Papo na Fogueira – Quando o Silêncio É a Fogueira
Primeira semana de julho. E, dessa vez, não houve brasa. Mas houve peso. Houve pausa. Houve algo.
Capítulo 1 – A Fogueira Que Não Veio
Essa semana, o ritual não aconteceu. A fogueira não se acendeu. Os bancos permaneceram vazios. Nenhum chá foi servido, nenhuma risada despretensiosa interrompeu a noite. E por mais estranho que isso soe, talvez tenha sido melhor assim.
Vim de um final de semana extremamente pesado. Junho terminou como uma avalanche silenciosa — daquelas que vão se acumulando em forma de ruído mental, até que tudo se torna exaustão. E durante a segunda-feira, e parte da terça, pensei diversas vezes em pedir o adiamento. Mas... não pedi. Não sabia ao certo o que seria melhor: conversar sobre tudo isso, ou justamente falar de qualquer outra coisa para escapar do redemoinho que minha cabeça se tornou.
“Há dias em que até decidir é exaustivo.”
E nessa indecisão que não se verbaliza, o universo resolveu por mim. O papo não aconteceu. Imprevistos, atrasos, outros pequenos colapsos de rotina. E tudo foi se dissolvendo lentamente até que a reunião foi, de forma não oficial, cancelada. Ou adiada. Ou silenciada.
Na prática, eu dormi cedo. Cedo demais. Apaguei. Eu, que sempre tenho dificuldade com isso, apaguei antes da hora. E talvez isso diga muito. O cansaço não era só físico. Era de pensamento. De expectativa. De cobrança. E, pela primeira vez, senti que a ausência da fogueira foi, de algum modo, um presente.
Capítulo 2 – A Pausa Que Cura
Agora, olhando com perspectiva, percebo que o universo me deu exatamente o que eu precisava: uma pausa sem culpa. Um silêncio sem obrigação. Uma brecha sem explicações. Era como se alguém, lá em cima, dissesse: “Você precisa parar. Agora.”
Eu precisava dessa baixa rotação. De desligar. De silenciar tudo. De não precisar contar nada. Nem entender nada. Apenas existir por algumas horas em paz. Ou, ao menos, sem barulho interno demais.
“Nem todo capítulo precisa ser escrito em voz alta.”
Essa ausência momentânea, então, virou parte da jornada. Não há fogueira sem pausa. Não há fala sem silêncio. E essa terça-feira vazia me ensinou mais do que muitos encontros cheios de palavras. Me ensinou a respeitar o cansaço. Me ensinou a parar antes de quebrar.
Na próxima semana, a fogueira acenderá de novo. E talvez, com a mente mais descansada, eu consiga falar sobre tudo isso com mais clareza. Ou talvez não. Talvez só queira escutar. Ou rir. Ou divagar sobre qualquer assunto que não doa. Mas o importante é: estaremos lá.
Conclusão – O Silêncio Também É Ritual
Hoje, a fogueira não se acendeu. Mas, paradoxalmente, ela existiu. Existiu no descanso. No tempo suspenso. No respeito à mente cansada. E isso também é parte da tradição. Porque nem toda semana pede fogo. Algumas pedem sombra.
Que venha a próxima terça. Que a brasa retorne. Que o papo continue. Mas que a pausa de hoje não seja esquecida. Porque ela também nos ensinou algo.
“Às vezes, é no dia em que ninguém fala... que a fogueira realmente nos escuta.”


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