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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban — Capítulo 1

Capítulo I — Um começo que não volta ao começo

A primeira coisa que chama atenção no início de O Prisioneiro de Azkaban é o que ele não faz. Diferente dos dois livros anteriores, ele não gasta tanto tempo reafirmando, explicando e reapresentando quem é Harry Potter, como se precisasse reconquistar o leitor do zero. Há uma passagem breve, quase eficiente demais, apenas para lembrar o essencial: Harry vive com os Dursleys, e a vida ali continua sendo uma mistura de contenção, vigilância e proibição.

Essa mudança de ritmo diz muito. Não parece um “recomeço”, parece uma continuação que confia no que já foi estabelecido. Como se o livro assumisse que o leitor já sabe quem ele é — e, mais do que isso, que Harry também já sabe. O drama aqui não está em descobrir o mundo mágico pela primeira vez. Está em sobreviver ao intervalo entre um mundo e outro.

Há histórias que não recomeçam — apenas seguem, com novas cicatrizes.

Capítulo II — Deveres escondidos e magia clandestina

Harry, como sempre, é proibido de estudar magia na casa dos Dursleys. Essa regra se torna quase um ritual anual: férias significam afastamento, e afastamento significa tentativa de apagamento. Ainda assim, ele dá seu jeito. Esconde um livro, lê às escondidas, faz trabalhos de casa porque Hogwarts manda deveres mesmo durante o período de férias — e isso por si só é algo curioso, porque reforça que o mundo mágico não é apenas aventura: é disciplina, é cobrança, é formação.

Harry fica esperando o retorno como quem espera respirar de novo. Ele está no quarto, não exatamente preso, não exatamente castigado, mas ainda isolado do que faz sentido para ele. É uma liberdade limitada, uma espécie de concessão que não toca na raiz do problema: a casa dos Dursleys nunca é lar, é apenas permanência forçada.

Há proibições que não existem para impedir ações, mas para lembrar a alguém que não pertence.

Capítulo III — A noite, a coruja e o tipo de paz possível

Existe um detalhe que torna este começo curiosamente confortável: Harry está à noite na cama, lendo e fazendo seus deveres. Não é uma cena explosiva, não é uma sequência dramática. É um cotidiano silencioso, quase íntimo. A coruja pode ser liberada à noite. Há pequenas permissões que dão a sensação de que, pelo menos desta vez, o verão não será um castigo completo.

E aí entram as notícias. Os Weasleys estão no Egito. Há cartas chegando. Cartões de aniversário de Rony, Hermione e Hagrid. Essas mensagens não são apenas informação — são prova de vínculo. Harry continua existindo para alguém. Continua sendo lembrado. Isso muda o peso do silêncio do quarto.

Às vezes, o que salva um dia inteiro é só saber que alguém lembrou de você.

Capítulo IV — Hogsmeade, sorriso e memória do jogo

Entre as cartas, chega uma de Hogwarts dizendo algo que, por si só, já muda o clima: os alunos estão permitidos a visitar Hogsmeade. E aqui eu sorrio.

Por quê? Porque eu conheço Hogsmeade por Hogwarts Legacy. É a vila que, no jogo, vira quase um eixo: o lugar onde comprei minha varinha, minha vassoura, poções, plantas, pergaminhos. É uma das primeiras vilas que se visita, e depois disso se torna recorrente, familiar, segura.

Então existe algo muito particular nesse momento: eu quero ver o livro descrevendo um lugar onde eu “estive” inúmeras vezes, ainda que de outra forma. Quero ver como a literatura pinta o que o jogo me deixou como memória visual e afetiva. E, ao mesmo tempo, há um desejo simples e humano: tomara que Harry consiga a permissão. Não porque isso muda o mundo, mas porque muda a experiência dele.

Certos lugares não são só cenário. São promessa de respirar fora da dor.

Capítulo V — Humor de bruxo: queimados que não queimam

O capítulo traz também uma passagem que é, ao mesmo tempo, estranha e hilária: a ideia de bruxos sendo queimados. O texto trata isso de um jeito tão leve que parece quase absurdo. Nenhum bruxo sofreu nada, porque eles usavam chamas “geladas”, que faziam no máximo cócegas. E uma bruxa gostava tanto disso que foi “queimada” quarenta e sete vezes.

Eu acho que o número é esse — e, mesmo que não fosse, o espírito da passagem é claro. Existe um humor muito específico aqui: o mundo trouxa tentando punir algo que não entende, e o mundo bruxo respondendo não com vingança, mas com ironia. É o tipo de detalhe que deixa Hogwarts mais vivo, porque mostra que a magia não serve apenas para grandes batalhas. Ela existe também no anedótico, no ridículo, no cotidiano.

O humor, às vezes, é só a inteligência se recusando a se desesperar.

Capítulo VI — Presentes que revelam o mundo

Os Weasleys seguem no Egito, e Harry recebe presentes que carregam o tempero desse universo. De Rony, um presente que acende quando algo está acontecendo — como se até a amizade viesse com utilidade mágica. De Hermione, um kit de manutenção de vassoura, que tem aquela aura dela: cuidado, método, atenção ao detalhe.

E de Hagrid… de Hagrid vem o inesperado. Um livro que sai correndo pelo quarto. A cena tem aquela assinatura típica dele: o carinho vem acompanhado de caos. Hagrid nunca entrega algo comum. Ele entrega algo que vive, que reage, que assusta, que dá trabalho.

Se não me falha a memória, eu me lembro dessa cena no filme: o livro tentando morder, andando pelo quarto como se fosse uma aranha ou um caranguejo. Mas eu teria que rever para encaixar essa imagem com exatidão. Ainda assim, a lembrança existe. E, de novo, o livro e o filme começam a se sobrepor na memória como camadas diferentes da mesma história.

Hagrid tem esse dom: até quando ajuda, ele bagunça o mundo — do melhor jeito.

Capítulo VII — Um capítulo confortável antes da virada

No fim, este primeiro capítulo tem algo raro: conforto. Não porque a vida de Harry esteja boa, mas porque há menos castigo explícito e mais um tipo de espera suportável. Ele está no quarto, sim. Sem acesso às coisas de magia, sim. Mas não está esmagado pela punição como em outros momentos.

É como se o livro estivesse respirando antes de avançar. Como se dissesse: “calma, ainda dá tempo de lembrar do que é normal antes de quebrar tudo de novo”. E isso funciona.

O ano letivo começa em 1º de setembro, como sempre. E essa frase, simples, carrega uma espécie de destino inevitável: Hogwarts está chegando. E com Hogwarts, sempre vem algo que muda tudo.

Em Hogwarts, o calendário é fixo. O perigo, não.

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