Gamertag

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 17

Capítulo I — Quase o fim, mas não o fim

Eu estava errado. O capítulo 17 não é o último capítulo do livro. Ainda assim, ele está perigosamente próximo do encerramento da história. É aquele ponto em que tudo aquilo que vinha sendo preparado finalmente se revela.

Harry chega à Câmara Secreta e encontra Tom Riddle ao lado de Gina. Não é um confronto imediato, mas um encontro carregado de significado. Aqui, a narrativa deixa de sugerir e passa a afirmar.

Alguns encontros não surpreendem — eles apenas confirmam um pressentimento antigo.

Capítulo II — Tom Riddle é uma lembrança

Neste capítulo, Harry descobre algo essencial: Tom Riddle não está ali de verdade. Ele é uma lembrança. Uma memória preservada.

Mas não é só isso. Harry descobre que Tom Riddle é o próprio Lord Voldemort. A revelação é pesada, quase cruel. Mais uma vez, Voldemort cruza seu caminho. Mais uma vez, a intenção é clara: matar Harry.

O impacto não está apenas na identidade, mas na repetição. Voldemort insiste em existir na vida de Harry, mesmo quando deveria ser apenas passado.

Algumas sombras não pertencem ao ontem. Elas insistem em caminhar conosco.

Capítulo III — O passado de Hagrid e o nascimento do monstro

Tom Riddle revela ainda mais. Foi ele quem arruinou a vida de Hagrid. Foi ele quem fez com que Hagrid fosse expulso, responsabilizado por algo que nunca fez.

Aqui já é possível enxergar os primeiros contornos de Voldemort como bruxo das trevas. Não apenas pelo uso da magia, mas pela manipulação, pela escolha consciente de destruir a vida de outro para salvar a própria imagem.

O mal raramente começa grandioso. Ele começa conveniente.

Capítulo IV — O plano de Dumbledore se revela

É neste ponto que percebemos que Dumbledore nunca esteve realmente ausente. Seu plano começa a se manifestar.

A fênix desce até a Câmara Secreta. Ela traz o Chapéu Seletor e a espada de Gryffindor. Neste capítulo, a espada ainda não é nomeada. O nome virá depois.

Memórias do livro e do filme começam a se sobrepor aqui. Especialmente na cena em que Tom Riddle revela que seu nome é um anagrama de Lord Voldemort.

No filme, essa revelação é mais cinematográfica, mais visual. É um dos raros momentos em que a adaptação consegue ser mais impactante que o texto.

Às vezes, o cinema grita o que o livro prefere sussurrar.

Capítulo V — O basilisco e a intervenção necessária

O confronto com o basilisco acontece. A fênix fura seus olhos, e esse detalhe, curiosamente, eu não lembrava até acontecer. Quando acontece, a memória retorna.

Harry pega a espada. Mata o basilisco. Mas não sem custo. A presa da criatura fica cravada em seu braço.

Harry é salvo pelas lágrimas da fênix, que possuem poderes curativos. Dumbledore havia mencionado isso muito antes, em sua sala. Nada aqui é gratuito.

Nenhuma vitória vem limpa. Toda vitória cobra algo.

Capítulo VI — Diário, destruição e equilíbrio

No embate final entre Harry e Tom Riddle, Harry usa a presa do basilisco para perfurar o diário.

A participação da fênix é essencial. Sem ela, tudo soaria forçado. Um garoto do segundo ano não derrotaria um basilisco e uma versão de Tom Riddle com dezesseis anos, já profundamente envolvido com as artes das trevas.

A fênix equilibra a narrativa. Torna o impossível plausível.

Às vezes, a ajuda não diminui o herói. Ela torna a história honesta.

Capítulo VII — Consequências que se encaixam

Gina está viva. O diário foi destruído. A lembrança de Tom Riddle desaparece.

Na volta, a fênix também os conduz para fora, acompanhados por Lockhart, agora completamente desmemoriado.

O feitiço de apagar memórias voltou contra ele mesmo. E aqui, mais uma peça antiga se encaixa: a varinha quebrada de Rony, lá no começo da história, foi responsável pelo feitiço dar errado.

Isso permite que Harry e Rony derrotem um bruxo adulto. Algo que, sem esse contexto, também pareceria forçado.

As falhas antigas costumam cobrar juros, mas às vezes rendem salvação.

Capítulo VIII — História encerrada, livro ainda aberto

O capítulo 17 fecha a história de Tom Riddle e do basilisco. O conflito central está resolvido.

Mas o livro ainda não acabou. Ainda existe o capítulo 18. Ainda há consequências, explicações, amarrações finais.

A história terminou. O livro, ainda não.

Nem todo final é silêncio. Alguns ainda precisam de eco.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 16

Capítulo I — Quando tudo começa a fechar

O capítulo 16 é aquele ponto da história em que não há mais como fingir que estamos apenas investigando. Aqui, o enredo chega claramente aos seus finalmentes. As peças não estão mais soltas; elas começam a se encaixar com uma precisão quase incômoda.

Com a informação de que quem foi morta pelo monstro da Câmara Secreta foi a Murta que Geme, Harry e Rony decidem confirmar isso diretamente. Não por curiosidade, mas por necessidade. A verdade agora exige verificação.

Quando o mistério começa a se resolver, a urgência substitui o medo.

Capítulo II — A escola continua, apesar de tudo

Mesmo com tudo acontecendo, Hogwarts segue tentando existir como escola. As provas são marcadas, o calendário anda, e isso força Harry e Rony a lembrar que ainda estão em um ambiente acadêmico, ainda são alunos.

Mas a escola está irreconhecível. Não há passeios, não há quadribol, não há liberdade. Os alunos não podem sair sozinhos, estão sempre acompanhados por professores. Hogwarts virou um espaço de contenção, não mais de descoberta.

Quando a segurança domina tudo, o aprendizado vira sobrevivência.

Capítulo III — Vigilância, mentira e Hermione petrificada

Harry e Rony querem perguntar a Murta o que realmente aconteceu, mas são constantemente vigiados. Qualquer movimento fora do esperado chama atenção. Quando finalmente tentam escapar, o fazem pela rota mais previsível possível: seguindo o professor mais incompetente da escola, Lockhart.

Acabam sendo interceptados por McGonagall e mentem, dizendo que queriam visitar Hermione. A mentira é prática, quase automática. Afinal, como explicar que querem ir ao banheiro feminino investigar um assassinato?

Ao verem Hermione ainda petrificada, percebem algo em sua mão. Uma página arrancada de um livro. Hermione, fiel à sua natureza, descobriu tudo antes mesmo de cair.

Algumas mentes continuam trabalhando mesmo quando o corpo é silenciado.

Capítulo IV — O basilisco e a lógica perfeita

No papel está a resposta: o monstro é um basilisco. A partir daí, tudo faz sentido.

Basiliscos são inimigos naturais das aranhas — o que explica o relato de Aragog. Têm medo do canto do galo — e isso se conecta diretamente com os galos de Hagrid mortos antes dos ataques.

É uma serpente — por isso Harry a ouvia, enquanto os outros não. Ela se move pelos canos — o que explica as vozes nas paredes e a forma como os ataques aconteciam.

Ninguém morreu porque ninguém a viu diretamente. Todos tiveram algum tipo de reflexo: a Madame Norra pela água, Colin pela câmera, outro aluno através do fantasma do Nick Quase-Sem-Cabeça, Hermione e outra aluna pelo espelho.

Quando a verdade surge, ela reorganiza o passado inteiro.

Capítulo V — O sequestro de Gina

A entrada da Câmara Secreta fica clara: o banheiro da Murta. Tudo aponta para lá. Mas, antes que consigam alertar os professores, a tragédia se antecipa.

Gina Weasley é sequestrada. E isso muda completamente o tom da investigação. Agora não é mais sobre entender o que aconteceu — é sobre salvar alguém.

Harry e Rony percebem que Gina provavelmente descobriu algo. Ela estava prestes a contar algo a eles. E isso foi o suficiente para colocá-la em perigo.

Quando alguém descobre a verdade cedo demais, o preço costuma ser alto.

Capítulo VI — Lockhart, o charlatão

Os dois procuram Lockhart, oficialmente designado para enfrentar o monstro. E é aqui que a farsa se revela por completo.

Lockhart admite que nunca lutou contra monstro algum. Ele apenas entrevista quem realizou grandes feitos, publica como se fossem seus e apaga a memória das pessoas envolvidas.

Quando tenta apagar a memória de Harry e Rony para fugir, Harry reage com um feitiço que sempre me arranca um sorriso: Expelliarmus.

Minha referência primária desse feitiço vem de Hogwarts Legacy, então toda vez que ele aparece no livro, ocorre essa inversão curiosa: o jogo vira minha memória afetiva, mesmo sabendo que a origem é literária.

Algumas referências nascem fora da ordem, mas ainda assim criam vínculo.

Capítulo VII — A descida

Eles levam Lockhart até o banheiro da Murta. Conversam com ela. Descobrem exatamente como ela morreu. E veem, finalmente, a entrada da Câmara Secreta — o lugar de onde o basilisco saiu.

A entrada exige língua de cobra. Um detalhe que também aparece em Hogwarts Legacy, onde o local existe, mas permanece fechado para quem não fala parcelmouth. Uma referência elegante e respeitosa ao material original.

Harry fala na língua das cobras. A passagem se abre. Eles descem com Lockhart.

Algumas portas só se abrem para quem carrega a maldição certa.

Capítulo VIII — Separação e inevitabilidade

Lá embaixo, Lockhart tenta novamente lançar o feitiço de esquecimento, agora com a varinha de Rony. Mas há um detalhe que nunca foi esquecido: a varinha de Rony está quebrada desde o episódio do carro.

O feitiço dá errado. Volta contra o próprio Lockhart. E, no caos, uma parede de pedra desaba, separando Harry de Rony.

Harry segue sozinho. Ele encontra, ao final do capítulo, a verdadeira entrada da Câmara Secreta: duas cobras com olhos de esmeralda.

A história está pronta para se encerrar. O herdeiro de Salazar. O basilisco. O destino de Gina.

Quando o caminho termina em solidão, não há mais escolha além de avançar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 15

Capítulo I — Quando as dicas finalmente começam a fazer sentido

No capítulo 15, a história já anda de forma considerável. Não é mais um avanço tímido, nem uma preparação disfarçada. As pistas dadas anteriormente começam a se alinhar. Hagrid deixou a frase ecoando: “sigam as aranhas”. Dumbledore, por sua vez, deixou algo ainda mais importante, quase filosófico: basta alguém precisar de mim e eu estarei lá. Sou fiel a quem ainda confia em mim.

Essa fala de Dumbledore ganha peso agora. Ele não abandona antes da hora. Não desaparece por covardia. Ele confia que os outros precisam crescer, errar, caminhar sozinhos — e isso, de certa forma, já está acontecendo.

Algumas ausências não são abandono. São confiança disfarçada.

Capítulo II — A escola em estado de cerco

Apesar das pistas e dos avanços silenciosos, Hogwarts segue funcionando. As aulas continuam. Mas o clima mudou. Os professores apertam o cerco, endurecem regras, aumentam a vigilância. Os ataques não cessaram, e a escola reage do único jeito que sabe: restringindo.

Cada nova regra carrega medo. Não é disciplina pedagógica, é contenção. A sensação é de que todos estão esperando o próximo ataque acontecer.

Quando o medo governa, a ordem deixa de ensinar e passa apenas a conter.

Capítulo III — Aranhas em movimento

É durante a aula de Herbologia que Harry e Rony veem algo aparentemente banal: aranhas se movendo em direção à Floresta Negra. Pequeno detalhe, mas carregado de significado. A frase de Hagrid retorna. A dica finalmente encontra um caminho concreto.

Eles decidem seguir. Não por coragem heroica, mas porque já não restam muitas opções. Quando as respostas não vêm até você, resta caminhar em direção a elas.

Às vezes, a verdade não se esconde. Ela apenas exige que alguém a acompanhe.

Capítulo IV — A absolvição que chega tarde

Na Floresta Negra, as descobertas finalmente acontecem. Hagrid não abriu a Câmara Secreta. Não foi a aranha que atacou as pessoas cinquenta anos atrás.

O passado se revela torto. Hagrid foi pego. A aranha levou a culpa. Não porque eram culpados, mas porque eram convenientes.

A narrativa deixa claro algo desconfortável: a verdade nem sempre vence — às vezes, ela apenas sobrevive tempo suficiente para ser redescoberta.

A justiça costuma errar primeiro e perguntar depois.

Capítulo V — O banheiro e a morte esquecida

Com a culpa das aranhas descartada e Hagrid finalmente inocentado, outra peça se encaixa. O ataque original aconteceu no banheiro. E é aí que o capítulo entrega sua revelação final.

Quem morreu naquela época foi a Murta que Geme. A vítima que nunca deixou o local do crime. A presença constante que sempre esteve ali, chorando, reclamando, sendo ignorada.

A resposta estava à vista desde o início. Mas como quase sempre acontece, ninguém levou a vítima a sério.

Algumas verdades permanecem escondidas porque ninguém escuta quem já morreu.

Capítulo VI — O quebra-cabeça começa a se fechar

O capítulo 15 não encerra a história, mas finalmente limpa o terreno. Hagrid é inocente. As aranhas não são culpadas. O local do primeiro ataque está definido.

O que antes era confusão agora começa a ganhar forma. O mistério já não é caótico, é direcionado.

E quando uma história chega a esse ponto, o perigo deixa de ser abstrato. Ele passa a ter endereço.

Quando a verdade aponta um lugar, o confronto se torna inevitável.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 14

Capítulo I — O semestre anda, mas a inquietação fica

O capítulo 14 dá a sensação clara de avanço. A história se movimenta, o calendário escolar segue, o segundo semestre chega com suas escolhas de matérias, treinos de quadribol, pequenas decisões que fazem parte da vida comum em Hogwarts. Existe uma tentativa de rotina.

Mas essa normalidade nunca se sustenta por completo. Ela funciona mais como pano de fundo para algo que insiste em se infiltrar. É nesse clima que o diário de Tom Riddle desaparece. As coisas de Harry são mexidas, reviradas, e a sensação de invasão se instala.

Quando algo some em silêncio, o vazio costuma falar mais alto que o objeto.

Capítulo II — O diário roubado e a suspeita que cresce

O sumiço do diário reforça uma desconfiança que Harry já vinha cultivando: há outra pessoa envolvida. Alguém que não apenas conhece o diário, mas o utiliza. A Câmara Secreta não é um fenômeno isolado, nem um erro do passado que voltou por acaso.

Ao mesmo tempo, algo estranho acontece: Harry deixa de ouvir a voz. O chamado some. O silêncio retorna. E isso não traz alívio, apenas confusão.

Aqui, pela primeira vez, eu começo a questionar seriamente as decisões de Harry. Por que ele não procura Dumbledore? Faria todo sentido contar tudo desde a primeira visita de Dobby. Mas ele insiste em resolver sozinho.

Há uma fase da vida em que pedir ajuda parece mais assustador do que enfrentar o perigo.

Capítulo III — Hermione sabe mais do que diz

Em meio a uma conversa aparentemente comum, Hermione tem um estalo. Ela lembra de algo importante, mas não compartilha. Apenas diz que vai até a biblioteca.

Esse gesto diz muito sobre a personagem. Hermione não corre para alertar, não dramatiza. Ela investiga. Confia mais nos livros do que em explicações improvisadas. É uma decisão silenciosa, mas crucial.

Algumas respostas exigem silêncio antes de exigirem coragem.

Capítulo IV — O ataque que muda tudo

Enquanto isso, Harry segue para o jogo de quadribol. O esporte, mais uma vez, surge como tentativa de escape. Mas o jogo é interrompido. Outro ataque acontece.

Desta vez, a vítima é Hermione. E esse detalhe muda completamente o peso da história. Não é mais algo que acontece ao redor. Agora atinge diretamente o núcleo do grupo.

A partir daqui, o capítulo assume seu eixo central. Tudo gira em torno dessa perda temporária. Hermione, a mente mais lógica do trio, está paralisada.

Quando a voz mais racional se cala, o caos ganha espaço.

Capítulo V — A capa, Hagrid e a injustiça repetida

Harry e Rony pegam a capa da invisibilidade e vão até Hagrid. Buscam respostas onde sempre buscaram acolhimento.

Mas encontram outra tragédia: Hagrid está sendo preso e levado para Azkaban. Cinquenta anos atrás, ele foi considerado responsável pelos ataques. E a história se repete.

A injustiça não é apenas pessoal, é estrutural. É mais fácil prender quem já foi culpado uma vez do que questionar o erro.

O passado costuma ser usado como prova quando o presente assusta demais.

Capítulo VI — Dumbledore afastado e a pista final

A situação piora ainda mais quando se revela o plano de Lucius Malfoy: afastar Dumbledore. Não basta um bode expiatório. É preciso remover quem enxerga além do óbvio.

Mesmo assim, Dumbledore parece saber que Harry e Rony estão ali. E Hagrid, antes de partir, deixa uma pista: “Sigam as aranhas.”

Essa frase imediatamente me leva ao filme, à fala clássica de Rony: “Por que sempre aranhas? Por que não borboletas?”

E isso se conecta, curiosamente, ao jogo Hogwarts Legacy, que possui uma side quest justamente de seguir borboletas. Um ciclo curioso se forma entre livro, filme e jogo.

Às vezes, a memória costura universos que nunca foram pensados juntos.

Capítulo VII — Tudo em aberto

O capítulo termina deixando tudo suspenso. Harry está praticamente sozinho. Hagrid está preso. Dumbledore foi afastado. Hermione está paralisada.

E um monstro continua à solta em Hogwarts. Todas as estruturas de proteção caíram. Restou apenas a escolha.

Não há conforto aqui. Apenas a sensação de que agora, mais do que nunca, algo precisa ser enfrentado.

Quando tudo desmorona, não sobra segurança — sobra decisão.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 13

Capítulo I — A enfermaria e a tentativa de normalidade

O capítulo 13 começa de forma quase doméstica. Hermione ainda se recupera da poção errada que tomou, e Harry e Rony seguem frequentando a enfermaria como parte da rotina. Levam deveres, conversam, tentam manter alguma normalidade dentro do ritmo da escola.

Esse início é importante porque mostra Hogwarts tentando continuar funcionando, mesmo com tudo fora do lugar. A vida escolar insiste em seguir, mesmo quando algo claramente errado ronda os corredores. É um esforço coletivo de fingir que está tudo bem.

Às vezes, a normalidade é só uma pausa educada antes do próximo impacto.

Capítulo II — Murta que Geme e o objeto esquecido

Ao sair da enfermaria em um desses dias comuns, Harry e Rony ouvem Murta que Geme chorando. O motivo é banal e ao mesmo tempo decisivo: alguém jogou um diário nela. Um gesto pequeno, quase infantil, que acaba se tornando um dos pontos centrais da história.

Quando Harry pega o objeto, descobre que é o diário de Tom Riddle. Aqui, minha memória do filme entra imediatamente em cena. Lembro do diário sendo colocado entre as coisas de Harry no Beco Diagonal, por Lucius Malfoy, em meio aos livros de Lockhart. Lembro também de Harry repassando esses livros para Gina, o que explicaria como o diário chegou até ela.

Na minha lembrança do filme, Gina teria sofrido algum tipo de transe e aberto a Câmara Secreta. Essa é a memória que eu carrego. Mas, no livro, ainda não sabemos nada disso. Temos apenas um diário. E nem sequer sabemos, oficialmente, quem é Tom.

Às vezes, o que sabemos demais atrapalha o que ainda precisa ser descoberto.

Capítulo III — Um nome, um troféu e cinquenta anos

Rony se lembra do sobrenome. Ele já viu aquele nome antes, gravado em um troféu de serviços prestados à escola. Os dois vão conferir. Quando contam tudo para Hermione, as peças começam a se alinhar.

O diário tem um nome. A Câmara Secreta foi aberta há cinquenta anos. O troféu também tem cinquenta anos. Tudo começa a apontar para o mesmo período, para o mesmo evento. A narrativa começa a criar uma estrutura mais sólida, quase matemática, conectando passado e presente.

Ainda assim, o diário está em branco. Nada do que eles tentam revela qualquer conteúdo. Confesso que, influenciado por Hogwarts Legacy, eu esperava que Hermione simplesmente lançasse um Revelio. É o feitiço mais usado no jogo. Mas isso não acontece. O livro escolhe outro caminho.

Nem todo segredo se revela com força. Alguns exigem diálogo.

Capítulo IV — Lockhart, Valentim e o absurdo cotidiano

Em meio a tudo isso, Lockhart surge com mais uma de suas ideias: a celebração do Dia dos Namorados. Já é fevereiro, e ele resolve transformar Hogwarts em um espetáculo constrangedor de cartões, mensagens e duendes vestidos de cupido.

A cena parece deslocada — e talvez seja exatamente esse o ponto. Enquanto algo perigoso cresce nos subterrâneos da escola, a superfície se ocupa de encenações românticas e gestos vazios. Não me lembro se essa parte existe no filme, mas no livro ela funciona quase como um alívio desconfortável.

O absurdo cotidiano costuma florescer quando ninguém quer olhar para o problema real.

Capítulo V — Tinta, escrita e resposta

O ponto de virada do capítulo acontece de forma silenciosa. Harry percebe que o diário não se suja de tinta quando seu tinteiro cai sobre os livros. Todos ficam manchados, menos ele.

Quando Harry fica sozinho, começa a escrever no diário. E o diário responde. Essa dinâmica é excelente. Não soa forçada, não parece um truque de roteiro. A descoberta acontece de forma orgânica, curiosa, quase inevitável.

Harry começa a conversar com Tom Riddle. Infelizmente, eu sei quem Tom Riddle é — um spoiler carregado dos filmes. Ainda assim, é impossível não imaginar o impacto que essa revelação teria para alguém descobrindo isso pela primeira vez, apenas pelo livro.

Há diálogos que não acontecem em voz alta, mas mudam tudo.

Capítulo VI — O passado revela seu bode expiatório

O diário mostra a noite em que a Câmara Secreta foi aberta pela primeira vez. A narrativa nos conduz a uma conclusão desconfortável: tudo aponta para Hagrid.

Harry entende, então, que Hagrid foi expulso de Hogwarts. A história da Câmara Secreta se conecta a ele, e surge também a questão da aranha. Não lembro se o livro já deixa claro que se trata de uma aranha, ou se essa imagem vem diretamente do filme. Mas, na minha memória, é ela que leva a culpa no lugar do basilisco.

O capítulo termina com Harry contando a Rony que Hagrid foi quem abriu a Câmara Secreta cinquenta anos atrás. A revelação é pesada, não apenas pelo que diz, mas por quem envolve.

Quando o passado é reescrito, alguém sempre paga o preço.

Capítulo VII — Peças no lugar

A história finalmente está andando com clareza. Temos Tom Riddle e seu diário. Temos o passado da Câmara Secreta. Temos Hagrid como suspeito histórico.

Agora, todas as peças estão posicionadas. Falta apenas o movimento final. A pergunta já não é mais o quê, mas quando o basilisco vai aparecer.

É um excelente capítulo. Não pela ação explosiva, mas pela sensação de encaixe. Tudo começa a fazer sentido — e isso, em histórias assim, costuma ser o momento mais perigoso.

Quando tudo parece claro demais, é porque algo está prestes a emergir das sombras.