Gamertag

quinta-feira, 10 de julho de 2025

The Stanley Parable Ultra Deluxe

Jornada Gamer – The Stanley Parable Ultra Deluxe

Um jogo que ri de si mesmo e ri de mim também. E mesmo assim, me fez pensar mais do que muitos livros inteiros.

1. O Jogo que Não Explica Nada (e ainda assim diz tudo)

Eu entrei em The Stanley Parable Ultra Deluxe quase por acidente. Estava ali, em promoção na Steam, com dezenas de análises dizendo que era incrível — mas sem spoilers. Uma em especial me fisgou: "Quanto menos você souber, melhor." Resolvi seguir o conselho. E entrei no jogo completamente às cegas.

De cara, o jogo me apresentou um narrador. Não apenas narrando, mas antecipando minhas ações. E isso já começou com um humor irônico que me fez rir alto. Na primeira jogada, obedeci fielmente tudo o que ele dizia. Fui de A a B. E... o jogo recomeçou. Sem maiores explicações.

"Stanley entrou na porta da esquerda."
Mas e se eu... não entrar?

2. E Se Eu Disser Não?

O que acontece se eu for para o outro lado? Essa é a pergunta que desbloqueia a verdadeira experiência de The Stanley Parable. Ao contrário de outros jogos que simplesmente bloqueiam suas alternativas, aqui tudo é permitido — ou quase tudo. E o resultado disso é hilário, desconcertante, existencial.

Fui descobrindo finais por acidente. Alguns absurdamente engraçados, outros genuinamente tristes. E em cada um, uma piada diferente, uma crítica diferente, uma nova quebra da quarta parede. O jogo começa a rir de você. E depois você ri junto. Mas no fundo... você também pensa.

"Você apertou esse botão porque te mandaram... ou porque quis?"

3. Ordens, Rotinas e o Vazio Corporativo

Em algum momento, percebi que o jogo não era apenas uma comédia interativa. Ele cutucava temas pesados: alienação no trabalho, obediência cega, existências automatizadas. Quantas vezes seguimos ordens porque é mais fácil do que pensar? Quantas vidas se resumem a apertar botões?

The Stanley Parable te obriga a confrontar isso. Com humor, sim. Mas também com desconforto. É aquele tipo de jogo que continua na sua cabeça mesmo depois de desligado.

4. A Porta do “Novo Conteúdo”

Depois de algumas explorações e finais descobertos, uma nova porta surgiu: "Novo Conteúdo". E aí entendi o que era o tal Ultra Deluxe. Novos finais, novas ironias, novos metacomentários. O jogo começa a zoar até a própria ideia de uma sequência. Começa a rir das críticas que recebeu. Começa a rir de você, jogador esperançoso por "algo novo".

É meta em cima de meta. É genialidade disfarçada de besteira. É uma aula de design narrativo escondida num jogo onde, tecnicamente, você só caminha.

5. As Conquistas Mais Absurdas da História

Foi só quando decidi olhar a lista de conquistas que percebi a dimensão da loucura: uma delas exige que você fique 10 anos sem jogar o jogo. Outra, que jogue por uma terça-feira inteira. São piadas, claro. Mas são piadas com mensagem. E mais do que isso: te fazem pensar sobre o próprio sistema de conquistas dos games.

Terminei minha sessão com duas conquistas pendentes — mas muito satisfeito. E, honestamente, com vontade de voltar. Porque esse é um daqueles jogos que, mesmo você achando que já viu tudo, sempre esconde mais uma dobradiça, mais uma porta, mais um sussurro do narrador dizendo: "Você realmente acha que está no controle?"

Conclusão: Risos, Reflexão e Recomeços

The Stanley Parable Ultra Deluxe é um jogo sobre escolhas. Sobre liberdade. Sobre controle. Sobre a ilusão de todas essas coisas. É uma sátira, mas também um espelho. E mesmo que eu volte daqui a um mês, ou daqui a 10 anos, sei que ele ainda vai ter algo a me dizer.

"Tudo o que fazemos é apertar botões. Mas às vezes, é o botão errado que nos mostra o caminho certo."

Recomendo? Com toda certeza. Mas só se você estiver disposto a rir de si mesmo. E depois, pensar seriamente sobre o porquê.

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