Gamertag


domingo, 21 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 28

Capítulo I — Quando Hogwarts deixa de parecer Hogwarts

O capítulo 28 marca uma mudança definitiva dentro do livro.

Se a saída de Dumbledore já havia sido impactante no capítulo anterior, agora começamos a sentir suas consequências reais.

Pela primeira vez, Hogwarts parece um lugar estranho.

Não porque os corredores mudaram.

Não porque os professores desapareceram.

Mas porque a atmosfera mudou completamente.

Dumbledore sempre foi uma presença silenciosa que transmitia segurança.

Mesmo quando algo terrível acontecia, existia a sensação de que alguém estava observando tudo.

Agora essa sensação desapareceu.

E quem ocupa esse espaço é justamente Dolores Umbridge.

Hogwarts continua sendo o mesmo castelo. Mas já não parece o mesmo lar.

Capítulo II — O poder pelo poder

Uma das coisas mais interessantes em Umbridge é que ela não busca resolver problemas.

Ela busca controle.

Existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Quase todas as medidas que ela cria não tornam Hogwarts melhor.

Não tornam os alunos mais seguros.

Não tornam o ensino mais eficiente.

Servem apenas para aumentar sua autoridade.

A criação da Brigada Inquisitorial é um exemplo perfeito disso.

Ela cria uma estrutura paralela de vigilância.

Uma polícia estudantil.

E naturalmente escolhe alunos como Draco Malfoy para exercer esse papel.

Pessoas que já gostavam de intimidar os outros recebem agora uma autorização oficial para fazê-lo.

Algumas pessoas usam o poder para proteger. Outras usam o poder para se sentir poderosas.

Capítulo III — A conversa com Umbridge

A ida de Harry à sala da diretora mostra mais uma vez como Umbridge é perigosa.

Ela raramente ameaça diretamente.

Ela manipula.

Insinua.

Pressiona.

Sorri enquanto tenta arrancar informações.

Harry percebe rapidamente que ela está atrás de duas coisas:

Dumbledore.

E Sirius Black.

Os dois maiores símbolos de resistência ao Ministério naquele momento.

E Harry, mesmo sendo impulsivo em vários momentos do livro, demonstra maturidade ao não cair na armadilha.

Às vezes a melhor resposta não é uma mentira bem contada. É simplesmente não responder.

Capítulo IV — Fred e George entram em modo guerra

Enquanto Hogwarts mergulha cada vez mais no autoritarismo, Fred e George fazem exatamente o que sempre fizeram:

Transformam rebeldia em espetáculo.

As explosões.

As pegadinhas.

O caos.

Tudo isso vai muito além de simples brincadeiras.

Eles já entenderam algo que muitos adultos ainda não perceberam:

O sistema não pode ser derrotado jogando pelas regras dele.

Por isso eles deixam de tentar se adaptar.

E começam simplesmente a sabotar.

São dois personagens que frequentemente funcionam como alívio cômico.

Mas neste livro eles assumem um papel quase revolucionário.

O humor pode ser uma forma poderosa de resistência.

Capítulo V — A última aula de Oclumência

Toda a primeira metade do capítulo parece apenas uma preparação para a aula com Snape.

Harry sabe que não treinou.

Sabe que Snape ficará furioso.

Sabe que a aula será um desastre.

Mas Rowling conduz tudo isso para algo muito maior.

Muito mais importante.

Muito mais doloroso.

Porque o verdadeiro acontecimento do capítulo não é a aula.

É a lembrança.

Capítulo VI — O pai perfeito começa a rachar

Desde o primeiro livro, Harry construiu uma imagem quase mítica de Tiago Potter.

Seu pai era um herói.

Corajoso.

Popular.

Talentoso.

Alguém admirado por todos.

A lembrança de Snape destrói essa visão.

Ou pelo menos a complica.

Porque Harry vê algo que nunca imaginou:

Seu pai não era a vítima.

Seu pai era o agressor.

Tiago e Sirius não estão se defendendo.

Não estão reagindo.

Não estão enfrentando um inimigo perigoso.

Eles estão humilhando alguém por diversão.

Publicamente.

Diante de outras pessoas.

Como tantos valentões fazem.

O momento mais difícil de amadurecer é descobrir que nossos heróis também eram humanos.

Capítulo VII — O pior pesadelo de Harry

O que torna a cena tão poderosa é que Harry entende exatamente o que está vendo.

Ele não precisa de explicações.

Ele não precisa interpretar.

Ele já viveu aquilo.

Ele já foi ridicularizado.

Já foi perseguido.

Já foi humilhado diante dos outros.

Já foi tratado como alguém inferior.

Por isso ele reconhece imediatamente o sofrimento de Snape.

Pela primeira vez na série, Harry não olha para Snape apenas como professor.

Ele o vê como uma pessoa.

Uma pessoa machucada.

Uma pessoa que já esteve exatamente na posição dele.

A dor dos outros costuma parecer abstrata até encontrarmos nela um reflexo da nossa própria.

Capítulo VIII — Lily Potter

Outro detalhe extremamente importante é Lily.

Porque ela aparece exatamente como Harry sempre imaginou.

Gentil.

Corajosa.

Justa.

Ela tenta impedir o que está acontecendo.

Ela não participa da humilhação.

Ela tenta interrompê-la.

Mas então acontece algo que torna toda a cena ainda mais amarga.

Snape, consumido pela raiva e pela vergonha, a chama de sangue-ruim.

A própria pessoa que estava tentando ajudá-lo.

E isso revela outro lado da tragédia.

Porque nem sempre as vítimas reagem da melhor forma.

Às vezes elas machucam quem tenta ajudá-las.

Às vezes a dor transborda.

Às vezes o orgulho fala mais alto.

A humilhação pública destrói mais do que a autoestima. Ela também destrói o julgamento.

Capítulo IX — Por que Snape odeia tanto Harry?

Depois desta lembrança, muitas peças começam a se encaixar.

Não justificam o comportamento de Snape.

Mas ajudam a compreendê-lo.

Durante anos Harry acreditou que Snape odiava seu pai por algum motivo obscuro.

Agora ele vê parte da verdade.

Tiago Potter não era apenas o herói da história.

Para Snape, ele era o garoto popular que transformava sua vida num inferno.

E Harry carrega o mesmo rosto.

Os mesmos olhos não.

Mas o mesmo sorriso.

O mesmo cabelo.

A mesma presença.

Cada vez que Snape olha para Harry, ele provavelmente vê um fantasma da pior fase da sua juventude.

Algumas feridas envelhecem. Outras apenas aprendem a esperar.

Capítulo X — O melhor capítulo até agora?

Para mim, este capítulo é um dos mais fortes de toda a Ordem da Fênix até aqui.

Não por causa de Voldemort.

Não por causa de magia.

Não por causa da ação.

Mas porque ele quebra uma ilusão.

Harry sempre enxergou o mundo de forma muito simples:

Mocinhos de um lado.

Vilões do outro.

E este capítulo destrói essa visão.

Seu pai não era perfeito.

Snape não era apenas um monstro.

Lily não conseguia salvar todo mundo.

E o passado é muito mais complicado do que as histórias que contamos sobre ele.

O capítulo 28 não revela apenas quem Snape foi. Ele revela que crescer também significa descobrir que os adultos que admiramos eram tão imperfeitos quanto nós.

sábado, 20 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 27

Capítulo I — O começo do fim da tranquilidade

O capítulo 27 é um divisor de águas dentro de A Ordem da Fênix.

Até aqui a Armada de Dumbledore vinha crescendo.

Os alunos estavam aprendendo.

Melhorando.

Se fortalecendo.

Havia uma sensação de progresso.

De construção.

De resistência.

Mas este é o capítulo onde tudo começa a ruir.

Não porque os alunos falharam.

Não porque Harry falhou.

Mas porque toda organização clandestina corre o risco inevitável de ser descoberta.

Quanto maior um segredo se torna, mais difícil fica mantê-lo escondido.

Capítulo II — Firenze continua enxergando mais longe

Antes da tempestade principal, o capítulo nos oferece mais um momento interessante com Firenze.

Suas aulas continuam completamente diferentes das de Trelawney.

Enquanto Trelawney sempre parecia procurar sinais imediatos, Firenze trabalha numa escala muito maior.

Ele fala sobre movimentos.

Sobre tendências.

Sobre padrões.

Sobre eventos que levam anos para se formar.

É quase uma visão astronômica da história.

E existe algo muito simbólico quando ele fala sobre guerra.

Porque o leitor já sabe que ela está chegando.

O problema é que boa parte dos personagens ainda não aceita isso.

Os centauros observam as estrelas porque sabem que alguns acontecimentos levam muito tempo para se tornarem inevitáveis.

Capítulo III — O aviso sobre Hagrid

Outro detalhe que chama atenção é a mensagem destinada a Hagrid.

Firenze não explica muito.

Mas demonstra preocupação.

Algo que está acontecendo.

Algo que Hagrid está fazendo.

Algo que aparentemente não está funcionando.

É um daqueles avisos que Rowling costuma plantar antes de uma revelação futura.

Na superfície parece apenas uma conversa estranha.

Mas dificilmente estaria aqui sem um propósito.

Nos livros de Harry Potter, avisos aparentemente pequenos costumam se transformar em grandes problemas mais tarde.

Capítulo IV — A Armada de Dumbledore atinge seu auge

O mais irônico é que a queda da Armada acontece justamente quando ela parece mais forte.

Os alunos estão aprendendo Patronos.

Alguns já conseguem resultados impressionantes.

A confiança do grupo cresce.

Harry está se tornando um professor de verdade.

E os resultados são visíveis.

Talvez por isso a queda seja tão impactante.

Porque acontece no momento em que tudo parecia funcionar.

Muitas vezes não percebemos o perigo quando estamos ocupados demais celebrando o progresso.

Capítulo V — Dobby salva todos mais uma vez

Se existe um herói silencioso neste capítulo, ele se chama Dobby.

É ele quem avisa.

É ele quem corre o risco.

É ele quem impede que dezenas de alunos sejam capturados.

E isso reforça algo que a série mostra constantemente:

Dobby pode parecer pequeno.

Pode parecer excêntrico.

Pode parecer apenas um personagem secundário.

Mas sua lealdade a Harry continua sendo uma das mais puras de toda a história.

Muitas vezes os maiores atos de coragem vêm daqueles que ninguém considera importantes.

Capítulo VI — A traição que ninguém esperava

Quando descobrimos que a denúncia veio de Marietta Edgecombe, a amiga de Cho, o impacto é interessante.

Porque não foi um espião infiltrado.

Não foi um Comensal da Morte.

Não foi Umbridge.

Foi simplesmente alguém com medo.

E isso torna tudo mais real.

Guerras raramente são destruídas apenas por grandes vilões.

Às vezes elas são comprometidas por pessoas comuns tentando se proteger.

Nem toda traição nasce da maldade. Algumas nascem do medo.

Capítulo VII — O momento mais brilhante de Dumbledore

Então chegamos ao verdadeiro coração do capítulo.

A reunião na sala do diretor.

E aqui Dumbledore dá uma aula.

Não de magia.

Não de estratégia.

Mas de liderança.

Ele percebe imediatamente o que está acontecendo.

Percebe quem corre risco.

Percebe quem precisa ser protegido.

E assume toda a responsabilidade.

Sem hesitar.

Sem procurar desculpas.

Sem transferir culpa.

Ele simplesmente assume.

Os melhores líderes não fogem da responsabilidade. Eles a tomam para si quando os outros precisam ser protegidos.

Capítulo VIII — A derrota humilhante do Ministério

Existe algo quase engraçado na tentativa de prender Dumbledore.

Porque todos ali parecem esquecer quem ele é.

Estamos falando do maior bruxo vivo.

Do homem que Voldemort teme.

Do diretor de Hogwarts.

E eles realmente acreditam que alguns aurors e funcionários do Ministério irão simplesmente algemá-lo.

O resultado é previsível.

Rápido.

Humilhante.

E quase elegante.

Dumbledore resolve tudo em segundos.

Sem violência desnecessária.

Sem crueldade.

Mas deixando claro que, se quisesse, poderia fazer muito mais.

O poder verdadeiro raramente precisa se exibir.

Capítulo IX — O aviso para Harry

Entre toda a confusão existe uma frase que talvez seja a mais importante do capítulo.

Dumbledore insiste novamente na Oclumência.

Mais uma vez.

Mesmo fugindo.

Mesmo sendo caçado.

Mesmo abandonando Hogwarts temporariamente.

Ele faz questão de lembrar Harry disso.

E isso é um enorme sinal de alerta.

Porque Dumbledore não costuma insistir em coisas irrelevantes.

Se ele continua repetindo isso, significa que entende algo que Harry ainda não compreende.

Às vezes o conselho mais importante é justamente aquele que insistimos em ignorar.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

O capítulo 27 fala sobre sacrifício.

Dobby se sacrifica para proteger os alunos.

Os membros da Armada arriscam suas posições.

Harry quase é responsabilizado.

E Dumbledore entrega a própria permanência em Hogwarts para salvar todos eles.

A dissolução da Armada parece uma derrota.

E em muitos aspectos é.

Mas também revela algo importante.

O grupo funcionava.

Funcionava tão bem que precisou ser destruído.

Funcionava tão bem que assustou Umbridge.

Funcionava tão bem que chamou atenção do Ministério.

A queda da Armada de Dumbledore não prova seu fracasso. Prova o quanto ela havia se tornado perigosa para quem queria manter Hogwarts sob controle.

E enquanto Dumbledore desaparece no final do capítulo, fica a sensação de que a escola acabou de perder sua principal proteção.

Agora, pela primeira vez, Umbridge realmente tem o castelo nas mãos.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 26

Capítulo I — Quando a verdade começa a circular

O capítulo 26 é um daqueles momentos em que finalmente começamos a enxergar as consequências das ações dos personagens.

Durante boa parte do livro, Harry, Hermione, Rony e a Armada de Dumbledore têm trabalhado praticamente nas sombras.

Pouca gente acreditava neles.

Pouca gente acreditava em Dumbledore.

Pouca gente acreditava na volta de Voldemort.

Mas agora algo muda.

A entrevista publicada no Pasquim começa a espalhar a versão dos acontecimentos que Harry vinha tentando contar desde o final do Cálice de Fogo.

Pela primeira vez, a narrativa oficial do Ministério encontra uma oposição organizada.

Durante meses Harry tentou convencer as pessoas. Agora suas próprias palavras começam a fazer esse trabalho por ele.

Capítulo II — Hermione continua sendo a pessoa mais inteligente da sala

O capítulo já começa resolvendo uma das situações mais previsíveis do livro:

Harry não entendeu absolutamente nada do encontro com Cho.

E, como quase sempre acontece, Hermione precisa explicar.

Existe algo quase cômico nessa dinâmica.

Harry sobrevive a dragões.

Sobrevive a Voldemort.

Sobrevive a basiliscos.

Mas continua completamente perdido quando o assunto envolve emoções adolescentes.

Felizmente, desta vez Rowling não prolonga esse drama.

Ele existe.

Mas passa rapidamente.

Hermione não apenas resolve mistérios mágicos. Às vezes ela precisa traduzir seres humanos para Harry Potter.

Capítulo III — O efeito Streisand de Umbridge

Uma das partes mais divertidas do capítulo é observar a reação de Umbridge ao Pasquim.

Ela entra em pânico.

Fica furiosa.

Cria decretos.

Proíbe leituras.

Impede Harry de ir a Hogsmeade.

Tenta controlar a circulação da informação.

E faz exatamente o que qualquer autoridade autoritária costuma fazer:

Transforma algo relativamente pequeno em algo enorme.

Muitos alunos talvez nem tivessem interesse no Pasquim.

Mas no instante em que ele é proibido, todos querem ler.

Nada desperta mais curiosidade em adolescentes do que uma proibição.

Capítulo IV — Harry finalmente começa a ser ouvido

As cartas recebidas por Harry são importantes justamente porque mostram algo novo.

Nem todos acreditam nele.

Mas muitos acreditam.

E isso representa uma mudança enorme.

Desde o começo do livro Harry vinha sendo tratado como mentiroso.

Como exagerado.

Como alguém confuso ou traumatizado.

Agora ele finalmente encontra pessoas dispostas a escutá-lo.

Não significa vitória.

Mas significa progresso.

A verdade ainda está longe de vencer. Mas já não está mais sozinha.

Capítulo V — Voldemort continua trabalhando

Enquanto isso, Voldemort continua sendo Voldemort.

Harry recebe mais uma visão.

Mais uma demonstração de que a ligação permanece ativa.

E talvez mais forte do que nunca.

O interessante é que Harry já começa a tratar essas visões de forma diferente.

Não corre imediatamente para contar.

Não entra em pânico.

Ele observa.

Processa.

Guarda para si.

O que mostra o quanto a situação já se tornou parte da sua rotina.

O assustador não é Harry ter visões. É Harry estar começando a se acostumar com elas.

Capítulo VI — Pequenos avanços na Oclumência

Pela primeira vez temos algum sinal positivo nas aulas com Snape.

Ainda existe hostilidade.

Ainda existe antipatia.

Ainda existe tensão.

Mas Harry finalmente consegue algum progresso.

Ele consegue bloquear.

Consegue resistir.

Consegue defender a mente.

Ainda que por pouco tempo.

Isso é importante porque mostra que o treinamento funciona.

Mesmo sendo ministrado pela pessoa que Harry menos gostaria de ter como professor.

Às vezes o pior professor possível ainda é melhor do que professor nenhum.

Capítulo VII — A queda de Trelawney

Então chegamos ao momento mais doloroso do capítulo.

A demissão da professora Trelawney.

Durante toda a série ela foi frequentemente usada como alívio cômico.

Excêntrica.

Exagerada.

Dramática.

Mas aqui Rowling muda completamente o tom.

Porque agora não estamos vendo uma personagem engraçada.

Estamos vendo alguém perder sua casa.

Seu emprego.

Sua dignidade.

Tudo em público.

Diante de alunos.

Diante de colegas.

Diante de Hogwarts inteira.

O que torna Umbridge tão odiosa não é apenas o poder que ela possui. É a forma como escolhe usá-lo.

Capítulo VIII — Dumbledore lembra quem manda

A melhor cena do capítulo talvez seja a reação de Dumbledore.

Porque durante boa parte do livro ele parece distante.

Passivo.

Silencioso.

Mas aqui ele intervém.

E lembra algo fundamental:

Umbridge pode ter autoridade.

Mas Hogwarts ainda é Hogwarts.

E ele ainda é o diretor.

A forma tranquila como ele desmonta a tentativa de expulsão de Trelawney é quase elegante.

Sem gritos.

Sem ameaças.

Sem espetáculo.

Apenas autoridade verdadeira.

Algumas pessoas precisam levantar a voz para demonstrar poder. Dumbledore apenas precisa falar.

Capítulo IX — O retorno de Firenze

A chegada de Firenze é um daqueles momentos que recompensam leitores atentos.

Nós o conhecemos no primeiro livro.

Ele salvou Harry na Floresta Proibida.

Foi um dos primeiros seres mágicos realmente nobres que encontramos na série.

E agora retorna.

Não como visitante.

Mas como professor.

A escolha é perfeita.

Especialmente porque Firenze representa uma visão completamente diferente da adivinhação.

Mais profunda.

Mais filosófica.

Menos teatral.

Menos baseada em previsões dramáticas.

Enquanto Trelawney olha para o futuro procurando sinais, Firenze olha para o universo procurando padrões.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

O capítulo 26 fala sobre resistência.

Harry resiste à narrativa do Ministério.

Os alunos resistem às proibições.

A verdade resiste à censura.

Trelawney resiste à humilhação.

Dumbledore resiste ao avanço de Umbridge.

E até Harry começa finalmente a resistir dentro das aulas de Oclumência.

É um capítulo onde várias pequenas vitórias acontecem simultaneamente.

Nenhuma delas derrota Voldemort.

Nenhuma delas derrota Umbridge.

Mas todas mostram que os dois não estão vencendo sem oposição.

O capítulo 26 marca o momento em que Hogwarts deixa de apenas suportar Umbridge e começa, lentamente, a enfrentá-la.

E talvez seja exatamente por isso que o final do capítulo termina com Firenze entrando pelos portões do castelo:

Porque, pela primeira vez em muito tempo, parece que o lado de Harry está começando a ganhar algum terreno.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Jogos Gratis 18/06

Jornada Gamer — Os jogos que talvez eu jogue

Existe uma diferença enorme entre comprar um jogo e desejar jogá-lo.

Demorei muitos anos para perceber isso.

Por muito tempo, a minha relação com videogames foi movida por listas, promoções, plataformas, conquistas e aquele medo silencioso de perder alguma oportunidade. O famoso "vai que eu quero jogar isso um dia". E esse "um dia" foi transformando bibliotecas digitais em museus de intenções.

Mas hoje, numa quinta-feira qualquer de junho de 2026, enquanto olho os jogos gratuitos distribuídos pelas plataformas, percebo que existe algo diferente acontecendo.

Talvez eu não esteja escolhendo jogos.

Talvez eu esteja escolhendo experiências.

"Envelhecer como jogador não é jogar menos. É aprender a escolher melhor."

Capítulo 1 — O jogo que parece um texto do blog

Citizen Sleeper talvez seja o título que mais me chamou atenção nesta semana.

Não porque seja o mais popular.

Não porque tenha os gráficos mais impressionantes.

Mas porque ele parece conversar diretamente com os textos que tenho escrito aqui.

Você controla alguém que está se deteriorando. Um corpo artificial sustentando uma consciência humana, tentando sobreviver ciclo após ciclo em uma estação espacial decadente.

Existe algo profundamente humano nessa proposta.

Administrar recursos enquanto tenta não perder quem você é.

Sobreviver ao desgaste.

Construir vínculos enquanto o tempo corrói suas possibilidades.

Se eu fosse resumir os últimos meses deste blog, talvez eles coubessem dentro dessa premissa.

"Às vezes, continuar vivendo é apenas aprender a administrar a própria entropia."

Capítulo 2 — O prazer simples de apertar botões

Se Citizen Sleeper conversa com o escritor, Robobeat parece conversar com o jogador.

Existe uma parte de mim que ainda ama o estado de fluxo.

Aquele momento em que você para de pensar em eficiência, produtividade e desempenho e apenas reage.

Desvia.

Atira.

Erra.

Acerta.

Repete.

Existe um prazer quase infantil em dominar uma mecânica bem construída.

Talvez seja o mesmo motivo pelo qual Diablo 3 ainda consegue me divertir tanto mais do que Diablo 4.

Nem tudo precisa ser uma grande reflexão.

Às vezes, diversão também é suficiente.

"Nem todo jogo precisa mudar sua vida. Alguns só precisam melhorar sua quinta-feira."

Capítulo 3 — A alegria de resolver problemas

Between Time ocupa outro espaço dentro de mim.

O espaço do curioso.

Do cara que trabalha com tecnologia e sente prazer em desmontar sistemas para entender como eles funcionam.

Existe satisfação em resolver enigmas.

Em perceber padrões.

Em olhar para uma sala aparentemente impossível e, pouco a pouco, descobrir sua lógica interna.

Talvez seja o mesmo prazer que me faz teorizar sobre séries como From ou Widow's Bay.

Ou organizar uma planilha com mais de mil jogos.

Ou procurar significado onde outras pessoas enxergam apenas entretenimento.

"Entender como algo funciona é uma forma silenciosa de admiração."

Capítulo 4 — O jogador que eu me tornei

O mais curioso dessa quinta-feira é perceber que esses jogos gratuitos dizem mais sobre mim do que sobre eles.

Há alguns anos, eu provavelmente escolheria aquele com mais conquistas.

Depois, escolheria o mais longo.

Depois, o mais eficiente.

Hoje, eu penso diferente.

Hoje eu me pergunto:

O que eu quero sentir?

Quero refletir?

Quero descansar?

Quero resolver problemas?

Quero simplesmente apertar botões depois de um dia difícil?

Talvez amadurecer como jogador seja exatamente isso.

Parar de procurar o jogo perfeito e começar a procurar o jogo certo para quem você é naquele momento.

"A maturidade gamer talvez seja descobrir que o backlog não é uma obrigação. É apenas um cardápio."

Conclusão — Os jogos que talvez eu jogue

Talvez eu jogue Citizen Sleeper.

Talvez Between Time.

Talvez Robobeat.

Talvez nenhum deles.

E tudo bem.

Existe algo bonito em simplesmente olhar para possibilidades.

Em saber que ainda existe curiosidade.

Que ainda existe vontade.

Que ainda existem mundos esperando para serem descobertos.

Aos quarenta e poucos anos, continuo sendo aquele garoto que se empolga com jogos grátis numa quinta-feira.

A diferença é que hoje eu já não preciso jogar tudo.

Basta saber que ainda existe alguma coisa capaz de despertar em mim a vontade de apertar o botão "instalar".

"Enquanto existir curiosidade, talvez a nossa jornada gamer nunca termine. Ela apenas muda de ritmo."

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 25

Capítulo I — Quando a guerra da informação começa

O capítulo 25 é um daqueles momentos em que a história deixa de ser apenas uma luta entre Harry e Voldemort.

Aqui nós começamos a enxergar algo muito mais amplo.

Uma guerra de narrativas.

Uma guerra de versões.

Uma guerra onde não basta descobrir a verdade.

É preciso convencer as pessoas dela.

Até aqui Voldemort era o inimigo físico.

Agora Fudge e o Ministério se tornam um problema igualmente perigoso.

Porque estão impedindo que a verdade chegue às pessoas.

Uma mentira repetida por tempo suficiente pode ser tão perigosa quanto qualquer maldição.

Capítulo II — As aulas de Oclumência parecem estar falhando

Existe uma ironia muito interessante acontecendo.

As aulas de Oclumência foram criadas para proteger Harry.

Para bloquear Voldemort.

Para fortalecer sua mente.

Mas Harry tem exatamente a sensação oposta.

Quanto mais as aulas acontecem, mais próximo de Voldemort ele parece ficar.

Mais sonhos.

Mais emoções compartilhadas.

Mais visões.

Mais conexões.

É impossível não desconfiar que algo está profundamente errado.

Às vezes o remédio parece pior do que a doença.

E Harry claramente começa a acreditar nisso.

Capítulo III — Voldemort está feliz

A confirmação da fuga dos Comensais da Morte ajuda a explicar a felicidade sentida por Harry no final do capítulo anterior.

E isso é assustador por vários motivos.

Primeiro porque mostra que a ligação continua funcionando.

Segundo porque mostra que Harry já consegue sentir emoções que não são dele.

E terceiro porque percebemos algo perturbador:

Harry não apenas vê Voldemort.

Ele começa a experimentar Voldemort.

A alegria.

A satisfação.

O entusiasmo.

Tudo isso atravessa a conexão.

O perigo não é apenas Voldemort entrar na mente de Harry. O perigo é Harry começar a sentir o mundo como Voldemort sente.

Capítulo IV — Fudge continua afundando

Se existe um personagem que sai pior a cada capítulo, é Cornélio Fudge.

No início do livro ele parecia apenas equivocado.

Agora parece deliberadamente cego.

Os fatos se acumulam.

Os sinais aparecem.

As evidências aumentam.

E ainda assim ele continua insistindo na mesma narrativa.

A fuga dos Comensais da Morte é um exemplo perfeito.

Qualquer pessoa racional começaria a fazer perguntas.

Fudge procura culpados convenientes.

E novamente Sirius Black vira o alvo.

Quando a realidade ameaça uma posição de poder, algumas pessoas preferem atacar a realidade.

Capítulo V — Hogwarts começa a reagir

Enquanto o Ministério continua em negação, algo interessante acontece dentro de Hogwarts.

Os alunos começam a mudar.

A Armada de Dumbledore está funcionando.

Os estudantes treinam.

Melhoram.

Se dedicam.

Passam a acreditar que talvez precisem realmente daquelas habilidades.

O que começou como um grupo clandestino agora começa a mostrar seus resultados.

Harry está formando algo que o Ministério se recusa a fazer:

Pessoas preparadas.

Enquanto os adultos discutem se a guerra existe, os alunos começam a se preparar para ela.

Capítulo VI — A solidão dos professores

Existe também uma mudança interessante entre os próprios professores.

A presença constante de Umbridge transforma Hogwarts.

As conversas desaparecem.

As reuniões diminuem.

A confiança desaparece.

Ninguém sabe exatamente quem pode ouvir.

Quem pode relatar.

Quem pode denunciar.

O ambiente se torna mais frio.

Mais desconfiado.

Mais político.

O controle excessivo não produz ordem. Produz silêncio.

Capítulo VII — O desastre romântico de Harry Potter

No meio de tudo isso existe o tradicional caos adolescente.

Harry consegue transformar um encontro simples em uma situação extremamente complicada.

Cho fica magoada.

Harry fica confuso.

E o leitor percebe rapidamente que Harry entende muito mais sobre dragões do que sobre relacionamentos.

Existe algo até divertido nisso.

Porque ele consegue sobreviver a Voldemort.

Mas uma conversa emocional com Cho parece deixá-lo completamente perdido.

Nenhum feitiço de Hogwarts prepara um adolescente para lidar com ciúmes.

Capítulo VIII — Hermione contra-ataca

Mas o momento mais importante do capítulo pertence a Hermione.

Enquanto quase todos reagem aos acontecimentos, Hermione age.

Ela percebe algo fundamental.

O problema não é apenas que o Ministério está mentindo.

O problema é que o Ministério controla os meios de comunicação.

E se o Profeta Diário não vai publicar a verdade, alguém precisa fazê-lo.

É aí que surge o plano envolvendo Rita Skeeter e Luna Lovegood.

Um plano que é brilhante justamente por usar peças improváveis.

A jornalista que causou tantos problemas.

E o jornal que todos tratam como piada.

Às vezes a verdade encontra espaço justamente onde ninguém se preocupa em censurá-la.

Capítulo IX — O Pasquim ganha importância

Até aqui o Pasquim parecia apenas uma excentricidade.

Um jornal estranho.

Cheio de teorias malucas.

Lido por pessoas consideradas excêntricas.

Mas o capítulo faz algo muito interessante.

Ele questiona quem realmente merece credibilidade.

O jornal que publica a versão oficial?

Ou o jornal disposto a ouvir aquilo que ninguém mais quer ouvir?

Pela primeira vez o Pasquim deixa de ser uma piada.

E passa a ocupar um papel relevante dentro da história.

Quando os canais oficiais falham, até as vozes ignoradas ganham importância.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Para mim, o capítulo 25 fala sobre controle da informação.

Voldemort está reunindo seguidores.

O Ministério está escondendo fatos.

O Profeta Diário está manipulando narrativas.

Harry está sendo desacreditado.

E Hermione percebe que lutar contra isso exige mais do que magia.

Exige comunicação.

Exige testemunhos.

Exige que as pessoas escutem a verdade.

É um capítulo onde a batalha deixa de acontecer apenas com varinhas.

Ela passa a acontecer também com palavras.

Voldemort quer conquistar o mundo mágico pelo medo. Fudge tenta preservá-lo pela negação. E Harry finalmente ganha uma chance de lutar usando a verdade.

O resultado dessa disputa começa a nascer aqui.