Gamertag

terça-feira, 15 de julho de 2025

A Hora do Diabo – S1E2

🚨 Aviso: este texto contém spoilers da série A Hora do Diabo.

A Hora do Diabo – Episódio 2

Uma análise pessoal da continuação dessa série envolvente e perturbadora.

1. Amor dito em vão

O episódio começa com algo que me toca de forma pessoal: o modo leviano com que se diz "eu te amo". Quando palavras grandes se tornam pequenas demais para quem as ouve, o efeito é devastador. E a série sabe disso.

"Tem gente que diz 'eu te amo' como quem diz 'bom dia' – sem pensar, sem peso, sem verdade."

A primeira cena tem um ritmo muito bem construído. O suspense cresce com a presença da criança e as luzes apagando ao fundo. É um detalhe técnico simples — sensores de presença —, mas que gera uma tensão quase sufocante. A escolha de direção é sutil e eficaz.

2. A reviravolta do morto

O choque: James está morto. Eu, como espectador, fui levado a acreditar que ele seria o assassino. A série quebra minha expectativa logo nos primeiros minutos, oferecendo uma nova camada à narrativa. A cena do escuro, onde a protagonista entra sem saber o que esperar, é magistral. O clima é denso. O silêncio pesa. E tudo muda.

3. Premonição e efeito borboleta

A conversa entre Lucy e Gideon, vista desde o episódio anterior, é revelada como um fragmento do futuro. Um recurso não linear que me agrada. Fica claro que há algo maior: visões premonitórias e a possibilidade de alterar o destino.

Isaac, o filho, se torna central. Ele vê algo no jardim. Teria herdado da mãe esse dom (ou maldição)? Ele está delirando ou captando algo além? A série brinca com essa dúvida.

4. Flores de brinquedo e o toque da infância

A cena das flores de brinquedo é lindamente perturbadora. A loja de brinquedos, lotada de crianças, mexe comigo. Eu lembro da minha filha naquela idade, da inocência que já se foi. Nostalgia e melancolia se misturam enquanto a série constrói seus horrores silenciosos.

"O terror nem sempre está na sombra. Às vezes, está nas lembranças boas que nos foram tiradas."

5. O susto que a câmera entrega

Há uma cena que me arrepiou: Lucy levanta da cama e — por um instante — alguém está ali. Pela primeira vez, o que Isaac via, nós também vemos. A série sempre nos colocou como cegos diante das visões dele, mas aqui, ela nos permite ver também. É assustador e revelador.

6. Entre Linhas do Tempo e Crueldades Infantis

Essa estrutura quebrada de tempo — onde não sabemos se algo já aconteceu, vai acontecer, ou está sendo previsto — é brilhante. E realça o medo de se perder na própria mente. A relação de Lucy com o filho, sempre ameaçada pelas visões, pelo ex-marido, pelo medo, constrói um drama de verdade.

As crianças zombam do menino. É doloroso. Mas também é real. Crianças podem ser cruéis. A cena é dura, mas necessária. O mundo não alivia nem para os pequenos.

7. O ex-marido e o falso clímax

A entrada do ex-marido pela porta da frente é um bom truque. Esperamos um vilão, e temos um drama pessoal. A forma como ele fala do filho é desprezível. Mas o modo como Lucy encerra a conversa também fere. Há culpa dos dois lados. E isso é o que torna essa parte mais densa.

Quando achamos que acabou — que o susto era apenas o ex-marido — a série nos derruba mais uma vez. Alguém entrou pela porta dos fundos. Isaac some. E a tensão volta com tudo.

Conclusão: Uma dança entre tempo, perda e medo

“A Hora do Diabo” está se mostrando muito mais do que uma série de sustos. Ela trata de memórias, destino, infância, culpa, maternidade. O segundo episódio aprofunda todos esses temas com cenas intensas e atuações sólidas. E ao final, nos lembra: o verdadeiro terror talvez não esteja nos monstros... mas em nós mesmos.


Texto de Dário Junior • Série: Hora do Diabo • Episódio 2

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Papo na Fogueira - segunda de Julho

Papo na Fogueira – A Fogueira Que Não Veio (Julho)

Julho começou gelado. E dessa vez, o frio também acendeu silêncios.

1. Introdução

Nova fogueira vazia. Julho se iniciou extremamente frio — e esta frieza não se encontra apenas no clima. O número de imprevistos da vida adulta tem crescido e, com isso, nossos encontros ao redor da fogueira acabaram entrando numa pausa involuntária.

Costumo chamar pausas assim de pausas da sorte. Minha mente anda extremamente pesada nesses últimos dias, e acredito que, se a reunião tivesse ocorrido, eu teria sido uma presença com pouca contribuição às nossas questões filosóficas. O cansaço mental tem sido profundo, a ponto de me fazer duvidar se consigo realmente organizar meus próprios pensamentos.

2. Julho, perdas e silêncio

Junho é, para mim, um mês marcado por perdas. E neste ano não foi diferente. Há uma pergunta recorrente que me persegue nesses momentos: “Qual é o meu lugar na vida das pessoas?” — e ainda que seja uma pergunta difícil, ela insiste em bater à porta nos períodos de dor emocional.

Bauman nos fala sobre a sociedade líquida e descartável das redes sociais, onde afastar-se de alguém se tornou tão simples quanto um clique. Já me aconteceu isso milhares de vezes. E, ainda assim, é engraçado perceber o quanto ainda me incomoda. Como pessoas que não deveriam ter mais relevância emocional ainda conseguem me atingir?

“Às vezes me pergunto por que perdi minutos preciosos da minha existência com pessoas que só me drenaram.”

Não estou falando da fogueira. Esse tipo de relação é outra coisa. Aqui, a vida vale mais a pena. As conversas são edificantes. Aqui não existe liquidez — existe permanência.

3. A terça que virou ritual

Apesar da ausência de fogo e vozes, mantive meu ritual. As terças-feiras tornaram-se um momento sagrado de introspecção. Mesmo quando estou sozinho, a terça é dia de parar. De lembrar o que foi a semana. De pesar ônus e bônus, revezes e vitórias.

É estranho como, mesmo ausentes, Alexandre e André permanecem. Consigo imaginar as perguntas que fariam, os comentários que soltariam, os olhares que lançariam para as entrelinhas que, sozinho, talvez eu não enxergasse. A fogueira não aconteceu, mas a terça ainda existiu. E foi de pensamento.

“Semanalizar a vida foi uma das dádivas que o fogo me deu. E mesmo sozinho, continuo voltando para essa clareira invisível.”

4. Conclusão

Hoje, a fogueira não acendeu. E talvez tenha sido melhor assim. Não por desistência, mas por respeito. À pausa. À mente. Ao frio que vem de fora — e o que vem de dentro. Na próxima terça, voltaremos. E talvez, com o coração um pouco mais aquecido, eu consiga compartilhar não apenas silêncios, mas novas reflexões.

Que essa ausência também seja parte do ritual.


Publicado como parte da série “Papo na Fogueira”, uma tradição semanal de conversas filosóficas, pausas necessárias e reflexões ao redor do fogo — mesmo quando ele não acende.

sábado, 12 de julho de 2025

Jogos Grátis - Jun2025 - 02

Jogos Grátis da Semana – Julho, A Jornada dos Troféus

Entre lembranças, conquistas e velhos ícones do Super Nintendo, mais uma semana de brindes digitais.

🕹️ Introdução: Trophies Are the New Therapy

Seguindo o que já posso chamar de uma nova tradição pessoal, abro mais uma semana com os jogos gratuitos que chegaram pelas mãos da Epic, Amazon e Steam. Ainda que eu não jogue todos de imediato, esse ritual tem me ajudado a refletir, mapear e escolher com mais intenção quais caminhos seguir em meio ao caos da rotina. Hoje, conquistas são mais que metas virtuais: são marcos da minha própria reconstrução.

“A busca por troféus tem sido, para mim, uma espécie de respiro. Pequenos objetivos que organizam um pouco do caos.”

E já que falamos em progresso, trago aqui minha contagem atual de conquistas:

  • PSN (PlayStation 3): 259 troféus (console ainda estragado, aguardando ressurgir)
  • Steam: 199 conquistas (quase batendo a marca dos 200)
  • RetroAchievements: 283 (o novo campeão da lista)
  • Google Play: 72
  • GOG: 111 (Toem finalizado recentemente)
  • Epic Games: 110 (Horizon Chase Turbo e Cities Skylines em progresso)

🎮 Epic Games: Da Fantasia Musical à Nostalgia 16-bits

Esta semana a Epic nos entregou dois jogos:

1. Figment 2: Creed Valley

A sequência do já citado Figment da semana passada. O primeiro jogo não possui conquistas na Epic, mas felizmente o resgate que fiz tempos atrás na Steam deve suprir isso. Já o segundo título, este sim, vem com troféus — e me parece ainda mais refinado em sua proposta musical e narrativa. Certamente vai para a lista de futuras jogatinas.

2. Skyracket

Uma mistura ousada de navinha com arcade de raquete. Os gráficos são puro charme retro, com aquela paleta que remete imediatamente à era 16-bits, especialmente ao Super Nintendo. Talvez um fã da SEGA veja nele mais semelhanças com o Mega Drive. Mas para mim, é puro SNES. Pena que não possui conquistas na Epic, o que, no meu momento atual, acaba o tirando do radar imediato. Quem sabe um dia, em uma fase menos colecionadora?

🕹️ Amazon Prime: Entre Táticas, Terror e Superpoderes

A Amazon foi mais generosa esta semana: entregou três títulos distintos, cada um com suas peculiaridades.

1. Midnight Suns

Um título de peso. Estratégia com heróis da Marvel? Totalmente meu tipo. Ainda mais com conquistas disponíveis via Epic. Vai direto pra fila. Talvez demore a ser jogado, mas o interesse está garantido.

2. Jedi Knight: Dark Forces II

Um clássico absoluto, mas... sem conquistas. E no meu atual estado mental, a ausência delas pesa na escolha. Apesar da temática empolgante, esse vai ficar na prateleira por enquanto.

3. Amnesia: The Dark Descent

Um jogo que eu tenho vontade de jogar há tempos. O clima, a tensão, a narrativa sombria — tudo me agrada. Mas a falta de conquistas continua sendo um fator impeditivo. Quem sabe em outro momento da jornada, esse mergulho no medo aconteça.

🎁 Steam: Uma Semana Fora da Curva

Raro, mas aconteceu: cinco jogos gratuitos pela Steam.

  • Battlestar Galactica Deadlock – Já tenho na conta, então não foi novidade.
  • Fantasy General 2 e Fields of Glory 2 – Ambos com pegada de guerra tática, quase como um Civilization histórico. Bastante promissores, talvez entrem no radar.
  • Caribbean Crashers – Me remete a joguinhos de canhão que eu brincava no começo da era dos PCs. Simples, mas nostálgico.
  • Ultimate Zombie Defense – Um jogo que me lembrou levemente Left 4 Dead. Entra na lista com uma interrogação emocional.
“O backlog da Steam segue robusto. E talvez seja necessário mais do que bons gráficos para que esses jogos furarem a fila.”

📌 Conclusão: O Alento dos Pequenos Progresos

Essa nova rotina de acompanhar e organizar os jogos grátis da semana tem me dado mais do que apenas economia — tem me dado foco. Um senso de continuidade que, mesmo que pequeno, representa algo. Troféus são ícones simbólicos da minha própria luta contra o caos mental. E por isso sigo, semana após semana, colecionando mais do que jogos. Colecionando marcos do meu processo.

Até semana que vem, com novos jogos e, quem sabe, novos troféus.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

The Stanley Parable Ultra Deluxe

Jornada Gamer – The Stanley Parable Ultra Deluxe

Um jogo que ri de si mesmo e ri de mim também. E mesmo assim, me fez pensar mais do que muitos livros inteiros.

1. O Jogo que Não Explica Nada (e ainda assim diz tudo)

Eu entrei em The Stanley Parable Ultra Deluxe quase por acidente. Estava ali, em promoção na Steam, com dezenas de análises dizendo que era incrível — mas sem spoilers. Uma em especial me fisgou: "Quanto menos você souber, melhor." Resolvi seguir o conselho. E entrei no jogo completamente às cegas.

De cara, o jogo me apresentou um narrador. Não apenas narrando, mas antecipando minhas ações. E isso já começou com um humor irônico que me fez rir alto. Na primeira jogada, obedeci fielmente tudo o que ele dizia. Fui de A a B. E... o jogo recomeçou. Sem maiores explicações.

"Stanley entrou na porta da esquerda."
Mas e se eu... não entrar?

2. E Se Eu Disser Não?

O que acontece se eu for para o outro lado? Essa é a pergunta que desbloqueia a verdadeira experiência de The Stanley Parable. Ao contrário de outros jogos que simplesmente bloqueiam suas alternativas, aqui tudo é permitido — ou quase tudo. E o resultado disso é hilário, desconcertante, existencial.

Fui descobrindo finais por acidente. Alguns absurdamente engraçados, outros genuinamente tristes. E em cada um, uma piada diferente, uma crítica diferente, uma nova quebra da quarta parede. O jogo começa a rir de você. E depois você ri junto. Mas no fundo... você também pensa.

"Você apertou esse botão porque te mandaram... ou porque quis?"

3. Ordens, Rotinas e o Vazio Corporativo

Em algum momento, percebi que o jogo não era apenas uma comédia interativa. Ele cutucava temas pesados: alienação no trabalho, obediência cega, existências automatizadas. Quantas vezes seguimos ordens porque é mais fácil do que pensar? Quantas vidas se resumem a apertar botões?

The Stanley Parable te obriga a confrontar isso. Com humor, sim. Mas também com desconforto. É aquele tipo de jogo que continua na sua cabeça mesmo depois de desligado.

4. A Porta do “Novo Conteúdo”

Depois de algumas explorações e finais descobertos, uma nova porta surgiu: "Novo Conteúdo". E aí entendi o que era o tal Ultra Deluxe. Novos finais, novas ironias, novos metacomentários. O jogo começa a zoar até a própria ideia de uma sequência. Começa a rir das críticas que recebeu. Começa a rir de você, jogador esperançoso por "algo novo".

É meta em cima de meta. É genialidade disfarçada de besteira. É uma aula de design narrativo escondida num jogo onde, tecnicamente, você só caminha.

5. As Conquistas Mais Absurdas da História

Foi só quando decidi olhar a lista de conquistas que percebi a dimensão da loucura: uma delas exige que você fique 10 anos sem jogar o jogo. Outra, que jogue por uma terça-feira inteira. São piadas, claro. Mas são piadas com mensagem. E mais do que isso: te fazem pensar sobre o próprio sistema de conquistas dos games.

Terminei minha sessão com duas conquistas pendentes — mas muito satisfeito. E, honestamente, com vontade de voltar. Porque esse é um daqueles jogos que, mesmo você achando que já viu tudo, sempre esconde mais uma dobradiça, mais uma porta, mais um sussurro do narrador dizendo: "Você realmente acha que está no controle?"

Conclusão: Risos, Reflexão e Recomeços

The Stanley Parable Ultra Deluxe é um jogo sobre escolhas. Sobre liberdade. Sobre controle. Sobre a ilusão de todas essas coisas. É uma sátira, mas também um espelho. E mesmo que eu volte daqui a um mês, ou daqui a 10 anos, sei que ele ainda vai ter algo a me dizer.

"Tudo o que fazemos é apertar botões. Mas às vezes, é o botão errado que nos mostra o caminho certo."

Recomendo? Com toda certeza. Mas só se você estiver disposto a rir de si mesmo. E depois, pensar seriamente sobre o porquê.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Papo na Fogueira - primeira de Julho

Papo na Fogueira – Quando o Silêncio É a Fogueira

Primeira semana de julho. E, dessa vez, não houve brasa. Mas houve peso. Houve pausa. Houve algo.

Capítulo 1 – A Fogueira Que Não Veio

Essa semana, o ritual não aconteceu. A fogueira não se acendeu. Os bancos permaneceram vazios. Nenhum chá foi servido, nenhuma risada despretensiosa interrompeu a noite. E por mais estranho que isso soe, talvez tenha sido melhor assim.

Vim de um final de semana extremamente pesado. Junho terminou como uma avalanche silenciosa — daquelas que vão se acumulando em forma de ruído mental, até que tudo se torna exaustão. E durante a segunda-feira, e parte da terça, pensei diversas vezes em pedir o adiamento. Mas... não pedi. Não sabia ao certo o que seria melhor: conversar sobre tudo isso, ou justamente falar de qualquer outra coisa para escapar do redemoinho que minha cabeça se tornou.

“Há dias em que até decidir é exaustivo.”

E nessa indecisão que não se verbaliza, o universo resolveu por mim. O papo não aconteceu. Imprevistos, atrasos, outros pequenos colapsos de rotina. E tudo foi se dissolvendo lentamente até que a reunião foi, de forma não oficial, cancelada. Ou adiada. Ou silenciada.

Na prática, eu dormi cedo. Cedo demais. Apaguei. Eu, que sempre tenho dificuldade com isso, apaguei antes da hora. E talvez isso diga muito. O cansaço não era só físico. Era de pensamento. De expectativa. De cobrança. E, pela primeira vez, senti que a ausência da fogueira foi, de algum modo, um presente.

Capítulo 2 – A Pausa Que Cura

Agora, olhando com perspectiva, percebo que o universo me deu exatamente o que eu precisava: uma pausa sem culpa. Um silêncio sem obrigação. Uma brecha sem explicações. Era como se alguém, lá em cima, dissesse: “Você precisa parar. Agora.”

Eu precisava dessa baixa rotação. De desligar. De silenciar tudo. De não precisar contar nada. Nem entender nada. Apenas existir por algumas horas em paz. Ou, ao menos, sem barulho interno demais.

“Nem todo capítulo precisa ser escrito em voz alta.”

Essa ausência momentânea, então, virou parte da jornada. Não há fogueira sem pausa. Não há fala sem silêncio. E essa terça-feira vazia me ensinou mais do que muitos encontros cheios de palavras. Me ensinou a respeitar o cansaço. Me ensinou a parar antes de quebrar.

Na próxima semana, a fogueira acenderá de novo. E talvez, com a mente mais descansada, eu consiga falar sobre tudo isso com mais clareza. Ou talvez não. Talvez só queira escutar. Ou rir. Ou divagar sobre qualquer assunto que não doa. Mas o importante é: estaremos lá.

Conclusão – O Silêncio Também É Ritual

Hoje, a fogueira não se acendeu. Mas, paradoxalmente, ela existiu. Existiu no descanso. No tempo suspenso. No respeito à mente cansada. E isso também é parte da tradição. Porque nem toda semana pede fogo. Algumas pedem sombra.

Que venha a próxima terça. Que a brasa retorne. Que o papo continue. Mas que a pausa de hoje não seja esquecida. Porque ela também nos ensinou algo.

“Às vezes, é no dia em que ninguém fala... que a fogueira realmente nos escuta.”

sábado, 5 de julho de 2025

Jogos grátis da semana

Jornada Gamer – Jogos Grátis da Semana (Julho – Epic Games)

Impressões iniciais de quem ainda não jogou, mas já pressente possibilidades.

Introdução – Uma nova tradição

Semana passada, sem querer, comecei algo. E agora percebo que quero continuar. Essa postagem será um espaço fixo, talvez quinzenal, talvez semanal, onde deixo registradas as minhas primeiras impressões dos jogos que entram como gratuitos na Epic Games (e depois, nas outras plataformas). Mas com um detalhe importante: são jogos que ainda não joguei.

O motivo disso é simples. Enquanto continuo minha jornada de troféus, zeramentos e platinas com jogos que já estão na fila, tenho recebido gratuitamente vários outros. Muitos dos quais, com o tempo, esqueço que recebi. Registrar essas impressões aqui será como montar um mapa — um ponto de partida para quando eu quiser escolher o próximo jogo a entrar na minha jornada.

Então vamos lá. Esses são os dois jogos que a Epic liberou essa semana:

Backpack Hero – Um convite ao caos organizado

O primeiro da lista é Backpack Hero. De cara, já chama atenção pelo visual: pixel art, retro, com aquele charme de Super Nintendo que me pega fácil. Ao abrir a página do jogo, percebo que ele não é só mais um RPG genérico. Ele mistura algumas coisas que me interessam bastante.

Há ali um sistema de combate que parece funcionar por turnos, mas com um toque tático diferente, centrado em gerenciamento de inventário. É como se o foco do jogo não fosse apenas o inimigo à frente, mas o que você leva na mochila. Trocas de armas, gestão de espaço, estratégia item a item. Isso, inevitavelmente, me lembra Diablo. Mas um Diablo comprimido em grid, com estética de roguelike e ritmo de dungeon crawler.

A estrutura do mapa também é interessante. Me remete a jogos como Crystalis, Breath of Fire e, claro, Zelda. Isso já coloca o jogo num lugar de conforto visual e emocional pra mim. Um ambiente familiar com promessas novas.

“Backpack Hero parece o tipo de jogo que desafia sua bagunça. E transforma isso em mecânica.”

Claro, nem tudo é certeza. Lutas por turno podem ser um ponto fraco se mal conduzidas. Se forem lentas, datadas ou sem carisma — como em alguns dos primeiros Final Fantasy — corro o risco de largar o jogo antes da primeira hora. Mas, por enquanto, parece promissor. Ele tem conquistas. O estilo me agrada. A proposta é, no mínimo, diferente. E isso, para um jogo gratuito, já é um bom começo.

Figment – O som das ideias distorcidas

O segundo jogo da semana é Figment. E esse nome... me soou familiar. Tenho quase certeza de que já o recebi antes, talvez na Steam. A versão da Epic, infelizmente, não tem conquistas — o que, pra mim, diminui muito a vontade de jogar por aqui. Mas isso não quer dizer que o jogo em si não seja interessante. Pelo contrário.

Visualmente, ele é peculiar. Estética cartunesca, entre o 2D e o 3D, com ambientação que me lembrou um título antigo que joguei nos primórdios do PC: Pandemonium. Claro, a memória pode estar me pregando peças — mas algo ali me levou direto para aquele tempo em que tudo era experimental e estranho.

Figment parece ser um jogo de aventura com leve toque de plataforma e elementos musicais. E esse detalhe da música me chama atenção. Não sei exatamente como isso se manifesta na gameplay, mas como alguém que já jogou muitos Zeldas, sei que quando a música entra como mecânica e não só como trilha... há potencial.

Outro ponto que me animou foi descobrir que a Epic vai oferecer a continuação do jogo na semana que vem. Isso, por si só, é um indício importante: se o jogo ganhou uma sequência, é porque, de alguma forma, ele encontrou um público. Passou no crivo. Conquistou o suficiente para continuar existindo. E isso, mesmo sem ser garantia, já afasta a hipótese de que o jogo seja uma falha total.

“Jogos que têm continuação não são atestados de genialidade. Mas raramente são irrelevantes.”

Figment me interessa. Mas não será aqui, na Epic, que vou jogá-lo. Se minha versão na Steam tiver conquistas, será lá que ele encontrará espaço. Porque esse tipo de jogo — leve, estranho, colorido — precisa de motivação extra. E troféus, pra mim, ainda são isso: motivação para permanecer quando o encantamento estético começa a se esvaziar.

Jogos da Amazon – Surpresas, coelhos e fragmentos

Além da Epic, também tive tempo de dar uma olhada nos jogos gratuitos oferecidos pela Amazon Prime essa semana. Eu sempre faço o resgate, religiosamente, mesmo que não vá jogar de imediato. É como colecionar promessas. E nessa semana, me sobraram dois jogos — e algumas boas impressões iniciais.

O primeiro é um nome difícil até de repetir: Paquerette Down the Bunburrows. Não faço a menor ideia de como pronunciar, nem sei se o nome tem algo a ver com o jogo. A capa é confusa. Mas olhando o gameplay na página da loja, me parece um jogo de labirinto com mecânicas de caça — algo como Pac-Man, mas com mais quebra-cabeça e menos velocidade cega.

Você persegue coelhos em um mapa com tocas. Ainda não sei se o objetivo é impedi-los de fugir ou levá-los até as tocas de forma estratégica. Mas se a primeira hipótese for verdadeira, isso cria uma camada interessante de tática — forçar o coelho para onde ele não quer ir, prendê-lo. Uma versão fofa da emboscada. Não sei como é o ritmo, se o coelho é mais rápido ou se o desafio está no tempo. Mas parece, no mínimo, curioso.

O segundo jogo da Amazon já me chamou muito mais atenção: Boxes: Lost Fragments. De cara, me lembrou imediatamente uma experiência que compartilhei com minha filha — jogamos, anos atrás, a série The Room. Era o tipo de jogo que misturava lógica, estética e um certo mistério silencioso. Jogamos sem pensar em troféus, apenas pela imersão. Mas hoje, em plena fase de busca por conquistas, ver um jogo com a mesma pegada, e ainda com troféus disponíveis, coloca ele direto na lista.

“Nem sempre um jogo precisa gritar. Alguns apenas se insinuam. E Boxes faz isso bem.”

Importante: os dois jogos oferecidos pela Amazon essa semana são ativados via Epic Games. E ambos possuem conquistas. Ou seja, mesmo não sendo prioridade agora, já foram mentalmente destacados como opções viáveis para a jornada.

Steam – Um símbolo com espada

Por fim, um jogo extra na Steam: Ampersand. Um nome estranho. Parece um símbolo. E, ao que tudo indica, o personagem principal do jogo é literalmente um “@” armado. Estética absolutamente indie. Gráficos simples. E uma atmosfera que mistura humor involuntário com potencial.

Me parece um roguelike — gênero que, aliás, eu gosto muito. O visual lembra Diablo, mas com aquele charme minimalista que só os jogos ultra-indie conseguem entregar sem parecer preguiça. Tem conquistas. E isso já basta para mantê-lo na lista de teste futuro.

A Steam costuma oferecer jogos mais experimentais, e essa semana não foi diferente. Vale o teste. E quem sabe, talvez ele surpreenda. Eu nunca fui do tipo que exige gráfico. Gosto de ideia. De ritmo. De jogabilidade que engata. E se Ampersand conseguir isso, já valeu a pena.

Conclusão – Um mapa do futuro

Essa semana não me trouxe nenhum título que me fizesse parar tudo e jogar agora. Mas me trouxe possibilidades. E isso, para alguém em jornada, já é valioso. Um ou dois desses jogos certamente entrarão na fila. Talvez daqui semanas. Talvez em um intervalo entre dois projetos maiores. Mas já estão registrados. E isso era o objetivo deste post.

Voltar aqui e reler essas linhas será, no futuro, uma forma de me lembrar do que me chamou atenção antes mesmo do jogo começar. Porque jogar, às vezes, começa muito antes do primeiro clique. Começa com curiosidade. Com feeling. Com memória afetiva. Com intuição.

“Alguns jogos você joga. Outros, você pressente.”

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Junho - sempre caótico

Entre Gatilhos, Comportamentos e Coisas que Ninguém Vê – Continuação

Porque o amor, às vezes, também erra o caminho. E ainda assim, insiste em ficar.

Capítulo 1 – O pai que eu sonhava ser

Sempre quis ser pai. E por mais que essa frase carregue em si uma simplicidade quase banal, a verdade é que ela guarda camadas que só quem viveu entende. Desde muito pequeno, quando ainda via meu pai como um herói, essa ideia já morava em mim. Ele era, naquele tempo, o resolvedor de todos os problemas. A figura forte. O escudo. A resposta.

Mas como quase toda infância que se alonga demais, a minha também foi interrompida. Muito cedo, ele deixou de ser a solução e passou a ser a origem de todas as dores. E ali, eu fui perdendo aos poucos a família que jamais cheguei a ter por completo. Vivi minha adolescência à deriva, sem estrutura, sem base, sem aconchego. E no meio do naufrágio, fiz um pacto silencioso comigo mesmo: um dia, eu terei a minha própria família. E serei tudo aquilo que não tive.

Essa vontade cresceu comigo. Não era uma fantasia. Era um objetivo. Um mapa de sobrevivência emocional. Eu queria ser um pai presente, amoroso, envolvido. Queria a mesa posta, os domingos lentos, as risadas sem medo. Queria tudo o que me faltou. E quando você nasceu, filha, foi como se o mundo me devolvesse algo que me foi negado por tanto tempo.

“Ser pai me curou de lugares que nem a terapia sabia nomear.”

Você era um bebê lindo. E a nossa conexão foi imediata. Não precisou de tempo, de adaptação, de ajustes. Eu te vi, te peguei no colo, e algo dentro de mim se reorganizou. Um amor novo, fresco, bruto, visceral. Algo que eu nunca tinha experimentado. E aquilo me tornou melhor. Me tornou, talvez pela primeira vez, alguém que gostava de ser quem era.

Nosso começo foi lindo. Cada passo seu, cada palavra, cada gesto. Eu observava tudo com um misto de admiração e espanto. Era como ver um milagre se construindo dia após dia dentro do caos do mundo. Mesmo com o casamento se tornando um campo de guerra, mesmo com o peso da rotina, mesmo com tudo... ser pai era a única coisa certa. A única coisa boa. A única certeza real em um mundo cheio de falhas.

Capítulo 2 – A primeira ruptura

Mas nem todo sonho sobrevive à realidade. E o nosso lar, que já vinha rachado, cedeu. O casamento acabou. A casa silenciou. E você foi embora. A tua ausência... não foi só espacial. Foi emocional. Foi visceral. Foi a maior perda da minha vida adulta. O ano da sua partida foi o mais escuro que vivi desde que aprendi a sobreviver sozinho.

A gente ainda se via, claro. Tentávamos manter algum tipo de rotina. Mas já não era a mesma coisa. Havia um vácuo entre nós. Algo que antes era ponte e agora parecia muro. E aos poucos, eu fui vendo você mudar. Crescer para lados que eu não conseguia alcançar. Escolher caminhos que eu não conseguia entender. E isso... isso foi me quebrando aos poucos.

“A pior solidão é ver alguém que você ama se tornar irreconhecível.”

Você estava crescendo muito diferente do que eu sonhei. E não, não se trata de controle. Não se trata de expectativa frustrada. Trata-se de cuidado. Trata-se de um amor que olha e vê o que vem pela frente — e sofre por antecipação. Porque os pais, filha, têm essa maldição: eles enxergam o que os filhos ainda não podem ver. E o que eu via... era dor. Era conflito. Era repetição de histórias que eu passei a vida tentando evitar.

Você começou a flertar com comportamentos que me lembravam pessoas que eu lutei para esquecer. E isso me feria. Me feria de formas que eu não sabia expressar. Dava raiva, sim. Não de você. Mas de ver o que você estava se tornando. E de não conseguir impedir. De não saber mais o que fazer.

Eu continuei tentando. Mesmo sem manual. Mesmo sem garantias. Mesmo com você cada vez mais distante. Mas o abismo crescia. E cada vez que você voltava, era como se outra versão sua ocupasse aquele corpo. Uma versão carregada de reatividade, de arrogância, de distanciamento. Uma versão que me assustava. Que me desafiava. Que me calava.

E aqui estamos. Você aí, se tornando algo que eu nunca quis. Eu aqui, ainda te chamando de filha... mas já não sabendo com quem estou falando.

Capítulo 3 – O pesadelo onde havia um plano

Eu fui tentando. Mesmo quando você já não ouvia. Mesmo quando tudo em você parecia dizer “não me toque”. Eu fui tentando. Tentando ser suporte. Tentando estar perto. Tentando não desistir. Mas é difícil amar quando o outro parece fazer questão de desprezar qualquer gesto. Qualquer regra. Qualquer limite.

Você passou a confrontar toda e qualquer autoridade. Toda tentativa de diálogo virava conflito. Toda tentativa de presença virava invasão. E, aos poucos, foi ficando impossível. Você começou a se parecer — cada vez mais — com pessoas que eu lutei a vida toda para manter fora da minha história. E aí, a pergunta vinha sozinha: pra quê?

“Se você conhece o final do caminho... por que insiste em caminhar até ele?”

Eu sei que você é livre. Sei que a escolha é sua. Mas ainda assim... certas coisas deveriam ser óbvias. Regras deveriam ser regras. E eu não estava preparado. Não pra isso. Não pra ver você romper com tudo o que acreditamos. Não pra ver você negar tudo o que te foi dado com tanto amor. Eu não estava pronto para a decepção. Nem para esse tipo de rebeldia sem causa. Nem para ser tratado como um estranho dentro da própria história.

Talvez eu nunca tenha sido um adolescente assim. Talvez porque eu estava sempre preocupado demais com o futuro. Porque a sobrevivência me impedia de me perder. E agora eu olho pra tudo isso e não sei onde foi que tudo desandou. Só sei que desandou. E feio.

Você era o meu maior sonho. E hoje... você me dá medo. Porque o que antes era plano, agora é um pesadelo com arquitetura lovecraftiana — incoerente, grotesco, inexplicável. Um labirinto de dor com portas fechadas.

Capítulo 4 – Silêncios que não cicatrizam

A parte mais cruel de tudo isso é que o que eu penso... é simples. Muito simples. Mas não encontra eco. Falo, tento explicar, tento alertar... e nada volta. Só silêncio. Ou sarcasmo. Ou negação. É difícil competir com a arrogância da adolescência — aquela certeza estúpida de que se sabe tudo. De que se tem todas as respostas. Eu também fui assim. Mas nem de longe com essa blindagem emocional. Nem de longe com essa distância quase ofensiva.

Você cresceu... e escolheu o pior do que carrega no sangue. Pegou os traços mais duros, mais rudes, mais tóxicos da sua genética — e os elevou à categoria de personalidade. E isso... isso é desesperador. Porque o que você está se tornando... é algo que dói de olhar. Dói de lembrar. Dói de prever.

“O pior não é te ver se perder. É saber que você acredita estar vencendo.”

Hoje eu já não sei como falar com você. Já não sei como atravessar essa muralha que você levantou. Aparentemente... você também não quer. Não quer escutar. Não quer conversar. Não quer compartilhar nada além do que te convém.

Talvez você nunca leia esse texto. E tudo bem. Ele não foi escrito para ser lido. Ele foi escrito porque eu precisava escrever. Porque eu precisava gritar de um jeito que não me expulsasse da sua vida mais do que já fui. E se você, um dia, esbarrar nessas linhas — que você saiba: elas foram escritas por alguém que esteve ali desde o seu primeiro suspiro. Alguém que te viu sorrir pela primeira vez. Alguém que sorriu com cada pequena vitória sua. Alguém que, mesmo sem conseguir mais te reconhecer, ainda te ama.

Hoje, eu olho pra você... e não sei quem você é. Não sei como você pensa. Não sei o que você sente. Mas sei o que virá se continuar assim. E não há nada mais triste do que saber o fim de uma história — e não poder fazer nada para mudar o roteiro.

“E o que fazer... quando o maior amor da sua vida não quer ser amado?”