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domingo, 26 de julho de 2026

Harry Potter e o Enigma do Príncipe — Capítulo 20

Capítulo I — Os três juntos novamente

O capítulo 20 começa com Harry e Rony finalmente deixando a enfermaria.

Os dois estão recuperados e, aparentemente, alguma coisa também se curou fora dali.

A longa briga entre Rony e Hermione parece ter terminado.

Talvez quase perder Rony tenha colocado toda aquela discussão adolescente em perspectiva para Hermione. Depois de envenenamento, risco de morte e dias na enfermaria, continuar sustentando aquela guerra de ciúmes simplesmente parece pequeno demais.

Harry, naturalmente, fica feliz.

Depois de capítulos acompanhando os dois amigos trocando provocações e utilizando-o praticamente como intermediário involuntário de uma briga que nenhum deles tinha maturidade para resolver, finalmente o trio está reunido novamente.

Uma pessoa, porém, não parece particularmente satisfeita com a situação.

Lilá Brown.

Seu relacionamento com Rony está cada vez pior, e Harry acaba pressionando o amigo para que finalmente converse com ela em vez de continuar fugindo.

Às vezes, basta chegar perto de perder alguém para algumas brigas revelarem o tamanho insignificante que sempre tiveram.

Capítulo II — Uma mensagem de Dumbledore

É nesse intervalo que Luna entrega a Harry uma mensagem.

Dumbledore quer encontrá-lo naquela noite.

Mais uma aula.

E imediatamente voltamos ao que considero a parte mais interessante de O Enigma do Príncipe.

As aulas particulares entre Harry e Dumbledore se tornaram praticamente uma investigação sobre a construção de Lord Voldemort.

Cada lembrança acrescenta alguma coisa.

Cada pequeno comportamento de Tom Riddle parece possuir importância.

E agora Harry chega à sala de Dumbledore carregando também uma missão que deveria ter cumprido.

O problema é que não cumpriu.

Capítulo III — Harry decepciona Dumbledore

A primeira pergunta de Dumbledore é direta.

Harry conseguiu a verdadeira lembrança de Slughorn?

Não.

E talvez seja apenas nesse momento que Harry compreenda realmente a importância da tarefa que recebeu.

Depois da primeira tentativa fracassada, ele deixou o assunto esfriar.

Havia Draco.

Havia o quadribol.

Rony quase morreu.

Muitas coisas aconteceram.

Mas Dumbledore não havia pedido aquilo como uma atividade escolar qualquer.

Ele precisava daquela memória.

E a decepção do diretor atinge Harry de uma maneira muito diferente de qualquer bronca.

Dumbledore não precisa gritar.

Harry percebe sozinho que falhou.

E fica profundamente decepcionado consigo mesmo.

Algumas repreensões doem não pelo que alguém diz, mas pela percepção de que aquela pessoa esperava mais de nós.

Capítulo IV — Tom Riddle, funcionário da Borgin & Burkes

Mesmo assim, Dumbledore prossegue com a aula.

A primeira lembrança mostra Tom Riddle depois de deixar Hogwarts.

E existe uma surpresa aqui.

Um aluno extremamente talentoso, brilhante e admirado por professores poderia ter seguido praticamente qualquer carreira dentro do mundo bruxo.

Mas Tom escolheu trabalhar na Borgin & Burkes.

Uma loja especializada justamente em objetos mágicos raros, antigos e muitas vezes relacionados às Artes das Trevas.

À primeira vista, poderia parecer uma escolha pequena demais para alguém com suas capacidades.

Mas depois de tudo que Dumbledore vem mostrando, a decisão começa a fazer muito sentido.

Tom sempre teve fascínio por objetos.

Desde o orfanato.

Desde os pequenos pertences roubados das outras crianças.

Ele gosta de possuir coisas.

Principalmente coisas que possuem significado.

E Borgin & Burkes oferece exatamente o acesso que alguém assim desejaria.

Capítulo V — Hepzibah Smith e dois objetos extraordinários

Através da lembrança da elfa doméstica Hokey, acompanhamos uma das visitas de Tom Riddle a Hepzibah Smith, uma cliente extremamente rica e colecionadora de objetos mágicos.

Tom sabe exatamente como lidar com ela.

É educado.

Charmoso.

Atencioso.

Completamente diferente do menino frio que Dumbledore encontrou no orfanato.

Mas agora sabemos que Tom aprendeu a utilizar o charme como ferramenta.

Hepzibah então decide mostrar a ele dois de seus maiores tesouros.

Uma pequena taça que pertenceu a Helga Lufa-Lufa.

E um medalhão que pertenceu a Salazar Sonserina.

A reação de Tom muda imediatamente.

Principalmente diante do medalhão.

É impossível não lembrar de Mérope Gaunt.

Do medalhão que pertenceu à família.

Da descendência direta de Salazar Sonserina.

E da maneira como aquela peça acabou sendo vendida antes do nascimento de Tom.

Ele parece compreender imediatamente o que está diante dele.

Uma parte de sua própria história familiar retornou às suas mãos.

Para algumas pessoas, objetos guardam lembranças. Para Tom Riddle, eles parecem guardar poder, identidade e conquista.

Capítulo VI — Outra morte, outra memória roubada

Dois dias depois, Hepzibah Smith morre.

Os dois objetos desaparecem.

E a culpada pelo assassinato acaba sendo Hokey.

Ou melhor:

Hokey acredita ser culpada.

Novamente estamos diante de um padrão que já vimos anteriormente.

Tom matou seu pai e seus avós paternos.

Depois modificou a memória de Morfin Gaunt para fazê-lo acreditar que havia cometido os assassinatos.

Agora Hepzibah morre.

E a memória de sua elfa doméstica também é alterada.

Tom não apenas mata.

Ele fabrica culpados.

Utiliza pessoas vulneráveis como recipientes para seus crimes.

E desaparece deixando outra pessoa carregar as consequências.

Isso também mostra como suas técnicas foram ficando mais sofisticadas.

O menino que roubava pequenos objetos no orfanato agora mata para possuir relíquias históricas.

O comportamento é essencialmente o mesmo.

A escala mudou completamente.

O menino colecionava troféus. O homem continuou fazendo o mesmo — apenas passou a deixar cadáveres para trás.

Capítulo VII — Dez anos depois

A segunda lembrança pertence ao próprio Dumbledore.

Dez anos se passaram.

Tom Riddle retorna a Hogwarts.

Mas alguma coisa mudou.

O jovem bonito e carismático que saiu da escola já começa a apresentar sinais da transformação que conhecemos.

Ele também já possui outro nome.

Lord Voldemort.

Dumbledore, porém, continua chamando-o de Tom.

E gosto muito desse detalhe.

Voldemort construiu um nome para separar-se daquilo que considerava comum.

Criou uma identidade que deveria provocar medo.

Dumbledore simplesmente se recusa a participar dessa construção.

Para ele, aquela criatura continua sendo Tom Riddle.

Capítulo VIII — O emprego que Voldemort queria

Tom retorna a Hogwarts para pedir o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.

A escolha é curiosa.

Por que alguém que passou tantos anos viajando, estudando magia obscura e construindo sua própria reputação desejaria voltar para Hogwarts como professor?

Dumbledore também parece desconfiar de suas intenções.

E deixa claro que sabe muito mais sobre Tom do que ele gostaria.

Sabe que ele abandonou o emprego na Borgin & Burkes.

Sabe que passou anos desaparecido.

Sabe que reuniu seguidores.

Sabe inclusive como esses seguidores passaram a ser chamados.

Comensais da Morte.

Por alguns instantes, parece que Tom percebe que não consegue manipular Dumbledore da mesma maneira que manipula outras pessoas.

O charme não funciona.

A reputação não funciona.

O novo nome não funciona.

Dumbledore conhece o menino que existia antes de Lord Voldemort.

E talvez seja exatamente por isso que Tom nunca consiga se sentir completamente confortável diante dele.

É difícil construir uma nova identidade diante de alguém que ainda se lembra perfeitamente de quem você era antes dela.

Capítulo IX — Dumbledore diz não

Dumbledore recusa o pedido.

Tom Riddle não será professor de Hogwarts.

E a conversa termina com uma hostilidade quase silenciosa entre os dois.

Dumbledore sabe que existe alguma coisa profundamente errada diante dele.

Tom percebe que Dumbledore sabe.

Nenhum dos dois precisa dizer muito mais.

Existe ainda outro detalhe curioso ligado a essa visita.

Dumbledore explica a Harry que, desde aquela recusa, nenhum professor permaneceu por muito tempo no cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Aquilo que durante vários livros parecia quase uma piada recorrente dentro de Hogwarts passa a ganhar uma possível origem muito mais sombria.

Talvez a instabilidade daquele cargo não seja simplesmente azar.

Talvez Tom tenha deixado alguma coisa para trás depois de receber aquele não.

Capítulo X — Finalmente começo a entender as aulas de Dumbledore

A esta altura, começa a ficar muito mais claro por que Dumbledore está mostrando tudo isso a Harry.

No início dessas aulas, eu ainda não conseguia compreender completamente o objetivo.

Parecia uma longa biografia de Voldemort.

Agora já não parece.

Dumbledore está mostrando padrões.

Tom sempre quis ser diferente.

Sempre desprezou aquilo que considerava comum.

Desde criança, roubava objetos como troféus.

Depois passou a buscar objetos raros.

Objetos históricos.

Objetos ligados aos grandes nomes do mundo bruxo.

O anel dos Gaunt.

O medalhão de Sonserina.

A taça de Lufa-Lufa.

E, paralelamente, existe a palavra que Slughorn tentou apagar de sua própria memória:

Horcruxes.

Ainda não sabemos exatamente como essas coisas se conectam.

Mas agora é impossível acreditar que Dumbledore esteja apresentando esses objetos por acaso.

Capítulo XI — Sem a memória, não existe próxima aula

É então que Dumbledore volta ao fracasso de Harry.

Ele deixa claro que chegaram ao limite daquilo que pode ensinar sem a verdadeira lembrança de Slughorn.

Não haverá sentido em continuar.

Porque aquela memória é a peça central de tudo.

A mais importante.

Harry precisa consegui-la.

Agora a missão deixa de ser apenas uma tarefa dada pelo diretor.

Ela se transforma na única maneira de prosseguir com a investigação.

E isso muda completamente seu peso.

Dumbledore passou várias aulas mostrando a Harry peças de um quebra-cabeça.

Agora colocou diante dele um espaço vazio.

E avisou:

a próxima peça terá de ser encontrada por você.

Dumbledore mostrou o caminho inteiro. Mas existe uma porta que ele não pode abrir por Harry.

Considerações Finais

O capítulo 20 é excelente porque finalmente começa a conectar elementos que estavam espalhados pelas aulas anteriores.

Tom Riddle não colecionava objetos aleatoriamente.

Desde criança, ele transformava pertences roubados em troféus.

Quando adulto, esse comportamento permanece, mas seus troféus passam a ser objetos ligados à história do mundo bruxo e à sua própria ancestralidade.

Também existe um padrão cada vez mais assustador em seus assassinatos.

Tom mata.

Rouba.

Modifica a memória de alguém.

E deixa um inocente carregando a culpa.

Morfin Gaunt.

Hokey.

Duas pessoas completamente diferentes utilizadas exatamente da mesma maneira.

E no centro de tudo continua existindo a memória que Slughorn se recusa a entregar.

Uma conversa com Tom Riddle.

Uma pergunta sobre Horcruxes.

E alguma resposta tão importante que Dumbledore considera aquela lembrança a mais importante de todas.

Agora entendo melhor por que ele está ensinando tudo isso a Harry.

Não basta saber que Voldemort é poderoso.

Dumbledore quer que Harry compreenda como ele pensa.

O que deseja.

O que valoriza.

Que objetos escolhe.

Que padrões repete.

Talvez porque derrotar Voldemort dependa menos de compreender sua magia do que de compreender Tom Riddle.

E pela primeira vez desde que essas aulas começaram, Harry possui uma peça do quebra-cabeça que Dumbledore não possui.

Ou melhor:

uma peça que apenas Harry pode conseguir.

Para descobrir como Lord Voldemort pode ser derrotado, talvez Harry precise primeiro compreender aquilo que Tom Riddle jamais conseguiu deixar de ser.

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