Capítulo I — O livro encontra seu melhor ritmo
Se os capítulos anteriores haviam alternado momentos excelentes com alguns desvios para os dramas adolescentes, o capítulo 17 recoloca O Enigma do Príncipe exatamente onde ele mais brilha.
Mistério.
Investigação.
Descobertas.
E, principalmente, a sensação de que cada nova informação realmente importa para aquilo que acontecerá no final da história.
É um daqueles capítulos em que praticamente todas as cenas fazem a narrativa avançar.
Nada parece desperdiçado.
E, ao terminá-lo, a impressão é de que finalmente começamos a enxergar o verdadeiro plano de Dumbledore.
Algumas histórias avançam através da ação. Outras avançam através das respostas certas dadas no momento certo.
Capítulo II — A volta para Hogwarts
Depois das férias de Natal, Harry, Rony e Hermione retornam para Hogwarts utilizando a Rede de Flu.
O retorno acontece de forma relativamente tranquila, mas as conversas mostram que nada realmente voltou ao normal.
Harry continua refletindo sobre tudo o que aconteceu durante as férias.
A conversa escondida entre Snape e Draco.
O Voto Perpétuo.
A tentativa do Ministro da Magia de utilizá-lo como símbolo político.
A guerra continua presente mesmo dentro dos muros de Hogwarts.
Talvez seja justamente essa a grande diferença deste livro.
Antes, Hogwarts parecia um refúgio.
Agora, apenas parece mais um dos campos onde a guerra está sendo disputada.
Capítulo III — Aprender a desaparecer
Logo na chegada, os alunos recebem outra novidade.
Os estudantes que já completaram dezessete anos poderão participar das aulas de Aparatação oferecidas pelo Ministério da Magia.
É um detalhe aparentemente simples.
Mas reforça novamente a ideia de amadurecimento.
Cada livro da série sempre trouxe novas habilidades mágicas.
Agora, essas habilidades já não parecem brinquedos ou curiosidades escolares.
São ferramentas necessárias para sobreviver em um mundo cada vez mais perigoso.
Até o aprendizado da magia parece carregar um peso diferente.
Capítulo IV — A aula mais importante até agora
O verdadeiro centro do capítulo, porém, está na nova aula particular entre Harry e Dumbledore.
O diretor avisa logo no início que observarão duas lembranças.
Mas faz uma ressalva importante.
A segunda é a mais importante de todas.
Quando Dumbledore fala isso, imediatamente fica claro que o capítulo guardará alguma revelação decisiva.
É interessante perceber como essas aulas deixaram de ser apenas explicações sobre Voldemort.
Agora elas funcionam quase como uma investigação criminal.
Cada memória acrescenta uma nova peça ao quebra-cabeça.
E Dumbledore parece ensinar Harry não apenas a conhecer o passado, mas também a interpretar evidências.
Capítulo V — Os crimes de Tom Riddle
Na primeira lembrança, descobrimos mais detalhes sobre a juventude de Tom Riddle.
Ele visita a antiga casa dos Gaunt.
Rouba o anel que pertencia à família.
Depois encontra seu pai e os avós paternos.
E os assassina.
Mas talvez o aspecto mais assustador não seja o assassinato em si.
É a maneira como Tom manipula toda a situação.
Utilizando magia, implanta uma memória falsa em Morfin Gaunt.
O tio acredita ter cometido o crime.
Confessa algo que nunca fez.
É enviado para Azkaban.
E morre carregando uma culpa que jamais lhe pertenceu.
Esse momento mostra que Voldemort nunca foi apenas um bruxo poderoso.
Desde muito jovem ele já compreendia como manipular pessoas e transformar a verdade em uma arma.
Algumas pessoas matam corpos. Outras matam também a verdade.
Capítulo VI — A memória quebrada
A segunda lembrança é completamente diferente.
Ela pertence a Horácio Slughorn.
Ou, pelo menos, deveria pertencer.
Assim que Harry e Dumbledore entram na memória, algo estranho acontece.
Em determinados momentos, uma névoa invade completamente a cena.
Os rostos se deformam.
As falas perdem sentido.
A própria lembrança parece quebrada.
Não demora para Dumbledore explicar o motivo.
Slughorn alterou deliberadamente aquela memória.
Não se trata de um defeito da Penseira.
Nem de uma limitação da magia.
É uma falsificação.
Uma tentativa desesperada de esconder aquilo que realmente aconteceu.
A alteração é tão grosseira que chega a chamar atenção justamente por parecer artificial.
E isso acaba tornando a cena ainda mais intrigante.
Capítulo VII — A palavra proibida
Mesmo incompleta, a memória revela um elemento essencial.
Tom Riddle procura Slughorn para fazer uma pergunta específica.
Ele deseja saber sobre Horcruxes.
Até este momento da série, essa palavra jamais havia aparecido.
Não sabemos exatamente o que significa.
Não sabemos por que Tom demonstra tanto interesse.
Mas sabemos de uma coisa.
Slughorn sente vergonha suficiente para modificar toda a lembrança.
Isso significa que a conversa foi importante.
Muito importante.
Talvez decisiva.
Existe algo naquela explicação que Slughorn não quer admitir ter dito ao jovem Tom Riddle.
Às vezes, aquilo que uma pessoa tenta esconder diz muito mais do que aquilo que ela escolhe revelar.
Capítulo VIII — A primeira missão de Harry
Depois de deixar a Penseira, Dumbledore faz um pedido que muda completamente a dinâmica das aulas.
Até aqui, Harry vinha apenas observando memórias.
Escutando explicações.
Aprendendo.
Agora isso muda.
Dumbledore diz claramente que somente Harry poderá convencer Slughorn a entregar a lembrança verdadeira.
Não será o diretor.
Não será outro professor.
Será Harry.
É um momento muito significativo.
Pela primeira vez, Dumbledore deixa de tratar Harry apenas como aluno e passa a confiar nele como participante ativo dessa investigação.
Não é apenas uma aula.
É uma missão.
E Harry deixa a sala carregando uma responsabilidade completamente diferente de todas as anteriores.
Capítulo IX — Por que Harry?
Ao terminar o capítulo, uma pergunta permanece na minha cabeça.
Por que Harry?
Dumbledore poderia pressionar Slughorn.
Poderia utilizar sua autoridade.
Sua inteligência.
Sua influência.
Mesmo assim, acredita que Harry possui maiores chances de conseguir aquela lembrança.
Talvez Dumbledore enxergue em Harry algo que o próprio Harry ainda não percebe.
Uma capacidade de estabelecer vínculos sinceros.
Uma honestidade difícil de encontrar.
Ou simplesmente a habilidade de despertar nas pessoas o desejo de fazer a coisa certa.
Ainda não sei.
Mas essa escolha parece importante demais para ser apenas um detalhe narrativo.
Considerações finais
O capítulo 17 é, até aqui, um dos melhores do livro.
Ele amplia nossa compreensão sobre Tom Riddle.
Mostra que seus crimes começaram muito antes de assumir o nome de Lord Voldemort.
Apresenta um novo conceito misterioso através da palavra Horcrux.
E, principalmente, muda a posição de Harry dentro da história.
Até agora, ele era o aluno que recebia respostas.
Agora passa a ser alguém responsável por obtê-las.
Pela primeira vez, Dumbledore não apenas ensina.
Ele delega.
E isso talvez seja o maior sinal de confiança que já demonstrou desde que Harry entrou em Hogwarts.
Existe um momento em toda jornada em que aprender deixa de ser suficiente. É preciso participar da descoberta.


Nenhum comentário:
Postar um comentário