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sexta-feira, 12 de junho de 2026

12 de Junho — O Dia dos Namorados no Brasil

Quatro meses se passaram desde aquele Valentine's Day que veio logo após uma sexta-feira 13. O calendário mudou, mas o eco daquela metáfora ainda ressoa por aqui.

1. O Ruído das Vitrines e o Silêncio do Quarto

Chegamos ao 12 de junho. O Dia dos Namorados "oficial" do Brasil. Se em fevereiro eu me sentia em Crystal Lake, hoje eu me sinto em um daqueles cenários de The Stanley Parable: um escritório cheio de portas, onde todas as escolhas parecem levar ao mesmo corredor vazio.

As vitrines estão vermelhas. O Instagram é um mar de declarações editadas. E eu? Eu continuo aqui, no "etc" da vida, tentando entender por que algumas datas parecem gritar enquanto a gente só queria um pouco de silêncio.

"O problema de certas datas não é a solidão. É o contraste entre o que o mundo celebra e o que a gente sustenta no escuro."

2. O Ordinário que Ninguém Compra

Recentemente, andei pensando muito sobre Epicuro e o tal "prazer extraordinário". O mercado do 12 de junho vive disso: do extraordinário. Do jantar caro, da aliança na taça, da foto perfeita. Mas, como eu escrevi dias atrás, o extraordinário impressiona, mas é o ordinário que sustenta.

Eu percebi que o que eu tenho para oferecer — a lealdade, a parceria nos boletos, o café coado na segunda-feira — não tem valor de mercado nessa data. As pessoas querem o Ocarina of Time: o mito, a fantasia, a jornada épica. Ninguém quer o jogo de sobrevivência do dia a dia, onde o gráfico é simples, mas a mecânica é real.

"A fantasia nunca perde para a realidade porque ela se recusa a jogar o mesmo jogo. E eu cansei de tentar ser o prêmio de uma partida que já começou com o resultado reservado."

3. Junho: O Começo do Fim

Estamos em junho, o mês que antecede aquele julho que dividiu minha vida. O Facebook e o Google Fotos já começaram a me "presentear" com lembranças de versões de mim que eu nem reconheço mais. É irônico como o Dia dos Namorados cai justamente no mês em que eu começo a sentir o peso dos ciclos se fechando.

Em fevereiro, eu disse que meu espelho estava quebrado. Hoje, eu acho que ele está apenas... limpo. Eu parei de tentar enxergar nele o reflexo de alguém que gera declarações públicas. Talvez a minha presença seja mesmo esse lugar discreto e seguro. E talvez, só talvez, o erro não seja meu, mas de quem só consegue enxergar o que brilha sob o refletor.

Conclusão — A Reconstrução Silenciosa

“Estar solteiro no dia dos namorados pode ser como estar vivo no dia de finados. Às vezes, estamos melhor que os homenageados...”
— Devaneios de Dário Enquanto o Café Esfria

Neste Dia dos Namorados, eu não estou tão quebrado como estava há quatro meses. Estou em reconstrução. Uma daquelas obras lentas, que não aparecem na fachada, mas que reforçam os alicerces.

Não espero declarações. Não espero ser escolhido hoje. O que eu espero é conseguir olhar para o espelho e, mesmo sem o brilho de ser visto como o ápice, me ver inteiro. Porque, no fim das contas, a maior armadilha é querer apenas o extraordinário. E como Henry em Firewatch, preciso encarar o vazio sem esquecer que a felicidade mora no comum.

E o comum, hoje, é apenas eu, meu blog e a coragem de não precisar de um imperador para proibir o que eu sinto. Eu mesmo já aprendi a colocar os limites.

"Nem todo amor termina em abandono. Alguns terminam em uma paz que a gente demorou uma vida inteira para encontrar."

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