Há exatamente um ano eu escrevia aqui no blog um texto chamado O Fim de uma Era.
Naquele momento, eu estava olhando para a minha relação com videogames, plataformas, conquistas e, principalmente, para a sensação de diversão. O texto nasceu porque eu havia abandonado uma temporada de Diablo 4 e aquilo me fez perceber algo que parecia contraditório: eu gostava cada vez mais de videogames e, ao mesmo tempo, estava me divertindo cada vez menos com alguns deles.
Hoje, exatamente um ano depois, resolvi revisitar aquele texto.
Não para corrigir o que escrevi.
Não para provar que estava certo.
Mas para observar o que mudou.
Porque eu gosto de ciclos.
Gosto de marcos.
Gosto de olhar para trás e perceber onde eu estava e onde estou agora.
E talvez esta seja uma das coisas mais interessantes da jornada gamer: ela muda junto com a gente.
"Os jogos continuam sendo os mesmos. Quem muda somos nós."
Capítulo 1 — Diablo 4 e o abandono que continuou
Há um ano eu escrevia sobre abandonar uma temporada de Diablo 4.
Na época eu dizia que o jogo estava me parecendo mais um trabalho do que uma diversão.
E, curiosamente, um ano depois, isso continua sendo verdade.
Ouvi falar de diversas mudanças.
Li comentários positivos.
Vi pessoas dizendo que o jogo melhorou.
Às vezes até sinto vontade de voltar para descobrir como a história continua e talvez comprar a segunda expansão.
Mas a realidade é simples.
Desde aquele texto eu não joguei mais nenhuma temporada.
E continuo sem jogá-las.
Não existe raiva.
Não existe revolta.
Apenas desinteresse.
E talvez isso seja mais definitivo do que qualquer crítica.
"Alguns jogos nos perdem aos poucos. Quando percebemos, já estamos longe."
Capítulo 2 — Diablo 3 continua vencendo
Se Diablo 4 continuou distante, Diablo 3 fez exatamente o contrário.
No texto original eu dizia que me divertia mais jogando Diablo 3 no Nintendo Switch do que Diablo 4.
Um ano depois, posso afirmar que isso não apenas continuou sendo verdade como ficou ainda mais evidente.
Desde aquele artigo eu joguei absolutamente todas as temporadas de Diablo 3.
No PC.
No Nintendo Switch.
Algumas vezes nas duas plataformas simultaneamente.
Diablo 3 continua sendo aquele jogo que eu ligo quando quero simplesmente me divertir.
Sem pressão.
Sem obrigação.
Sem a sensação de que preciso estudar uma build inteira antes de começar.
É um jogo confortável.
E talvez conforto seja algo que eu valorize muito mais hoje do que valorizava anos atrás.
"Existe uma diferença enorme entre desafio e desgaste. Diablo 3 entende isso melhor do que Diablo 4."
Capítulo 3 — Shaolin e os jogos que mudaram
No texto antigo eu falava do meu amigo Shaolin.
E ele também acabou abandonando Diablo.
Curiosamente, um ano depois continuamos tentando jogar juntos.
A diferença é que agora não estamos procurando uma nova temporada.
Estamos procurando novos jogos.
Passamos mais tempo analisando bibliotecas, catálogos e plataformas do que propriamente jogando Diablo.
Talvez seja apenas mais uma fase.
Ou talvez seja um reflexo natural de quem joga há décadas.
Nem sempre procuramos o mesmo jogo.
Às vezes procuramos apenas novas experiências.
Capítulo 4.1 — PlayStation: absolutamente nada mudou
Se existe uma seção que permaneceu congelada no tempo foi a minha PSN.
Meu Playstation 3 continua estragado.
Eu continuo sem consertá-lo.
E tudo permanece exatamente igual.
Sem novos troféus.
Sem novas horas.
Sem novidades.
É quase engraçado perceber que, entre tantas mudanças, existe um único lugar que permaneceu completamente imóvel.
Capítulo 4.2 — Android e a tirania das propagandas
Aqui aconteceu algo curioso.
Meu número de achievements aumentou bastante.
Eu tinha 63.
Hoje tenho 113.
Mas esse crescimento poderia ser muito maior.
O problema é que os jogos mobile continuam presos a uma filosofia que eu considero extremamente nociva.
Muitos deles não querem que você jogue.
Eles querem que você assista propaganda.
A jogabilidade frequentemente se torna secundária.
O desafio deixa de ser o jogo.
O desafio passa a ser tolerar anúncios.
E isso mata boa parte da diversão.
Alguns jogos sequer possuem conquistas.
Outros possuem conquistas absurdamente artificiais, desenhadas para forçar horas e horas de exposição publicitária.
E isso acaba diminuindo meu interesse pela plataforma.
"Quando o objetivo do jogo deixa de ser divertir e passa a ser vender anúncios, alguma coisa se perdeu no caminho."
Capítulo 4.3 — Nintendo e a surpresa do ano
Aqui talvez esteja a maior surpresa de toda esta retrospectiva.
Eu realmente acreditava que a ausência de conquistas diminuiria meu interesse pelo Nintendo Switch.
E, durante algum tempo, isso até aconteceu.
Mas depois algo mudou.
Voltei a jogar.
Voltei a ligar o console.
Voltei a passar horas simplesmente me divertindo.
Entre temporadas de Diablo, jogos exclusivos e experiências casuais, acumulei centenas de horas adicionais.
E percebi algo muito importante.
As conquistas são legais.
Mas elas não são obrigatórias para a diversão existir.
O Nintendo Direct de junho 26 (antiga E3) trazendo os novos jogos apresentados pela Nintendo para Switch2 e a perspectiva de revisitar franquias clássicas reacenderam uma chama que eu achei que estava diminuindo.
E isso me deixou feliz.
Capítulo 4.4 — Xbox e o breve romance com o Game Pass
No ano passado minha gamertag do Xbox era praticamente vazia.
Então eu assinei o Game Pass.
Joguei Firewatch.
Joguei Forza Horizon 5.
Joguei Ori.
Joguei Day of the Tentacle.
E me diverti bastante.
Mas então aconteceu algo simples.
O Game Pass ficou mais caro.
E eu percebi que não estava usando o serviço o suficiente para justificar o valor.
Resultado?
Abandonei novamente.
Minha gamertag deixou de ser vazia.
Mas continua sendo uma das menos utilizadas.
E muito provavelmente continuará assim.
Capítulo 4.5 — PC, o verdadeiro centro da minha jornada
Se existe uma conclusão clara depois de um ano é que o PC continua sendo minha principal plataforma.
Mas vale dividir isso em três partes.
GOG
Eu tinha 49 achievements.
Hoje tenho 119.
Joguei vários jogos.
Fiz alguns 100%.
Comprei DLCs.
A plataforma continua excelente.
O único problema é que muitos dos jogos não possuem conquistas.
E isso acaba diminuindo um pouco o incentivo.
Epic Games
Aqui o salto foi enorme.
Saí de 77 para 274 achievements.
Os jogos gratuitos para resgate semanal continuam sendo uma das melhores iniciativas da indústria.
A sua biblioteca na Epic cresce exponencialmente.
Mas existem limitações.
Muitos jogos não possuem conquistas.
O ecossistema mobile continua fragmentado.
Não existe uma integração consistente entre plataformas da mesma loja.
E isso faz tudo parecer uma grande gambiarra tecnológica.
Steam
A Steam venceu.
De novo.
Saí de 151 conquistas para mais de 500.
Fiz platinas.
Joguei dezenas de jogos.
Acumulei centenas de horas.
E continuo considerando a Steam o melhor lugar para jogar.
Como loja.
Como comunidade.
Como ecossistema.
Como serviço.
Ela continua anos à frente da concorrência.
"Quando penso em comprar um jogo, a Steam continua sendo meu destino natural."
Capítulo 4.6 — RetroAchievements e o potencial ainda não explorado
O RetroAchievements foi uma das descobertas mais interessantes dos últimos anos.
Eu tinha 187 achievements.
Hoje tenho 327.
Mas o número de jogos cresceu pouco.
Saí de 30 para 34 jogos.
Existe potencial aqui.
Principalmente agora que o Nintendo Wii começou a receber suporte.
Talvez seja uma das áreas que cresçam levemente mais no próximo ciclo.
Talvez não.
Mas certamente continuarei observando.
Conclusão — Mais diversão, menos obrigação
Quando publiquei O Fim de uma Era, eu estava registrando um ponto de virada.
Hoje percebo que aquele texto foi realmente o encerramento de uma fase.
Porque a maior diferença entre o jogador que escreveu aquele artigo e o jogador que escreve este não está nos números.
Não está nas plataformas.
Não está nas conquistas.
Está na forma como eu encaro tudo isso.
Há um ano eu não queria jogar nada sem achievements.
Hoje eu prefiro que existam achievements.
Mas consigo perfeitamente jogar sem eles.
Há um ano eu sentia necessidade de perseguir alguns 100%.
Hoje eu paro quando me sinto satisfeito.
Quando gosto do jogo, continuo.
Quando não gosto, sigo em frente.
E isso talvez tenha sido a maior conquista desse período.
Não os números.
Não as platinas.
Não os troféus.
Mas recuperar algo que eu não percebia estar perdendo.
A diversão.
Se daqui a um ano eu voltar para esta postagem novamente, espero encontrar mais jogos, mais histórias, mais plataformas e mais conquistas.
Mas principalmente espero encontrar a mesma coisa que encontrei neste último ano.
A vontade de continuar jogando.
Finalizando esse texto, assim como no ano passado deixarei a foto passada e atual de minha gamertag, entre essas duas imagens existe um ano inteiro de diversão e muitas histórias que não cabem no que escrevo, mas que vivem no que sinto.
"No final das contas, a melhor conquista continua sendo apertar o botão de jogar e se divertir."















Nenhum comentário:
Postar um comentário