Gamertag


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 18

Capítulo I — Finalmente a história encontra seu rumo

Se eu tivesse que escolher um capítulo para marcar o verdadeiro início da segunda metade de A Ordem da Fênix, provavelmente escolheria este.

Não porque aconteça algo gigantesco.

Não porque Voldemort apareça.

Não porque exista uma grande revelação.

Mas porque finalmente vemos várias linhas narrativas convergirem para um mesmo ponto.

Harry deixa de apenas reagir aos acontecimentos e passa a agir.

Durante muitos capítulos Harry foi empurrado pela história. Agora ele começa a empurrar a história de volta.

E isso muda completamente a energia do livro.

Capítulo II — A tempestade fora e dentro de Hogwarts

O treino da Grifinória é finalmente liberado.

Mas a sensação de vitória dura pouco.

A chuva transforma tudo em caos.

Os treinos não rendem.

Os jogadores cometem erros.

Rony continua inseguro.

E Harry continua carregando preocupações maiores do que quadribol.

É curioso como o clima parece refletir o estado emocional dos personagens.

Às vezes a chuva não está apenas caindo do céu. Ela está caindo dentro das pessoas.

Capítulo III — A paranoia deixa de ser paranoia

Um dos elementos mais interessantes do capítulo é que Harry já não parece exagerado quando suspeita estar sendo vigiado.

Nos capítulos anteriores poderia existir dúvida.

Talvez fosse impressão.

Talvez fosse trauma.

Talvez fosse excesso de preocupação.

Agora não.

Edwiges foi atacada.

As cartas podem estar sendo interceptadas.

Umbridge claramente está tentando controlar informações.

A vigilância é real.

Existe uma enorme diferença entre paranoia e perseguição. A diferença é que uma delas realmente está acontecendo.

Capítulo IV — A revolução dos gorros

A situação dos elfos domésticos continua sendo uma das histórias paralelas mais curiosas do livro.

Hermione tenta libertá-los.

Os elfos não querem ser libertados.

Hermione insiste.

Os elfos ficam ofendidos.

É uma dinâmica muito mais complexa do que parecia quando começou.

E o resultado acaba sendo bastante engraçado.

Todos param de limpar a sala comunal.

Menos um. Dobby.

Toda revolução produz consequências inesperadas. Até mesmo uma revolução feita de gorros de lã.

Capítulo V — Dobby volta a ser importante

Uma das coisas que mais gosto neste capítulo é o retorno de Dobby.

Ele passou um bom tempo aparecendo pouco.

Mas quando surge novamente, traz consigo algo fundamental para a história.

A Sala Precisa.

E é muito interessante que essa descoberta venha justamente dele.

Porque Dobby sempre esteve ligado aos cantos escondidos de Hogwarts.

Ele conhece passagens. Conhece segredos. Conhece caminhos que os alunos ignoram.

Dobby conhece Hogwarts melhor do que quase qualquer aluno.

Algumas das maiores descobertas não vêm dos heróis. Vêm das pessoas que conhecem os bastidores.

Capítulo VI — A Sala Precisa é uma ideia brilhante

A primeira vez que conhecemos a Sala Precisa é um daqueles momentos em que Hogwarts volta a parecer mágica de uma forma muito especial.

Porque não é apenas uma sala secreta.

Ela responde a uma necessidade.

Ela aparece quando é necessária.

Ela oferece exatamente aquilo que a pessoa procura.

É uma das ideias mais criativas de toda a série.

Alguns lugares são construídos por arquitetos. Outros parecem ter sido construídos pelos desejos das pessoas.

Capítulo VII — O nascimento real da Armada de Dumbledore

O encontro em Hogsmeade foi a fundação.

Mas aqui nasce o grupo de verdade.

Agora existe um local.

Agora existe uma aula.

Agora existe um objetivo.

E, principalmente, agora existe um professor.

Harry.

O mais curioso é que ele não se vê como professor.

Mas os outros alunos veem.

Muitas vezes a liderança começa quando os outros acreditam em você antes mesmo que você acredite.

E é exatamente isso que está acontecendo.

Capítulo VIII — O primeiro feitiço não poderia ser outro

Existe algo muito simbólico no fato de Harry começar ensinando o Expelliarmus.

Entre todos os feitiços possíveis.

Entre todas as maldições.

Entre todos os encantamentos.

Ele ensina justamente aquele que desarma o inimigo.

Não deixa de ser poético que um grupo criado para aprender defesa contra as artes das trevas comece aprendendo a melhor das defesas.

É uma escolha perfeita para representar o que a Armada se tornará.

Capítulo IX — Cho Chang e os pequenos sinais

No meio de toda essa tensão existe espaço para algo muito adolescente.

Cho ficando nervosa.

Harry ficando nervoso.

Os dois percebendo a presença um do outro.

E nenhum deles sabendo exatamente o que fazer.

É um contraste interessante.

Porque estamos falando de alunos treinando para enfrentar um bruxo das trevas.

Mas ainda assim continuam sendo adolescentes.

O fim do mundo pode estar chegando. Mas isso não impede alguém de ficar nervoso diante de uma paixão.

Rowling sempre foi muito boa nesses pequenos contrastes.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Para mim, este capítulo fala sobre construção.

Construção de confiança.

Construção de resistência.

Construção de amizade.

Construção de conhecimento.

Durante boa parte do livro vimos o Ministério construir medo.

Vimos Umbridge construir controle.

Vimos o Profeta Diário construir mentiras.

Agora vemos Harry construir algo diferente.

Uma comunidade.

Um espaço seguro.

Uma forma de preparação para o que está por vir.

As trevas costumam crescer através do medo. A resistência cresce através da união.

E o capítulo 18 marca exatamente o nascimento dessa resistência.

Não apenas da Armada de Dumbledore.

Mas da confiança de Harry em si mesmo.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 17

Capítulo I — O avanço silencioso de Umbridge

O capítulo 17 mostra algo que vem acontecendo desde a chegada de Dolores Umbridge, mas que agora se torna impossível de ignorar.

Ela não está mais apenas ocupando espaço dentro de Hogwarts.

Ela está expandindo seu poder.

Cada decreto. Cada inspeção. Cada nova regra.

Tudo parece fazer parte de um mesmo movimento.

Um movimento de controle.

O autoritarismo raramente chega correndo. Normalmente ele chega através de formulários, regras e assinaturas.

Capítulo II — O decreto que revela medo

A proibição de grupos, associações e reuniões parece uma medida administrativa.

Mas na prática ela revela outra coisa.

Medo.

Se o Ministério realmente acreditasse que Harry é apenas um adolescente mentiroso, não haveria necessidade de impedir reuniões.

Não haveria necessidade de monitorar alunos.

Não haveria necessidade de criar novas restrições.

A regra existe justamente porque alguém teme aquilo que os alunos estão construindo.

E a ideia de resistência começa a preocupar Umbridge.

Quando uma autoridade começa a proibir encontros, normalmente não está combatendo ações. Está combatendo ideias.

Capítulo III — O dilema impossível de Harry

A inspeção da aula de Snape gera uma situação quase cômica para Harry.

Pela primeira vez ele precisa decidir para quem torce.

E percebe que não torce para ninguém.

Snape continua sendo injusto.

Umbridge continua sendo autoritária.

E Harry fica preso observando dois dos professores que mais o atormentam entrarem em conflito.

Algumas disputas não possuem heróis. Apenas lados diferentes do mesmo problema.

Capítulo IV — Neville continua carregando feridas invisíveis

A cena envolvendo Draco e Neville é pequena, mas importante.

Porque mostra que existem feridas que continuam abertas.

Draco sabe exatamente onde atingir.

Ele conhece a história dos pais de Neville.

Conhece sua insegurança.

Conhece suas dores.

E utiliza tudo isso como arma.

Existem pessoas que usam informação para compreender os outros. E existem pessoas que usam informação para feri-los.

Capítulo V — A tragédia silenciosa da professora Trelawney

Talvez a parte mais triste do capítulo seja justamente a situação da professora Trelawney.

Durante anos ela foi tratada quase como alívio cômico.

Uma personagem excêntrica.

Exagerada.

Dramática.

Mas aqui vemos algo diferente.

Vemos alguém humilhado dentro do próprio ambiente de trabalho.

Alguém constantemente observado.

Constantemente julgado.

Constantemente tratado como descartável.

Poucas coisas são tão cruéis quanto fazer alguém sentir que seu lugar está desaparecendo diante dos próprios olhos.

Capítulo VI — O clima de vigilância permanente

O que mais me chama atenção nesse trecho do livro é a atmosfera.

Não existe segurança.

Não existe privacidade.

Não existe confiança.

Tudo parece estar sendo observado.

Professores observados.

Alunos observados.

Correspondências observadas.

Reuniões observadas.

Uma escola deixa de parecer uma escola quando as pessoas passam a agir como se estivessem sendo vigiadas o tempo inteiro.

Capítulo VII — Edwiges ferida

A chegada de Edwiges machucada é outro daqueles momentos pequenos que carregam muito significado.

Porque ela representa uma das poucas conexões diretas de Harry com o mundo exterior.

Ver sua coruja ferida passa imediatamente a sensação de que até as mensagens já não circulam livremente.

Algo está errado.

Mesmo que ninguém saiba exatamente o quê.

Às vezes um pequeno ferimento é suficiente para revelar o tamanho do perigo ao redor.

A presença de Edwiges naquele estado transmite exatamente isso.

Capítulo VIII — Sirius continua cada vez mais imprudente

A conversa pela lareira mostra novamente algo que vem crescendo ao longo do livro.

Sirius está inquieto.

Está frustrado.

Está cansado de permanecer escondido.

E isso começa a afetar seu julgamento.

O Sirius que antes parecia um sobrevivente extremamente cauteloso passa a assumir riscos cada vez maiores.

O confinamento prolongado costuma transformar prudência em impaciência.

Capítulo IX — A mão na lareira

O momento mais tenso do capítulo acontece quando Umbridge surge tentando capturar Sirius através da lareira.

Porque ele transforma uma suspeita em certeza.

Até então os personagens acreditavam estar sendo observados.

Agora sabem.

A vigilância é real.

As tentativas de interceptação são reais.

E Umbridge está disposta a ultrapassar qualquer limite para conseguir informações.

O problema não é quando alguém observa. O problema é quando essa observação deixa de ter limites.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

Se o capítulo 15 falava sobre abuso de poder, o capítulo 17 fala sobre vigilância.

Vigilância sobre professores.

Vigilância sobre alunos.

Vigilância sobre correspondências.

Vigilância sobre reuniões.

Vigilância até mesmo sobre conversas privadas.

A cada capítulo, Umbridge deixa de parecer apenas uma professora desagradável e passa a representar algo muito maior.

O poder se torna verdadeiramente perigoso quando não se contenta em controlar ações e passa a querer controlar pessoas.

De forma lenta. De forma burocrática. Mas cada vez mais sufocante.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Jornada Gamer: Um Ano Depois

Há exatamente um ano eu escrevia aqui no blog um texto chamado O Fim de uma Era.

Naquele momento, eu estava olhando para a minha relação com videogames, plataformas, conquistas e, principalmente, para a sensação de diversão. O texto nasceu porque eu havia abandonado uma temporada de Diablo 4 e aquilo me fez perceber algo que parecia contraditório: eu gostava cada vez mais de videogames e, ao mesmo tempo, estava me divertindo cada vez menos com alguns deles.

Hoje, exatamente um ano depois, resolvi revisitar aquele texto.

Não para corrigir o que escrevi.

Não para provar que estava certo.

Mas para observar o que mudou.

Porque eu gosto de ciclos.

Gosto de marcos.

Gosto de olhar para trás e perceber onde eu estava e onde estou agora.

E talvez esta seja uma das coisas mais interessantes da jornada gamer: ela muda junto com a gente.

"Os jogos continuam sendo os mesmos. Quem muda somos nós."

Capítulo 1 — Diablo 4 e o abandono que continuou

Há um ano eu escrevia sobre abandonar uma temporada de Diablo 4.

Na época eu dizia que o jogo estava me parecendo mais um trabalho do que uma diversão.

E, curiosamente, um ano depois, isso continua sendo verdade.

Ouvi falar de diversas mudanças.

Li comentários positivos.

Vi pessoas dizendo que o jogo melhorou.

Às vezes até sinto vontade de voltar para descobrir como a história continua e talvez comprar a segunda expansão.

Mas a realidade é simples.

Desde aquele texto eu não joguei mais nenhuma temporada.

E continuo sem jogá-las.

Não existe raiva.

Não existe revolta.

Apenas desinteresse.

E talvez isso seja mais definitivo do que qualquer crítica.

"Alguns jogos nos perdem aos poucos. Quando percebemos, já estamos longe."

Capítulo 2 — Diablo 3 continua vencendo

Se Diablo 4 continuou distante, Diablo 3 fez exatamente o contrário.

No texto original eu dizia que me divertia mais jogando Diablo 3 no Nintendo Switch do que Diablo 4.

Um ano depois, posso afirmar que isso não apenas continuou sendo verdade como ficou ainda mais evidente.

Desde aquele artigo eu joguei absolutamente todas as temporadas de Diablo 3.

No PC.

No Nintendo Switch.

Algumas vezes nas duas plataformas simultaneamente.

Diablo 3 continua sendo aquele jogo que eu ligo quando quero simplesmente me divertir.

Sem pressão.

Sem obrigação.

Sem a sensação de que preciso estudar uma build inteira antes de começar.

É um jogo confortável.

E talvez conforto seja algo que eu valorize muito mais hoje do que valorizava anos atrás.

"Existe uma diferença enorme entre desafio e desgaste. Diablo 3 entende isso melhor do que Diablo 4."

Capítulo 3 — Shaolin e os jogos que mudaram

No texto antigo eu falava do meu amigo Shaolin.

E ele também acabou abandonando Diablo.

Curiosamente, um ano depois continuamos tentando jogar juntos.

A diferença é que agora não estamos procurando uma nova temporada.

Estamos procurando novos jogos.

Passamos mais tempo analisando bibliotecas, catálogos e plataformas do que propriamente jogando Diablo.

Talvez seja apenas mais uma fase.

Ou talvez seja um reflexo natural de quem joga há décadas.

Nem sempre procuramos o mesmo jogo.

Às vezes procuramos apenas novas experiências.

Capítulo 4.1 — PlayStation: absolutamente nada mudou

Se existe uma seção que permaneceu congelada no tempo foi a minha PSN.

Meu Playstation 3 continua estragado.

Eu continuo sem consertá-lo.

E tudo permanece exatamente igual.

Sem novos troféus.

Sem novas horas.

Sem novidades.

É quase engraçado perceber que, entre tantas mudanças, existe um único lugar que permaneceu completamente imóvel.

Capítulo 4.2 — Android e a tirania das propagandas


Aqui aconteceu algo curioso.

Meu número de achievements aumentou bastante.

Eu tinha 63.

Hoje tenho 113.

Mas esse crescimento poderia ser muito maior.

O problema é que os jogos mobile continuam presos a uma filosofia que eu considero extremamente nociva.

Muitos deles não querem que você jogue.

Eles querem que você assista propaganda.

A jogabilidade frequentemente se torna secundária.

O desafio deixa de ser o jogo.

O desafio passa a ser tolerar anúncios.

E isso mata boa parte da diversão.

Alguns jogos sequer possuem conquistas.

Outros possuem conquistas absurdamente artificiais, desenhadas para forçar horas e horas de exposição publicitária.

E isso acaba diminuindo meu interesse pela plataforma.

"Quando o objetivo do jogo deixa de ser divertir e passa a ser vender anúncios, alguma coisa se perdeu no caminho."

Capítulo 4.3 — Nintendo e a surpresa do ano


Aqui talvez esteja a maior surpresa de toda esta retrospectiva.

Eu realmente acreditava que a ausência de conquistas diminuiria meu interesse pelo Nintendo Switch.

E, durante algum tempo, isso até aconteceu.

Mas depois algo mudou.

Voltei a jogar.

Voltei a ligar o console.

Voltei a passar horas simplesmente me divertindo.

Entre temporadas de Diablo, jogos exclusivos e experiências casuais, acumulei centenas de horas adicionais.

E percebi algo muito importante.

As conquistas são legais.

Mas elas não são obrigatórias para a diversão existir.

O Nintendo Direct de junho 26 (antiga E3) trazendo os novos jogos apresentados pela Nintendo para Switch2 e a perspectiva de revisitar franquias clássicas reacenderam uma chama que eu achei que estava diminuindo.

E isso me deixou feliz.

Capítulo 4.4 — Xbox e o breve romance com o Game Pass

 

No ano passado minha gamertag do Xbox era praticamente vazia.

Então eu assinei o Game Pass.

Joguei Firewatch.

Joguei Forza Horizon 5.

Joguei Ori.

Joguei Day of the Tentacle.

E me diverti bastante.

Mas então aconteceu algo simples.

O Game Pass ficou mais caro.

E eu percebi que não estava usando o serviço o suficiente para justificar o valor.

Resultado?

Abandonei novamente.

Minha gamertag deixou de ser vazia.

Mas continua sendo uma das menos utilizadas.

E muito provavelmente continuará assim.

Capítulo 4.5 — PC, o verdadeiro centro da minha jornada

Se existe uma conclusão clara depois de um ano é que o PC continua sendo minha principal plataforma.

Mas vale dividir isso em três partes.

GOG

Eu tinha 49 achievements.

Hoje tenho 119.

Joguei vários jogos.

Fiz alguns 100%.

Comprei DLCs.

A plataforma continua excelente.

O único problema é que muitos dos jogos não possuem conquistas.

E isso acaba diminuindo um pouco o incentivo.

Epic Games

Aqui o salto foi enorme.

Saí de 77 para 274 achievements.

Os jogos gratuitos para resgate semanal continuam sendo uma das melhores iniciativas da indústria.

A sua biblioteca na Epic cresce exponencialmente.

Mas existem limitações.

Muitos jogos não possuem conquistas.

O ecossistema mobile continua fragmentado.

Não existe uma integração consistente entre plataformas da mesma loja.

E isso faz tudo parecer uma grande gambiarra tecnológica.

Steam

A Steam venceu.

De novo.

Saí de 151 conquistas para mais de 500.

Fiz platinas.

Joguei dezenas de jogos.

Acumulei centenas de horas.

E continuo considerando a Steam o melhor lugar para jogar.

Como loja.

Como comunidade.

Como ecossistema.

Como serviço.

Ela continua anos à frente da concorrência.

"Quando penso em comprar um jogo, a Steam continua sendo meu destino natural."

Capítulo 4.6 — RetroAchievements e o potencial ainda não explorado


O RetroAchievements foi uma das descobertas mais interessantes dos últimos anos.

Eu tinha 187 achievements.

Hoje tenho 327.

Mas o número de jogos cresceu pouco.

Saí de 30 para 34 jogos.

Existe potencial aqui.

Principalmente agora que o Nintendo Wii começou a receber suporte.

Talvez seja uma das áreas que cresçam levemente mais no próximo ciclo.

Talvez não.

Mas certamente continuarei observando.

Conclusão — Mais diversão, menos obrigação

Quando publiquei O Fim de uma Era, eu estava registrando um ponto de virada.

Hoje percebo que aquele texto foi realmente o encerramento de uma fase.

Porque a maior diferença entre o jogador que escreveu aquele artigo e o jogador que escreve este não está nos números.

Não está nas plataformas.

Não está nas conquistas.

Está na forma como eu encaro tudo isso.

Há um ano eu não queria jogar nada sem achievements.

Hoje eu prefiro que existam achievements.

Mas consigo perfeitamente jogar sem eles.

Há um ano eu sentia necessidade de perseguir alguns 100%.

Hoje eu paro quando me sinto satisfeito.

Quando gosto do jogo, continuo.

Quando não gosto, sigo em frente.

E isso talvez tenha sido a maior conquista desse período.

Não os números.

Não as platinas.

Não os troféus.

Mas recuperar algo que eu não percebia estar perdendo.

A diversão.

Se daqui a um ano eu voltar para esta postagem novamente, espero encontrar mais jogos, mais histórias, mais plataformas e mais conquistas.

Mas principalmente espero encontrar a mesma coisa que encontrei neste último ano.

A vontade de continuar jogando.

Finalizando esse texto, assim como no ano passado deixarei a foto passada e atual de minha gamertag, entre essas duas imagens existe um ano inteiro de diversão e muitas histórias que não cabem no que escrevo, mas que vivem no que sinto.

 

"No final das contas, a melhor conquista continua sendo apertar o botão de jogar e se divertir."

Harry Potter e a Ordem da Fênix — Capítulo 16

Capítulo I — Quando a resistência começa a tomar forma

O capítulo 16 marca uma mudança importante dentro da narrativa da Ordem da Fênix.

Até agora, Harry vinha reagindo aos acontecimentos.

Era acusado.
Era perseguido.
Era desacreditado.
Era punido.

Quase sempre na defensiva.

Aqui acontece algo diferente.

Pela primeira vez, ele e seus amigos começam a construir alguma coisa.

Existe uma enorme diferença entre sobreviver à pressão
e começar a resistir a ela.

A reunião em Hogsmeade representa exatamente essa transição.

Capítulo II — O Cabeça de Javali e o outro lado de Hogsmeade

Uma das coisas mais interessantes do capítulo é a escolha do Cabeça de Javali como local do encontro.

Durante anos fomos acostumados ao Três Vassouras.

Um lugar acolhedor.
Quente.
Cheio de vida.

O Cabeça de Javali é o oposto.

Sujo.
Escuro.
Desconfortável.

Parece quase um local que tenta afastar visitantes.

E justamente por isso acaba sendo perfeito para uma reunião secreta.

Alguns lugares são feitos para receber pessoas.
Outros são feitos para esconder conversas.

O Cabeça de Javali pertence claramente à segunda categoria.

Capítulo III — Hogwarts Legacy e a reconstrução de memórias

De novo me invade a lembrança de Hogwarts Legacy.

Normalmente o caminho costuma ser o contrário: primeiro os livros, depois o jogo.

No meu caso, vários elementos chegam invertidos.

Eu conheço o espaço antes da história.

Os cenários antes dos personagens.

Os feitiços antes do contexto.

E isso cria uma experiência bastante única durante a leitura.

Às vezes uma adaptação serve para revisitar uma obra. Às vezes ela serve para prepará-la.

Capítulo IV — Muito mais gente do que Harry imaginava

Talvez a maior surpresa do capítulo seja a quantidade de alunos que aparecem.

Harry claramente esperava um pequeno grupo.

Alguns amigos próximos.

Talvez meia dúzia de pessoas.

Mas o que aparece é algo muito maior.

E isso é importante por vários motivos.

Primeiro porque mostra que existem muitos alunos que acreditam nele.

Segundo porque demonstra que existe medo.

E terceiro porque mostra que a aula de Umbridge está falhando completamente.

Quando muitas pessoas procuram aprender algo por conta própria,
geralmente é porque quem deveria ensinar não está ensinando.

Esse grupo nasce exatamente dessa necessidade.

Capítulo V — Harry finalmente recebe reconhecimento

Existe algo muito bonito nesse encontro.

Pela primeira vez em muito tempo, Harry não é visto como um problema.

Não é visto como um mentiroso.

Não é visto como alguém que precisa ser silenciado.

Ele é visto como alguém capaz de ensinar.

Alguém que sobreviveu.

Alguém que enfrentou situações reais.

Alguém que possui experiência.

O conhecimento mais respeitado
nem sempre vem dos livros.
Às vezes vem das cicatrizes.

E os alunos reconhecem isso em Harry.

Capítulo VI — A união das casas

Outro detalhe importante é justamente a diversidade dos participantes.

Não é apenas a Grifinória.

Existem alunos da Corvinal.
Da Lufa-Lufa.
Casas que normalmente não fazem parte do círculo de Harry.

Isso conversa diretamente com a canção do Chapéu Seletor no início do ano.

Aquela mensagem sobre união deixa de ser apenas uma metáfora.

Começa a aparecer na prática.

Quando o perigo cresce,
as divisões antigas começam a parecer pequenas.

O grupo representa exatamente essa ideia.

Capítulo VII — O nascimento de algo maior

O curioso é que a reunião nem produz grandes resultados imediatos.

Eles não aprendem feitiços.

Não enfrentam inimigos.

Nem sequer escolhem um local definitivo para os encontros.

Mas isso pouco importa.

Porque o mais importante já aconteceu.

A decisão foi tomada.

As pessoas apareceram.

O compromisso foi assumido.

Grandes movimentos normalmente começam
antes de saber exatamente para onde vão.

O capítulo captura muito bem esse momento inicial.

Capítulo VIII — Cho Chang e o desconforto adolescente

Em paralelo a tudo isso, Rowling continua construindo a relação entre Harry e Cho.

E faz isso da forma mais adolescente possível.

Olhares.

Constrangimento.

Silêncios.

Tentativas frustradas de agir naturalmente.

Hermione percebe tudo imediatamente.

Harry, obviamente, não.

Todo adolescente acredita que está escondendo muito bem seus sentimentos.
Todo mundo ao redor normalmente percebe antes.

Essa dinâmica continua bastante divertida.

Capítulo IX — O fim do isolamento de Harry

Talvez a maior conquista emocional do capítulo seja esta.

Harry deixa de estar sozinho.

Não completamente.

Ainda existe o Ministério.
Ainda existe Umbridge.
Ainda existe o Profeta Diário.

Mas agora existe algo novo.

Existem pessoas acreditando nele.

Pessoas que não estão ali porque são seus amigos.

Nem porque são da Grifinória.

Mas porque acreditam naquilo que ele viveu.

A solidão começa a diminuir
quando encontramos pessoas que acreditam na nossa verdade.

E Harry finalmente começa a experimentar isso.

Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo

No fundo, este capítulo fala sobre confiança.

Confiança em Harry.

Confiança entre as casas.

Confiança na necessidade de se preparar.

Confiança de que Voldemort realmente voltou.

Enquanto o Ministério constrói uma narrativa baseada na negação,
os alunos começam a construir uma baseada na realidade.

A mentira pode controlar instituições.
Mas a verdade costuma encontrar abrigo nas pessoas.

E é exatamente isso que começa a acontecer aqui.

A resistência ainda não tem nome.
Ainda não tem sede.
Ainda não tem forma.

Mas finalmente começou.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Junho, o começo do fim

Junho sempre foi um mês estranho para mim.

Existem meses que passam despercebidos, dissolvidos dentro da rotina, misturados entre boletos, trabalho, compromissos e pequenos esquecimentos cotidianos. Junho nunca foi um desses meses.

Junho sempre chega carregando uma espécie de sombra.

Não uma sombra repentina. Não uma tragédia que surge sem aviso. Pelo contrário. É uma sombra anunciada. Uma sombra que eu conheço tão bem que consigo apontar exatamente onde ela começa.

A primeira semana de junho sempre me lembra que faltam cerca de quarenta e cinco dias para aquele julho.

Aquele julho que dividiu a minha vida em antes e depois.

E eu não preciso fazer esforço para lembrar.

O Facebook lembra.

O Google Fotos lembra.

As postagens antigas lembram.

As músicas lembram.

As fotografias lembram.

E talvez a pior parte seja que eu também lembro.

Por ser uma pessoa que gosta de ciclos, estou sempre vendo os aniversários de cada fase, para me revisitar, reler, rever.

"Existem datas que não vivem no calendário. Vivem dentro da gente."

Capítulo 1 — A frase que envelheceu diferente

Eu me lembro perfeitamente de um pensamento naquele julho de 2021.

Lembro da sensação.

Lembro da convicção.

Lembro do orgulho.

Lembro da certeza.

E lembro de ter pensado em algo que, durante muito tempo, considerei absolutamente verdadeiro.

Eu me disse que você sairia daqui e não encontraria alguém melhor do que eu.

Durante anos, carreguei essa frase dentro de mim como uma espécie de vitória moral.

Não porque eu desejasse mal a ninguém.

Mas porque acreditava genuinamente que havia oferecido o meu melhor.

Tempo.

Presença.

Apoio.

Cuidado.

Construção.

Entrega.

E olhando para trás, continuo acreditando nisso.

Mas existe um problema enorme em acreditar apenas nessa parte da história.

Porque hoje percebo que eu estava certo.

E, ao mesmo tempo, completamente errado.

"Às vezes a vida nos permite estar certos nos fatos e errados nas conclusões."

Capítulo 2 — O poder da ilusão

O que eu não compreendia naquela época é que existe uma força muito mais poderosa do que qualquer atitude concreta.

A idealização.

A ilusão.

A narrativa que escolhemos contar para nós mesmos.

Porque quando alguém decide transformar uma pessoa em sonho, a realidade deixa de importar.

E isso não acontece por maldade.

Nem por lógica.

Acontece porque é assim que funciona a paixão.

A paixão não é um contador.

Ela não soma investimentos.

Ela não calcula esforço.

Ela não mede presença.

Ela escolhe, e depois reorganiza o mundo inteiro para justificar essa escolha.

Dentro de uma ilusão, uma pizza comprada pela pessoa certa vale mais do que milhares de reais vindos da pessoa errada.

Não porque a pizza vale mais.

Mas porque a narrativa já foi escolhida.

E depois que a narrativa é escolhida, tudo passa a servir a ela.

"A memória raramente é um arquivo. Quase sempre é uma editora."

Capítulo 3 — A guerra impossível

Talvez a conclusão mais dolorosa que eu tenha chegado neste junho seja entender que algumas disputas nascem perdidas.

Não por falta de mérito.

Não por falta de esforço.

Não por falta de amor.

Mas porque você está disputando espaço contra algo que não existe.

Você não está disputando espaço contra uma pessoa.

Está disputando espaço contra uma versão idealizada dela.

Contra um sonho.

Contra uma fantasia.

Contra uma memória cuidadosamente preservada.

E não existe argumento racional capaz de vencer isso.

Porque o sonho não precisa se defender.

O sonho não precisa prestar contas.

O sonho nunca chega atrasado.

O sonho nunca decepciona.

O sonho nunca envelhece.

O sonho permanece congelado exatamente no ponto em que a pessoa decidiu adorá-lo.

E como competir com isso?

Como competir com alguém que não existe mais?

Como competir com uma lembrança?

Como competir com um vazio preenchido por imaginação?

Não dá.

Simplesmente não dá.

"O amor pode disputar espaço com outra pessoa. Com uma fantasia, raramente."

Capítulo 4 — O lugar que eu ocupava

E talvez seja justamente aí que mora a parte mais triste de toda essa reflexão.

Porque quando finalmente entendi isso, algumas peças antigas começaram a se encaixar.

Não foi sobre mim.

Nunca foi.

Eu estava tentando construir algo novo enquanto outra história ainda era tratada como a grande história.

Eu estava tentando ocupar um espaço que, na prática, continuava reservado.

Mesmo vazio.

Mesmo abandonado.

Mesmo destruído.

Continuava reservado.

E quando olho para o passado hoje, talvez seja essa a dor que mais aparece.

Não a rejeição.

Não o fim.

Não a perda.

Mas a percepção tardia de que aquela disputa jamais poderia ser vencida.

Porque eu estava tentando ser realidade.

E a realidade tem uma enorme desvantagem diante da fantasia.

Ela existe.

E tudo aquilo que existe inevitavelmente apresenta defeitos.

"A fantasia nunca perde para a realidade porque ela se recusa a jogar o mesmo jogo."

Conclusão — Junho continua chegando

Talvez seja por isso que junho continue sendo o começo do fim.

Porque ele não me lembra apenas do que aconteceu.

Ele me lembra do que eu demorei anos para compreender.

Existem pessoas que não estão apaixonadas por alguém.

Estão apaixonadas por uma história que construíram.

E enquanto essa construção permanecer de pé, todo o resto será sempre comparado contra algo impossível.

Hoje eu olho pro passado com mais raiva.

Porém com menos necessidade de provar alguma coisa.

Com menos vontade de vencer uma disputa que nunca foi justa.

Porque finalmente entendi que algumas histórias não fracassam por falta de amor.

Elas fracassam porque chegam num lugar onde alguém já escolheu qual narrativa deseja preservar.

E contra uma narrativa escolhida, não existe argumento.

Existe apenas aceitação.

E talvez crescer seja exatamente isso.

Parar de disputar espaço com fantasmas.

"Algumas pessoas superam o passado. Outras apenas aprendem a decorá-lo melhor."