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domingo, 12 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 7

Capítulo I — Um capítulo que finalmente acelera

O capítulo 7 de Harry Potter e o Enigma do Príncipe talvez seja um dos melhores exemplos de ritmo que a série apresentou até aqui.

Os dois livros anteriores, principalmente em seus capítulos iniciais, frequentemente davam a sensação de que a história avançava em centímetros.

Pequenas peças eram colocadas no tabuleiro.

Os personagens eram lentamente levados para onde precisavam estar.

E somente muito depois a narrativa realmente acelerava.

Aqui acontece exatamente o contrário.

Muita coisa acontece.

E acontece rápido.

O resultado é um capítulo extremamente divertido, intenso e muito bem construído.

Depois de tantos capítulos movendo peças lentamente, o capítulo 7 decide virar o tabuleiro inteiro de uma vez.

Capítulo II — Harry está sozinho em suas suspeitas

Ainda na Toca, Harry continua completamente convencido de que Draco Malfoy está envolvido em algo sério.

E, sinceramente, ele parece ser a única pessoa levando isso realmente a sério.

Rony não demonstra a mesma preocupação.

Hermione continua cética.

O senhor Weasley também não dá muita importância.

Harry apresenta indícios.

Fala sobre o comportamento de Draco.

Fala sobre a Travessa do Tranco.

Fala sobre a sensação de que ele está escondendo alguma coisa.

Mas ninguém parece disposto a considerar a hipótese que para Harry já é praticamente óbvia:

Draco Malfoy se tornou um Comensal da Morte.

Talvez ainda mais importante seja perceber que Harry não enxerga apenas arrogância em Draco.

Ele percebe medo.

Percebe desespero.

Percebe alguém envolvido em algo muito maior do que consegue controlar.

E a sensação de Harry é extremamente frustrante.

Ele acredita ter descoberto algo importante, mas está cercado de pessoas que não enxergam aquilo que para ele já parece evidente.

Uma das maiores angústias de Harry sempre foi perceber o perigo antes dos outros e ser tratado como exagerado até que seja tarde demais.

Capítulo III — A viagem de trem muda novamente

Um pequeno detalhe produz uma mudança enorme na dinâmica da viagem para Hogwarts.

Rony e Hermione agora são monitores.

Isso significa que Harry não fará a tradicional viagem com os dois.

Essa separação já havia começado no livro anterior, mas aqui parece ainda mais evidente.

Harry acaba sozinho.

Ou quase.

Ele encontra Neville e Luna.

E talvez este seja um dos momentos mais bonitos do capítulo.

Neville e Luna estiveram ao lado de Harry quando praticamente ninguém acreditava nele.

Participaram da Armada de Dumbledore.

Foram ao Ministério da Magia.

Lutaram ao seu lado.

Arriscaram suas vidas.

Quando algumas garotas convidam Harry para outro compartimento, praticamente sugerindo que ele não precisava continuar sentado com Neville e Luna, Harry responde de maneira simples.

Eles são seus amigos.

É uma frase pequena.

Mas extremamente significativa.

Harry pode até ser atraído pela popularidade, mas não esquece quem permaneceu ao lado dele quando ser seu amigo custava alguma coisa.

Capítulo IV — Luna e Neville deixam de ser apenas figurantes

Existe algo muito importante na escolha de Harry.

Durante muito tempo, Neville e Luna foram tratados como personagens estranhos.

Neville era o garoto atrapalhado.

Luna era a garota excêntrica.

Ambos eram frequentemente ridicularizados.

Mas depois dos acontecimentos no Ministério, essa percepção muda.

Harry sabe do que eles são capazes.

Sabe que ambos permaneceram quando a situação ficou perigosa.

Sabe que eles tiveram coragem.

E isso vale mais do que qualquer aparência de popularidade.

O capítulo mostra um Harry mais maduro nesse ponto.

Alguém capaz de reconhecer o valor de pessoas que os outros preferem ignorar.

Lealdade é fácil quando todos estão olhando. Neville e Luna foram leais quando quase ninguém estava.

Capítulo V — O Clube do Slughorn

O convite para o vagão de Horácio Slughorn continua explorando uma das características mais curiosas do personagem.

Slughorn coleciona pessoas.

Não objetos.

Pessoas.

Principalmente pessoas promissoras.

Filhos de jogadores famosos.

Parentes de funcionários importantes.

Alunos com sobrenomes conhecidos.

Pessoas que talvez ocupem posições relevantes no futuro.

Existe algo quase empresarial na forma como ele constrói sua rede de contatos.

E isso é interessante porque Slughorn não parece exatamente cruel.

Ele apenas é extremamente pragmático.

Investe em quem acredita que poderá ser importante.

E Harry, naturalmente, é praticamente o investimento perfeito.

O Menino Que Sobreviveu.

Filho de Lílian Potter.

Uma figura central na guerra contra Voldemort.

Alguém inevitavelmente destinado a ocupar um papel importante no mundo bruxo.

Slughorn não escolhe apenas alunos. Ele escolhe futuros contatos.

Capítulo VI — O lado calculista de Slughorn

A reunião no vagão também mostra que Slughorn avalia constantemente as pessoas ao redor.

Ele demonstra interesse.

Faz perguntas.

Observa as respostas.

E rapidamente percebe quem ainda possui conexões úteis e quem deixou de ter.

Existe até algo engraçado nessa dinâmica.

Alguns alunos acreditam estar participando apenas de uma conversa.

Mas Slughorn está praticamente fazendo uma triagem.

Ele mede influência.

Prestígio.

Potencial.

E Harry percebe parte disso.

O professor transforma relações humanas em uma espécie de investimento de longo prazo.

É uma característica que pode parecer superficial.

Mas também mostra inteligência social.

Slughorn entende como o poder circula.

E gosta de permanecer próximo dele.

Capítulo VII — Harry decide seguir Draco

Mas o verdadeiro coração do capítulo está em Draco.

Harry continua convencido de que ele está escondendo alguma coisa.

E decide espioná-lo usando a capa da invisibilidade.

Até aqui, a situação lembra várias aventuras anteriores.

Harry se esconde.

Observa.

Escuta.

Tenta descobrir um segredo.

Só que desta vez as coisas dão errado.

Muito errado.

Harry sobe no bagageiro.

Escuta a conversa.

Percebe que Draco fala como alguém envolvido em algo realmente sério.

E talvez se empolgue demais com a possibilidade de estar certo.

Harry acredita que está no controle.

Mas não está.

A confiança de Harry quase sempre nasce da experiência. O problema é que às vezes ela se transforma em imprudência.

Capítulo VIII — Draco deixa de ser apenas um valentão

O momento mais importante acontece quando Draco revela que percebeu a presença de Harry.

Ele não reage como o garoto arrogante dos primeiros livros.

Não faz um grande discurso.

Não chama ajuda.

Não perde tempo.

Ele age.

Lança um Petrificus Totalus.

Imobiliza Harry.

Quebra seu nariz.

Cobre seu corpo com a capa da invisibilidade.

E o abandona no trem.

É uma ação fria.

Calculada.

E muito mais perigosa do que qualquer provocação escolar.

Draco deixa de parecer apenas um rival infantil.

Ele demonstra inteligência.

Observação.

Capacidade de reação.

E disposição para causar dano real.

Draco não quer apenas humilhar Harry. Ele quer impedi-lo de descobrir aquilo que está escondendo.

Capítulo IX — Harry não é tão brilhante quanto acredita

Existe outra coisa muito importante nesse final.

Harry perde.

Completamente.

Ele acredita que está espionando Draco.

Mas Draco já sabe que ele está ali.

Harry acredita que possui vantagem.

Mas acaba paralisado.

Acredita que descobrirá o segredo.

Mas termina abandonado debaixo da capa da invisibilidade.

É um momento importante porque desmonta a imagem de Harry como alguém que sempre consegue improvisar uma saída.

Dessa vez não existe resposta rápida.

Não existe golpe inesperado.

Não existe fuga.

Harry foi simplesmente superado.

O capítulo funciona tão bem porque mostra Draco mais competente e Harry mais vulnerável.

Capítulo X — Um dos melhores finais da série até aqui

O encerramento do capítulo é excelente.

Harry está imobilizado.

Ferido.

Invisível.

Sozinho.

O trem está chegando ao destino.

E ninguém sabe onde ele está.

É um final simples.

Mas extremamente eficiente.

Ele gera urgência.

Mostra que Draco não deve ser subestimado.

E confirma que existe realmente algo importante acontecendo.

Harry pode ainda não saber qual é o plano.

Mas agora tem certeza de que existe um plano.

Harry entrou naquele vagão acreditando estar caçando Draco. O capítulo termina mostrando que, durante todo o tempo, ele também estava sendo observado.

Considerações Finais

O capítulo 7 é facilmente um dos melhores capítulos iniciais de toda a saga até aqui.

Ele possui ritmo.

Humor.

Desenvolvimento de personagens.

Mistério.

Tensão.

E um encerramento extremamente forte.

Além disso, faz algo muito importante para a história.

Transforma Draco Malfoy.

Até aqui ele era principalmente um rival escolar.

Agora parece alguém envolvido numa guerra.

Harry também muda.

Ele deixa de enxergar Draco apenas como um garoto arrogante.

Passa a vê-lo como uma ameaça real.

E talvez essa seja a melhor definição para o capítulo:

Harry finalmente encontrou alguém tão disposto a jogar quanto ele.

E, pela primeira vez, esse alguém parece estar um passo à frente.

Algumas rivalidades acabam na escola. Outras amadurecem junto com as pessoas envolvidas.

sábado, 11 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 6

O sexto capítulo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um daqueles capítulos aparentemente leves, repleto de reencontros e compras escolares, mas que esconde uma quantidade surpreendente de tensão e prenúncios para o futuro.

Quase toda a ação acontece no Beco Diagonal, cenário clássico da série, mas desta vez o lugar parece muito diferente. A guerra finalmente chegou ao cotidiano dos bruxos, e isso muda completamente a atmosfera do local.

Um Beco Diagonal mais sombrio

Desde os primeiros livros, o Beco Diagonal sempre foi apresentado como um lugar mágico, vibrante e cheio de encanto. Era quase um símbolo do início de mais um ano em Hogwarts.

No entanto, neste capítulo, a sensação é bastante diferente.

Existe medo.

Existe vigilância.

Existe insegurança.

A senhora Weasley demonstra um nível de preocupação muito maior do que em qualquer outro livro. E, sinceramente, ela tem motivos para isso. Voldemort retornou, ataques acontecem constantemente e ninguém sabe exatamente quem pode ser confiável.

Até mesmo uma simples ida às compras passa a carregar uma sensação de perigo.

"A guerra ainda não chegou a Hogwarts, mas já chegou ao cotidiano."

Harry e Draco: uma rivalidade cada vez mais amarga

Um dos aspectos mais interessantes do capítulo é o encontro entre Harry, Rony, Hermione, Draco e Narcisa Malfoy na loja de roupas.

Ao longo da série, Harry e Draco sempre foram rivais. Porém, a rivalidade infantil dos primeiros livros parece ter desaparecido quase completamente.

Agora existe algo muito mais sério.

Existe ódio.

Existe desconfiança.

E existe a clara percepção de que ambos estão, de certa forma, em lados opostos de uma guerra.

Harry, especialmente, chama atenção.

Ele está muito mais agressivo.

Mais impulsivo.

Mais disposto ao confronto.

Depois dos acontecimentos de A Ordem da Fênix, Harry parece ter perdido boa parte da inocência que ainda carregava.

Ele já não evita conflitos com Draco. Pelo contrário: parece procurá-los.

E Narcisa Malfoy mostra imediatamente que não é alguém que aceitará qualquer afronta contra seu filho.

A cena inteira possui uma tensão muito maior do que encontros semelhantes nos livros anteriores.

A loja dos gêmeos Weasley

Se existe um ponto luminoso em meio ao clima sombrio do livro, certamente é a loja dos gêmeos Weasley.

Fred e George provam definitivamente que abandonarem Hogwarts foi a decisão certa para eles.

A Gemialidades Weasley não é apenas um sucesso comercial.

Ela é um sucesso criativo.

Os dois transformaram sua irreverência e seu talento para confusão em um empreendimento extremamente lucrativo.

E existe algo muito bonito nisso.

Durante anos, Fred e George foram vistos apenas como os bagunceiros da família. Agora, eles mostram que inteligência não se manifesta apenas através de boas notas.

Empreendedorismo, criatividade e capacidade de inovação também são formas legítimas de genialidade.

Talvez os gêmeos sejam, ao lado de Hermione, alguns dos personagens mais inteligentes da série, apenas de maneiras completamente diferentes.

Draco Malfoy está escondendo algo

Mas o verdadeiro coração do capítulo está em Draco.

Quando Harry, Rony e Hermione decidem segui-lo utilizando a capa da invisibilidade, o leitor imediatamente percebe que algo está errado.

Draco demonstra urgência.

Segredo.

E, acima de tudo, preocupação.

Seu comportamento destoa completamente daquele Draco arrogante e exibicionista que conhecemos durante tantos anos.

Ele está claramente envolvido em algo importante.

Algo suficientemente sério para levá-lo até a Travessa do Tranco, um dos lugares mais obscuros do mundo bruxo.

Ainda não sabemos exatamente o que ele pretende.

Mas Harry sai da investigação convencido de uma coisa:

Draco Malfoy está aprontando alguma coisa.

E considerando o momento atual da história, isso dificilmente pode significar algo bom.

"Às vezes, não é preciso descobrir um segredo inteiro para saber que ele é perigoso."

Considerações finais

O capítulo 6 funciona como uma excelente preparação para o restante do livro.

Ele apresenta um mundo bruxo transformado pela guerra, mostra personagens amadurecidos e planta um dos grandes mistérios desta história: o que exatamente Draco Malfoy está fazendo?

Mais importante ainda, este capítulo deixa muito claro que Harry já não vê Draco apenas como um rival escolar.

Ele o vê como uma ameaça real.

E, conhecendo Harry, dificilmente abandonará essa suspeita tão cedo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 5

O quinto capítulo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe funciona muito como um capítulo de transição. Depois dos acontecimentos pesados de A Ordem da Fênix e dos capítulos iniciais deste livro, a narrativa desacelera por alguns instantes para nos mostrar novamente a Toca, talvez o local que mais se aproxima de um verdadeiro lar para Harry Potter.

A Toca continua sendo um refúgio

Harry chega à Toca acompanhado de Dumbledore muito mais cedo do que a senhora Weasley esperava. A surpresa dela deixa claro o quanto todos ainda vivem em estado constante de preocupação.

Mesmo sendo um ambiente acolhedor, existe uma tensão permanente no ar. O mundo bruxo está em guerra, Voldemort retornou publicamente e ninguém sabe exatamente o que poderá acontecer no dia seguinte.

Ainda assim, a Toca continua sendo um dos poucos lugares onde Harry consegue experimentar algo próximo de uma vida normal.

"Entre guerras, profecias e ameaças constantes, a Toca permanece sendo o lugar onde Harry pode simplesmente ser um adolescente."

O Ministério finalmente parece reagir

Um detalhe interessante do capítulo é descobrir que o senhor Weasley foi promovido dentro do Ministério da Magia.

Depois de toda a negação promovida por Cornélio Fudge ao longo do livro anterior, agora vemos o Ministério sendo obrigado a lidar com a realidade.

Voldemort voltou.

Não há mais como esconder isso.

O próprio trabalho do senhor Weasley ganha mais importância, mostrando que o mundo bruxo começa a se reorganizar diante da guerra iminente.

É curioso perceber como vários pequenos detalhes do cotidiano passaram a ser influenciados pelo retorno do Lorde das Trevas.

Fleur Delacour e a dinâmica da família Weasley

Talvez o elemento mais divertido do capítulo seja toda a dinâmica envolvendo Fleur Delacour.

Descobrimos que ela e Gui Weasley estão noivos e pretendem se casar.

Porém, Fleur claramente ainda não foi totalmente aceita pela família.

A senhora Weasley, Hermione e Gina demonstram um certo incômodo constante com sua presença.

Existe uma mistura de ciúmes, choque de personalidade e talvez até preconceito cultural.

Fleur possui uma personalidade muito forte, extremamente confiante e pouco preocupada em agradar os outros. Isso acaba gerando conflitos naturais dentro da convivência familiar.

Ao mesmo tempo, o leitor percebe que muitas críticas feitas a Fleur talvez sejam injustas.

Ela realmente ama Gui e demonstra isso em vários momentos.

Será interessante observar como essa relação evoluirá ao longo do livro.

Harry finalmente compartilha seu peso

Um dos momentos mais importantes do capítulo acontece quando Harry segue o conselho de Dumbledore e conta a Rony e Hermione sobre a profecia.

Este é um momento extremamente significativo para o personagem.

Durante boa parte de A Ordem da Fênix, Harry carregou sozinho enormes fardos emocionais. O isolamento foi uma marca muito forte daquele livro.

Aqui, ao compartilhar a profecia com seus melhores amigos, Harry parece finalmente aceitar que não precisa enfrentar tudo sozinho.

Mais uma vez, Rony e Hermione demonstram porque são fundamentais em sua jornada.

Se Harry é aquele que enfrenta Voldemort, Rony e Hermione são aqueles que impedem que ele enfrente tudo sozinho.

Os N.O.M.s e a volta da normalidade

O capítulo termina com a chegada dos resultados dos Níveis Ordinários em Magia, os famosos N.O.M.s.

É interessante como, mesmo em um cenário de guerra, a vida continua.

Os estudantes ainda precisam se preocupar com notas, carreiras futuras e desempenho escolar.

Hermione, como esperado, obtém resultados brilhantes, enquanto Harry e Rony também conseguem notas bastante satisfatórias.

Esses pequenos momentos de normalidade ajudam a equilibrar a narrativa e lembram ao leitor que, apesar de tudo, eles continuam sendo adolescentes tentando viver suas vidas em meio ao caos.

Considerações finais

O capítulo 5 não possui grandes revelações ou cenas de ação, mas cumpre muito bem seu papel.

Ele reforça os laços entre os personagens, apresenta novas dinâmicas familiares, mostra as consequências políticas do retorno de Voldemort e oferece a Harry algo que ele precisou desesperadamente no livro anterior: apoio.

E talvez esse seja o grande tema deste capítulo.

"Quando o mundo começa a desmoronar, são os laços construídos ao longo da vida que impedem as pessoas de desmoronarem junto."

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 4

Capítulo I — Um novo Dumbledore

O quarto capítulo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe continua reforçando algo que já havia ficado muito claro no capítulo anterior: estamos diante de um novo Dumbledore.

Ou talvez não exatamente um novo Dumbledore, mas de um Dumbledore que finalmente decidiu se aproximar de Harry.

Depois de todo o silêncio e da distância emocional que marcaram A Ordem da Fênix, é quase estranho ver o diretor tão presente. Dumbledore conversa, explica, compartilha informações e, principalmente, inclui Harry em seus planos.

Ainda existem segredos, claro. Afinal, estamos falando de Alvo Dumbledore. Mas a relação entre os dois parece muito mais saudável do que em qualquer momento do livro anterior.

Existe uma sensação de parceria começando a surgir.

Depois de um ano marcado pelo silêncio, Dumbledore parece finalmente disposto a caminhar ao lado de Harry, e não apenas protegê-lo à distância.

Capítulo II — Horácio Slughorn: um homem cercado pelo passado

A visita à casa de Horácio Slughorn é extremamente interessante.

Primeiro porque encontramos um personagem completamente diferente de todos os professores que conhecemos até agora.

Slughorn não é austero como McGonagall.

Não é intimidador como Snape.

Não possui o excentrismo quase sobrenatural de Dumbledore.

Ele parece, acima de tudo, um homem profundamente interessado em pessoas influentes.

Sua casa repleta de disfarces improvisados e seu medo constante mostram alguém que passou muito tempo fugindo e se escondendo durante a ascensão de Voldemort.

Mas o que realmente chama atenção é sua conversa com Harry.

Rapidamente percebemos que Slughorn coleciona pessoas.

Não objetos.

Pessoas.

Ex-alunos bem-sucedidos, jogadores famosos, funcionários importantes do Ministério, jornalistas, comerciantes. Todos parecem ocupar um lugar especial na memória do professor.

E Harry imediatamente desperta seu interesse.

Não apenas por ser o Menino Que Sobreviveu, mas também por ser filho de Lílian Potter, uma de suas antigas alunas favoritas.

Capítulo III — O peso das Casas de Hogwarts

Existe um momento particularmente interessante quando Harry descobre que Slughorn foi chefe da Sonserina.

Sua reação é quase imediata: desconfiança.

E honestamente, é muito difícil condená-lo por isso.

Ao longo dos cinco livros anteriores, praticamente todas as experiências importantes de Harry envolvendo a Sonserina foram negativas.

Malfoy.

Crabbe.

Goyle.

Snape.

Os Comensais da Morte.

A própria ligação histórica entre a casa e Voldemort.

Tudo isso inevitavelmente moldou a visão de Harry.

Ainda assim, Slughorn surge como uma espécie de contraponto.

Ele não parece cruel.

Não parece preconceituoso.

Nem mesmo particularmente interessado em pureza sanguínea.

Talvez a autora esteja começando a mostrar que as casas de Hogwarts não definem completamente quem uma pessoa é.

Capítulo IV — O verdadeiro plano de Dumbledore

É curioso perceber como Dumbledore conduz toda a situação.

Ele praticamente deixa Harry sozinho com Slughorn por vários minutos.

A princípio, parece algo casual.

Mas rapidamente fica claro que não existe nada de casual nas atitudes de Dumbledore.

Nunca existiu.

Harry, sem perceber, torna-se a peça decisiva para convencer Slughorn a retornar para Hogwarts.

Mais uma vez, Dumbledore demonstra uma habilidade quase assustadora para compreender pessoas e prever comportamentos.

Ele sabia exatamente qual presença seria necessária para convencer o velho professor.

E sabia que essa presença era Harry Potter.

Capítulo V — Sirius, a profecia e as aulas particulares

Talvez o trecho mais importante do capítulo aconteça já no final, durante a conversa privada entre Harry e Dumbledore.

Mais uma vez, percebemos o quanto a morte de Sirius ainda pesa sobre Harry.

Mas também percebemos um Dumbledore muito mais aberto.

Os dois conversam sobre a profecia, sobre Voldemort e sobre a estranha conexão mental que existia entre eles.

A explicação faz bastante sentido: depois dos acontecimentos no Ministério da Magia, Voldemort provavelmente percebeu que a ligação era perigosa demais.

Afinal, se Harry podia ver os pensamentos de Voldemort, talvez Voldemort também estivesse oferecendo acesso involuntário aos seus próprios segredos.

Pela primeira vez em muito tempo, Harry parece receber respostas em vez de apenas ordens.

Além disso, Dumbledore revela algo extremamente importante: eles terão aulas particulares ao longo do ano.

Isso imediatamente desperta curiosidade.

O que Dumbledore pretende ensinar?

Por que apenas Harry?

E, talvez mais importante, por que agora?

Considerações Finais

O quarto capítulo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe funciona quase inteiramente como preparação.

Pouca ação acontece.

Mas muitas peças são colocadas no tabuleiro.

Conhecemos Horácio Slughorn.

Percebemos uma mudança profunda na postura de Dumbledore.

E começamos a entender que Harry terá um papel muito mais ativo nos planos do diretor.

Talvez o aspecto mais interessante seja justamente este: pela primeira vez, Dumbledore parece disposto não apenas a proteger Harry, mas a prepará-lo.

Existem momentos em que proteger alguém significa afastá-lo do perigo. Outros, muito mais difíceis, exigem prepará-lo para enfrentá-lo.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 3

Capítulo I — Finalmente, Harry Potter

Depois de dois capítulos inteiros longe do protagonista, Harry Potter e o Enigma do Príncipe finalmente nos devolve Harry. E o faz de uma maneira muito interessante.

A autora começa nos lembrando quem Harry é e o mundo em que ele vive. Somos reapresentados ao seu quarto na Rua dos Alfeneiros, aos seus pertences mágicos, aos objetos acumulados ao longo dos cinco livros anteriores e, principalmente, ao novo estado do mundo bruxo.

O Profeta Diário, que durante boa parte de A Ordem da Fênix serviu como instrumento político de Cornélio Fudge, espalhando calúnias contra Harry e Dumbledore, agora não pode mais negar a realidade.

Lord Voldemort voltou.

Foi visto.

Foi testemunhado.

E o Ministério da Magia não consegue mais sustentar a mentira.

Talvez uma das maiores ironias seja justamente esta: o jornal que antes ridicularizava Harry agora precisa noticiar exatamente aquilo que ele dizia desde o início.

A verdade pode ser ignorada durante algum tempo, mas raramente pode ser escondida para sempre.

Capítulo II — Um novo Dumbledore

Uma das coisas mais interessantes deste capítulo é perceber a mudança radical na postura de Alvo Dumbledore.

Em A Ordem da Fênix, o diretor era definido quase inteiramente pelo silêncio.

Ele evitava Harry.

Não o olhava.

Não conversava.

Não explicava.

Esse afastamento marcou profundamente a leitura do quinto livro e acabou tendo consequências desastrosas para todos os envolvidos.

Já aqui, no terceiro capítulo do sexto livro, Dumbledore surge praticamente de imediato.

E mais do que isso: ele vem pessoalmente buscar Harry.

Não envia membros da Ordem.

Não manda uma mensagem.

Ele próprio aparece na Rua dos Alfeneiros.

É impossível não perceber que existe uma tentativa de reconstrução da relação entre os dois.

Talvez Dumbledore tenha aprendido alguma coisa com os erros do livro anterior.

Capítulo III — Dumbledore e os Dursley

A visita de Dumbledore aos Dursley é simplesmente maravilhosa.

Existe um humor extremamente refinado na maneira como ele trata toda a família.

Sem levantar a voz.

Sem ameaçar.

Sem demonstrar qualquer agressividade.

Ainda assim, Dumbledore consegue deixar os Dursley completamente desconfortáveis durante toda a conversa.

Especialmente quando comenta, com sua tradicional educação, que eles falharam miseravelmente em oferecer a Harry qualquer tipo de carinho ou acolhimento durante dezesseis anos.

É uma das raras ocasiões em que alguém externo verbaliza aquilo que o leitor acompanha desde o primeiro livro.

E Dumbledore faz isso da forma mais elegante possível.

O diretor parece quase se divertir com a situação.

Existe aqui um Dumbledore muito mais leve, espirituoso e até um pouco travesso.

Algo que não víamos havia bastante tempo.

Capítulo IV — O legado de Sirius Black

Mas nem tudo no capítulo é leve.

Ainda paira sobre a narrativa o peso da morte de Sirius.

Dumbledore informa a Harry que ele se tornou o herdeiro oficial do padrinho.

Isso inclui não apenas a fortuna dos Black, mas também a própria casa no Largo Grimmauld e, talvez mais importante, o elfo doméstico Monstro.

A preocupação de Dumbledore faz bastante sentido.

Caso Monstro tivesse passado para Bellatrix Lestrange ou para outro membro da família Black alinhado a Voldemort, informações extremamente sensíveis sobre a Ordem da Fênix poderiam ser reveladas.

O pequeno teste realizado por Dumbledore comprova que Monstro pertence agora a Harry.

Mas a reação de Harry também é muito significativa.

Ele não quer a casa.

Não quer o elfo.

Não quer nada que o faça lembrar Sirius.

As feridas deixadas pelo quinto livro ainda estão muito abertas.

Harry continua em luto.

E qualquer lembrança do padrinho ainda lhe causa dor.

Capítulo V — A proteção de sangue

Outro ponto importante do capítulo é a explicação definitiva sobre a proteção existente na casa dos Dursley.

Finalmente entendemos, de forma muito mais clara, por que Harry sempre precisou voltar à Rua dos Alfeneiros.

Enquanto puder chamar aquele lugar de lar e enquanto permanecer ligado ao sangue de Petúnia, Harry continua protegido contra Voldemort.

Dumbledore explica também que essa será a última vez.

Muito em breve Harry completará dezessete anos.

Quando isso acontecer, ele será considerado maior de idade no mundo bruxo.

E a antiga proteção deixará de existir.

É mais um lembrete de que estamos nos aproximando do fim.

Harry está deixando definitivamente a infância para trás.

Considerações Finais

O terceiro capítulo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe funciona quase como uma ponte.

Ele encerra emocionalmente várias consequências de A Ordem da Fênix e prepara o terreno para aquilo que virá.

Mais do que isso, ele nos apresenta um novo Dumbledore.

Um Dumbledore presente.

Próximo.

Falante.

Quase paternal.

Depois do silêncio doloroso do quinto livro, essa mudança é extremamente perceptível.

E, sinceramente, bastante bem-vinda.

Às vezes, a maior demonstração de afeto não está em proteger alguém do sofrimento, mas em finalmente caminhar ao lado dessa pessoa.