles imediatamente remete Harry à lembrança que ele viu na penseira de Snape, quando Tiago Potter utilizou um feitiço para levantar Snape no ar diante de toda a escola.

É interessante perceber como aquela memória continua ecoando dentro dele.

Harry já sofreu humilhações públicas suficientes para entender exatamente o que Snape sentiu naquele dia.

Talvez seja uma das poucas vezes na série em que Harry consegue verdadeiramente sentir empatia pelo professor de Poções.

"Algumas memórias não acabam quando terminam. Elas continuam acontecendo dentro da gente por muito tempo."

Hermione versus o Príncipe

Hermione continua absolutamente irritada com a situação do livro.

Para ela, aquilo simplesmente não faz sentido.

Harry está aprendendo mais através das anotações de um desconhecido do que através dos próprios livros oficiais da escola.

E pior:

Está tendo resultados melhores do que os dela.

Hermione confia profundamente em regras, livros e métodos estabelecidos.

O Príncipe Mestiço representa exatamente o contrário disso tudo.

Ele representa improviso.

Experimentação.

Criatividade.

Talvez seja exatamente isso que mais a incomode.

Hogsmeade e o Clube do Slugue

A ida até Hogsmeade parece inicialmente apenas mais um daqueles passeios tradicionais da série.

Mas mesmo ali o livro continua movimentando suas peças.

Slughorn volta a insistir para que Harry participe das reuniões do Clube do Slugue.

Harry continua recusando.

Oficialmente por causa dos treinos de quadribol.

Na prática, porque ele agenda os próprios treinos exatamente nos horários das reuniões.

Existe algo curioso nisso.

Harry nunca gostou muito de ambientes políticos, influentes ou sociais.

Ele parece desconfortável com a ideia de ser tratado como alguém especial.

Talvez justamente porque passou boa parte da infância sendo tratado como alguém que não tinha importância nenhuma.

Além disso, existe também a preocupação em não deixar Rony excluído dessas situações.

Algo pequeno, mas muito coerente com a amizade dos dois.

Mundungo Fletcher e a raiva de Harry

Outro momento importante do capítulo acontece quando Harry encontra Mundungo Fletcher vendendo objetos que pertenciam à família Black.

Harry perde completamente a paciência.

E é difícil culpá-lo.

Para ele, aquilo não é apenas roubo.

São objetos da casa de Sirius.

Objetos do último lugar que Harry ainda associava ao padrinho.

Talvez seja um dos primeiros momentos em que percebemos que o luto de Harry ainda está extremamente vivo.

Sirius morreu há meses.

Para Harry, parece que aconteceu ontem.

O colar amaldiçoado

E então o capítulo muda completamente de tom.

Uma aluna passa mal.

Muito mal.

E rapidamente descobrimos que a causa é um colar amaldiçoado.

O clima muda instantaneamente.

Aquilo deixa de parecer apenas um acidente.

Aquilo parece um atentado.

E Harry imediatamente faz a conexão.

Ele reconhece o objeto.

Era um dos itens da Borgin & Burkes, exatamente a loja onde Draco Malfoy esteve no Beco do Tranco.

Mais uma vez Harry chega à mesma conclusão:

Malfoy está envolvido em alguma coisa.

E mais uma vez ninguém parece levar suas suspeitas tão a sério quanto ele gostaria.

Harry conta tudo para a professora McGonagall.

Conta sobre Draco.

Conta sobre a loja.

Conta sobre suas suspeitas.

Mas ainda faltam provas.

E suspeitas nunca foram suficientes em Hogwarts.

Considerações finais

O capítulo 12 é mais um daqueles capítulos que fazem parecer que existe uma bomba-relógio escondida em algum lugar do castelo.

O colar amaldiçoado deixa claro uma coisa:

a guerra chegou até Hogwarts.

Não é mais algo distante acontecendo nos jornais.

Não é mais algo que acontece apenas com adultos.

Agora alunos estão sendo atingidos.

E isso muda completamente o tom da história.

Além disso, Harry continua cada vez mais convencido de que Draco Malfoy está envolvido em algo grande.

Talvez ele esteja certo.

Talvez esteja paranoico.

Mas pela primeira vez desde o início da série, eu começo a sentir que Harry pode estar vários passos à frente de todo mundo ao seu redor.

"O mais assustador da guerra talvez não seja quando ela começa. É quando você percebe que ela já entrou pela porta e sentou na mesa ao seu lado."

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 11

Capítulo I — O ritmo que não desacelera

Se existe algo que já ficou claro em O Enigma do Príncipe, é que este livro não pretende perder tempo.

Os capítulos continuam entregando acontecimentos, desenvolvimento de personagens e avanço narrativo numa velocidade muito maior do que aquela que vimos principalmente em A Ordem da Fênix.

Existe uma sensação constante de movimento.

As aulas mudam.

Os relacionamentos mudam.

As responsabilidades mudam.

E Hogwarts parece finalmente acompanhar o crescimento dos seus alunos.

O castelo continua sendo o mesmo.

Mas a vida dentro dele claramente não é mais.

Capítulo II — O prodígio das poções

Harry continua se tornando um verdadeiro fenômeno nas aulas de Poções.

Mas existe uma diferença importante:

ele não está seguindo as instruções dos livros.

Ele está seguindo as instruções do Príncipe Mestiço.

Cada aula reforça mais a sensação de que aquele antigo aluno não era apenas bom em poções.

Ele era brilhante.

As correções são melhores.

Os métodos são melhores.

Os resultados são melhores.

Hermione continua claramente incomodada com isso.

Para ela, existe algo profundamente errado em confiar mais nas anotações de um desconhecido do que nos livros oficiais.

E, honestamente, é difícil dizer que ela está completamente errada.

Porque Harry não faz ideia de quem foi o autor daquelas anotações.

Ele sabe apenas que funcionam.

Existe uma diferença enorme entre saber que algo funciona e saber por que aquilo funciona.

Capítulo III — Hogwarts ficou mais difícil

Outra mudança muito evidente neste livro é a dificuldade das aulas.

Os N.O.M.s ficaram para trás.

Agora estamos diante do equivalente às matérias avançadas.

As exigências aumentaram.

Os professores aumentaram o ritmo.

Os alunos precisam acompanhar.

Feitiços não verbais passam a ser exigidos em várias disciplinas e não apenas em Defesa Contra as Artes das Trevas.

Até mesmo Hermione começa a sentir a pressão.

Talvez seja um detalhe pequeno, mas extremamente importante.

Hermione sempre foi apresentada quase como uma força da natureza acadêmica.

Ver até ela encontrando dificuldades ajuda a vender a ideia de que o sexto ano é realmente outro nível.

Hogwarts está ficando mais difícil exatamente porque seus alunos estão ficando mais velhos.

Capítulo IV — O novo capitão da Grifinória

Harry inicia os testes para formar o novo time de Quadribol da Grifinória.

E existe algo diferente no ambiente.

Muito mais alunos aparecem.

Muito mais pessoas querem participar.

Muito mais pessoas querem estar perto de Harry.

O menino desacreditado do quinto livro praticamente desapareceu.

Agora todos sabem a verdade.

Harry enfrentou Voldemort.

Mais de uma vez.

Sobreviveu.

E saiu vivo para contar a história.

Ele finalmente deixou de ser o garoto que supostamente inventava histórias para se tornar o garoto que estava certo o tempo inteiro.

Capítulo V — Hermione trapaceando por amizade

Durante os testes acontece algo curioso.

Um dos candidatos ao posto de goleiro simplesmente começa a errar bolas que normalmente defenderia.

Mais tarde descobrimos o motivo:

Hermione lançou um feitiço de confusão nele.

Tudo para aumentar as chances de Rony conseguir a vaga.

É um daqueles momentos moralmente cinzentos que Rowling gosta bastante de escrever.

Hermione, provavelmente a personagem mais associada às regras em toda a série, trapaceia deliberadamente.

E pior:

ela provavelmente faria novamente.

Existe algo muito humano nisso.

As pessoas costumam descobrir que princípios absolutos ficam muito mais flexíveis quando envolvem alguém que amam.

Talvez a maior diferença entre teoria e prática seja que a prática costuma envolver pessoas importantes para nós.

Capítulo VI — As pazes com Hagrid

Outro momento importante do capítulo é a visita a Hagrid.

Desde o ano anterior existia uma pequena distância entre ele e os alunos.

Hagrid havia se sentido abandonado.

Harry, Rony e Hermione se sentiam culpados por não conseguirem acompanhar suas aulas.

Finalmente os dois lados conseguem conversar.

E isso resolve quase tudo.

Talvez seja uma das coisas mais realistas da série:

muitos conflitos não nascem da maldade.

Nascem simplesmente da falta de conversa.

Hagrid entende.

Os alunos entendem.

E as coisas voltam ao normal.

Capítulo VII — O fim de Aragogue

Mas existe tristeza também.

Hagrid revela que Aragogue está morrendo.

A gigantesca aranha que conhecemos em A Câmara Secreta, responsável por um dos momentos mais aterrorizantes dos primeiros livros, está chegando ao fim da vida.

É curioso perceber como a perspectiva muda.

Para Harry e Rony, Aragogue sempre foi praticamente um pesadelo ambulante.

Para Hagrid, era um amigo.

Talvez o mundo seja exatamente isso:

o mesmo acontecimento significando coisas completamente diferentes para pessoas diferentes.

Capítulo VIII — Snape continua sendo Snape

No final do capítulo chega o momento da detenção com Snape.

Harry recebe um convite para uma das reuniões do Clube do Slugue.

Slughorn inclusive se oferece para conversar com Snape.

Harry, naturalmente, não acredita nem por um segundo que isso vá funcionar.

E ele está certo.

A detenção permanece.

Snape não muda sua decisão.

Harry perde a festa.

Talvez seja um momento pequeno.

Mas também é mais uma demonstração da dinâmica entre os dois.

Snape pode até não odiar Harry tanto quanto Harry acredita.

Mas certamente também não faz nenhum esforço para facilitar sua vida.

Considerações finais

O capítulo 11 não possui grandes revelações.

Não possui grandes batalhas.

Não possui grandes mistérios.

Mas ele possui algo talvez ainda mais importante:

vida cotidiana.

Provas.

Aulas.

Treinos.

Amizades.

Ressentimentos.

Reconciliações.

É justamente esse tipo de capítulo que faz Hogwarts parecer um lugar real.

Porque mesmo em um mundo que está caminhando para uma guerra, as pessoas ainda precisam estudar para as provas do dia seguinte.

Talvez uma das coisas mais estranhas da vida seja justamente essa capacidade que ela possui de continuar acontecendo mesmo quando o mundo parece estar acabando.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 10

Capítulo I — O livro continua andando para frente

Se existe algo que o capítulo 10 reforça é a sensação de que realmente estamos diante de um Harry Potter diferente dos anteriores.

A história anda.

Os personagens andam.

Os mistérios andam.

Pouquíssimas páginas parecem desperdiçadas.

Talvez seja cedo para afirmar categoricamente, mas até aqui O Enigma do Príncipe parece ter encontrado um equilíbrio narrativo muito melhor entre desenvolvimento de personagem e avanço de trama.

As coisas simplesmente acontecem.

E acontecem o tempo todo.

Capítulo II — O livro do Príncipe Mestiço

Nas aulas de Poções, Harry continua utilizando as anotações deixadas pelo misterioso Príncipe Mestiço.

E os resultados continuam impressionantes.

As instruções rabiscadas nas margens parecem melhores do que as instruções oficiais dos próprios livros didáticos.

Hermione claramente não gosta disso.

Existe quase um conflito filosófico nela.

Para Hermione, os livros são autoridade.

Os livros estão certos.

As regras existem por um motivo.

Ver Harry superando o conteúdo oficial utilizando anotações feitas por um desconhecido parece quase uma afronta ao modo como ela entende o conhecimento.

Rony, por outro lado, não possui nenhum problema moral em copiar as respostas.

Seu problema é puramente técnico:

ele simplesmente não consegue entender a letra do antigo dono.

É um daqueles pequenos momentos de humor que funcionam muito bem dentro do capítulo.

Hermione questiona a legitimidade das respostas.
Rony apenas gostaria de conseguir lê-las.

Capítulo III — Finalmente, as aulas de Dumbledore

Mas o verdadeiro coração do capítulo começa quando Harry sobe para sua primeira aula particular com Dumbledore.

Talvez esse seja um dos momentos que melhor simbolizam a diferença entre o sexto e o quinto livro.

No quinto livro, Dumbledore era silêncio.

Era distância.

Era ausência.

Harry passava páginas e páginas sem entender o que estava acontecendo e sem receber explicações.

Agora é o oposto.

Dumbledore fala.

Explica.

Mostra.

Ensina.

Ainda existem segredos, claro.

Mas existe também uma relação de confiança que parecia completamente perdida em A Ordem da Fênix.

Talvez Dumbledore tenha finalmente entendido o erro que cometeu no livro anterior.

Capítulo IV — A família de Voldemort

Através da Penseira, Harry e Dumbledore visitam a memória de um antigo funcionário do Ministério da Magia.

E é aqui que o capítulo se torna fascinante.

Porque pela primeira vez a história deixa de investigar Voldemort como vilão e começa a investigar Tom Riddle como pessoa.

Como criança.

Como família.

Como origem.

Nós encontramos uma casa decadente.

Uma família quebrada.

Violência.

Ódio.

Humilhação.

E uma atmosfera quase sufocante.

Harry rapidamente percebe que está diante dos parentes de Voldemort.

Seu avô.

Seu tio.

Sua mãe.

E pela primeira vez o sobrenome Gaunt ganha importância real dentro da história.

Capítulo V — A tragédia de Mérope Gaunt

Talvez a parte mais triste de todo o capítulo seja a história implícita de Mérope.

Ela não é contada diretamente.

Ela é montada.

Peça por peça.

Harry e o leitor precisam juntar os fragmentos.

Tudo indica que Mérope utilizou uma poção do amor para conquistar Tom Riddle, o trouxa.

Uma possibilidade que ganha ainda mais força justamente porque acabamos de conhecer a Amortentia no capítulo anterior.

A conexão parece proposital.

Quando a poção deixa de existir, o relacionamento também desaparece.

Tom a abandona.

Ela permanece sozinha.

Grávida.

Sem família.

Sem apoio.

Enquanto isso, seu pai e seu irmão acabam presos.

Existe algo profundamente trágico nessa história.

Porque ela parece construída sobre a ausência completa de amor verdadeiro.

Talvez seja exatamente isso que torna tão simbólico o nascimento de Voldemort.

O homem incapaz de compreender o amor talvez tenha sido gerado justamente a partir de uma tentativa artificial de criá-lo.

Capítulo VI — O anel

No final da memória, Harry reconhece um objeto importante:

o anel dos Gaunt.

Um objeto aparentemente simples.

Mas Harry imediatamente percebe algo.

Ele já viu aquele anel antes.

Na mão de Dumbledore.

Na noite em que ele foi buscá-lo na Rua dos Alfeneiros.

E é aí que surge mais um mistério.

Harry pergunta sobre o anel.

Dumbledore confirma.

Sim.

Era o mesmo anel.

Mas ele não explica mais nada.

Existe também a questão da mão de Dumbledore.

Machucada.

Escurecida.

Danificada de alguma forma.

Algo aconteceu.

Algo importante.

E Dumbledore ainda não está pronto para contar o que foi.

Considerações Finais

O capítulo 10 é excelente justamente porque ele muda completamente o tipo de história que Harry Potter está contando.

Até aqui, Voldemort era quase uma força da natureza.

Um monstro.

Uma ameaça.

Agora ele começa a se tornar uma pessoa.

Uma pessoa terrível.

Mas ainda assim uma pessoa com infância, família e passado.

E talvez essa seja uma das maiores diferenças entre derrotar um inimigo e compreender um inimigo.

Dumbledore aparentemente acredita que Harry precisará das duas coisas.

Antes de derrotar um homem, talvez seja preciso primeiro entender como ele se tornou quem é.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 9

Capítulo I — Um livro que finalmente acelera

O capítulo 9 reforça uma sensação que já vinha aparecendo desde os primeiros capítulos de O Enigma do Príncipe: este é um livro diferente.

Talvez seja cedo para dizer se ele será melhor ou pior que os anteriores, mas em termos de ritmo narrativo, evolução da trama e quantidade de acontecimentos relevantes por capítulo, ele já parece muito mais eficiente.

Os dois livros anteriores, especialmente A Ordem da Fênix, tinham uma tendência muito grande de alongar acontecimentos simples ao longo de dezenas de páginas.

Aqui não.

As coisas acontecem.

Os personagens se movem.

A história avança.

E a sensação ao terminar o capítulo é a de que você realmente saiu de um lugar diferente daquele em que começou.

Alguns capítulos servem para preparar o caminho. Outros servem para caminhar por ele.

Capítulo II — Os resultados dos N.O.M.s

O capítulo começa com algo muito próximo da realidade de qualquer estudante:

as consequências das provas.

A professora McGonagall aparece para entregar os horários e explicar quais matérias cada aluno poderá cursar dali em diante.

E isso depende diretamente das notas obtidas nos N.O.M.s.

Nem sempre querer é suficiente.

Algumas disciplinas exigem determinadas notas mínimas.

Alguns sonhos exigem desempenho anterior.

E Hogwarts, pela primeira vez, começa a parecer muito próxima de uma universidade.

Existem pré-requisitos.

Existem especializações.

Existem caminhos que se abrem e outros que se fecham.

Isso dá ao sexto livro um ar muito mais adulto.

Capítulo III — Harry e as poções

Talvez o momento mais curioso dessa parte seja quando McGonagall pergunta a Harry por que ele não escolheu Poções.

A resposta parece óbvia.

Snape exigia uma nota que Harry não havia conseguido.

Logo, Harry simplesmente aceitou que não poderia cursar a matéria.

Mas agora existe um novo professor.

Horácio Slughorn aceita alunos com notas diferentes das exigidas anteriormente por Snape.

E, pela primeira vez em muitos anos, Harry terá aulas de Poções sem precisar sobreviver emocionalmente ao professor.

Isso por si só já muda completamente a atmosfera da disciplina.

Capítulo IV — O capitão da Grifinória

Outro detalhe importante é Harry assumindo a posição de capitão do time de Quadribol.

É um passo natural.

Mas também simboliza algo maior.

Harry já não é mais apenas um jogador talentoso.

Agora ele precisa liderar.

Escolher.

Decidir.

Assumir responsabilidades.

O sexto livro parece obcecado com essa ideia:

os personagens estão deixando de ser crianças.

E liderança é uma das formas mais rápidas de perceber isso.

Capítulo V — A primeira aula de Snape

A primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas com Snape é exatamente aquilo que todos esperavam:

tensa.

A sala parece mais escura.

Mais pesada.

Mais opressora.

E Snape ocupa aquele ambiente como poucas pessoas conseguiriam.

Seu primeiro objetivo é ensinar feitiços não verbais.

E Hermione, naturalmente, é a primeira a entender completamente a teoria.

Em praticamente qualquer outra disciplina isso significaria pontos para a Grifinória.

Mas esta é a sala de Snape.

Aqui as regras são diferentes.

Aqui reconhecimento e mérito raramente andam juntos.

O momento mais interessante acontece quando Snape avança sobre Rony e Harry, instintivamente, lança um Protego.

É quase um reflexo.

Uma reação automática de defesa.

E é impossível, para quem jogou Hogwarts Legacy, não sentir imediatamente a conexão.

Protego talvez seja o feitiço mais utilizado em todo o jogo.

Depois de dezenas de horas reagindo automaticamente aos ataques dos inimigos, é quase como se o jogador e Harry compartilhassem o mesmo reflexo.

Existem momentos em que um livro conversa diretamente com a memória que um jogo deixou em você.

Capítulo VI — A aula de Slughorn

Se a aula de Snape é tensão, a aula de Slughorn é fascínio.

Tudo muda.

O ambiente muda.

A forma de ensinar muda.

A relação entre professor e alunos muda.

Slughorn transforma a aula quase em uma apresentação de maravilhas do mundo mágico.

E é impossível para quem jogou Hogwarts Legacy não reconhecer imediatamente várias das poções apresentadas.

A Poção Polissuco.

Veritaserum.

Felix Felicis.

E, claro, a Amortentia.

Talvez seja justamente a Amortentia que entregue a melhor reflexão de todo o capítulo.

Slughorn deixa muito claro:

ela não cria amor.

Ela cria obsessão.

Ela cria dependência.

Ela cria ilusão.

Talvez seja uma das definições mais interessantes que Rowling já escreveu sobre sentimentos humanos.

O amor aproxima duas pessoas.
A obsessão tenta possuir uma delas.

E quando Slughorn alerta os alunos para nunca subestimarem uma paixão obsessiva, o livro parece estar falando muito mais sobre pessoas do que sobre magia.

Capítulo VII — O livro do Príncipe Mestiço

O prêmio daquela aula é uma pequena quantidade de Felix Felicis.

Sorte líquida.

Uma das poções mais fascinantes de todo o universo de Harry Potter.

E Harry vence.

Mas ele vence de uma forma curiosa.

Seu livro possui anotações deixadas pelo antigo dono.

Correções.

Atalhos.

Mudanças.

Melhorias.

E, surpreendentemente, essas instruções se mostram melhores do que as próprias instruções oficiais do livro didático.

Isso cria imediatamente um pequeno desconforto.

Porque Harry venceu.

Mas venceu usando conhecimento que não era exatamente dele.

E ao mesmo tempo surge um mistério muito interessante:

quem era o antigo dono daquele livro?

A resposta vem escrita na capa.

Uma frase simples.

Mas poderosa o suficiente para encerrar o capítulo:

"Este livro pertence ao Príncipe Mestiço."

Todo grande mistério começa exatamente assim:
com um nome e nenhuma explicação.

Considerações finais

O capítulo 9 talvez seja um dos melhores inícios de ano letivo de toda a série.

Ele apresenta novos professores.

Apresenta novas disciplinas.

Apresenta novas responsabilidades.

Apresenta novos mistérios.

E ainda consegue entregar uma das reflexões mais interessantes sobre amor que a série já produziu.

Ao terminar o capítulo, fica uma sensação muito clara:

o sexto livro não está interessado em repetir fórmulas.

Ele quer contar uma história diferente.

E até aqui, está conseguindo fazer isso muito bem.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 8

Capítulo I — Consequências imediatas

O capítulo 8 começa exatamente no instante em que o capítulo anterior termina.

Harry continua caído no chão do trem, imobilizado pelo feitiço de Draco Malfoy, com o nariz quebrado e escondido sob a própria capa da invisibilidade.

Talvez seja um dos finais mais desconfortáveis de toda a série até aqui.

Não existe plano de fuga.

Não existe solução improvisada.

Não existe golpe de sorte.

Existe apenas Harry deitado no chão, ouvindo todos os alunos deixarem o Expresso de Hogwarts e acreditando que ficará ali até alguém eventualmente perceber seu desaparecimento.

Sua cabeça naturalmente começa a criar cenários cada vez piores.

Malfoy contando para todos.

As pessoas rindo dele.

Seu desaparecimento virando motivo de piada.

É um momento pequeno, mas muito humano.

Às vezes o pior castigo não é a dor física. É a humilhação que imaginamos que virá depois dela.

Capítulo II — A chegada inesperada de Tonks

Mas alguém aparece.

E esse alguém é Tonks.

Talvez justamente a última pessoa que Harry esperaria encontrar ali.

Descobrimos que ela está posicionada em Hogsmeade ajudando na segurança de Hogwarts e dos alunos.

Isso ajuda a reforçar uma das principais mudanças do sexto livro:

A guerra não está mais distante.

Ela não está acontecendo apenas em reuniões secretas da Ordem da Fênix.

Ela está alterando a rotina da escola.

Está alterando o transporte.

Está alterando a segurança.

Está alterando tudo.

Hogwarts continua sendo Hogwarts.

Mas já não é mais o castelo protegido e isolado dos primeiros livros.

Quando a guerra chega, até os lugares que pareciam eternamente seguros começam a mudar.

Capítulo III — O Patrono de Tonks

Existe um detalhe pequeno nesse capítulo que provavelmente terá importância mais para frente.

Tonks envia um Patrono para avisar Hagrid sobre Harry.

Mas Snape imediatamente percebe algo diferente.

Ele comenta que o Patrono dela mudou.

E comenta também que gostava mais do anterior.

Tonks claramente não gosta do comentário.

Existe desconforto.

Existe tristeza.

Existe algo acontecendo ali que ainda não entendemos completamente.

Os Patronos não costumam mudar sem motivo.

Então claramente Rowling está plantando algo para colher mais adiante.

É um daqueles detalhes que a autora costuma espalhar meses antes da revelação.

Em Harry Potter, pequenos comentários quase nunca existem por acaso.

Capítulo IV — Snape continua sendo Snape

Quem acaba indo buscar Harry não é Hagrid.

É Snape.

E naturalmente o encontro entre os dois é tão agradável quanto um acidente ferroviário.

Harry continua carregando toda a raiva do quinto livro.

Continua lembrando da Penseira.

Continua lembrando das aulas de Oclumência.

Continua lembrando da morte de Sirius.

Snape, por sua vez, continua sendo Snape.

Provoca.

Ironiza.

Faz comentários desnecessários.

E parece extrair algum tipo de prazer em deixar Harry desconfortável.

Existe algo curioso nessa relação.

Os dois possuem motivos legítimos para não gostarem um do outro.

Mas nenhum dos dois parece disposto a diminuir a distância entre eles.

Cada encontro apenas aumenta ainda mais o abismo.

Algumas rivalidades sobrevivem ao tempo porque ambos os lados continuam alimentando o incêndio.

Capítulo V — A grande surpresa do banquete

Ao chegarem ao castelo, finalmente acontece o tradicional banquete de início de ano.

Mas desta vez ele traz duas grandes revelações.

A primeira delas é relativamente esperada:

Horácio Slughorn será o novo professor de Poções.

Isso surpreende muitos alunos.

Principalmente porque todos acreditavam que Snape finalmente assumiria a disciplina.

Mas é justamente aí que vem a segunda revelação.

Snape finalmente conseguiu aquilo que desejava havia anos.

Ele se tornou professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Talvez nenhum cargo em Hogwarts tenha sido tão associado a um personagem quanto esse foi associado a Snape ao longo da série.

Livro após livro surgiam comentários.

Livro após livro apareciam insinuações.

Livro após livro ficava claro que era algo que ele desejava profundamente.

Agora finalmente aconteceu.

Alguns desejos demoram tanto para se realizar que, quando finalmente acontecem, deixam de parecer vitórias e passam a parecer presságios.

Capítulo VI — A vitória de Snape

O mais interessante é observar a reação coletiva ao anúncio.

Ninguém comemora.

Ninguém parece feliz.

A sensação é quase de preocupação.

Snape é um excelente bruxo.

Provavelmente um excelente professor do ponto de vista técnico.

Mas ele também é alguém extremamente parcial.

Impaciente.

Cruel em alguns momentos.

Especialmente com Harry.

Ver justamente ele assumindo a disciplina responsável por ensinar defesa e combate cria imediatamente uma sensação de desconforto.

Principalmente porque agora Harry terá contato ainda mais direto com alguém que já tornou sua vida difícil durante cinco anos.

E existe ainda outro detalhe importante.

A cadeira de Defesa Contra as Artes das Trevas possui uma fama terrível dentro da série.

Nenhum professor permanece nela por muito tempo.

Isso transforma a promoção de Snape em algo ainda mais intrigante.

Considerações Finais

O capítulo 8 não é um capítulo de grandes acontecimentos.

Mas ele funciona perfeitamente como uma transição.

Ele fecha a excelente sequência iniciada no capítulo anterior.

Mostra as consequências da derrota de Harry para Draco.

Reforça o clima de guerra ao redor de Hogwarts.

Planta pequenos mistérios envolvendo Tonks.

E termina com uma das maiores mudanças de status da série:

Severo Snape finalmente conseguiu o cargo que perseguia desde o início.

Depois de cinco livros ouvindo sobre esse desejo, finalmente ele se tornou realidade.

A questão agora deixa de ser se Snape conseguiria o cargo.

A verdadeira pergunta passa a ser:

O que exatamente ele fará com ele?

Algumas conquistas representam o fim de uma jornada. Outras representam apenas o começo dos problemas.