Gamertag

domingo, 18 de janeiro de 2026

Harry Potter e a Pedra Filosofal — Capítulo 14

Leitura, estado emocional e a estranha sensação de quando a ficção desacelera enquanto a vida pesa.

1. Sextas-feiras, exceções e a quebra do ritual

Hoje é sexta-feira. E, curiosamente, assim como na sexta passada, é o dia em que eu quebro o meu próprio protocolo. Leio mais de um capítulo. Antecipadamente. Com certa ansiedade. Talvez com a vontade de acabar logo. Ainda assim, mantenho a regra silenciosa deste blog: uma postagem por dia, mesmo que a leitura tenha avançado mais.

Existe, portanto, um pequeno descompasso entre o tempo da leitura e o tempo da escrita. Um atraso proposital. Um respiro. Um intervalo necessário para digerir não apenas o texto, mas o que ele atravessa dentro de mim.

“Nem toda leitura precisa correr no mesmo ritmo da vontade de terminar.”

E é curioso perceber que estou muito próximo do fim. Depois deste capítulo, restam apenas três. A sensação deveria ser de empolgação. Mas não é exatamente isso que sinto hoje.

2. Quando a tristeza externa contamina a ficção

Hoje foi um dia triste. Muito triste. Não pelo livro. Não por Hogwarts. Não por Harry Potter. Mas pelo que acontece fora da ficção.

Existe algo curioso — e perigoso — na forma como o nosso estado emocional influencia a maneira como lemos. Um mesmo capítulo, em outro dia, talvez fosse apenas leve, curioso ou até divertido. Hoje, ele pesa.

“Às vezes, o problema não está na história que lemos, mas no lugar de onde estamos lendo.”

E eu precisei admitir isso antes de continuar. Porque este capítulo não me encontrou em um bom lugar.

3. Estudos, Hogwarts e a familiaridade do jogo

O capítulo começa de forma tranquila: Harry, Rony e Hermione estudando. Aulas, Herbologia, biblioteca. Elementos que, imediatamente, acionam memórias do Hogwarts Legacy.

O dítamo, por exemplo, não é apenas uma planta descrita no livro. É algo que eu já plantei, colhi e utilizei no jogo. Essa sobreposição de experiências cria uma familiaridade curiosa.

Hogwarts, neste ponto da leitura, já não é apenas uma construção literária. É um espaço vivido. Percorrido. Reconhecível.

4. Norberto, o dragão — e a história que não anda

E então o capítulo toma um desvio. A narrativa principal desacelera para dar lugar a uma história lateral: Hagrid e um ovo de dragão.

Norberto nasce. Um dragão com nome estranho, quase cômico. A situação toda beira o absurdo: um dragão sendo tratado como um bichinho doméstico, dentro de uma cabana de madeira.

Confesso: não me lembro dessa parte no filme. E, se ela não existir lá, eu compreendo perfeitamente.

“Nem toda história paralela acrescenta profundidade; às vezes, apenas ocupa espaço.”

O capítulo inteiro gira em torno disso. Malfoy espreita. Hagrid se apega. As crianças ajudam. No fim, tudo se resolve.

E é exatamente esse o problema: tudo se resolve. Sem consequências reais. Sem impacto direto na trama principal.

5. A capa esquecida e o artifício narrativo

Existe um momento que me incomodou mais do que deveria: a capa da invisibilidade sendo esquecida.

É claro que crianças esquecem coisas. Mas esquecer justamente o objeto mais importante para circular pelo castelo soa menos como descuido e mais como necessidade narrativa.

Talvez fosse apenas a forma encontrada para criar tensão no final do capítulo. Talvez seja só isso.

“Quando a história força a mão, o leitor percebe.”

6. O gosto amargo e a dúvida sincera

Não sei dizer se este é, objetivamente, o pior capítulo até agora. Ou se ele apenas me encontrou no meu pior dia desde que comecei a leitura.

Talvez eu quisesse que a história principal avançasse mais. Talvez estivesse emocionalmente menos disponível para uma digressão.

O fato é que terminei o capítulo com um gosto amargo. Não por raiva. Mas por desconexão.

“Nem todo capítulo ruim é ruim por si só; às vezes, ele apenas chega na hora errada.”

A única informação relevante que permanece é importante: todos os professores ajudaram a proteger o que está escondido. Inclusive Snape.

Isso torna ainda mais estranha toda a construção em torno dele. E reforça que as respostas estão próximas.

7. Um capítulo fraco, um dia pior

Este foi, para mim, o capítulo mais fraco até agora. Mas talvez isso diga mais sobre mim hoje do que sobre o livro.

Espero que o final não seja contaminado por esse estado. Quero que Hogwarts termine melhor do que este dia começou.

Seguimos. Faltam três capítulos. E a história, apesar de tudo, ainda me chama.

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