Capítulo I — A enfermaria e a tentativa de normalidade
O capítulo 13 começa de forma quase doméstica. Hermione ainda se recupera da poção errada que tomou, e Harry e Rony seguem frequentando a enfermaria como parte da rotina. Levam deveres, conversam, tentam manter alguma normalidade dentro do ritmo da escola.
Esse início é importante porque mostra Hogwarts tentando continuar funcionando, mesmo com tudo fora do lugar. A vida escolar insiste em seguir, mesmo quando algo claramente errado ronda os corredores. É um esforço coletivo de fingir que está tudo bem.
Às vezes, a normalidade é só uma pausa educada antes do próximo impacto.
Capítulo II — Murta que Geme e o objeto esquecido
Ao sair da enfermaria em um desses dias comuns, Harry e Rony ouvem Murta que Geme chorando. O motivo é banal e ao mesmo tempo decisivo: alguém jogou um diário nela. Um gesto pequeno, quase infantil, que acaba se tornando um dos pontos centrais da história.
Quando Harry pega o objeto, descobre que é o diário de Tom Riddle. Aqui, minha memória do filme entra imediatamente em cena. Lembro do diário sendo colocado entre as coisas de Harry no Beco Diagonal, por Lucius Malfoy, em meio aos livros de Lockhart. Lembro também de Harry repassando esses livros para Gina, o que explicaria como o diário chegou até ela.
Na minha lembrança do filme, Gina teria sofrido algum tipo de transe e aberto a Câmara Secreta. Essa é a memória que eu carrego. Mas, no livro, ainda não sabemos nada disso. Temos apenas um diário. E nem sequer sabemos, oficialmente, quem é Tom.
Às vezes, o que sabemos demais atrapalha o que ainda precisa ser descoberto.
Capítulo III — Um nome, um troféu e cinquenta anos
Rony se lembra do sobrenome. Ele já viu aquele nome antes, gravado em um troféu de serviços prestados à escola. Os dois vão conferir. Quando contam tudo para Hermione, as peças começam a se alinhar.
O diário tem um nome. A Câmara Secreta foi aberta há cinquenta anos. O troféu também tem cinquenta anos. Tudo começa a apontar para o mesmo período, para o mesmo evento. A narrativa começa a criar uma estrutura mais sólida, quase matemática, conectando passado e presente.
Ainda assim, o diário está em branco. Nada do que eles tentam revela qualquer conteúdo. Confesso que, influenciado por Hogwarts Legacy, eu esperava que Hermione simplesmente lançasse um Revelio. É o feitiço mais usado no jogo. Mas isso não acontece. O livro escolhe outro caminho.
Nem todo segredo se revela com força. Alguns exigem diálogo.
Capítulo IV — Lockhart, Valentim e o absurdo cotidiano
Em meio a tudo isso, Lockhart surge com mais uma de suas ideias: a celebração do Dia dos Namorados. Já é fevereiro, e ele resolve transformar Hogwarts em um espetáculo constrangedor de cartões, mensagens e duendes vestidos de cupido.
A cena parece deslocada — e talvez seja exatamente esse o ponto. Enquanto algo perigoso cresce nos subterrâneos da escola, a superfície se ocupa de encenações românticas e gestos vazios. Não me lembro se essa parte existe no filme, mas no livro ela funciona quase como um alívio desconfortável.
O absurdo cotidiano costuma florescer quando ninguém quer olhar para o problema real.
Capítulo V — Tinta, escrita e resposta
O ponto de virada do capítulo acontece de forma silenciosa. Harry percebe que o diário não se suja de tinta quando seu tinteiro cai sobre os livros. Todos ficam manchados, menos ele.
Quando Harry fica sozinho, começa a escrever no diário. E o diário responde. Essa dinâmica é excelente. Não soa forçada, não parece um truque de roteiro. A descoberta acontece de forma orgânica, curiosa, quase inevitável.
Harry começa a conversar com Tom Riddle. Infelizmente, eu sei quem Tom Riddle é — um spoiler carregado dos filmes. Ainda assim, é impossível não imaginar o impacto que essa revelação teria para alguém descobrindo isso pela primeira vez, apenas pelo livro.
Há diálogos que não acontecem em voz alta, mas mudam tudo.
Capítulo VI — O passado revela seu bode expiatório
O diário mostra a noite em que a Câmara Secreta foi aberta pela primeira vez. A narrativa nos conduz a uma conclusão desconfortável: tudo aponta para Hagrid.
Harry entende, então, que Hagrid foi expulso de Hogwarts. A história da Câmara Secreta se conecta a ele, e surge também a questão da aranha. Não lembro se o livro já deixa claro que se trata de uma aranha, ou se essa imagem vem diretamente do filme. Mas, na minha memória, é ela que leva a culpa no lugar do basilisco.
O capítulo termina com Harry contando a Rony que Hagrid foi quem abriu a Câmara Secreta cinquenta anos atrás. A revelação é pesada, não apenas pelo que diz, mas por quem envolve.
Quando o passado é reescrito, alguém sempre paga o preço.
Capítulo VII — Peças no lugar
A história finalmente está andando com clareza. Temos Tom Riddle e seu diário. Temos o passado da Câmara Secreta. Temos Hagrid como suspeito histórico.
Agora, todas as peças estão posicionadas. Falta apenas o movimento final. A pergunta já não é mais o quê, mas quando o basilisco vai aparecer.
É um excelente capítulo. Não pela ação explosiva, mas pela sensação de encaixe. Tudo começa a fazer sentido — e isso, em histórias assim, costuma ser o momento mais perigoso.
Quando tudo parece claro demais, é porque algo está prestes a emergir das sombras.


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