Capítulo I — O capítulo que existe para levar Harry até a próxima porta
Vou começar esta análise de forma diferente das anteriores:
O capítulo 7 é provavelmente um dos capítulos menos importantes da primeira metade do livro.
Não existe revelação.
Não existe desenvolvimento significativo de personagem.
Não existe avanço real da trama.
Existe apenas deslocamento.
Harry precisa sair da sede da Ordem.
Precisa chegar ao Ministério.
Precisa chegar ao julgamento.
E Rowling transforma esse trajeto em um capítulo inteiro.
Capítulo II — O Ministério continua escondendo Sirius
Se existe uma informação realmente relevante aqui, ela é a situação de Sirius.
Mais uma vez percebemos que a Ordem continua trabalhando para protegê-lo.
Ou, mais precisamente, para impedir que o Ministério o encontre.
Nada muito novo é revelado.
Mas reforça uma realidade importante:
Sirius continua vivendo como um fugitivo.
Mesmo após todos os acontecimentos dos livros anteriores.
A inocência de Sirius é conhecida pelo leitor. Mas não pelo mundo.
Capítulo III — O Ministério da Magia começa a parecer um labirinto
Uma das poucas coisas que o capítulo realmente acrescenta é a primeira exploração mais detalhada do Ministério da Magia.
Até então ele existia mais como uma instituição distante.
Um nome.
Uma autoridade.
Uma burocracia.
Agora começamos a enxergar seus corredores.
Seus elevadores.
Seus departamentos.
Sua estrutura física.
E tudo parece gigantesco.
O Ministério não foi construído para parecer acolhedor. Foi construído para parecer importante.
Capítulo IV — A mudança da audiência
A única movimentação narrativa realmente relevante ocorre quando a audiência é alterada.
Harry não é avisado corretamente.
O local muda.
O horário muda.
Tudo acontece de forma suspeita.
É um pequeno detalhe.
Mas serve para mostrar algo que o livro vem construindo desde o começo.
O Ministério não está sendo imparcial.
Quando as regras mudam de última hora, normalmente alguém está tentando ganhar vantagem.
Capítulo V — O sentimento de ansiedade funciona
Embora eu concorde que o capítulo tenha pouca importância prática, existe uma coisa que ele faz relativamente bem.
Ele cria ansiedade.
Harry não sabe o que vai acontecer.
Não sabe quem estará lá.
Não sabe qual será a punição.
Não sabe se continuará em Hogwarts.
Não sabe se perderá sua varinha.
O leitor já imagina que tudo ficará bem.
Mas Harry não.
A espera costuma ser pior quando não sabemos exatamente o que estamos esperando.
Capítulo VI — Um capítulo de transição clássico
O problema é que Rowling sempre teve uma característica muito marcante:
Ela gosta de capítulos de preparação.
Muito mais do que a maioria dos autores.
Às vezes isso funciona muito bem.
Outras vezes produz capítulos como este.
Capítulos que existem quase exclusivamente para posicionar peças.
Harry precisa estar na sala de julgamento.
Pronto.
Esse é o objetivo.
Todo o resto serve apenas para justificar essa chegada.
É um capítulo inteiro construído em torno de uma porta que Harry ainda não atravessou.
Capítulo VII — O contraste com capítulos futuros
O mais curioso é que esse capítulo fica ainda mais fraco quando comparado ao seguinte.
Porque o capítulo 8 entrega exatamente aquilo que este apenas promete.
O julgamento.
A tensão.
O conflito político.
A defesa de Dumbledore.
A participação da senhora Figg.
Tudo aquilo que realmente importa.
Por isso o capítulo 7 acaba parecendo uma longa introdução.
Uma introdução que poderia facilmente ocupar poucas páginas.
Capítulo VIII — Nem todo capítulo precisa ser memorável
Dito isso, existe uma armadilha interessante quando analisamos livros longos.
Nem todo capítulo precisa ser memorável.
Nem todo capítulo precisa trazer revelações.
Nem todo capítulo precisa ter impacto.
O problema acontece quando um capítulo não faz nenhuma dessas coisas e também não aprofunda personagens.
E é justamente aí que este capítulo tropeça.
Capítulos lentos funcionam quando aprofundam algo. Capítulos de transição funcionam quando são curtos. Este acaba ficando entre os dois.
Capítulo IX — O que realmente sobra dele
Quando terminamos a leitura, o que realmente fica?
Pouca coisa.
- Sirius continua sendo protegido.
- O Ministério parece cada vez mais suspeito.
- A audiência foi alterada.
- Harry chega sozinho ao julgamento.
Praticamente todo o restante desaparece da memória do leitor.
E isso é um indicativo de quanto o capítulo tem pouco peso próprio.
Capítulo X — O verdadeiro tema do capítulo
Se eu tivesse que resumir o capítulo 7 em uma única frase, seria:
"Harry caminha até o lugar onde a história realmente vai começar."
É um capítulo funcional.
Cumpre seu papel.
Posiciona os personagens.
Cria alguma expectativa.
Mas dificilmente aparece entre os momentos memoráveis da saga.
E talvez essa seja justamente sua função:
Ser apenas a ponte entre a apresentação da Ordem da Fênix e o primeiro grande confronto político do livro.


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