Capítulo I — Um início que volta a frear a história
Depois do excelente ritmo que O Enigma do Príncipe vinha mantendo, o capítulo 15 acaba sendo, para mim, um pequeno tropeço.
Grande parte de seu início continua presa aos dramas adolescentes que começaram no capítulo anterior.
Rony e Hermione permanecem brigados.
Nenhum dos dois fala claramente o que sente.
Em vez disso, ambos passam o tempo inteiro tentando atingir um ao outro através de pequenas provocações.
É uma sucessão de comentários passivo-agressivos, olhares atravessados e atitudes infantis que, honestamente, me cansaram bastante durante a leitura.
Depois de tantos capítulos investigando Voldemort, Draco Malfoy e os mistérios construídos por Dumbledore, voltar a acompanhar longas discussões sobre ciúmes e relacionamentos parece uma quebra brusca de ritmo.
Espero sinceramente que essa fase da narrativa termine logo e que o livro volte a concentrar seus esforços naquilo que vinha fazendo tão bem.
Nem toda pausa narrativa é ruim. Mas algumas demoram mais do que deveriam.
Capítulo II — Ciúme disfarçado de maturidade
O clima entre Rony e Hermione continua piorando.
Hermione revela que convidou Córmaco McLaggen para acompanhá-la à festa de Natal organizada por Slughorn.
Quando alguém comenta que McLaggen gosta de jogadoras de quadribol, Hermione responde rapidamente que ele gosta, na verdade, de boas jogadoras de quadribol.
A frase é claramente direcionada a Rony.
Não existe qualquer tentativa de esconder isso.
É uma provocação cuidadosamente construída para atingir exatamente a insegurança que ele demonstrou nos últimos capítulos.
Rony responde da maneira habitual.
Fica ainda mais irritado.
Ainda mais fechado.
Ainda mais incapaz de conversar.
Os dois parecem competir para descobrir quem consegue machucar mais o outro sem precisar admitir que está apaixonado.
É um comportamento bastante adolescente.
Mas também bastante frustrante de acompanhar.
Capítulo III — Harry e a poção do amor
Enquanto acompanha toda essa confusão emocional, Harry recebe um aviso curioso de Hermione.
Ela conta que várias garotas pretendem utilizar poções do amor para tentar conseguir um convite para a festa de Slughorn.
É interessante perceber como a Amortentia, apresentada alguns capítulos atrás como um conceito fascinante, volta a aparecer agora de forma muito mais cotidiana.
Ainda assim, Rowling continua reforçando uma ideia importante:
o amor não pode ser produzido artificialmente.
Pode existir obsessão.
Pode existir manipulação.
Mas nunca amor verdadeiro.
Harry, tentando evitar qualquer confusão, decide simplesmente convidar Luna Lovegood.
É uma escolha bastante coerente com ele.
Harry não parece enxergar aquele convite como um gesto romântico.
É apenas a companhia de alguém por quem possui respeito e carinho.
Luna continua sendo uma das personagens mais autênticas da série.
Ela nunca tenta parecer diferente do que realmente é.
E talvez seja exatamente por isso que Harry se sinta tão confortável ao lado dela.
Algumas pessoas tornam qualquer ambiente mais leve simplesmente porque nunca fingem ser outra coisa.
Capítulo IV — A festa do Clube do Slugue
Finalmente chega a tão comentada festa de Slughorn.
Confesso que essa parte também não me empolgou muito.
Grande parte do evento consiste em Slughorn apresentando Harry para diferentes pessoas influentes do mundo bruxo.
O professor continua exercendo aquilo que talvez seja sua maior habilidade:
construir uma rede de contatos.
Para Slughorn, talento nunca deve permanecer isolado.
Ele gosta de reunir pessoas promissoras.
Cultivar relacionamentos.
Criar favores que poderão ser úteis no futuro.
É uma característica interessante do personagem.
Mas, narrativamente, a festa parece existir principalmente para preparar o acontecimento que realmente importa.
Capítulo V — Draco aparece
No meio da festa, Filch encontra Draco Malfoy circulando pelos corredores do castelo.
Ele não deveria estar ali.
Sua presença desperta imediatamente a atenção de Harry.
Slughorn permite que Draco permaneça na festa.
Pouco depois, Snape se aproxima dele.
Harry percebe a movimentação.
Utiliza a capa da invisibilidade.
E passa a escutar a conversa escondido do outro lado da porta.
É nesse momento que o capítulo finalmente recupera o ritmo que vinha apresentando anteriormente.
Capítulo VI — A conversa que muda tudo
O diálogo entre Snape e Draco talvez seja o verdadeiro coração do capítulo.
Snape tenta ajudar.
Pergunta o que está acontecendo.
Insiste para que Draco compartilhe seu plano.
Mas Draco se recusa completamente.
Ele afirma que não tem qualquer relação com o ataque envolvendo o colar amaldiçoado.
Ao mesmo tempo, deixa escapar algo muito mais importante:
ele realmente possui uma missão.
Existe um plano.
Esse plano está em andamento.
E apenas está demorando mais do que ele imaginava.
Draco demonstra desconfiar profundamente de Snape.
Ele acredita que, caso revele seus objetivos, Snape tentará assumir o mérito quando tudo estiver concluído.
Essa desconfiança chama bastante atenção.
Até então, sempre imaginamos os Comensais da Morte como um grupo completamente unido.
Mas essa conversa mostra que existe competição interna.
Existe vaidade.
Existe disputa por reconhecimento.
Nem mesmo entre os seguidores de Voldemort parece existir confiança absoluta.
O medo pode unir pessoas por um tempo. Mas dificilmente constrói confiança verdadeira.
Capítulo VII — Draco aprende Oclumência
Durante a conversa, Snape tenta penetrar a mente de Draco.
Mas não consegue.
Draco percebe imediatamente o que está acontecendo.
Mais do que isso:
ele bloqueia a tentativa.
Snape conclui rapidamente que Bellatrix Lestrange lhe ensinou Oclumência.
Esse pequeno detalhe diz muita coisa.
Primeiro, demonstra que Draco está sendo preparado seriamente para sua missão.
Segundo, revela que Bellatrix confia nele a ponto de ensinar uma habilidade extremamente sofisticada.
E, inevitavelmente, isso faz surgir uma comparação com Harry.
Harry precisou aprender Oclumência justamente com Snape.
Os dois se odiavam.
Nunca existiu confiança entre professor e aluno.
Talvez justamente por isso aquelas aulas tenham fracassado tão completamente.
Draco, ao contrário, parece aprender com alguém em quem acredita.
Isso faz toda diferença quando o objetivo envolve abrir ou proteger a própria mente.
Capítulo VIII — O plano continua
Ao final da conversa, uma certeza permanece.
Draco realmente está fazendo alguma coisa.
Ele possui uma missão.
Essa missão continua em andamento.
E, por algum motivo, ele prefere fracassar sozinho a aceitar ajuda de Snape.
Harry escuta tudo.
Mas termina a conversa com muito mais perguntas do que respostas.
O que Draco está tentando fazer?
Por que Voldemort confiaria uma missão tão importante a um estudante?
E, principalmente, por que Dumbledore continua parecendo tão tranquilo diante de tudo isso?
Considerações finais
Para mim, o capítulo 15 possui duas metades bastante distintas.
A primeira continua excessivamente concentrada nos dramas amorosos entre Rony, Hermione e seus respectivos ciúmes.
Embora faça sentido dentro da idade dos personagens, é justamente o tipo de narrativa que espero ver resolvida rapidamente.
Já a segunda metade recupera aquilo que mais vem me agradando em O Enigma do Príncipe.
Mistério.
Espionagem.
Informações importantes surgindo aos poucos.
A conversa entre Snape e Draco muda completamente nossa percepção sobre os acontecimentos.
Agora já não existe praticamente nenhuma dúvida de que Draco realmente está envolvido em uma missão importante.
A única dúvida que permanece é qual é essa missão.
E quanto mais a resposta demora para aparecer, maior fica a sensação de que algo muito grave está prestes a acontecer em Hogwarts.
Os melhores mistérios não são aqueles que escondem respostas. São aqueles que revelam pequenas verdades enquanto fazem nascer perguntas ainda maiores.





