Capítulo I — O capítulo mais comum de Hogwarts
O capítulo 31 tem uma característica curiosa.
Durante boa parte dele, parece um dos capítulos mais normais de toda a série.
Não existem grandes batalhas.
Não existem revelações gigantescas.
Não existem conspirações sendo descobertas.
Existe apenas algo que todo estudante conhece:
provas.
Ansiedade.
Pressão.
Cansaço.
No meio de um livro cheio de guerra, perseguições e conspirações, Rowling coloca os personagens diante de algo extremamente comum.
E justamente por isso funciona tão bem.
Porque por alguns instantes Harry deixa de ser o menino que enfrenta Voldemort.
Ele volta a ser apenas um adolescente tentando sobreviver à semana de provas.
Às vezes uma prova escolar consegue parecer mais assustadora do que um Comensal da Morte.
Capítulo II — O peso dos NOMs
Os NOMs vêm sendo construídos desde o começo do livro.
O excesso de deveres.
Os estudos intermináveis.
As preocupações dos professores.
A ansiedade dos alunos.
Tudo apontava para esse momento.
E gosto muito de como o livro não transforma os protagonistas em gênios absolutos.
Eles estudam.
Eles erram.
Eles ficam nervosos.
Eles saem de algumas provas confiantes.
De outras, nem tanto.
É uma representação muito mais honesta da vida escolar.
Nem sempre o esforço gera perfeição.
Às vezes ele apenas gera uma nota razoável.
E tudo bem.
O livro entende algo importante: crescer não é tirar nota máxima em tudo. É continuar tentando mesmo quando não se sente preparado.
Capítulo III — Harry encontra seu lugar
Entre todas as provas, a de Defesa Contra as Artes das Trevas acaba sendo especial.
Porque é ali que Harry percebe algo que talvez não tivesse percebido completamente até então.
Ele é realmente bom nisso.
Não porque estudou mais.
Não porque decorou livros.
Mas porque viveu aquilo.
Harry enfrentou trolls.
Enfrentou dementadores.
Enfrentou Voldemort.
Enfrentou dragões.
Enfrentou situações que nem muitos bruxos adultos enfrentaram.
Quando chega a hora de conjurar um Patrono, aquilo já não é apenas uma técnica.
É parte da sua história.
É quase uma extensão dele mesmo.
Existem matérias que aprendemos nos livros. Outras aprendemos sobrevivendo.
Capítulo IV — O silêncio antes da tempestade
Durante boa parte do capítulo existe uma sensação estranha.
Tudo parece relativamente normal.
Até tranquilo.
Mas existe algo pairando sobre a narrativa.
Uma sensação de que alguma coisa está prestes a acontecer.
Afinal, estamos nos capítulos finais da Ordem da Fênix.
E Rowling nunca termina seus livros apenas com provas escolares.
Existe sempre uma tempestade chegando.
A questão é apenas descobrir de onde ela virá.
Capítulo V — A queda de McGonagall
Então a normalidade desaparece.
E desaparece de forma brutal.
A cena envolvendo McGonagall é uma das mais revoltantes do livro.
Porque ela representa algo que já vínhamos percebendo há muito tempo:
o Ministério deixou de agir como uma instituição.
Passou a agir como uma máquina de perseguição.
McGonagall não é uma ameaça.
Não é uma criminosa.
Não é uma rebelde armada.
É uma professora.
Uma professora tentando proteger um colega.
E mesmo assim recebe uma resposta desproporcional.
Violenta.
Covarde.
E profundamente injusta.
Há momentos em que a autoridade deixa de parecer força e passa a parecer abuso.
Capítulo VI — Hagrid novamente sozinho
A fuga de Hagrid também é muito simbólica.
Durante boa parte do livro ele foi tratado como um problema.
Como alguém inconveniente.
Como alguém que não se encaixa.
E agora ele volta para o único lugar onde realmente se sente à vontade:
a floresta.
Existe algo triste nisso.
Porque Hagrid ama Hogwarts.
Ama os alunos.
Ama ensinar.
Mas constantemente é tratado como alguém que não pertence ao lugar.
Mesmo depois de tudo que fez pela escola.
Algumas pessoas passam a vida inteira provando seu valor e ainda assim precisam continuar se justificando.
Capítulo VII — O corredor retorna
E então chegamos ao verdadeiro coração do capítulo.
A prova de História da Magia.
Talvez a disciplina mais sonolenta de Hogwarts.
E justamente nela acontece uma das cenas mais importantes do livro.
Harry desmaia.
Ou talvez seja mais correto dizer:
Harry mergulha novamente na conexão com Voldemort.
O corredor retorna.
Aquela porta retorna.
Aquela sensação retorna.
Tudo aquilo que vinha sendo construído ao longo do livro volta de uma vez.
Mas agora existe algo novo.
Algo muito mais pessoal.
Capítulo VIII — Sirius Black
A visão é devastadora porque finalmente deixa de ser abstrata.
Até aqui Harry via corredores.
Portas.
Movimentos.
Fragmentos.
Agora ele vê Sirius.
Seu padrinho.
A pessoa mais próxima de uma família que ele possui.
E vê Sirius sendo torturado.
Sendo ameaçado.
Sendo usado.
Por Voldemort.
O impacto emocional é imediato.
Porque Harry não está apenas observando uma visão.
Ele está observando alguém que ama aparentemente sofrendo.
Existe uma enorme diferença entre ver o perigo e ver alguém que você ama dentro dele.
Capítulo IX — O fracasso da Oclumência
É impossível não pensar em Dumbledore neste momento.
E em todas as vezes que ele insistiu na Oclumência.
Todas as vezes que Harry ignorou.
Todas as vezes que Snape insistiu.
Todas as vezes que Lupin insistiu.
Todas as vezes que Sirius insistiu.
Agora o leitor começa a perceber por quê.
A ligação entre Harry e Voldemort não é apenas uma curiosidade mágica.
É uma vulnerabilidade.
Uma porta aberta.
Uma arma que pode ser usada contra ele.
E talvez esteja sendo usada exatamente agora.
Os conselhos que mais ignoramos costumam ser aqueles cujo perigo ainda não conseguimos enxergar.
Capítulo X — O fim da normalidade
No começo deste capítulo, os alunos estavam preocupados com provas.
Com notas.
Com resultados.
Com o futuro.
Ao final dele, nada disso importa mais.
Porque Harry acredita ter visto Sirius Black sendo torturado.
E isso muda tudo.
As provas deixam de importar.
Os NOMs deixam de importar.
Hogwarts deixa de importar.
A única coisa que existe agora é a necessidade desesperada de descobrir se aquilo era real.
E é justamente por isso que este capítulo funciona tão bem.
Ele começa quase como um capítulo de rotina escolar.
E termina empurrando a história diretamente para o seu clímax.
O capítulo 31 é a última vez que Harry tenta ser apenas um estudante. Depois disso, a guerra volta a bater à porta.


Nenhum comentário:
Postar um comentário