Capítulo I — Um capítulo que finalmente acelera
O capítulo 7 de Harry Potter e o Enigma do Príncipe talvez seja um dos melhores exemplos de ritmo que a série apresentou até aqui.
Os dois livros anteriores, principalmente em seus capítulos iniciais, frequentemente davam a sensação de que a história avançava em centímetros.
Pequenas peças eram colocadas no tabuleiro.
Os personagens eram lentamente levados para onde precisavam estar.
E somente muito depois a narrativa realmente acelerava.
Aqui acontece exatamente o contrário.
Muita coisa acontece.
E acontece rápido.
O resultado é um capítulo extremamente divertido, intenso e muito bem construído.
Depois de tantos capítulos movendo peças lentamente, o capítulo 7 decide virar o tabuleiro inteiro de uma vez.
Capítulo II — Harry está sozinho em suas suspeitas
Ainda na Toca, Harry continua completamente convencido de que Draco Malfoy está envolvido em algo sério.
E, sinceramente, ele parece ser a única pessoa levando isso realmente a sério.
Rony não demonstra a mesma preocupação.
Hermione continua cética.
O senhor Weasley também não dá muita importância.
Harry apresenta indícios.
Fala sobre o comportamento de Draco.
Fala sobre a Travessa do Tranco.
Fala sobre a sensação de que ele está escondendo alguma coisa.
Mas ninguém parece disposto a considerar a hipótese que para Harry já é praticamente óbvia:
Draco Malfoy se tornou um Comensal da Morte.
Talvez ainda mais importante seja perceber que Harry não enxerga apenas arrogância em Draco.
Ele percebe medo.
Percebe desespero.
Percebe alguém envolvido em algo muito maior do que consegue controlar.
E a sensação de Harry é extremamente frustrante.
Ele acredita ter descoberto algo importante, mas está cercado de pessoas que não enxergam aquilo que para ele já parece evidente.
Uma das maiores angústias de Harry sempre foi perceber o perigo antes dos outros e ser tratado como exagerado até que seja tarde demais.
Capítulo III — A viagem de trem muda novamente
Um pequeno detalhe produz uma mudança enorme na dinâmica da viagem para Hogwarts.
Rony e Hermione agora são monitores.
Isso significa que Harry não fará a tradicional viagem com os dois.
Essa separação já havia começado no livro anterior, mas aqui parece ainda mais evidente.
Harry acaba sozinho.
Ou quase.
Ele encontra Neville e Luna.
E talvez este seja um dos momentos mais bonitos do capítulo.
Neville e Luna estiveram ao lado de Harry quando praticamente ninguém acreditava nele.
Participaram da Armada de Dumbledore.
Foram ao Ministério da Magia.
Lutaram ao seu lado.
Arriscaram suas vidas.
Quando algumas garotas convidam Harry para outro compartimento, praticamente sugerindo que ele não precisava continuar sentado com Neville e Luna, Harry responde de maneira simples.
Eles são seus amigos.
É uma frase pequena.
Mas extremamente significativa.
Harry pode até ser atraído pela popularidade, mas não esquece quem permaneceu ao lado dele quando ser seu amigo custava alguma coisa.
Capítulo IV — Luna e Neville deixam de ser apenas figurantes
Existe algo muito importante na escolha de Harry.
Durante muito tempo, Neville e Luna foram tratados como personagens estranhos.
Neville era o garoto atrapalhado.
Luna era a garota excêntrica.
Ambos eram frequentemente ridicularizados.
Mas depois dos acontecimentos no Ministério, essa percepção muda.
Harry sabe do que eles são capazes.
Sabe que ambos permaneceram quando a situação ficou perigosa.
Sabe que eles tiveram coragem.
E isso vale mais do que qualquer aparência de popularidade.
O capítulo mostra um Harry mais maduro nesse ponto.
Alguém capaz de reconhecer o valor de pessoas que os outros preferem ignorar.
Lealdade é fácil quando todos estão olhando. Neville e Luna foram leais quando quase ninguém estava.
Capítulo V — O Clube do Slughorn
O convite para o vagão de Horácio Slughorn continua explorando uma das características mais curiosas do personagem.
Slughorn coleciona pessoas.
Não objetos.
Pessoas.
Principalmente pessoas promissoras.
Filhos de jogadores famosos.
Parentes de funcionários importantes.
Alunos com sobrenomes conhecidos.
Pessoas que talvez ocupem posições relevantes no futuro.
Existe algo quase empresarial na forma como ele constrói sua rede de contatos.
E isso é interessante porque Slughorn não parece exatamente cruel.
Ele apenas é extremamente pragmático.
Investe em quem acredita que poderá ser importante.
E Harry, naturalmente, é praticamente o investimento perfeito.
O Menino Que Sobreviveu.
Filho de Lílian Potter.
Uma figura central na guerra contra Voldemort.
Alguém inevitavelmente destinado a ocupar um papel importante no mundo bruxo.
Slughorn não escolhe apenas alunos. Ele escolhe futuros contatos.
Capítulo VI — O lado calculista de Slughorn
A reunião no vagão também mostra que Slughorn avalia constantemente as pessoas ao redor.
Ele demonstra interesse.
Faz perguntas.
Observa as respostas.
E rapidamente percebe quem ainda possui conexões úteis e quem deixou de ter.
Existe até algo engraçado nessa dinâmica.
Alguns alunos acreditam estar participando apenas de uma conversa.
Mas Slughorn está praticamente fazendo uma triagem.
Ele mede influência.
Prestígio.
Potencial.
E Harry percebe parte disso.
O professor transforma relações humanas em uma espécie de investimento de longo prazo.
É uma característica que pode parecer superficial.
Mas também mostra inteligência social.
Slughorn entende como o poder circula.
E gosta de permanecer próximo dele.
Capítulo VII — Harry decide seguir Draco
Mas o verdadeiro coração do capítulo está em Draco.
Harry continua convencido de que ele está escondendo alguma coisa.
E decide espioná-lo usando a capa da invisibilidade.
Até aqui, a situação lembra várias aventuras anteriores.
Harry se esconde.
Observa.
Escuta.
Tenta descobrir um segredo.
Só que desta vez as coisas dão errado.
Muito errado.
Harry sobe no bagageiro.
Escuta a conversa.
Percebe que Draco fala como alguém envolvido em algo realmente sério.
E talvez se empolgue demais com a possibilidade de estar certo.
Harry acredita que está no controle.
Mas não está.
A confiança de Harry quase sempre nasce da experiência. O problema é que às vezes ela se transforma em imprudência.
Capítulo VIII — Draco deixa de ser apenas um valentão
O momento mais importante acontece quando Draco revela que percebeu a presença de Harry.
Ele não reage como o garoto arrogante dos primeiros livros.
Não faz um grande discurso.
Não chama ajuda.
Não perde tempo.
Ele age.
Lança um Petrificus Totalus.
Imobiliza Harry.
Quebra seu nariz.
Cobre seu corpo com a capa da invisibilidade.
E o abandona no trem.
É uma ação fria.
Calculada.
E muito mais perigosa do que qualquer provocação escolar.
Draco deixa de parecer apenas um rival infantil.
Ele demonstra inteligência.
Observação.
Capacidade de reação.
E disposição para causar dano real.
Draco não quer apenas humilhar Harry. Ele quer impedi-lo de descobrir aquilo que está escondendo.
Capítulo IX — Harry não é tão brilhante quanto acredita
Existe outra coisa muito importante nesse final.
Harry perde.
Completamente.
Ele acredita que está espionando Draco.
Mas Draco já sabe que ele está ali.
Harry acredita que possui vantagem.
Mas acaba paralisado.
Acredita que descobrirá o segredo.
Mas termina abandonado debaixo da capa da invisibilidade.
É um momento importante porque desmonta a imagem de Harry como alguém que sempre consegue improvisar uma saída.
Dessa vez não existe resposta rápida.
Não existe golpe inesperado.
Não existe fuga.
Harry foi simplesmente superado.
O capítulo funciona tão bem porque mostra Draco mais competente e Harry mais vulnerável.
Capítulo X — Um dos melhores finais da série até aqui
O encerramento do capítulo é excelente.
Harry está imobilizado.
Ferido.
Invisível.
Sozinho.
O trem está chegando ao destino.
E ninguém sabe onde ele está.
É um final simples.
Mas extremamente eficiente.
Ele gera urgência.
Mostra que Draco não deve ser subestimado.
E confirma que existe realmente algo importante acontecendo.
Harry pode ainda não saber qual é o plano.
Mas agora tem certeza de que existe um plano.
Harry entrou naquele vagão acreditando estar caçando Draco. O capítulo termina mostrando que, durante todo o tempo, ele também estava sendo observado.
Considerações Finais
O capítulo 7 é facilmente um dos melhores capítulos iniciais de toda a saga até aqui.
Ele possui ritmo.
Humor.
Desenvolvimento de personagens.
Mistério.
Tensão.
E um encerramento extremamente forte.
Além disso, faz algo muito importante para a história.
Transforma Draco Malfoy.
Até aqui ele era principalmente um rival escolar.
Agora parece alguém envolvido numa guerra.
Harry também muda.
Ele deixa de enxergar Draco apenas como um garoto arrogante.
Passa a vê-lo como uma ameaça real.
E talvez essa seja a melhor definição para o capítulo:
Harry finalmente encontrou alguém tão disposto a jogar quanto ele.
E, pela primeira vez, esse alguém parece estar um passo à frente.
Algumas rivalidades acabam na escola. Outras amadurecem junto com as pessoas envolvidas.


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