🚨 Aviso: este texto contém spoilers da série Welcome to Derry.
Welcome to Derry – Episódio 8
Quando o fim não é encerramento, mas confirmação de um ciclo que se recusa a morrer.
Capítulo 1 – O silêncio depois do choque
Eu honestamente achei que nada mais poderia me fazer sentir o que senti após o episódio anterior. Achei que o impacto máximo já havia sido alcançado. Eu estava errado.
Terminei o episódio 8 em um estado que raramente experimentei assistindo uma série: em choque absoluto, sem palavras, apenas sentado em silêncio. E é desse silêncio que este texto nasce.
Curiosamente, diferente da devastação emocional do episódio passado, aqui há algo novo: uma sensação estranha de completude. Não de conforto — mas de fechamento. Como se algo tivesse sido finalmente entendido, mesmo que não resolvido.
“Algumas histórias não nos confortam. Elas apenas nos explicam.”
Capítulo 2 – A fé que quase se perdeu
Preciso admitir algo: lá pelo terceiro episódio, eu comentei sobre o ritmo seguir extremamente lento. Não que fosse ruim, mas parecia hesitante. Como se ainda estivesse procurando sua identidade.
O que fica claro agora é que os criadores sabiam exatamente o que estavam fazendo. É como se tivessem assistido ao próprio material, reconhecido o problema e ajustado o curso. Desde então, cada episódio foi uma escalada — e este é o ápice.
Sem exagero: este é, até agora, o melhor episódio de qualquer série que eu assisti neste ano.
Capítulo 3 – O tempo não existe para a Coisa
Tudo o que achávamos saber sobre esse universo muda aqui. De forma definitiva.
A revelação de que a Coisa não enxerga o tempo como nós é simplesmente genial. Não se trata de viagem temporal barata. É uma lógica divina, coerente com uma entidade cósmica: tudo acontece ao mesmo tempo.
O que a Coisa vive em um ponto do tempo, ele sabe em todos os outros.
E é aí que tudo se encaixa: ela vai atrás dessas crianças porque elas são sua única chance de sobrevivência no futuro, contra o Clube dos Perdedores.
“Para quem vive fora do tempo, passado e futuro são apenas variações da mesma dor.”
Capítulo 4 – “Margaret Tozier” e o momento em que tudo vira de cabeça para baixo
Uma confissão, eu vi essa reviravolta chegando.
Quando Pennywise diz “Margaret Tozier”, eu literalmente vibrei. É o tipo de revelação que não apenas surpreende — ela reorganiza tudo o que veio antes.
Richie passa a ter presença concreta. Não apenas como memória, mas como força narrativa. E isso é poderoso.
As falas icônicas retornam. Marge dizendo que quer matar “esse palhaço do caralho”. Frases que ecoam o romance, os filmes, o trauma coletivo.
“Algumas palavras não envelhecem. Elas apenas esperam o momento certo para ferir de novo.”
Capítulo 5 – Hallorann, Overlook e o Kingverso em estado puro
Hallorann aqui é uma celebração explícita do Kingverso. As referências a O Iluminado não são sutis — são assumidas.
“Quanta confusão um hotel pode causar?” é uma piada perfeita. E também um aviso.
Ver Dick enfrentando a Coisa em sua mente foi algo que eu nunca soube que precisava ver. Dois titãs de Stephen King se encarando. Curto, intenso, devastador.
“Algumas batalhas não são vencidas com força. São vencidas com permanência.”
Capítulo 6 – Deadlights, desaparecidos e zombaria
A cena de abertura é Pennywise em sua essência: brincando com a comida antes de aniquilar tudo com os Deadlights.
Mais tarde, os cartazes de desaparecidos no Standpipe não são apenas cenário — são zombaria. Um lembrete cruel às crianças de que ninguém saiu inteiro dali.
Leroy vendo os Deadlights é um detalhe sutil e brilhante. Ele acorda e imediatamente procura Will — porque já viu sua morte.
Essa é a crueldade máxima da Coisa: mostrar antes de tirar.
Capítulo 7 – A amizade como força real
E então vem o final.
O poder da amizade sempre foi central neste universo. Sempre. Mas aqui ele não soa ingênuo. Ele soa necessário.
Quando o espírito de Rich aparece, eu comecei a lacrimejar. Não de tristeza pura, mas de beleza. Ele correndo mais rápido que a Coisa, mostrando o dedo do meio para Pennywise, ajudando a empurrar o artefato de volta… todos sentindo sua presença.
“Alguns laços não terminam com a morte. Eles apenas mudam de forma.”
A Coisa sendo mais uma vez derrotada, em fúria, incapaz de impedir sua própria morte — e renascimento — é poético.
Mais vinte e sete anos.
Capítulo 8 – Funeral, palavras eternas e despedidas necessárias
O funeral de Rich precisava acontecer. E quando Marge começa a falar, eu já sabia.
“Sem bons amigos, sem maus amigos…”
Essa frase sempre me destrói. E aqui, novamente, ela encontra o lugar perfeito.
Ver Dick dizendo aos pais de Rich que estaria com eles para sempre é um dos momentos mais humanos de toda a série.
Capítulo 9 – Beverly Marsh e o ciclo que se fecha
E então, o final verdadeiro.
Ingrid Kersh em Juniper Hill. Joan Gregson retomando seu papel. Outubro de 1988.
Percebemos que Bill Denbrough não foi o único a perder alguém.
E então ela aparece: Beverly Marsh. Sophia Lillis retorna, e eu quase gritei.
Lilly não era sua mãe — e graças a isso, evitamos o pior tipo de retcon. O final de Lilly é honesto, digno, humano.
E a Sra. Kersh consola Beverly, não antes de entregar a frase mais arrepiante da temporada. A mesma que a Coisa repetiria vinte e oito anos depois.
"- Você sabe o que dizem sobre Derry: Todo mundo que morre aqui, não morre de verdade"
“Sua morte foi seu nascimento.”
Capítulo 10 – O fim perfeito de um começo
A música final — o tema de Beverly — fecha tudo com delicadeza.
Se Andy Muschietti estiver preparando um terceiro filme, faz sentido. Mas eu não preciso disso.
Se as próximas temporadas forem tão boas quanto esta, os filmes se tornam começo e fim ao mesmo tempo.
A Coisa está presa em um ciclo que não consegue vencer.
E nós, espectadores, saímos transformados.
Estou extremamente feliz em descobrir esse universo tão incrível.


Nenhum comentário:
Postar um comentário