Gamertag


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 26

Capítulo I — Quando a verdade começa a circular

O capítulo 26 é um daqueles momentos em que finalmente começamos a enxergar as consequências das ações dos personagens.

Durante boa parte do livro, Harry, Hermione, Rony e a Armada de Dumbledore têm trabalhado praticamente nas sombras.

Pouca gente acreditava neles.

Pouca gente acreditava em Dumbledore.

Pouca gente acreditava na volta de Voldemort.

Mas agora algo muda.

A entrevista publicada no Pasquim começa a espalhar a versão dos acontecimentos que Harry vinha tentando contar desde o final do Cálice de Fogo.

Pela primeira vez, a narrativa oficial do Ministério encontra uma oposição organizada.

Durante meses Harry tentou convencer as pessoas. Agora suas próprias palavras começam a fazer esse trabalho por ele.

Capítulo II — Hermione continua sendo a pessoa mais inteligente da sala

O capítulo já começa resolvendo uma das situações mais previsíveis do livro:

Harry não entendeu absolutamente nada do encontro com Cho.

E, como quase sempre acontece, Hermione precisa explicar.

Existe algo quase cômico nessa dinâmica.

Harry sobrevive a dragões.

Sobrevive a Voldemort.

Sobrevive a basiliscos.

Mas continua completamente perdido quando o assunto envolve emoções adolescentes.

Felizmente, desta vez Rowling não prolonga esse drama.

Ele existe.

Mas passa rapidamente.

Hermione não apenas resolve mistérios mágicos. Às vezes ela precisa traduzir seres humanos para Harry Potter.

Capítulo III — O efeito Streisand de Umbridge

Uma das partes mais divertidas do capítulo é observar a reação de Umbridge ao Pasquim.

Ela entra em pânico.

Fica furiosa.

Cria decretos.

Proíbe leituras.

Impede Harry de ir a Hogsmeade.

Tenta controlar a circulação da informação.

E faz exatamente o que qualquer autoridade autoritária costuma fazer:

Transforma algo relativamente pequeno em algo enorme.

Muitos alunos talvez nem tivessem interesse no Pasquim.

Mas no instante em que ele é proibido, todos querem ler.

Nada desperta mais curiosidade em adolescentes do que uma proibição.

Capítulo IV — Harry finalmente começa a ser ouvido

As cartas recebidas por Harry são importantes justamente porque mostram algo novo.

Nem todos acreditam nele.

Mas muitos acreditam.

E isso representa uma mudança enorme.

Desde o começo do livro Harry vinha sendo tratado como mentiroso.

Como exagerado.

Como alguém confuso ou traumatizado.

Agora ele finalmente encontra pessoas dispostas a escutá-lo.

Não significa vitória.

Mas significa progresso.

A verdade ainda está longe de vencer. Mas já não está mais sozinha.

Capítulo V — Voldemort continua trabalhando

Enquanto isso, Voldemort continua sendo Voldemort.

Harry recebe mais uma visão.

Mais uma demonstração de que a ligação permanece ativa.

E talvez mais forte do que nunca.

O interessante é que Harry já começa a tratar essas visões de forma diferente.

Não corre imediatamente para contar.

Não entra em pânico.

Ele observa.

Processa.

Guarda para si.

O que mostra o quanto a situação já se tornou parte da sua rotina.

O assustador não é Harry ter visões. É Harry estar começando a se acostumar com elas.

Capítulo VI — Pequenos avanços na Oclumência

Pela primeira vez temos algum sinal positivo nas aulas com Snape.

Ainda existe hostilidade.

Ainda existe antipatia.

Ainda existe tensão.

Mas Harry finalmente consegue algum progresso.

Ele consegue bloquear.

Consegue resistir.

Consegue defender a mente.

Ainda que por pouco tempo.

Isso é importante porque mostra que o treinamento funciona.

Mesmo sendo ministrado pela pessoa que Harry menos gostaria de ter como professor.

Às vezes o pior professor possível ainda é melhor do que professor nenhum.

Capítulo VII — A queda de Trelawney

Então chegamos ao momento mais doloroso do capítulo.

A demissão da professora Trelawney.

Durante toda a série ela foi frequentemente usada como alívio cômico.

Excêntrica.

Exagerada.

Dramática.

Mas aqui Rowling muda completamente o tom.

Porque agora não estamos vendo uma personagem engraçada.

Estamos vendo alguém perder sua casa.

Seu emprego.

Sua dignidade.

Tudo em público.

Diante de alunos.

Diante de colegas.

Diante de Hogwarts inteira.

O que torna Umbridge tão odiosa não é apenas o poder que ela possui. É a forma como escolhe usá-lo.

Capítulo VIII — Dumbledore lembra quem manda

A melhor cena do capítulo talvez seja a reação de Dumbledore.

Porque durante boa parte do livro ele parece distante.

Passivo.

Silencioso.

Mas aqui ele intervém.

E lembra algo fundamental:

Umbridge pode ter autoridade.

Mas Hogwarts ainda é Hogwarts.

E ele ainda é o diretor.

A forma tranquila como ele desmonta a tentativa de expulsão de Trelawney é quase elegante.

Sem gritos.

Sem ameaças.

Sem espetáculo.

Apenas autoridade verdadeira.

Algumas pessoas precisam levantar a voz para demonstrar poder. Dumbledore apenas precisa falar.

Capítulo IX — O retorno de Firenze

A chegada de Firenze é um daqueles momentos que recompensam leitores atentos.

Nós o conhecemos no primeiro livro.

Ele salvou Harry na Floresta Proibida.

Foi um dos primeiros seres mágicos realmente nobres que encontramos na série.

E agora retorna.

Não como visitante.

Mas como professor.

A escolha é perfeita.

Especialmente porque Firenze representa uma visão completamente diferente da adivinhação.

Mais profunda.

Mais filosófica.

Menos teatral.

Menos baseada em previsões dramáticas.

Enquanto Trelawney olha para o futuro procurando sinais, Firenze olha para o universo procurando padrões.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

O capítulo 26 fala sobre resistência.

Harry resiste à narrativa do Ministério.

Os alunos resistem às proibições.

A verdade resiste à censura.

Trelawney resiste à humilhação.

Dumbledore resiste ao avanço de Umbridge.

E até Harry começa finalmente a resistir dentro das aulas de Oclumência.

É um capítulo onde várias pequenas vitórias acontecem simultaneamente.

Nenhuma delas derrota Voldemort.

Nenhuma delas derrota Umbridge.

Mas todas mostram que os dois não estão vencendo sem oposição.

O capítulo 26 marca o momento em que Hogwarts deixa de apenas suportar Umbridge e começa, lentamente, a enfrentá-la.

E talvez seja exatamente por isso que o final do capítulo termina com Firenze entrando pelos portões do castelo:

Porque, pela primeira vez em muito tempo, parece que o lado de Harry está começando a ganhar algum terreno.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Jogos Gratis 18/06

Jornada Gamer — Os jogos que talvez eu jogue

Existe uma diferença enorme entre comprar um jogo e desejar jogá-lo.

Demorei muitos anos para perceber isso.

Por muito tempo, a minha relação com videogames foi movida por listas, promoções, plataformas, conquistas e aquele medo silencioso de perder alguma oportunidade. O famoso "vai que eu quero jogar isso um dia". E esse "um dia" foi transformando bibliotecas digitais em museus de intenções.

Mas hoje, numa quinta-feira qualquer de junho de 2026, enquanto olho os jogos gratuitos distribuídos pelas plataformas, percebo que existe algo diferente acontecendo.

Talvez eu não esteja escolhendo jogos.

Talvez eu esteja escolhendo experiências.

"Envelhecer como jogador não é jogar menos. É aprender a escolher melhor."

Capítulo 1 — O jogo que parece um texto do blog

Citizen Sleeper talvez seja o título que mais me chamou atenção nesta semana.

Não porque seja o mais popular.

Não porque tenha os gráficos mais impressionantes.

Mas porque ele parece conversar diretamente com os textos que tenho escrito aqui.

Você controla alguém que está se deteriorando. Um corpo artificial sustentando uma consciência humana, tentando sobreviver ciclo após ciclo em uma estação espacial decadente.

Existe algo profundamente humano nessa proposta.

Administrar recursos enquanto tenta não perder quem você é.

Sobreviver ao desgaste.

Construir vínculos enquanto o tempo corrói suas possibilidades.

Se eu fosse resumir os últimos meses deste blog, talvez eles coubessem dentro dessa premissa.

"Às vezes, continuar vivendo é apenas aprender a administrar a própria entropia."

Capítulo 2 — O prazer simples de apertar botões

Se Citizen Sleeper conversa com o escritor, Robobeat parece conversar com o jogador.

Existe uma parte de mim que ainda ama o estado de fluxo.

Aquele momento em que você para de pensar em eficiência, produtividade e desempenho e apenas reage.

Desvia.

Atira.

Erra.

Acerta.

Repete.

Existe um prazer quase infantil em dominar uma mecânica bem construída.

Talvez seja o mesmo motivo pelo qual Diablo 3 ainda consegue me divertir tanto mais do que Diablo 4.

Nem tudo precisa ser uma grande reflexão.

Às vezes, diversão também é suficiente.

"Nem todo jogo precisa mudar sua vida. Alguns só precisam melhorar sua quinta-feira."

Capítulo 3 — A alegria de resolver problemas

Between Time ocupa outro espaço dentro de mim.

O espaço do curioso.

Do cara que trabalha com tecnologia e sente prazer em desmontar sistemas para entender como eles funcionam.

Existe satisfação em resolver enigmas.

Em perceber padrões.

Em olhar para uma sala aparentemente impossível e, pouco a pouco, descobrir sua lógica interna.

Talvez seja o mesmo prazer que me faz teorizar sobre séries como From ou Widow's Bay.

Ou organizar uma planilha com mais de mil jogos.

Ou procurar significado onde outras pessoas enxergam apenas entretenimento.

"Entender como algo funciona é uma forma silenciosa de admiração."

Capítulo 4 — O jogador que eu me tornei

O mais curioso dessa quinta-feira é perceber que esses jogos gratuitos dizem mais sobre mim do que sobre eles.

Há alguns anos, eu provavelmente escolheria aquele com mais conquistas.

Depois, escolheria o mais longo.

Depois, o mais eficiente.

Hoje, eu penso diferente.

Hoje eu me pergunto:

O que eu quero sentir?

Quero refletir?

Quero descansar?

Quero resolver problemas?

Quero simplesmente apertar botões depois de um dia difícil?

Talvez amadurecer como jogador seja exatamente isso.

Parar de procurar o jogo perfeito e começar a procurar o jogo certo para quem você é naquele momento.

"A maturidade gamer talvez seja descobrir que o backlog não é uma obrigação. É apenas um cardápio."

Conclusão — Os jogos que talvez eu jogue

Talvez eu jogue Citizen Sleeper.

Talvez Between Time.

Talvez Robobeat.

Talvez nenhum deles.

E tudo bem.

Existe algo bonito em simplesmente olhar para possibilidades.

Em saber que ainda existe curiosidade.

Que ainda existe vontade.

Que ainda existem mundos esperando para serem descobertos.

Aos quarenta e poucos anos, continuo sendo aquele garoto que se empolga com jogos grátis numa quinta-feira.

A diferença é que hoje eu já não preciso jogar tudo.

Basta saber que ainda existe alguma coisa capaz de despertar em mim a vontade de apertar o botão "instalar".

"Enquanto existir curiosidade, talvez a nossa jornada gamer nunca termine. Ela apenas muda de ritmo."

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 25

Capítulo I — Quando a guerra da informação começa

O capítulo 25 é um daqueles momentos em que a história deixa de ser apenas uma luta entre Harry e Voldemort.

Aqui nós começamos a enxergar algo muito mais amplo.

Uma guerra de narrativas.

Uma guerra de versões.

Uma guerra onde não basta descobrir a verdade.

É preciso convencer as pessoas dela.

Até aqui Voldemort era o inimigo físico.

Agora Fudge e o Ministério se tornam um problema igualmente perigoso.

Porque estão impedindo que a verdade chegue às pessoas.

Uma mentira repetida por tempo suficiente pode ser tão perigosa quanto qualquer maldição.

Capítulo II — As aulas de Oclumência parecem estar falhando

Existe uma ironia muito interessante acontecendo.

As aulas de Oclumência foram criadas para proteger Harry.

Para bloquear Voldemort.

Para fortalecer sua mente.

Mas Harry tem exatamente a sensação oposta.

Quanto mais as aulas acontecem, mais próximo de Voldemort ele parece ficar.

Mais sonhos.

Mais emoções compartilhadas.

Mais visões.

Mais conexões.

É impossível não desconfiar que algo está profundamente errado.

Às vezes o remédio parece pior do que a doença.

E Harry claramente começa a acreditar nisso.

Capítulo III — Voldemort está feliz

A confirmação da fuga dos Comensais da Morte ajuda a explicar a felicidade sentida por Harry no final do capítulo anterior.

E isso é assustador por vários motivos.

Primeiro porque mostra que a ligação continua funcionando.

Segundo porque mostra que Harry já consegue sentir emoções que não são dele.

E terceiro porque percebemos algo perturbador:

Harry não apenas vê Voldemort.

Ele começa a experimentar Voldemort.

A alegria.

A satisfação.

O entusiasmo.

Tudo isso atravessa a conexão.

O perigo não é apenas Voldemort entrar na mente de Harry. O perigo é Harry começar a sentir o mundo como Voldemort sente.

Capítulo IV — Fudge continua afundando

Se existe um personagem que sai pior a cada capítulo, é Cornélio Fudge.

No início do livro ele parecia apenas equivocado.

Agora parece deliberadamente cego.

Os fatos se acumulam.

Os sinais aparecem.

As evidências aumentam.

E ainda assim ele continua insistindo na mesma narrativa.

A fuga dos Comensais da Morte é um exemplo perfeito.

Qualquer pessoa racional começaria a fazer perguntas.

Fudge procura culpados convenientes.

E novamente Sirius Black vira o alvo.

Quando a realidade ameaça uma posição de poder, algumas pessoas preferem atacar a realidade.

Capítulo V — Hogwarts começa a reagir

Enquanto o Ministério continua em negação, algo interessante acontece dentro de Hogwarts.

Os alunos começam a mudar.

A Armada de Dumbledore está funcionando.

Os estudantes treinam.

Melhoram.

Se dedicam.

Passam a acreditar que talvez precisem realmente daquelas habilidades.

O que começou como um grupo clandestino agora começa a mostrar seus resultados.

Harry está formando algo que o Ministério se recusa a fazer:

Pessoas preparadas.

Enquanto os adultos discutem se a guerra existe, os alunos começam a se preparar para ela.

Capítulo VI — A solidão dos professores

Existe também uma mudança interessante entre os próprios professores.

A presença constante de Umbridge transforma Hogwarts.

As conversas desaparecem.

As reuniões diminuem.

A confiança desaparece.

Ninguém sabe exatamente quem pode ouvir.

Quem pode relatar.

Quem pode denunciar.

O ambiente se torna mais frio.

Mais desconfiado.

Mais político.

O controle excessivo não produz ordem. Produz silêncio.

Capítulo VII — O desastre romântico de Harry Potter

No meio de tudo isso existe o tradicional caos adolescente.

Harry consegue transformar um encontro simples em uma situação extremamente complicada.

Cho fica magoada.

Harry fica confuso.

E o leitor percebe rapidamente que Harry entende muito mais sobre dragões do que sobre relacionamentos.

Existe algo até divertido nisso.

Porque ele consegue sobreviver a Voldemort.

Mas uma conversa emocional com Cho parece deixá-lo completamente perdido.

Nenhum feitiço de Hogwarts prepara um adolescente para lidar com ciúmes.

Capítulo VIII — Hermione contra-ataca

Mas o momento mais importante do capítulo pertence a Hermione.

Enquanto quase todos reagem aos acontecimentos, Hermione age.

Ela percebe algo fundamental.

O problema não é apenas que o Ministério está mentindo.

O problema é que o Ministério controla os meios de comunicação.

E se o Profeta Diário não vai publicar a verdade, alguém precisa fazê-lo.

É aí que surge o plano envolvendo Rita Skeeter e Luna Lovegood.

Um plano que é brilhante justamente por usar peças improváveis.

A jornalista que causou tantos problemas.

E o jornal que todos tratam como piada.

Às vezes a verdade encontra espaço justamente onde ninguém se preocupa em censurá-la.

Capítulo IX — O Pasquim ganha importância

Até aqui o Pasquim parecia apenas uma excentricidade.

Um jornal estranho.

Cheio de teorias malucas.

Lido por pessoas consideradas excêntricas.

Mas o capítulo faz algo muito interessante.

Ele questiona quem realmente merece credibilidade.

O jornal que publica a versão oficial?

Ou o jornal disposto a ouvir aquilo que ninguém mais quer ouvir?

Pela primeira vez o Pasquim deixa de ser uma piada.

E passa a ocupar um papel relevante dentro da história.

Quando os canais oficiais falham, até as vozes ignoradas ganham importância.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Para mim, o capítulo 25 fala sobre controle da informação.

Voldemort está reunindo seguidores.

O Ministério está escondendo fatos.

O Profeta Diário está manipulando narrativas.

Harry está sendo desacreditado.

E Hermione percebe que lutar contra isso exige mais do que magia.

Exige comunicação.

Exige testemunhos.

Exige que as pessoas escutem a verdade.

É um capítulo onde a batalha deixa de acontecer apenas com varinhas.

Ela passa a acontecer também com palavras.

Voldemort quer conquistar o mundo mágico pelo medo. Fudge tenta preservá-lo pela negação. E Harry finalmente ganha uma chance de lutar usando a verdade.

O resultado dessa disputa começa a nascer aqui.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 24

Capítulo I — Quando as peças começam a se mover

O capítulo 24 é um daqueles capítulos que parecem preparatórios à primeira vista.

Não temos uma grande batalha.

Não temos uma revelação gigantesca.

Não temos uma morte.

Mas temos algo igualmente importante:

As peças começam a se posicionar para aquilo que virá depois.

E olhando para trás, provavelmente veremos este capítulo como um dos momentos em que várias linhas narrativas importantes começaram a convergir.

Alguns capítulos contam acontecimentos. Outros preparam terremotos.

Este claramente pertence ao segundo grupo.

Capítulo II — Sirius e Monstro seguem caminhos opostos

Logo no início existe uma observação interessante.

Monstro parece mais satisfeito.

Mais feliz.

Mais animado.

Enquanto Sirius parece exatamente o contrário.

Mais preso.

Mais frustrado.

Mais irritado.

E isso não parece coincidência.

Sirius está vivendo praticamente como um prisioneiro dentro da própria casa.

Uma casa que ele odeia.

Uma casa cheia de memórias ruins.

Uma casa que representa tudo aquilo que ele rejeitou durante a vida.

Enquanto isso, Monstro vê aquela mesma casa voltar a ser ocupada.

Voltar a ser importante.

Voltar a ser o centro de algo.

O que para Sirius é uma prisão, para Monstro é um lar.

Capítulo III — Snape e Sirius continuam adolescentes

A conversa entre Snape e Sirius é quase cômica.

Os dois são adultos.

Os dois fazem parte da Ordem da Fênix.

Os dois estão lutando contra Voldemort.

E ainda assim se comportam como dois adolescentes brigando no corredor da escola.

Existe um ódio genuíno entre eles.

Um ressentimento que sobreviveu por mais de uma década.

E nenhuma das partes parece interessada em deixar isso para trás.

Algumas pessoas envelhecem. Algumas apenas ficam mais velhas.

Snape e Sirius parecem se encaixar perfeitamente nessa segunda categoria.

Capítulo IV — A Oclumência finalmente entra em cena

O coração do capítulo está no anúncio feito por Snape.

Harry começará aulas de Oclumência.

E isso muda completamente o foco da história.

Até agora o problema era descobrir por que Harry estava tendo visões.

Agora o problema passa a ser impedir que elas aconteçam.

Dumbledore finalmente demonstra que considera a situação séria o suficiente para exigir treinamento específico.

E isso por si só já diz muito.

Quando Dumbledore começa a agir, geralmente significa que o perigo já está mais próximo do que parece.

Capítulo V — O primeiro encontro de Harry e Cho

No meio de toda a tensão existe uma pequena vitória para Harry.

Ele finalmente consegue convidar Cho para sair.

Pode parecer algo pequeno.

Mas considerando o histórico de Harry em situações românticas, é praticamente uma conquista lendária.

O momento é simples.

Desajeitado.

Nervoso.

Exatamente como deveria ser.

Porque Harry continua sendo um adolescente tentando viver uma vida normal no meio de uma guerra que está começando.

O curioso é que enfrentar Voldemort parece muito mais fácil para Harry do que convidar Cho para um encontro.

Capítulo VI — O verdadeiro significado da Penseira

Durante a primeira aula de Oclumência acontece algo extremamente interessante.

Snape remove pensamentos da própria mente e os coloca na Penseira.

Isso chama atenção imediatamente.

Porque não parece apenas uma precaução comum.

Parece uma medida desesperadamente específica.

Snape não quer que Harry veja certas memórias.

Não quer correr riscos.

Não quer permitir qualquer possibilidade de acesso.

E isso naturalmente desperta curiosidade.

Quanto mais alguém tenta esconder um segredo, mais interessante esse segredo se torna.

E Snape passa o capítulo inteiro fazendo Harry querer descobrir exatamente o que está escondendo.

Capítulo VII — O corredor finalmente ganha um endereço

Outro momento extremamente importante acontece quando Harry reconhece o corredor dos sonhos.

Finalmente existe uma localização.

Não é um lugar aleatório.

Não é um símbolo.

Não é uma metáfora.

É um lugar real.

Fica no Ministério da Magia.

E a reação de Snape é quase mais importante do que a revelação em si.

Porque ele se assusta.

Muito.

O suficiente para Harry perceber imediatamente que falou algo importante.

Às vezes não é a resposta que entrega o segredo. É a reação de quem a escuta.

Capítulo VIII — As aulas começam exatamente como esperado

Infelizmente, o professor responsável pelas aulas é Severus Snape.

E isso significa que o processo todo é desagradável desde o primeiro minuto.

Snape continua sendo agressivo.

Continua sendo ofensivo.

Continua sendo incapaz de separar Harry de Tiago Potter.

Ao mesmo tempo, Harry também não ajuda.

Ele chega defensivo.

Irritado.

Desconfiado.

O resultado é previsível.

As aulas já começam funcionando mal.

É difícil ensinar alguém a proteger a mente quando professor e aluno mal conseguem dividir a mesma sala sem se irritar.

Capítulo IX — O sorriso de Voldemort

Mas o momento mais assustador do capítulo acontece no final.

Harry adormece.

E então algo muda.

Ele começa a sentir uma felicidade estranha.

Uma satisfação.

Uma alegria.

Mas não é dele.

Harry percebe isso quase imediatamente.

Quem está feliz é Voldemort.

E Harry está sentindo essa felicidade.

Como se fosse sua.

Como se estivesse compartilhando emoções.

Como se a ligação estivesse ficando ainda mais profunda.

Ver através dos olhos de Voldemort já era assustador. Sentir suas emoções é algo muito pior.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

O capítulo 24 fala sobre invasão.

Voldemort invadindo os pensamentos de Harry.

Harry invadindo involuntariamente os pensamentos de Voldemort.

Snape tentando impedir essa invasão.

E todos percebendo que a situação está piorando.

A ligação deixou de ser uma curiosidade.

Deixou de ser um mistério.

Agora ela é um perigo real.

Porque Harry não está apenas vendo coisas.

Ele está começando a compartilhar emoções.

E talvez algo ainda mais profundo.

O final do capítulo deixa uma pergunta inquietante: se Harry consegue sentir a felicidade de Voldemort... até onde essa conexão realmente vai?

E o sorriso invisível de Voldemort no encerramento do capítulo é muito mais assustador do que qualquer dementador que encontramos até agora.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 23

Capítulo I — O capítulo das revelações emocionais

O capítulo 23 é um daqueles capítulos que enganam o leitor.

Durante boa parte dele parece que nada realmente importante vai acontecer.

Temos conversas.

Temos um Natal.

Temos visitas ao hospital.

Temos passeios pelos corredores.

Tudo parece relativamente tranquilo.

Mas, quando o capítulo termina, percebemos que várias das revelações mais importantes do livro aconteceram justamente aqui.

Alguns capítulos explodem. Outros mudam tudo em silêncio.

Capítulo II — O medo de Harry

O capítulo começa mostrando um Harry completamente diferente daquele que vimos algumas semanas antes.

Ele não está com raiva.

Não está brigando.

Não está enfrentando ninguém.

Está com medo.

Pela primeira vez, Harry realmente considera a possibilidade de ser uma ameaça para as pessoas que ama.

Ele se afasta.

Se isola.

Evita os amigos.

Evita contato.

Como se estivesse tentando proteger os outros dele mesmo.

Às vezes o medo mais assustador não é o medo do inimigo. É o medo de se tornar parecido com ele.

Capítulo III — Gina finalmente ganha voz

Talvez o momento mais importante do capítulo aconteça quando Gina perde a paciência com Harry.

E honestamente?

Ela tem razão.

Harry está agindo como se fosse a única pessoa do mundo que já teve algum tipo de ligação com Voldemort.

Mas existe alguém naquela sala que viveu algo muito mais próximo da possessão verdadeira.

A própria Gina.

A garota que passou boa parte de um ano sendo manipulada pelo diário de Tom Riddle.

A garota que realmente perdeu controle sobre si mesma.

A garota que quase morreu por causa disso.

Às vezes procuramos respostas tão longe que esquecemos de perguntar justamente para quem já viveu aquilo.

E Gina finalmente força Harry a enxergar isso.

Capítulo IV — O amadurecimento de Gina Weasley

Existe outra coisa muito interessante nessa cena.

Gina não aparece mais como a menina tímida dos primeiros livros.

Ela não fica nervosa perto de Harry.

Não trava.

Não foge.

Ela confronta Harry.

Questiona Harry.

E fala uma verdade que ninguém mais estava falando.

É um dos momentos em que percebemos claramente seu crescimento como personagem.

A antiga Gina admirava Harry. A nova Gina conversa com Harry de igual para igual.

Capítulo V — O Natal e a falsa tranquilidade

Depois disso, o clima do capítulo muda.

O Natal chega.

Os presentes aparecem.

As pessoas tentam relaxar.

Por alguns instantes o livro parece quase voltar aos tempos mais simples dos primeiros volumes.

Mas existe algo estranho.

Tudo parece temporário.

Como se todos soubessem que a paz não vai durar muito.

Quando a guerra se aproxima, até os momentos felizes parecem emprestados.

Capítulo VI — Percy continua se afastando

A devolução do presente de Molly é um detalhe pequeno.

Mas extremamente doloroso.

Porque já não estamos falando de política.

Nem de Ministério.

Nem de Dumbledore.

Estamos falando de família.

Percy não está apenas discordando dos pais.

Está rejeitando os pais.

E Molly sente isso profundamente.

Talvez mais profundamente do que qualquer outro membro da família.

Algumas rupturas machucam porque são injustas. Outras machucam porque acontecem dentro de casa.

Capítulo VII — Arthur Weasley continua sendo Arthur Weasley

A situação dos pontos é uma das cenas mais engraçadas do capítulo.

E também uma das mais características de Arthur.

Qualquer outra pessoa ouviria os curandeiros.

Arthur não.

Ele encontra um método trouxa.

Fica curioso.

Quer testar.

Quer entender.

E inevitavelmente acaba criando um problema novo.

É impossível não rir da situação.

Arthur Weasley consegue transformar até uma internação hospitalar em pesquisa de campo sobre trouxas.

Capítulo VIII — O triste destino de Lockhart

O reencontro com Gilderoy Lockhart é estranho.

E um pouco triste.

Ele continua ali.

Perdido dentro da própria mente.

Sem lembrar quem foi.

Sem lembrar o que fez.

Sem lembrar sua própria história.

O personagem continua engraçado.

Mas existe algo melancólico por trás do humor.

Lockhart passou a vida inteira fingindo ser alguém. Agora nem ele sabe mais quem era.

Capítulo IX — O momento que redefine Neville

Mas nada se compara ao encontro com Neville.

Porque é aqui que Rowling pega um personagem frequentemente tratado como alívio cômico e o transforma em algo muito maior.

De repente tudo faz sentido.

Sua insegurança.

Sua timidez.

Seu peso emocional.

Sua dificuldade constante.

Seus pais ainda estão vivos.

Mas de uma forma cruel.

Eles existem.

Porém já não conseguem ser quem eram.

E Neville convive com isso há anos.

Em silêncio.

Sem reclamar.

Sem pedir pena.

Algumas pessoas carregam tragédias tão silenciosas que os outros sequer percebem o peso que elas suportam.

Capítulo X — Bellatrix deixa de ser apenas um nome

O capítulo também muda completamente nossa percepção sobre Bellatrix Lestrange.

Até aqui ela era uma figura distante.

Uma criminosa mencionada em julgamentos.

Uma Comensal da Morte poderosa.

Agora ela ganha um rosto emocional.

Porque finalmente vemos as consequências de seus atos.

Não através de relatos.

Mas através de Neville.

Através da avó dele.

Através dos pais dele.

Através de uma vida inteira destruída.

Um vilão se torna muito mais assustador quando finalmente vemos as vítimas que deixou para trás.

Capítulo XI — O verdadeiro tema do capítulo

Embora o capítulo fale sobre Natal, hospital, Lockhart e até possessão, para mim ele gira em torno de uma única ideia:

Perspectiva.

Harry descobre que não é o único que sofreu por causa de Voldemort.

Não é o único que tem traumas.

Não é o único que perdeu coisas.

Gina sofreu.

Arthur sofreu.

Molly sofre.

Percy está perdido.

E Neville carrega talvez a maior tragédia de todas.

O capítulo amplia o mundo emocional da história.

Mostra que a guerra contra Voldemort não acontece apenas nos grandes confrontos.

Ela continua existindo anos depois.

Dentro das famílias.

Dentro dos hospitais.

Dentro das memórias.

O capítulo 23 é o momento em que Harry percebe que não é o único sobrevivente das cicatrizes deixadas por Voldemort.