Gamertag

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 2

Capítulo I — O “mais do mesmo” que pesa mais

O capítulo 2 tem aquela sensação de continuidade que, à primeira vista, parece simples: “é mais do mesmo”. Harry continua na casa dos Dursley, continua preso àquele tipo de convivência que não é convivência — é tolerância forçada. E continua com um desejo específico, quase pequeno perto de todo o resto, mas que carrega uma esperança real: conseguir autorização para ir a Hogsmeade.

Eu sigo ansioso por isso. Não apenas pelo destino em si, mas pela ponte que isso cria com a minha memória do jogo. Quero ver se Hogsmeade vai aparecer de fato e como o livro vai descrever esse lugar que, em Hogwarts Legacy, foi quase um centro de gravidade: a vila onde comprei varinha, vassoura, poções, plantas, pergaminhos — a primeira vila que vira familiar, que vira referência, que vira “um lugar seguro”. A expectativa não é só turística; ela é afetiva. É como se eu estivesse esperando reencontrar um lugar onde já estive, só que por outra linguagem.

Certas expectativas não nascem do que vem pela frente, mas do que a memória já construiu por dentro.

Capítulo II — A chegada da tia Guida e o tipo específico de veneno

No meio dessa tensão silenciosa, Harry descobre que a irmã do tio Válter vai passar um tempo na casa. E a tia Guida já chega com a energia de quem não visita: invade. Ela não parece apenas desagradável. Ela parece tóxica, pesada, do tipo que transforma o ambiente inteiro em um julgamento constante.

Ela critica Harry, diminui, provoca. E o texto desenha algo muito real: existe um tipo de pessoa que não ofende por acidente. Ofende com precisão. Pessoas assim sabem exatamente qual frase encosta no lugar sensível. Elas não atiram palavras no escuro — elas miram.

Harry tenta se controlar. Tenta manter algum tipo de compostura, talvez por medo das consequências, talvez por esperança de conseguir a permissão de Hogsmeade, talvez por simples exaustão. Mas a presença dela não é apenas incômoda — é um teste contínuo.

Existem pessoas que não conversam — elas apertam feridas para ver reação.

Capítulo III — O limite é um lugar onde a pessoa chega empurrada

O que mais me pega nesse capítulo é o modo como ele retrata o empurrão até o limite. Harry vai sendo testado, testado, testado. E isso me toca de um jeito muito pessoal. Porque eu já estive em situações parecidas: momentos em que alguém vai insistindo, insistindo, insistindo — até que, em algum ponto, a nossa contenção deixa de ser escolha e vira simplesmente impossibilidade.

Existe uma diferença enorme entre “perder o controle” e “ser levado a perder o controle”. E o livro captura esse processo com uma clareza desconfortável: a reação não nasce do nada. Ela é construída. Ela é provocada. Ela é cultivada por alguém que parece querer exatamente isso: a explosão, o erro, o momento em que você vira culpado por tudo.

Nem toda explosão é impulso. Algumas são a última defesa de quem foi encurralado.

Capítulo IV — Pais, gatilho e a magia que escapa

O estopim acontece quando a tia Guida fala dos pais de Harry — principalmente do pai. E aí algo muda. Porque insultar Harry já é cruel, mas insultar a memória de quem ele perdeu é outro tipo de violência. É tocar numa ausência e transformá-la em ataque. É humilhar alguém pelo que ele não pode recuperar.

Harry perde o controle. E a magia escapa. Não como truque, não como feitiço planejado, mas como transbordamento. A tia Guida começa a flutuar como um balão. E, assim que isso acontece, uma lembrança do filme me atravessa — eu acredito que essa cena exista na adaptação. As minhas memórias dos filmes são nebulosas, espalhadas em fragmentos: uma cena aqui, outra ali. Mas essa imagem é forte.

E é interessante perceber como o livro, nesse momento, faz a magia parecer menos “poder” e mais “sintoma”. A magia não é só ferramenta, ela é resposta emocional quando a linguagem comum falha. Quando não há espaço para defender-se com palavras, o corpo e a magia falam.

Há dores que não cabem em resposta educada. Elas transbordam.

Capítulo V — Fuga: quando sair é a única forma de continuar inteiro

Depois disso, Harry faz algo que soa inevitável: ele pega suas coisas e foge de casa. Não como ato de rebeldia teatral, mas como instinto de preservação. Ele não aguenta mais aquele ambiente de ofensas e humilhações. A casa, que nunca foi abrigo, se torna insuportável.

E tem um detalhe que pesa aqui: Harry sai com tudo o que tem. É uma fuga com bagagem, com permanência implícita, com uma espécie de “não dá mais para voltar”. Ele não está saindo para respirar e retornar. Ele está saindo porque, naquele momento, ficar é aceitar ser esmagado.

O capítulo termina nesse gesto. Harry do lado de fora, carregando o que consegue, deixando para trás um lugar que nunca o quis. E, a partir daqui, a história tem um cheiro diferente. Porque agora não é mais só sobre querer voltar para Hogwarts. É sobre não ter para onde ir — e, ainda assim, seguir.

Às vezes, fugir não é covardia. É a forma mais honesta de continuar vivo por dentro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 1

Capítulo I — Um começo que não volta ao começo

A primeira coisa que chama atenção no início de O Prisioneiro de Azkaban é o que ele não faz. Diferente dos dois livros anteriores, ele não gasta tanto tempo reafirmando, explicando e reapresentando quem é Harry Potter, como se precisasse reconquistar o leitor do zero. Há uma passagem breve, quase eficiente demais, apenas para lembrar o essencial: Harry vive com os Dursleys, e a vida ali continua sendo uma mistura de contenção, vigilância e proibição.

Essa mudança de ritmo diz muito. Não parece um “recomeço”, parece uma continuação que confia no que já foi estabelecido. Como se o livro assumisse que o leitor já sabe quem ele é — e, mais do que isso, que Harry também já sabe. O drama aqui não está em descobrir o mundo mágico pela primeira vez. Está em sobreviver ao intervalo entre um mundo e outro.

Há histórias que não recomeçam — apenas seguem, com novas cicatrizes.

Capítulo II — Deveres escondidos e magia clandestina

Harry, como sempre, é proibido de estudar magia na casa dos Dursleys. Essa regra se torna quase um ritual anual: férias significam afastamento, e afastamento significa tentativa de apagamento. Ainda assim, ele dá seu jeito. Esconde um livro, lê às escondidas, faz trabalhos de casa porque Hogwarts manda deveres mesmo durante o período de férias — e isso por si só é algo curioso, porque reforça que o mundo mágico não é apenas aventura: é disciplina, é cobrança, é formação.

Harry fica esperando o retorno como quem espera respirar de novo. Ele está no quarto, não exatamente preso, não exatamente castigado, mas ainda isolado do que faz sentido para ele. É uma liberdade limitada, uma espécie de concessão que não toca na raiz do problema: a casa dos Dursleys nunca é lar, é apenas permanência forçada.

Há proibições que não existem para impedir ações, mas para lembrar a alguém que não pertence.

Capítulo III — A noite, a coruja e o tipo de paz possível

Existe um detalhe que torna este começo curiosamente confortável: Harry está à noite na cama, lendo e fazendo seus deveres. Não é uma cena explosiva, não é uma sequência dramática. É um cotidiano silencioso, quase íntimo. A coruja pode ser liberada à noite. Há pequenas permissões que dão a sensação de que, pelo menos desta vez, o verão não será um castigo completo.

E aí entram as notícias. Os Weasleys estão no Egito. Há cartas chegando. Cartões de aniversário de Rony, Hermione e Hagrid. Essas mensagens não são apenas informação — são prova de vínculo. Harry continua existindo para alguém. Continua sendo lembrado. Isso muda o peso do silêncio do quarto.

Às vezes, o que salva um dia inteiro é só saber que alguém lembrou de você.

Capítulo IV — Hogsmeade, sorriso e memória do jogo

Entre as cartas, chega uma de Hogwarts dizendo algo que, por si só, já muda o clima: os alunos estão permitidos a visitar Hogsmeade. E aqui eu sorrio.

Por quê? Porque eu conheço Hogsmeade por Hogwarts Legacy. É a vila que, no jogo, vira quase um eixo: o lugar onde comprei minha varinha, minha vassoura, poções, plantas, pergaminhos. É uma das primeiras vilas que se visita, e depois disso se torna recorrente, familiar, segura.

Então existe algo muito particular nesse momento: eu quero ver o livro descrevendo um lugar onde eu “estive” inúmeras vezes, ainda que de outra forma. Quero ver como a literatura pinta o que o jogo me deixou como memória visual e afetiva. E, ao mesmo tempo, há um desejo simples e humano: tomara que Harry consiga a permissão. Não porque isso muda o mundo, mas porque muda a experiência dele.

Certos lugares não são só cenário. São promessa de respirar fora da dor.

Capítulo V — Humor de bruxo: queimados que não queimam

O capítulo traz também uma passagem que é, ao mesmo tempo, estranha e hilária: a ideia de bruxos sendo queimados. O texto trata isso de um jeito tão leve que parece quase absurdo. Nenhum bruxo sofreu nada, porque eles usavam chamas “geladas”, que faziam no máximo cócegas. E uma bruxa gostava tanto disso que foi “queimada” quarenta e sete vezes.

Eu acho que o número é esse — e, mesmo que não fosse, o espírito da passagem é claro. Existe um humor muito específico aqui: o mundo trouxa tentando punir algo que não entende, e o mundo bruxo respondendo não com vingança, mas com ironia. É o tipo de detalhe que deixa Hogwarts mais vivo, porque mostra que a magia não serve apenas para grandes batalhas. Ela existe também no anedótico, no ridículo, no cotidiano.

O humor, às vezes, é só a inteligência se recusando a se desesperar.

Capítulo VI — Presentes que revelam o mundo

Os Weasleys seguem no Egito, e Harry recebe presentes que carregam o tempero desse universo. De Rony, um presente que acende quando algo está acontecendo — como se até a amizade viesse com utilidade mágica. De Hermione, um kit de manutenção de vassoura, que tem aquela aura dela: cuidado, método, atenção ao detalhe.

E de Hagrid… de Hagrid vem o inesperado. Um livro que sai correndo pelo quarto. A cena tem aquela assinatura típica dele: o carinho vem acompanhado de caos. Hagrid nunca entrega algo comum. Ele entrega algo que vive, que reage, que assusta, que dá trabalho.

Se não me falha a memória, eu me lembro dessa cena no filme: o livro tentando morder, andando pelo quarto como se fosse uma aranha ou um caranguejo. Mas eu teria que rever para encaixar essa imagem com exatidão. Ainda assim, a lembrança existe. E, de novo, o livro e o filme começam a se sobrepor na memória como camadas diferentes da mesma história.

Hagrid tem esse dom: até quando ajuda, ele bagunça o mundo — do melhor jeito.

Capítulo VII — Um capítulo confortável antes da virada

No fim, este primeiro capítulo tem algo raro: conforto. Não porque a vida de Harry esteja boa, mas porque há menos castigo explícito e mais um tipo de espera suportável. Ele está no quarto, sim. Sem acesso às coisas de magia, sim. Mas não está esmagado pela punição como em outros momentos.

É como se o livro estivesse respirando antes de avançar. Como se dissesse: “calma, ainda dá tempo de lembrar do que é normal antes de quebrar tudo de novo”. E isso funciona.

O ano letivo começa em 1º de setembro, como sempre. E essa frase, simples, carrega uma espécie de destino inevitável: Hogwarts está chegando. E com Hogwarts, sempre vem algo que muda tudo.

Em Hogwarts, o calendário é fixo. O perigo, não.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

February 14th - Valentine's Day

O Dia de São Valentim de 2026 veio logo depois de uma sexta-feira 13. Talvez não houvesse combinação mais honesta para o meu estado atual.

1. O amor depois do terror

O Dia de São Valentim chegou logo após uma sexta-feira 13. O dia do amor vindo imediatamente depois do dia do terror. Se existe metáfora mais fiel ao meu momento, eu desconheço.

Em 2026, eu estou quebrado no quesito acreditar no amor romântico. Não no carinho humano. Não na amizade. Mas naquele amor exposto, afirmado, declarado. Aquele amor que não pede licença para existir.

Algumas datas não nos encontram. Elas nos expõem.

São Valentim, segundo a tradição, foi um bispo que realizava casamentos proibidos pelo imperador. Um homem que defendia o amor mesmo quando o poder o condenava. Há algo de belo nisso. E há algo de profundamente irônico também.

Porque parte de mim, neste momento, desejaria o contrário. Quem me dera existisse um imperador que proibisse a afeição. Que tornasse ilegal aquilo que me atravessa.

2. O amor que me quebrou

O meu último amor romântico me quebrou. Não com violência. Não com escândalo. Mas com facilidade. Com rapidez. Com motivos mundanos.

Fui descartado como quem reorganiza prioridades. Como quem troca de plano. Como quem fecha uma aba.

E então veio a parte mais difícil. Eu a vi se apaixonar completamente por outra pessoa. Se entregar. Falar sobre respeito, confiança, conexão, romantismo, intensidade.

Eu vi ela desejar a última história da vida. Eu vi ela oferecer a alguém um amor que eu nunca tive. E que eu sempre quis.

O que dói não é perder alguém. É assistir alguém oferecer a outro aquilo que você sonhou receber.

Talvez seja ego ferido. Talvez seja inveja. Talvez seja apenas tristeza. Mas aquilo me quebrou.

3. A sensação de não ser digno

O que mais me atravessou não foi o fim. Foi a comparação pública.

A minha melhor versão não foi digna de ser amada daquela forma. Pelo menos é assim que parece. Não houve declarações públicas. Não houve admiração gritante. Não houve aquela sensação de ser escolhido com intensidade.

Na verdade, olhando para trás, eu não sei se alguma vez fui amado dessa forma. De maneira exposta. De maneira orgulhosa. De maneira celebrada.

Existe uma diferença brutal entre ser gostado e ser admirado.

E talvez o que mais doa seja essa impressão persistente: eu sou alguém para ser, no máximo, gostado. Nunca amado de forma escancarada. Sussurrado. Nunca gritado.

4. O espelho quebrado

Existe uma parte enorme de mim que adoraria viver esse tipo de amor. Ser visto. Ser escolhido. Ser admirado.

Mas há coisas que não se pedem. Há coisas que não se negociam. Há coisas que só podem existir quando nascem orgânicas. E talvez o meu espelho esteja quebrado.

Porque eu não consigo me enxergar como alguém que seria admirado em público. Não consigo me ver como alguém que geraria declarações. Parece que minha presença ocupa sempre o lugar discreto. O lugar seguro. O lugar confortável.

Às vezes não é o mundo que não nos vê. É o reflexo que nos diminui.

Eu vejo por todo lado pessoas declarando, expondo, celebrando seus amores. Mesmo anonimamente, é possível perceber admiração. "Há flores em tudo que eu vejo..." Só não são para mim.

5. O amor morto em Crystal Lake

Neste Dia de São Valentim, logo após uma sexta-feira 13, eu me sinto mais próximo de um amor que morreu em Crystal Lake do que de um amor nascendo cheio de carinho e admiração.

O lago da infância, o lago do terror cinematográfico, hoje vira metáfora. Não é Jason que me assombra. É a sensação de não ter sido suficiente.

Não é o monstro que mata. É a crença de que nunca fomos dignos de ser escolhidos.

E ainda assim, existe algo que eu preciso reconhecer: querer ser amado não é fraqueza. Desejar admiração não é vaidade. Sentir falta de intensidade não é imaturidade.

Talvez o meu espelho esteja rachado. Mas isso não significa que eu seja invisível. Significa apenas que, hoje, eu ainda não consigo me ver inteiro.

E talvez, neste Dia de São Valentim, a única coisa que eu precise admitir é que o amor romântico não morreu. O que morreu foi uma expectativa.

Nem todo amor termina em abandono. Alguns terminam em reconstrução silenciosa.

 
 
Há dias em que o palco está iluminado, o texto decorado, a alma exposta — 
e ainda assim não há ninguém para assistir.
 E o mais difícil não é atuar sozinho. 
É perceber que ninguém estava esperando a cena.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Sexta Feira 13

Sexta-feira 13 nunca foi só um dia. Foi um espelho que mudou de forma ao longo da minha vida.

1. A infância supersticiosa no interior de Minas

Sexta-feira 13, na minha infância, era um dia marcado. Não no calendário oficial, mas no calendário das vozes mais velhas. No interior de Minas, onde cresci, as histórias não vinham dos jornais — vinham das vós, das bisavós, das tias e das tias-avós. Todas profundamente supersticiosas. Todas carregando uma tradição de sinais, presságios e advertências.

Sexta-feira 13 era dia de azar. Dia de fantasmas. De demônios. Um tipo de Halloween fora de época, mas sem fantasia e sem doçura. A ameaça era séria. Era quase ritualística.

E a criança que eu fui aprendia a observar. Olhava o céu. Reparava em ruídos. Prestava atenção em qualquer coisa que pudesse confirmar que aquele dia tinha algo de diferente.

Quando somos pequenos, aprendemos a temer antes mesmo de entender.

Não era medo cinematográfico. Era medo herdado. Medo transmitido como sabedoria. E, no interior, tradição não se questiona — se respeita.

2. O nascimento do cinéfilo e o encontro com Jason

Antes mesmo de entrar na adolescência, o cinéfilo que já nascia em mim quis ir além da superstição oral. Quis ver. Quis testar. E assim começaram as idas às locadoras de VHS.

Sexta-feira 13 deixou de ser apenas um aviso. Virou uma franquia. Eu alugava uma fita aqui, outra ali. Assistia escondido da ideia de que talvez estivesse invocando algo.

E então surgiu Jason. Mais especificamente, a partir da parte 4, quando eu já tinha uns nove, dez, talvez onze anos, idade suficiente para entender que aquilo era ficção, mas jovem o bastante para ainda sentir o impacto.

Jason era a figura amedrontadora. Máscara. Facão. Silêncio. Presença inevitável.

O cinema me ensinou que o medo também pode ser consumido em capítulos.

Eu assisti todos. E fiz algo curioso: joguei jogos onde eu fugia de Jason — e outros onde eu era o próprio Jason.

Talvez ali estivesse uma metáfora precoce: entender o monstro é uma forma de diminuir o medo. E, às vezes, vestir a máscara é uma maneira de domesticar o pavor.

3. A descoberta adulta

A minha versão adulta aprendeu algo que nenhum filme explicou. Os monstros de verdade não saem de um lago. Não usam máscara. Não anunciam sua chegada com trilha sonora.

Muitas vezes, eles não têm aparência de monstros. Muitas vezes, entram na nossa vida com naturalidade. Às vezes, entram por convite.

O monstro mais perigoso é aquele que não parece ameaça quando chega.

Eu não sei se passei algum tempo tendo medo do Jason. Mas sei que não tive medo de coisas muito mais silenciosas. De situações que não vinham com aviso. De pessoas que não vestiam máscara. De decisões que pareciam pequenas.

Descobri que a vida adulta não precisa de facão para cortar. Ela corta com escolhas. Com omissões. Com lugares que aceitamos ocupar.

4. Crystal Lake não é o perigo

Hoje, numa sexta-feira 13, sentado aqui diante de Crystal Lake, com a sombra invisível de Jason perambulando pela água ou pela floresta, escrevendo calmamente essas palavras, eu posso afirmar algo com serenidade: não é ele que me causa medo.

A sexta-feira 13 não é pior do que outros dias. Eu já vivi milhares de dias piores. Dias que não tinham trilha sonora. Dias que não vinham com aviso. Dias que não carregavam nenhuma superstição no calendário.

Não é o dia que carrega o perigo. Somos nós que carregamos as decisões.

O monstro que me feriu não se afogou em Crystal Lake. Não usa máscara. Não empunha um facão.

Ele se disfarça de escolha. De insistência. De permanência onde não deveria haver permanência.

5. A verdadeira sexta-feira 13

Para essa sexta-feira 13, a reflexão é simples e desconfortável: estar em Crystal Lake não é o maior risco.

O risco maior foram os lugares onde eu aceitei estar. As situações que normalizei. As histórias que tolerei.

Sexta-feira 13 nunca foi sobre azar. Foi sobre projeção. Sobre externalizar o medo. Sobre colocar o monstro fora de nós.

O verdadeiro terror não mora no lago. Mora naquilo que aceitamos como inevitável.

E talvez amadurecer seja exatamente isso: olhar para o lago, olhar para a máscara, e perceber que o perigo mais real não estava ali.

Ele estava nas escolhas. E nas vezes em que eu disse “sim” quando deveria ter dito “não”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 18

Capítulo I — O retorno à superfície

O capítulo 18 começa com um retorno. Harry, Rony e Gina surgem novamente no mundo “normal”, acompanhados por uma versão completamente desmemoriada de Lockhart. Eles chegam à sala da professora McGonagall, onde já estão os pais de Rony e Gina, além de Dumbledore.

O contraste é imediato. Depois de basiliscos, diários amaldiçoados e descidas subterrâneas, estamos de volta a uma sala de Hogwarts. Mas nada ali é exatamente igual ao que era antes.

Voltar nem sempre significa retornar ao mesmo lugar.

Capítulo II — Dumbledore já sabia

Harry conta tudo o que aconteceu. E, enquanto fala, percebe algo importante: Dumbledore compreende mais do que parece.

Ele entende que Tom Riddle enfeitiçou Gina. Que foi Tom quem abriu a Câmara Secreta cinquenta anos atrás. Que o diário era o elo entre passado e presente.

Dumbledore não reage com surpresa exagerada. Ele reage com entendimento. Como alguém que já via aquelas possibilidades há muito tempo.

Há mestres que não esperam provas — apenas confirmação.

Capítulo III — A dúvida que ainda persiste

Mesmo depois de tudo, Harry continua carregando uma dúvida antiga: se ele teria sido melhor na Sonserina. A sombra dessa possibilidade nunca o abandona por completo.

É então que Dumbledore oferece uma resposta definitiva. Harry só conseguiu tirar a espada de Gryffindor do Chapéu Seletor porque ele pertence, de fato, à Grifinória.

Não é o talento que define a casa. É a escolha.

Não somos definidos pelo que podemos ser, mas pelo que escolhemos ser.

Capítulo IV — Tudo se encaixa

As peças finais se organizam. Lockhart lançou um feitiço contra si mesmo. Gina foi enfeitiçada, não culpada. A Câmara Secreta foi aberta por manipulação, não por acaso.

Harry só foi salvo pelas lágrimas da fênix porque foi fiel a Dumbledore. Nada ali é coincidência. Tudo responde a algo que já havia sido estabelecido antes.

Histórias bem contadas não fecham portas — fecham ciclos.

Capítulo V — Lúcio Malfoy e o elfo esquecido

Lúcio Malfoy aparece acompanhado de Dobby, o elfo doméstico da família Malfoy. É Dobby quem revela a verdade final: foi Lúcio quem colocou o diário nos livros de Gina.

Harry percebe isso rapidamente. E age.

Ele coloca sua própria meia suja dentro do diário e o entrega a Lúcio. Lúcio, com desprezo, joga a meia fora. Quando Dobby a pega, está livre.

Às vezes, a liberdade nasce do gesto mais simples.

Capítulo VI — Festa, cura e reconhecimento

Com a Câmara Secreta fechada, Hogwarts respira novamente. Há uma festa. As restrições caem. Os alunos petrificados são curados com a poção.

Grifinória vence a Taça das Casas. O heroísmo de Harry e Rony é reconhecido. Pela primeira vez em muito tempo, a escola parece segura.

Depois do medo, o alívio parece sempre exagerado — e talvez deva ser.

Capítulo VII — O fim do ano e o que espera fora do castelo

O ano termina. Harry troca contatos com Rony e Hermione, já antecipando o que o espera na casa dos Dursleys.

Fica a pergunta inevitável: por que Harry não pediu para ficar em Hogwarts, como Tom Riddle havia feito no passado?

Talvez Harry simplesmente não tenha pensado nisso. Ou talvez, no fundo, ele ainda acredite que suportar também é parte do que ele é.

Alguns lares não acolhem, apenas esperam.

Capítulo VIII — Um livro fechado, uma história que continua

Assim termina Harry Potter e a Câmara Secreta. A história se encerra, mas o caminho de Harry não.

Sabemos que as férias nos Dursleys não serão fáceis. Sabemos que algo mais ainda está por vir.

Isso fica para o próximo livro.

Todo fim é apenas o ponto exato onde outra história começa.