Jornada Gamer – Pecados dos Horadrim e a Estagnação do Inferno
Temporada 9 de Diablo IV, e pela primeira vez... o fogo não queima como antes.
“A repetição sem reinvenção é só cansaço com aroma de cinzas.”
Introdução – O Anúncio e o Fardo da Expectativa
Foi anunciado. A nona temporada de Diablo IV chega com nome e peso: Pecados dos Horadrim. A data, cravada em pedra digital, aponta para o dia 1 de julho de 2025, trazendo novas atividades, mais recompensas cosméticas, ajustes de qualidade de vida e, é claro, um novo artefato ancestral como trunfo narrativo.
O marketing, como sempre, é bem construído. Imagens bem escolhidas, trailers enigmáticos e uma promessa velada de redenção após uma temporada 8 apagada. Mas pela primeira vez, ao ver tudo isso... não senti nada.
Capítulo 1 – O Despertar do Desinteresse
Houve um tempo em que o anúncio de uma nova temporada de *Diablo IV* era quase um ritual. Era ver o trailer, abrir o Discord e começar os planos: classe, build, metas, memes. A excitação era real. O cheiro do inferno era convidativo. Hoje, tudo parece cinza. Não preto. Cinza. Um limbo de apatia temperada com repetições.
Não há raiva. Não há frustração. Apenas um vazio. E talvez esse seja o verdadeiro pecado desta temporada: não provocar emoção alguma.
Não é como se o jogo tivesse virado algo ruim de uma hora para outra. Diablo ainda entrega sua ambientação, sua jogabilidade sólida, sua estética cruel. Mas a alma do ciclo sazonal parece ter sido drenada. Talvez por falta de inovação real. Talvez porque prometer reformulações e entregar pequenas correções cansa até mesmo os mais devotos.
Capítulo 2 – Uma Gamertag para os Pecadores
Fico pensando: e se houvesse algo a mais? Algo que conectasse essas temporadas a um legado. Algo que desse sentido às batalhas, às horas, aos resets. Algo como uma Gamertag da Temporada.
Não me refiro a conquistas convencionais, como as de Xbox ou PlayStation, que inclusive já existem no jogo. Me refiro a um registro visual, emocional e competitivo da nossa história sazonal. Algo como um altar profano onde são entalhados os feitos, fracassos, builds únicas, mortes épicas, jornadas solo. Um quadro público, uma moldura digital que contasse nossa travessia pelo inferno. Algo que se conectasse com a Exophase e outros hubs do mesmo tipo, nativo da Blizzard, porém não preso dentro do jogo.
Talvez isso me animasse. Talvez eu quisesse preencher esse quadro, ter registro externo de meus feitos, mostrar que mesmo sem um elo narrativo envolvente, minha dedicação deixou marcas. Porque se a jornada não deixa rastros, por que se preocupar em caminhar?
Conclusão – Sem Fúria, Sem Glória
Não sei se vou jogar a Temporada 9. Não me vejo empolgado, criando planilhas, debatendo tier lists, tampouco madrugando para subir ranking. Não este mês. Não agora.
Talvez eu entre. Talvez eu jogue algumas horas e pare. Talvez um item raro me pegue pelo pescoço e me arraste de volta ao vício. Mas não tenho expectativas. E isso é uma pena. Porque Diablo sempre foi sobre expectativa. Sobre abrir um baú e esperar o impossível. Sobre entrar em uma dungeon e sentir que ali o destino pode ser escrito.
Desta vez, não sinto isso. Só vejo poeira. Só ouço ecos.
“O inferno, às vezes, não grita. Apenas sussurra... que você já esteve aqui antes.”




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