Capítulo I — Leveza depois da tensão
Até agora, o Capítulo 7 foi o que mais me agradou neste livro. Existe uma leveza diferente nele. Não é ausência de conflito, mas uma forma mais dinâmica de conduzir os acontecimentos.
A rivalidade continua. Malfoy ainda finge estar machucado, exagerando sua dor para tentar prejudicar Hagrid, usando inclusive a influência do pai. Há algo quase teatral nessa encenação — um drama sustentado por conveniência.
Alguns personagens não sofrem — eles performam sofrimento.
Capítulo II — Snape, favoritismo e desgaste
Nas aulas de Poções, Snape segue sendo exatamente o que já conhecemos: mal educado, ranzinza, parcial. A perseguição aos alunos da Grifinória é clara. E Malfoy, mesmo “machucado”, recebe tratamento quase privilegiado.
Esse tipo de dinâmica reforça algo que já vimos antes: Hogwarts não é um ambiente neutro. Existem favoritismos. Existem pequenas injustiças. E elas moldam o clima emocional da escola.
A injustiça cotidiana é mais corrosiva do que qualquer grande vilão.
Capítulo III — Hermione e o enigma do tempo
Hermione começa a se tornar um mistério dentro do próprio livro. Ela some. Reaparece. Está em aulas demais. Participa de disciplinas que seriam fisicamente impossíveis de encaixar no mesmo horário.
Acredito que isso esteja ligado ao acordo que ela fez com a professora Minerva. Mas como? Feitiço? Objeto mágico? Poção?
Algo está acontecendo. E o livro planta essa semente de forma discreta, sem explicar demais.
Quando alguém parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, o mistério deixa de ser suspeita e vira promessa.
Capítulo IV — A melhor aula até agora
A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas foi, até aqui, a parte mais interessante do livro. E talvez a mais criativa.
O bicho-papão. Uma criatura que assume a forma do maior medo. É uma ideia simples, mas extremamente poderosa.
O maior medo de Neville? O professor Snape. O que diz muito sobre o ambiente que ele vive.
E então surge o feitiço Riddikulus. Um feitiço que transforma o medo em algo ridículo, algo engraçado.
O riso é uma forma de resistência.
Capítulo V — Snape de vestido e o poder do riso
A cena de Neville imaginando Snape usando as roupas da avó é simplesmente brilhante. O medo se torna caricatura. A figura opressora se torna cômica.
Eu não me lembro claramente se essa cena está no filme. Se estiver, é uma daquelas cenas que merecem ser revisitadas. Porque o conceito é perfeito.
O bicho-papão não é derrotado com força. Ele é derrotado com humor. E isso é quase filosófico.
O medo perde poder quando é ridicularizado.
Capítulo VI — O que ficou em aberto
No fim da aula, restam duas perguntas. Por que Lupin não deixou Harry enfrentar o bicho-papão? E por que o medo do próprio Lupin parecia ser uma bola de cristal?
São detalhes pequenos. Mas detalhes em Harry Potter nunca são apenas detalhes. Eles sempre apontam para algo maior.
O que não é explicado no momento costuma ser a chave do próximo capítulo.
Capítulo VII — Malfoy e a provocação final
Antes de terminar, ainda há a provocação de Malfoy: perguntando se Harry não quer se vingar de Sirius Black.
Pode ser apenas maldade. Pode ser informação que Harry ainda não possui. Pode ser manipulação.
Mas uma coisa é clara: mesmo num capítulo leve, a sombra de Sirius continua presente.
Mesmo quando a história ri, o perigo não desaparece.


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