Capítulo I — Depois do veneno
O capítulo 19 começa exatamente onde o anterior terminou: na enfermaria de Hogwarts, depois de Rony quase morrer envenenado.
Arthur e Molly Weasley já chegaram para ver o filho, enquanto Harry precisa novamente explicar tudo o que aconteceu para Gina, Fred e George, que também aparecem por ali.
Os gêmeos estavam em Hogsmeade e pretendiam fazer uma surpresa para Rony em seu aniversário. E eles próprios levantam uma questão bastante prática sobre seus negócios: manter uma filial das Gemialidades Weasley em Hogsmeade deixa de fazer muito sentido se os estudantes de Hogwarts não puderem mais visitar o vilarejo.
É um pequeno detalhe, mas que novamente mostra como a guerra vai modificando até os aspectos mais banais daquele mundo.
Não são apenas mortes e ataques.
A segurança aumenta.
Passeios são cancelados.
Negócios são afetados.
A rotina inteira começa a ser reorganizada ao redor do medo.
Uma guerra realmente alcança todos quando até aquilo que parecia cotidiano precisa aprender a sobreviver a ela.
Capítulo II — Afinal, quem deveria beber aquele hidromel?
A grande pergunta que permanece depois do envenenamento é bastante óbvia:
quem era o verdadeiro alvo?
Praticamente ninguém acredita que Slughorn tenha tentado matar Rony.
Isso simplesmente não faria sentido.
Rony bebeu daquela garrafa quase por acaso.
Então começam as possibilidades.
Talvez o próprio Slughorn fosse o alvo.
Essa hipótese ganha algum peso justamente porque sabemos algo que poucas pessoas conhecem: Slughorn possui uma lembrança relacionada ao passado de Voldemort que ele se recusa a revelar corretamente.
Dumbledore quer aquela memória.
Harry recebeu a missão de consegui-la.
E Slughorn claramente sente vergonha do que aconteceu naquela conversa com Tom Riddle.
Mas existe outra possibilidade.
Slughorn comenta que pretendia entregar a garrafa a Dumbledore.
Nesse caso, talvez o diretor fosse o verdadeiro alvo.
Novamente, o livro não oferece uma conclusão.
E isso começa a formar um padrão interessante.
Katie Bell quase morreu carregando um colar destinado a outra pessoa.
Agora Rony quase morre bebendo de uma garrafa que também provavelmente era destinada a outra pessoa.
Existem tentativas de assassinato acontecendo dentro de Hogwarts, mas elas parecem extremamente indiretas e, principalmente, imprecisas.
O mais assustador não é apenas existir um assassino em Hogwarts. É ninguém conseguir descobrir quem ele realmente está tentando matar.
Capítulo III — Rony descobre uma nova técnica de sobrevivência
No meio de toda essa tensão, o livro ainda encontra espaço para continuar o drama envolvendo Rony e Lilá Brown.
Mas desta vez, pelo menos, existe algo bastante engraçado na situação.
Lilá reclama que sempre encontra Rony dormindo quando vai visitá-lo na enfermaria.
Harry demora pouco para perceber a verdade.
Rony não está dormindo.
Está fingindo.
Depois de todo o entusiasmo inicial do relacionamento, Rony aparentemente chegou ao estágio em que prefere simular inconsciência a conversar com a própria namorada.
Quando Harry o confronta, Rony basicamente admite que não sabe mais o que fazer.
Para ele, Lilá está se tornando insuportável.
É quase irônico.
Poucos capítulos atrás, Rony estava desesperado para provar que também poderia ter uma experiência amorosa.
Agora descobre que conseguir uma namorada talvez tenha sido consideravelmente mais fácil do que descobrir o que fazer depois disso.
Rony passou capítulos querendo um relacionamento. Bastaram alguns capítulos para descobrir que também queria férias dele.
Capítulo IV — Dumbledore discutiu com Snape
No meio das conversas surge uma informação aparentemente pequena, mas que imediatamente chama a atenção de Harry.
Através de Hagrid, eles descobrem que Dumbledore e Snape tiveram uma discussão.
Para qualquer outra pessoa, isso talvez não significasse muita coisa.
Para Harry, significa tudo.
Ele acabou de ouvir Snape oferecendo ajuda a Draco.
Sabe que existe um Voto Perpétuo envolvendo os dois.
Sabe que Draco possui uma missão secreta.
E agora descobre que Dumbledore discutiu com Snape.
Naturalmente, todas essas informações se encaixam perfeitamente naquilo em que Harry já acredita.
O problema continua sendo o mesmo dos capítulos anteriores.
Harry possui muitas evidências circunstanciais.
Mas ainda não possui a peça capaz de conectar tudo.
Além disso, existe a confiança absoluta de Dumbledore em Snape.
Todo mundo volta ao mesmo argumento.
Dumbledore confia nele.
Lupin confia no julgamento de Dumbledore.
Arthur parece fazer o mesmo.
Harry continua sendo praticamente a única pessoa incapaz de aceitar isso.
E, considerando toda a história entre os dois, dificilmente poderia ser diferente.
Capítulo V — O quadribol e mais um desastre
Com Rony impossibilitado de jogar, Harry precisa reorganizar o time da Grifinória.
Córmaco McLaggen assume a posição de goleiro.
E rapidamente demonstra por que ter confiança demais pode ser um problema tão grande quanto não possuir confiança nenhuma.
McLaggen não se contenta em jogar.
Quer comandar.
Quer corrigir os outros.
Quer explicar como cada jogador deveria desempenhar sua função.
Em determinado momento, está tão ocupado tentando ensinar os próprios companheiros que acaba utilizando o bastão de um dos batedores.
O resultado é previsível.
Um balaço atinge Harry diretamente na cabeça.
A partida termina de maneira desastrosa para a Grifinória e Harry acorda posteriormente na enfermaria, já tratado por Madame Pomfrey.
Existe algo quase cômico no fato de Harry sobreviver constantemente a Voldemort, Comensais da Morte e criaturas monstruosas para acabar derrubado pelo próprio goleiro tentando explicar como os outros deveriam jogar.
Existem pessoas tão ocupadas tentando fazer o trabalho dos outros que acabam esquecendo completamente de fazer o próprio.
Capítulo VI — O problema que o Mapa do Maroto não consegue resolver
De volta à enfermaria, Harry continua pensando em Draco.
Existe uma questão que não sai de sua cabeça.
Malfoy desaparece.
O Mapa do Maroto deveria mostrar praticamente qualquer pessoa dentro de Hogwarts.
Harry consegue acompanhar professores.
Alunos.
Funcionários.
Movimentações pelos corredores.
Mas, em determinados momentos, Draco simplesmente deixa de existir naquele pedaço de pergaminho.
Harry não sabe onde ele vai.
Não sabe como desaparece.
E principalmente não sabe o que faz enquanto está escondido.
Então surge uma ideia excelente.
Se o mapa não consegue encontrar Draco, talvez alguém possa segui-lo fisicamente.
Capítulo VII — Monstro chega acompanhado
Harry chama Monstro.
Mas o elfo doméstico não aparece sozinho.
Ele surge literalmente engalfinhado com Dobby.
Os dois estão brigando.
Dobby não aceita que Monstro fale mal de Harry Potter.
Monstro, naturalmente, considera que possui todo o direito de dizer aquilo que quiser.
A cena é divertida, mas acaba oferecendo a Harry uma solução ainda melhor do que aquela que havia imaginado.
Por que mandar apenas um elfo atrás de Draco quando pode mandar dois?
Dobby é completamente leal a Harry.
Monstro definitivamente não é.
E justamente por isso Harry precisa ser extremamente cuidadoso ao formular suas ordens.
Capítulo VIII — Como dar uma ordem a quem gostaria de desobedecer
Harry conhece Monstro suficientemente bem para entender o problema.
O elfo adoraria pertencer à família Malfoy.
Possui enorme admiração por eles.
Se Harry simplesmente mandar que ele siga Draco, Monstro provavelmente tentará encontrar qualquer brecha possível para avisá-lo.
Por isso as instruções precisam ser extremamente específicas.
Monstro deverá seguir Draco.
Não poderá avisá-lo.
Não poderá revelar que Harry o mandou.
Não poderá permitir que Draco perceba que está sendo observado.
Harry praticamente precisa construir um contrato verbal à prova de Monstro.
E existe algo bastante interessante nessa solução.
Harry não aprendeu apenas que Monstro precisa obedecê-lo.
Aprendeu que obediência literal não significa lealdade.
Monstro fará exatamente aquilo que Harry ordenar.
E, se existir uma única brecha nas palavras utilizadas, provavelmente também fará exatamente aquilo que Harry não queria.
Quando alguém obedece às suas palavras, mas não às suas intenções, cada palavra precisa significar exatamente aquilo que você pretende.
Capítulo IX — Dobby e Monstro: dois tipos de lealdade
Colocar Dobby e Monstro juntos nessa missão também cria um contraste excelente entre os dois elfos.
Dobby quer ajudar Harry.
Monstro é obrigado a ajudá-lo.
Dobby provavelmente fará mais do que Harry pediu.
Monstro provavelmente tentará descobrir qual é o mínimo possível que precisa fazer.
Um age por afeto.
O outro por obrigação.
E Harry sabe exatamente disso.
Mandar os dois juntos também funciona como uma espécie de fiscalização mútua.
Dobby dificilmente permitirá que Monstro prejudique Harry.
E Monstro, apesar de toda sua resistência, continua preso às ordens do atual dono da casa Black.
Depois de semanas observando inutilmente o Mapa do Maroto, Harry finalmente encontra uma forma diferente de investigar Draco.
Agora ele não precisa descobrir onde Malfoy desaparece.
Precisa apenas esperar que alguém consiga acompanhá-lo até lá.
Considerações Finais
O capítulo 19 funciona muito bem como consequência direta dos acontecimentos anteriores e, ao mesmo tempo, prepara várias respostas que provavelmente estão próximas.
Ainda não sabemos quem envenenou o hidromel.
Não sabemos se o alvo era Slughorn ou Dumbledore.
Não sabemos por que Dumbledore discutiu com Snape.
Não sabemos onde Draco desaparece.
E Harry ainda não conseguiu obter a verdadeira memória sobre Horcruxes.
Mas existe uma diferença importante.
Harry não está mais apenas esperando as respostas aparecerem.
Ele está investigando.
Quando Dumbledore lhe deu a missão envolvendo Slughorn, alguma coisa parece ter mudado na maneira como Harry se posiciona dentro da história.
Ele começa a tomar iniciativas.
Testa possibilidades.
Erra.
Reformula estratégias.
E agora encontra uma solução bastante inteligente para um problema que nem mesmo o Mapa do Maroto conseguiu resolver.
Dobby e Monstro estão atrás de Draco.
E depois de tantos capítulos nos quais Malfoy consegue desaparecer sem deixar rastros, finalmente parece que estamos próximos de descobrir onde ele vai e o que está fazendo.
Quando um mistério se recusa a entregar respostas, talvez o problema não esteja na pergunta. Talvez seja apenas hora de mudar a maneira de procurar.





