Capítulo I — Finalmente, o trio está de volta
O capítulo 21 mantém o ritmo acelerado que O Enigma do Príncipe recuperou nos últimos capítulos.
Muita coisa acontece.
Algumas perguntas finalmente recebem respostas.
Outras imediatamente aparecem no lugar.
E, principalmente, Harry começa a perceber que possui dois grandes mistérios diante dele e não consegue abandonar nenhum dos dois.
Pelo menos existe uma boa notícia.
Harry, Rony e Hermione estão novamente juntos.
Depois de toda aquela longa sequência de ciúmes, provocações e brigas, o trio finalmente voltou a funcionar como trio.
Rony ainda possui um problema pendente.
Lilá Brown.
Ele claramente quer terminar o relacionamento, mas demonstra uma incapacidade quase impressionante de realmente fazer isso.
Depois de passar boa parte do livro querendo provar que conseguia ter uma namorada, agora passa boa parte do tempo tentando descobrir como deixar de tê-la.
Rony finalmente conseguiu aquilo que queria. O problema foi descobrir que já não queria aquilo que conseguiu.
Capítulo II — Dobby e Monstro trazem respostas
Enquanto Harry, Rony e Hermione estão na sala comunal, finalmente aparecem Dobby e Monstro.
A missão dada por Harry no capítulo anterior produziu resultados.
Os dois elfos seguiram Draco Malfoy.
E o relatório deles entrega informações extremamente importantes.
A primeira finalmente explica um mistério que vinha incomodando Harry havia vários capítulos.
Draco está utilizando a Sala Precisa.
É por isso que desaparece do Mapa do Maroto.
Harry não estava imaginando coisas.
Malfoy realmente encontrava uma maneira de desaparecer dentro de Hogwarts.
Agora sabemos onde.
Mas ainda não sabemos o que ele faz lá dentro.
E, como acontece tantas vezes neste livro, uma resposta imediatamente cria uma pergunta ainda mais interessante.
Descobrir onde alguém está escondido resolve apenas metade do mistério. A outra metade começa quando descobrimos por que ele precisava se esconder.
Capítulo III — As garotas que não eram garotas
A segunda informação dos elfos explica outro comportamento estranho observado por Harry.
Draco vinha sendo visto acompanhado por diferentes garotas.
Mas aquelas garotas não eram exatamente quem pareciam.
Eram Crabbe e Goyle.
Os dois estavam utilizando Poção Polissuco para assumir a aparência de estudantes de Hogwarts.
A função deles é vigiar o corredor enquanto Draco permanece dentro da Sala Precisa.
Isso também explica um detalhe que Harry havia observado sem compreender.
Em determinados momentos, uma das garotas deixava algum objeto cair.
Não era acidente.
Era um sinal.
Crabbe e Goyle estavam avisando Draco sobre a aproximação de alguém.
Tudo começa a se encaixar.
Draco não apenas possui um esconderijo.
Ele criou um sistema para protegê-lo.
Utiliza Poção Polissuco.
Utiliza vigias.
Utiliza sinais.
E passa períodos enormes trabalhando dentro da Sala Precisa.
Se ainda existia alguma dúvida de que Malfoy estava fazendo alguma coisa importante, ela fica cada vez menor.
Capítulo IV — A resposta estava diante de Harry o tempo inteiro
Existe algo particularmente interessante na revelação da Sala Precisa.
Harry conhece aquele lugar.
Muito bem.
Foi ali que funcionou a Armada de Dumbledore.
Ele próprio utilizou a sala para esconder reuniões secretas dentro de Hogwarts.
Agora Draco está fazendo exatamente a mesma coisa.
A Sala Precisa oferece aquilo de que seu usuário necessita.
Para Harry, ela ofereceu um lugar para aprender Defesa Contra as Artes das Trevas.
Para Draco, oferece alguma coisa diferente.
Mas Harry não consegue descobrir o quê.
Porque existe uma característica fundamental da sala que agora trabalha contra ele.
Quando alguém já está utilizando a Sala Precisa para uma determinada finalidade, não basta simplesmente desejar entrar.
Harry precisa descobrir exatamente aquilo de que Draco necessita.
E ele não sabe.
É uma inversão muito boa.
Um dos maiores trunfos de Harry no livro anterior agora se transforma em uma barreira praticamente impossível de atravessar.
Capítulo V — A obsessão muda de endereço
Harry começa então a passar cada vez mais tempo tentando entrar na Sala Precisa.
Testa possibilidades.
Caminha diante da parede.
Tenta imaginar diferentes necessidades.
Nada funciona.
E sua investigação sobre Draco começa novamente a se transformar em obsessão.
Hermione percebe isso.
E lembra Harry de uma coisa muito mais importante.
Dumbledore lhe deu uma missão.
Ele precisa conseguir a verdadeira lembrança de Slughorn.
Harry tenta.
Mas Slughorn agora evita cuidadosamente ficar sozinho com ele.
O professor sabe exatamente o que Harry pretende perguntar.
E não oferece oportunidade.
Com isso, Harry começa a se concentrar ainda mais em Draco.
Talvez porque Draco represente um mistério sobre o qual ele consegue agir.
Slughorn, ao contrário, exige algo muito mais difícil.
Persuasão.
É muito mais fácil perseguir uma porta fechada do que convencer alguém a abrir voluntariamente aquilo que mantém trancado dentro de si.
Capítulo VI — Duas missões, dois Harrys
Existe agora uma disputa interessante pela atenção de Harry.
De um lado está Draco Malfoy.
Essa investigação nasceu do próprio Harry.
Ele acredita desde o começo do livro que Draco se tornou um Comensal da Morte e recebeu uma missão de Voldemort.
Pouquíssimas pessoas acreditaram nele.
Agora surgem cada vez mais evidências de que pelo menos parte de suas suspeitas estava correta.
Do outro lado está Slughorn.
Essa é a investigação de Dumbledore.
O diretor afirmou claramente que aquela memória é essencial para compreender Voldemort.
E também deixou claro que não haverá novas aulas enquanto Harry não cumprir sua tarefa.
O problema é que Harry parece muito mais atraído pelo mistério que escolheu do que pela missão que recebeu.
Isso pode se tornar importante.
Porque talvez Harry esteja certo sobre Draco.
Mas isso não significa que Dumbledore esteja errado sobre aquilo que realmente deveria ser prioridade.
Capítulo VII — Tonks
Durante uma das tentativas de descobrir o segredo da Sala Precisa, Harry encontra Tonks.
E novamente percebe que existe alguma coisa muito errada com ela.
Tonks está diferente desde o início do livro.
Sua aparência mudou.
Seu comportamento mudou.
Sua energia desapareceu.
Até seu Patrono mudou.
Harry, Rony e Hermione começam a construir uma teoria.
Talvez Tonks estivesse apaixonada por Sirius.
Talvez a morte dele tenha provocado toda aquela transformação.
A hipótese parece explicar algumas coisas.
Lupin já havia dito que grandes abalos emocionais podem modificar a forma de um Patrono.
E Tonks claramente parece estar sofrendo desde a morte de Sirius.
Ainda assim, o livro não confirma nada.
É apenas mais um pequeno mistério acontecendo paralelamente aos grandes.
Capítulo VIII — Hogwarts não está isolada da guerra
Enquanto Harry tenta descobrir o que Draco está fazendo dentro da Sala Precisa, o mundo exterior continua piorando.
Pessoas estão desaparecendo.
Notícias ruins continuam chegando.
A presença de Voldemort e dos Comensais da Morte começa a ser percebida mesmo quando eles não aparecem diretamente.
Mundungo Fletcher também acaba preso depois de ser flagrado tentando negociar objetos roubados.
A situação reforça uma sensação que este livro vem construindo desde suas primeiras páginas.
O mundo bruxo está se desintegrando aos poucos.
Não existe necessariamente uma grande batalha acontecendo diante dos protagonistas.
Existe algo talvez mais inquietante.
Pessoas simplesmente desaparecem.
Famílias deixam de receber notícias.
Restrições aumentam.
Hogsmeade deixa de ser seguro.
Hogwarts aumenta sua proteção.
E ninguém sabe exatamente onde Voldemort atacará em seguida.
O medo mais eficiente não precisa aparecer todos os dias. Basta fazer todos acreditarem que pode aparecer amanhã.
Capítulo IX — A Sala Precisa muda completamente o mistério de Draco
A grande revelação do capítulo, para mim, continua sendo a Sala Precisa.
Até agora, Harry tentava responder:
Onde Draco vai?
Essa pergunta está resolvida.
Agora existe outra.
O que Draco está fazendo lá dentro?
E essa pergunta é muito mais preocupante.
Sabemos pela conversa com Snape que Draco possui um plano.
Sabemos que esse plano está demorando mais do que ele esperava.
Sabemos que ele não confia em Snape.
Sabemos que Bellatrix lhe ensinou Oclumência.
Sabemos que Crabbe e Goyle montam guarda enquanto ele trabalha.
E sabemos agora que esse trabalho acontece dentro da Sala Precisa.
As peças começam a formar alguma coisa.
Mas ainda não conseguimos enxergar a imagem completa.
Considerações Finais
O capítulo 21 continua fazendo aquilo que O Enigma do Príncipe vem fazendo muito bem quando está em sua melhor forma:
entregar respostas sem diminuir o mistério.
Descobrimos finalmente onde Draco desaparecia.
Descobrimos quem eram as misteriosas garotas que apareciam ao seu lado.
Descobrimos como Crabbe e Goyle o avisavam quando alguém se aproximava.
Mas nenhuma dessas respostas resolve a questão principal.
O plano continua desconhecido.
E existe agora outro problema que começa a me chamar bastante atenção.
Harry possui duas missões.
Uma foi criada por ele mesmo.
Descobrir o que Draco está fazendo.
A outra foi dada diretamente por Dumbledore.
Conseguir a verdadeira lembrança de Slughorn.
Harry parece muito mais interessado na primeira.
Só que Dumbledore já deixou claro que considera a segunda essencial.
Talvez as duas investigações acabem se encontrando.
Talvez não.
Mas existe uma tensão interessante surgindo justamente daí.
Harry está cada vez mais perto de provar que tinha razão sobre Draco.
Ao mesmo tempo, continua falhando justamente na missão que Dumbledore afirmou ser indispensável para compreender Voldemort.
E enquanto Harry tenta decidir para qual mistério olhar, o mundo ao redor de Hogwarts continua ficando mais perigoso.
O problema de ter duas portas fechadas diante de nós é nunca saber qual delas esconde aquilo que precisamos encontrar primeiro.


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