Capítulo I — O ritmo que não desacelera
Se existe algo que já ficou claro em O Enigma do Príncipe, é que este livro não pretende perder tempo.
Os capítulos continuam entregando acontecimentos, desenvolvimento de personagens e avanço narrativo numa velocidade muito maior do que aquela que vimos principalmente em A Ordem da Fênix.
Existe uma sensação constante de movimento.
As aulas mudam.
Os relacionamentos mudam.
As responsabilidades mudam.
E Hogwarts parece finalmente acompanhar o crescimento dos seus alunos.
O castelo continua sendo o mesmo.
Mas a vida dentro dele claramente não é mais.
Capítulo II — O prodígio das poções
Harry continua se tornando um verdadeiro fenômeno nas aulas de Poções.
Mas existe uma diferença importante:
ele não está seguindo as instruções dos livros.
Ele está seguindo as instruções do Príncipe Mestiço.
Cada aula reforça mais a sensação de que aquele antigo aluno não era apenas bom em poções.
Ele era brilhante.
As correções são melhores.
Os métodos são melhores.
Os resultados são melhores.
Hermione continua claramente incomodada com isso.
Para ela, existe algo profundamente errado em confiar mais nas anotações de um desconhecido do que nos livros oficiais.
E, honestamente, é difícil dizer que ela está completamente errada.
Porque Harry não faz ideia de quem foi o autor daquelas anotações.
Ele sabe apenas que funcionam.
Existe uma diferença enorme entre saber que algo funciona e saber por que aquilo funciona.
Capítulo III — Hogwarts ficou mais difícil
Outra mudança muito evidente neste livro é a dificuldade das aulas.
Os N.O.M.s ficaram para trás.
Agora estamos diante do equivalente às matérias avançadas.
As exigências aumentaram.
Os professores aumentaram o ritmo.
Os alunos precisam acompanhar.
Feitiços não verbais passam a ser exigidos em várias disciplinas e não apenas em Defesa Contra as Artes das Trevas.
Até mesmo Hermione começa a sentir a pressão.
Talvez seja um detalhe pequeno, mas extremamente importante.
Hermione sempre foi apresentada quase como uma força da natureza acadêmica.
Ver até ela encontrando dificuldades ajuda a vender a ideia de que o sexto ano é realmente outro nível.
Hogwarts está ficando mais difícil exatamente porque seus alunos estão ficando mais velhos.
Capítulo IV — O novo capitão da Grifinória
Harry inicia os testes para formar o novo time de Quadribol da Grifinória.
E existe algo diferente no ambiente.
Muito mais alunos aparecem.
Muito mais pessoas querem participar.
Muito mais pessoas querem estar perto de Harry.
O menino desacreditado do quinto livro praticamente desapareceu.
Agora todos sabem a verdade.
Harry enfrentou Voldemort.
Mais de uma vez.
Sobreviveu.
E saiu vivo para contar a história.
Ele finalmente deixou de ser o garoto que supostamente inventava histórias para se tornar o garoto que estava certo o tempo inteiro.
Capítulo V — Hermione trapaceando por amizade
Durante os testes acontece algo curioso.
Um dos candidatos ao posto de goleiro simplesmente começa a errar bolas que normalmente defenderia.
Mais tarde descobrimos o motivo:
Hermione lançou um feitiço de confusão nele.
Tudo para aumentar as chances de Rony conseguir a vaga.
É um daqueles momentos moralmente cinzentos que Rowling gosta bastante de escrever.
Hermione, provavelmente a personagem mais associada às regras em toda a série, trapaceia deliberadamente.
E pior:
ela provavelmente faria novamente.
Existe algo muito humano nisso.
As pessoas costumam descobrir que princípios absolutos ficam muito mais flexíveis quando envolvem alguém que amam.
Talvez a maior diferença entre teoria e prática seja que a prática costuma envolver pessoas importantes para nós.
Capítulo VI — As pazes com Hagrid
Outro momento importante do capítulo é a visita a Hagrid.
Desde o ano anterior existia uma pequena distância entre ele e os alunos.
Hagrid havia se sentido abandonado.
Harry, Rony e Hermione se sentiam culpados por não conseguirem acompanhar suas aulas.
Finalmente os dois lados conseguem conversar.
E isso resolve quase tudo.
Talvez seja uma das coisas mais realistas da série:
muitos conflitos não nascem da maldade.
Nascem simplesmente da falta de conversa.
Hagrid entende.
Os alunos entendem.
E as coisas voltam ao normal.
Capítulo VII — O fim de Aragogue
Mas existe tristeza também.
Hagrid revela que Aragogue está morrendo.
A gigantesca aranha que conhecemos em A Câmara Secreta, responsável por um dos momentos mais aterrorizantes dos primeiros livros, está chegando ao fim da vida.
É curioso perceber como a perspectiva muda.
Para Harry e Rony, Aragogue sempre foi praticamente um pesadelo ambulante.
Para Hagrid, era um amigo.
Talvez o mundo seja exatamente isso:
o mesmo acontecimento significando coisas completamente diferentes para pessoas diferentes.
Capítulo VIII — Snape continua sendo Snape
No final do capítulo chega o momento da detenção com Snape.
Harry recebe um convite para uma das reuniões do Clube do Slugue.
Slughorn inclusive se oferece para conversar com Snape.
Harry, naturalmente, não acredita nem por um segundo que isso vá funcionar.
E ele está certo.
A detenção permanece.
Snape não muda sua decisão.
Harry perde a festa.
Talvez seja um momento pequeno.
Mas também é mais uma demonstração da dinâmica entre os dois.
Snape pode até não odiar Harry tanto quanto Harry acredita.
Mas certamente também não faz nenhum esforço para facilitar sua vida.
Considerações finais
O capítulo 11 não possui grandes revelações.
Não possui grandes batalhas.
Não possui grandes mistérios.
Mas ele possui algo talvez ainda mais importante:
vida cotidiana.
Provas.
Aulas.
Treinos.
Amizades.
Ressentimentos.
Reconciliações.
É justamente esse tipo de capítulo que faz Hogwarts parecer um lugar real.
Porque mesmo em um mundo que está caminhando para uma guerra, as pessoas ainda precisam estudar para as provas do dia seguinte.
Talvez uma das coisas mais estranhas da vida seja justamente essa capacidade que ela possui de continuar acontecendo mesmo quando o mundo parece estar acabando.


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