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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Harry Potter e a Câmara Secreta — Capítulo 7

O capítulo 7 segue exatamente no ritmo em que a história vinha caminhando, sem grandes saltos ou rupturas. Existe uma sensação clara de continuidade, como se Hogwarts estivesse, pouco a pouco, começando a se fechar sobre o Harry novamente. Não é mais apenas o deslumbre do retorno à escola; agora há ruídos, incômodos, pequenas tensões que começam a se acumular.

Harry passa a se esconder do professor Lockhart, e essa atitude diz muito mais sobre Lockhart do que sobre o próprio Harry. Existe ali um incômodo silencioso, uma inveja mal disfarçada. Lockhart parece enxergar em Harry tudo aquilo que ele deseja ser: famoso, admirado, reconhecido — mas sem esforço, sem construção artificial.

Algumas pessoas não querem ser especiais pelo que fazem, mas apenas pelo reflexo que conseguem arrancar dos outros.

Soma-se a isso a presença constante do aluno novato, que segue Harry pelos corredores tentando tirar fotos. Não é apenas admiração inocente — é invasão. É o tipo de atenção que transforma alguém em objeto, e não em pessoa. Harry, que passou a infância inteira sendo ignorado ou maltratado, agora vive o outro extremo: ser observado o tempo todo.

Quadribol, rivalidade e dinheiro

Quando chega o final de semana, Harry planeja encontrar Hagrid, mas os planos são interrompidos pelo chamado impiedoso de Olívio Wood. Um treino de quadribol ao amanhecer, cedo demais, frio demais, com todos ainda sonolentos. Existe algo quase cruel nessa rotina, mas também algo muito característico: o quadribol não é apenas um jogo, é uma obsessão.

Olívio despeja estratégias, esquemas, possibilidades. O quadribol aqui não é diversão; é guerra esportiva. E é justamente nesse clima que Harry percebe a presença do aluno novato novamente, acompanhado de Rony e Hermione, observando o treino.

A tranquilidade dura pouco. A Sonserina surge, como sempre, com autorização de Snape e a intenção clara de provocar. Draco Malfoy agora faz parte oficialmente do time, ocupando exatamente a mesma posição de Harry. A rivalidade deixa de ser apenas simbólica e passa a ser técnica, esportiva, direta.

O golpe final vem com o dinheiro. O pai de Draco compra vassouras novas para todo o time da Sonserina. Nesse ponto, tudo se encaixa: a venda de artefatos no início do livro, a ostentação, a influência. Não é mérito, é poder financeiro.

Quando o talento não basta, o dinheiro tenta ocupar o espaço.

Palavras que ferem mais do que feitiços

A situação degringola quando Draco chama Hermione de “sangue-ruim”. A palavra cai como um estilhaço. Não é apenas um insulto; é um ataque estrutural, histórico, carregado de preconceito. A reação é imediata.

Rony tenta defendê-la, mas sua varinha quebrada transforma o feitiço em algo grotesco e humilhante. Em vez de atingir Draco, o feitiço retorna, e Rony passa a vomitar lesmas. É uma cena ao mesmo tempo absurda e simbólica: o preconceito gera sujeira, gera nojo, gera algo que precisa ser expelido.

Eles recorrem a Hagrid, que pouco pode fazer além de recomendar paciência. Não há cura rápida, não há atalho. Algumas consequências precisam simplesmente acontecer até o fim.

Detenção, vaidade e a primeira voz

A punição chega. Rony vai limpar troféus, enquanto Harry é enviado para ajudar Lockhart a responder cartas de fãs. A escolha da detenção não é aleatória: ela reforça quem Lockhart é. Cada carta, cada resposta, cada gesto transborda vaidade e autopromoção.

O livro insiste — com razão — em mostrar Lockhart como uma figura profundamente egocêntrica. Não há sutileza aqui. Tudo gira em torno dele, de sua imagem, de sua narrativa pessoal.

É durante essa detenção que algo muda. Harry começa a ouvir uma voz. Uma voz que ninguém mais escuta. Nem Lockhart. Nem os professores. Apenas ele.

Há vozes que não ecoam nos corredores, apenas dentro de quem está destinado a escutá-las.

A voz não se revela por completo, mas deixa claro que algo está se movendo sob Hogwarts. Algo antigo. Algo escondido. Algo vivo.

Peças se encaixando

Ao final do capítulo, Harry explica tudo a Rony. Não há grandes explosões narrativas aqui, mas há um encaixe cuidadoso das peças. Draco no time da Sonserina. Lockhart como uma figura vazia e barulhenta. Snape permanecendo como o professor carrasco. E, pela primeira vez, a presença real de algo invisível, mas atento.

A história ainda anda pouco, mas agora ela começa a ganhar forma. Não mais como um conjunto de episódios soltos, mas como um caminho que claramente aponta para algo maior.

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