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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Papo na Fogueira – Capítulo 2

Papo na Fogueira – Capítulo 2: A Fogueira Vazia

Essa semana, a fogueira não acendeu para todos. Os encontros às vezes falham. A vida adulta cobra sua taxa, seus atrasos, seus pesos. E dessa vez, não conseguimos nos reunir. Nenhum papo, nenhuma lenha, nenhum trio. Só o silêncio. E ele, mesmo calado, tem muito a dizer.

Às vezes, é o trabalho que nos engole. Às vezes, é o cansaço. Às vezes, é só a vida seguindo seu curso — com um cronograma que a gente não escreveu. E tudo isso é compreensível. Mas essa ausência não me impediu de sentar à fogueira. Mesmo que fosse sozinho.

Capítulo 1: A pausa que encaixou

Chamei essa ausência de pausa da sorte. Porque, curiosamente, no mesmo horário em que estaria ali com meus amigos, um imprevisto no trabalho me tomou completamente. E se a conversa tivesse acontecido, talvez eu sequer pudesse estar presente. Ou pior — estaria fisicamente, mas mentalmente ausente.

Foi então que pensei: quantas vezes a vida se rearranja por nós, mesmo quando não percebemos? Quantas vezes aquilo que chamamos de “coincidência” é só o universo fazendo uma pausa necessária?

“Há momentos em que o que parece falha é, na verdade, sincronia.”

Não me reuni com eles, mas conversei comigo. E essa conversa, forçada pelo imprevisto, se tornou o segundo capítulo do nosso encontro.

Capítulo 2: Coincidência ou providência?

Esse pequeno contratempo me levou de volta ao nosso primeiro papo, quando falamos de fé e ceticismo. Às vezes parece que o mundo é guiado por um tabuleiro invisível — e outras, parece que tudo é só caos. Mas quando as engrenagens se alinham sem planejamento, é difícil não se perguntar: isso foi só acaso?

É curioso como uma falha na agenda vira um espelho. Um tempo sozinho se transforma em contemplação. E, de repente, você se pega pensando na própria fé, na vida, nos compromissos. E em como tudo isso… pode simplesmente não estar nas suas mãos.

“Somos criaturas que constroem templos sobre areia e fazem promessas ao tempo, como se ele nos obedecesse.”

A verdade é que somos passageiros de um trem que não sabemos para onde vai. Às vezes escolhemos a música, o banco, o lanche da parada. Mas a linha, o trilho, o fim da estrada… esses estão longe do nosso controle.

Capítulo 3: Sobre controle, ou a ilusão dele

Pegue o tempo, por exemplo. Foi a gente que inventou isso. Horas, minutos, agendas, datas. Tudo pra dar a falsa impressão de que comandamos alguma coisa. Mas a vida ri da nossa tentativa de controle. Um atraso, um cancelamento, uma doença, uma mudança de planos — e todo o castelo de horários vai ao chão.

Mesmo as pequenas escolhas — como a música que vou escutar, o que vou comer, ou o momento de sentar à fogueira — são frágeis. Podem ser roubadas de nós com a mesma facilidade com que se apaga uma vela ao vento.

“O tempo foi feito para nos organizar, mas é a vida quem nos desorganiza.”

Talvez a beleza esteja justamente aí: na consciência da impermanência. Na aceitação de que não dá pra controlar tudo. E que, às vezes, uma fogueira vazia também aquece.

Últimas brasas da noite

Esse capítulo não teve debate, nem discordâncias. Mas teve pensamento. Teve silêncio. Teve fogo — mesmo que mais baixo. E talvez, em alguma camada sutil do universo, os dados tenham caído do jeito certo.

Semana que vem, se tudo der certo — ou errado de forma perfeita — nos encontramos novamente.

"O tempo é apenas uma ilusão, todos estamos fora de controle — Dário Junior

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