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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Welcome to Derry – Episódio 5

🚨 Aviso: este texto contém spoilers da série Welcome to Derry.

Welcome to Derry – Episódio 5

Poder, consequência e a lenta revelação de que o medo cobra juros.

Capítulo 1 – O preço do dom

O episódio 5 começa de forma excelente ao finalmente nos permitir entender de onde vem o poder de Hallorann — e, mais importante ainda, quais são as consequências de usá-lo. A série faz isso com calma, sem didatismo, respeitando a inteligência do espectador.

Esse momento funciona quase como uma introdução conceitual para O Iluminado. O poder não é gratuito. Ele cobra algo em troca. Memória, estabilidade, sanidade. A ideia de que ver demais tem um custo é central em Stephen King, e aqui ela começa a ganhar forma concreta.

“Alguns poderes não te fortalecem. Apenas te desgastam mais rápido.”

Capítulo 2 – Matt: presença ou armadilha?

A pressão envolvendo o retorno de Matt é um dos pontos mais estranhos — e eficazes — do episódio. Não sabemos exatamente o que aconteceu com ele. Não vimos o corpo. E agora ele aparece, deslocado, silencioso demais.

Como este ainda é um texto de impressões, e não de conclusões, minha sensação é clara: não acredito que seja o Matt. Tudo indica que seja a Coisa brincando com a mente das crianças, usando a memória, a culpa e o afeto como ferramentas.

É exatamente assim que ela opera. Não pela força direta, mas pela dúvida.

Capítulo 3 – O delírio do controle

A conversa do general sobre controlar a Coisa é, talvez, uma das mais interessantes da série até aqui. Não apenas pelo conteúdo, mas pelo subtexto. A ideia de que, se alguém “se lembrasse de tudo”, poderia dominar o horror.

Isso soa como arrogância institucional. A mesma que sempre precede grandes tragédias. A série parece deixar claro que o problema não é a falta de informação — é a ilusão de domínio.

“O erro nunca é querer entender o mal. É achar que ele vai obedecer.”

Fica evidente que ainda veremos mais lembranças, mais fragmentos do passado sendo trazidos à tona. O conhecimento acumulado não liberta — ele aprisiona.

Capítulo 4 – Lily e o sufocamento do medo

A cena de Lily é extremamente tensa. Uma tensão que não vem de gritos, mas de expectativa. A série já nos ensinou que, quando Lily está em cena, algo vai acontecer — e quase nunca de forma limpa.

Isso se intensifica na sequência dos esgotos sob a casa da rua Maple. A descida é claustrofóbica. O espaço é apertado. O som da água ecoa como aviso.

O jumpscare quando o personagem cai sob a água é seco, eficaz, sem exagero. Não é um susto barato. É um lembrete: ali embaixo, o medo mora.

Capítulo 5 – Os esgotos como coração da série

Toda a sequência no esgoto é incrivelmente bem filmada. A fotografia, o enquadramento, o ritmo — tudo funciona. E não é exagero dizer que as cenas envolvendo Hallorann são algumas das melhores da série.

Hallorann não é apenas um personagem com habilidade. Ele é um sensor. Um radar emocional. Tudo passa por ele de forma mais intensa.

A introdução da figura do Tio Sam é outro acerto enorme. Uma representação perfeita do medo institucional, da manipulação patriótica e da ameaça mascarada de proteção. É simbólico, é político e é profundamente perturbador.

“Nem todo monstro vem do esgoto. Alguns vestem bandeiras.”

Capítulo 6 – Pennywise retorna

A aparição de Pennywise é simplesmente incrível. Muito bem gravada, muito bem filmada, com o mesmo peso e presença que vimos nos filmes.

Sim, era previsível. Mas previsibilidade não é defeito quando a execução é impecável. Pennywise não precisa surpreender — ele precisa estar. E ele está.

O mais interessante vem logo em seguida: a cena da Adaga. Lily percebe que a lâmina assusta Pennywise. É um momento silencioso, mas poderoso. Pela primeira vez, há um objeto que não apenas fere — afeta.

Isso muda o jogo.

“O medo se alimenta de certezas. Mas recua diante do que não entende.”

Capítulo 7 – No mesmo nível do cinema

O Pennywise apresentado na série está, sem exagero, no mesmo nível do que vimos nos filmes. Presença, ameaça, desconforto. Nada caricato. Nada exagerado.

O episódio 5 deixa claro que Welcome to Derry encontrou seu ritmo definitivo. Um horror paciente, bem filmado, emocionalmente pesado e narrativamente confiante.

A série não corre. Não explica demais. Não entrega respostas prontas. Ela constrói.

E, a essa altura, já fica claro: o que está vindo pela frente não será leve — nem para as crianças, nem para os adultos, nem para quem assiste.

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