🚨 Aviso: este texto contém spoilers da série Welcome to Derry.
Welcome to Derry – Episódio 4
Quando as provas falham, os adultos se omitem e o medo aprende a se camuflar.
Capítulo 1 – Fotos que não provam nada
Como já era de se esperar, as fotos não levariam a lugar nenhum. Em Welcome to Derry, provas raramente sobrevivem ao contato com os adultos. Eu imaginava — e a série confirma — que a Coisa manipularia as imagens. Não porque precise esconder, mas porque pode.
Nos filmes e nos livros, isso sempre foi um padrão: os adultos simplesmente não veem o que as crianças veem. Sangue, entidades, sinais explícitos — tudo desaparece diante dos olhos adultos. Essa cegueira não é coincidência. É parte da influência da Coisa sobre Derry.
“Quando os adultos não veem, o medo das crianças cresce em silêncio.”
Essa percepção — de que os adultos não irão ajudar, não irão acreditar, não irão salvar — é um dos pilares do terror de Stephen King. E aqui, no episódio 4, ela está mais presente do que nunca. Não apenas em relação à Coisa, mas também à violência, ao racismo, às injustiças cotidianas.
Capítulo 2 – A palavra proibida: Pennywise
A cena envolvendo a filha do Pennywise — ou melhor, do homem que carrega esse nome — é profundamente perturbadora. Ainda não sabemos qual é a relação direta entre Pennywise e a Coisa. A série parece guardar essa revelação com cuidado. Mas o simples fato de a palavra Pennywise ser dita diretamente para Lily já é suficiente para causar arrepio.
Nomear o mal sempre foi perigoso. Em Derry, mais ainda.
Essa ambiguidade — Pennywise como entidade, como persona, como herança — abre um campo narrativo interessante. Não sabemos se estamos diante de um avatar humano, de um eco, ou de algo ainda mais profundo. E a série parece confortável em não responder agora.
Capítulo 3 – Medo nuclear e educação pelo pânico
Voltamos à escola, e o tema agora são bombas nucleares. Considerando o contexto da Guerra Fria, é impossível não imaginar o impacto psicológico disso nas crianças da época. Não sei afirmar com precisão se esse tipo de aula realmente acontecia, mas o medo era real — tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.
Ensinar crianças sobre aniquilação total, sobre o fim iminente, sobre explosões que não deixam nada para trás… isso molda uma geração inteira. E em Derry, esse medo coletivo encontra terreno fértil.
“A Coisa não cria o medo. Ela apenas aprende a usá-lo.”
Capítulo 4 – A pescaria e a falsa segurança
A cena da pescaria é belíssima e inquietante ao mesmo tempo. De um lado, parece completamente normal deixar uma criança sozinha ali — águas rasas, atividade simples, rotina. De outro, estamos em Derry. E nada ali é apenas o que parece.
É curioso como o pai consegue acreditar no filho justamente por conta de sua ligação com o exército. A vivência institucional parece abrir fissuras na descrença. Nem todos os adultos são totalmente cegos — alguns apenas fingem não ver.
E então vem o balão. Mais uma vez. Discreto, preciso, ameaçador. A série entende muito bem o peso simbólico desse elemento.
Capítulo 5 – Racismo, polícia e instituições
A abordagem do racismo neste episódio continua sendo um dos pontos mais fortes da série. Confesso que, como brasileiro, não tenho total dimensão de como funcionavam — ou funcionam — as relações raciais nos Estados Unidos em termos institucionais, especialmente polícia e exército.
Ainda assim, o que a série mostra é claro: o sistema está pronto para culpar, pressionar e destruir. E faz isso com uma naturalidade assustadora.
A cena do interrogatório é completamente previsível — e exatamente por isso eficaz. A suspeita se confirma: ele estava com uma mulher branca e casada. As duas coisas juntas. O pecado máximo naquele contexto.
“Em Derry, a verdade importa menos do que quem pode ser culpado.”
Capítulo 6 – Hallorann: poder ou manipulação?
Uma das escolhas narrativas mais interessantes da série está nas cenas envolvendo Hallorann. Nunca sabemos exatamente se o que ele vê é fruto de sua habilidade — ou se é a Coisa manipulando sua percepção.
Essa dúvida constante é brilhante. A luz pode ser poder. Pode ser engano. Pode ser isca.
A cena entre Hallorann e o Major é simplesmente sensacional. Um dos grandes momentos do episódio.
Capítulo 7 – Ciclos, militares e conhecimento proibido
Algo que chama muita atenção é o quanto o general parece saber sobre os ciclos da Coisa. Quando começam. Quando terminam. Como funcionam. Ele possui um volume de informações que nunca vimos antes em nenhuma adaptação.
Isso muda completamente o jogo. Pela primeira vez, não são apenas crianças tentando sobreviver — há uma instituição tentando entender, controlar, talvez até usar.
A cena do caracol, como eu imaginava, retorna associada à Marge. O parasitismo. A perda de controle. O medo específico sendo explorado.
A cena de Marge é grotesca. Os olhos. A transformação. Tudo ali é desconfortável no mais alto grau. E, inevitavelmente, Lily provavelmente carregará mais uma culpa que não é sua.
“A Coisa não mata apenas corpos. Ela destrói vínculos.”
Capítulo 8 – O fim de um ciclo se aproxima
Tudo indica que a série está caminhando para o encerramento de mais um ciclo da Coisa. Muitas crianças não sobreviverão. E, sendo este o ciclo imediatamente anterior ao dos filmes, faz sentido que algo grande aconteça.
Os militares provavelmente deixarão a região. Não há menção a eles nos livros. Algo dará errado. Muito errado.
Considerando que as próximas temporadas serão retroativas, é provável que vejamos ainda coisas muito mais graves. A Coisa não deve se limitar às crianças. E, ao perceber que os militares representam uma ameaça real, talvez ela decida agir com mais força.
Os balões vermelhos surgindo para o Major são um detalhe final perfeito. A ameaça agora o reconhece.
Welcome to Derry segue firme, paciente e cruel. E o episódio 4 deixa claro: ninguém está preparado para o que ainda vem.


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