🚨 Aviso: este texto contém spoilers da série A Hora do Diabo.
A Hora do Diabo: Episódio 4
Entre realidades sobrepostas, profecias parciais e a frustração de ver tudo sem poder explicar nada.
📺 Um novo caso, um novo ritmo
O episódio 4 de A Hora do Diabo abre com uma quebra de expectativa. A trama parece seguir para outro lado, e somos jogados num novo caso que, a princípio, parece desconectado. A cena da abelha é interessante e bem dirigida, mas o tom psicopata do personagem Gideon causa desconforto imediato. É difícil acreditar que alguém, especialmente uma adolescente, manteria uma conversa casual com um desconhecido tão nitidamente perturbador.
A história que ele conta sobre o cachorro carrega uma tensão latente, uma ameaça implícita. Por alguns segundos, parece que ele pode realmente atacá-la. É o tipo de cena que planta dúvida no espectador, e, nesse caso, isso funciona — mas exige suspensão de descrença.
🧠 Isaac, visões e o desespero do saber silencioso
Voltamos a ver Isaac e seu relacionamento com o detetive. A cena entre os dois é lúdica, intensa e visualmente muito bonita. E a série, mais uma vez, me faz refletir sobre o que significa ver tanto e não poder explicar nada.
“Deve ser desesperador ter acesso a tantas verdades... e não ter como provar nenhuma.” – Anotação mental durante a madrugada
O episódio desperta uma pergunta incômoda: Será que realmente queremos saber? Porque saber, nessa série, parece mais uma maldição do que um dom. Isaac, que vê essa casa duplicada o tempo todo, vive entre mundos, entre visões. E cada detalhe novo, como o fato de ele começar a sentir frio, vai adicionando camadas a esse enigma quase metafísico.
Confesso que até a dublagem brasileira merece destaque aqui — a escolha por “mãe Dinah” é espirituosa e bem adaptada. Um detalhe simples, mas que mostra cuidado.
🚨 Violência e tensão crescente
A cena da agressão à menina já era previsível — o investigador mais velho está claramente à beira de um colapso. E a construção da cena (mostrando ele de costas, com o que está à sua frente fora de foco) cria uma antecipação angustiante. O parceiro demora demais para chegar, e isso prepara o espectador para um desfecho que parece se arrastar até o limite do incômodo.
Essa tensão funciona, mas reforça o que senti durante boa parte do episódio: há uma mudança de ritmo. Tudo parece mais lento, mais diluído. A parte da personagem Mia, por exemplo, anda em círculos, como se estivesse segurando algo que ainda não pode ser revelado — o que gera uma certa frustração depois de episódios mais diretos.
🌀 Futuro, falhas e perturbações
A cena onde Lucy salva Aidan é estranha. Dado que todos têm visões do futuro, como nenhum deles previu aquilo? A inconsistência nos deixa desconfiados da própria lógica do mundo construído.
Mas então, quase no fim, vem o que talvez seja a melhor fala do episódio: Gideon dizendo a Dylan:
“Eu nunca te matei antes.” – Gideon, com frieza perturbadora
Essa frase, além de carregar um peso psicológico, parece brincar com as regras temporais do universo da série. É como se ele já soubesse que ainda vai matá-lo — e isso diz muito mais do que parece à primeira vista.
🔄 A visão, a caneca, o erro de Lucy
Na conclusão do episódio, percebemos que a caneca que Lucy viu numa de suas visões já havia aparecido. Ou seja, a morte de Aidan estava de fato em seu campo de visão — ela só não compreendeu o que viu.
Esse detalhe reforça o tema central da série: não basta ver, é preciso entender o que se vê. A premonição não é garantia de nada, se não houver leitura correta.
Por fim, a risada de Isaac. Uma risada estranha, fora de tom, desconfortável. Talvez o momento mais perturbador do episódio inteiro. O ator entrega muito ali, sem precisar de palavras. O tipo de cena que gruda.
Se esse episódio serviu para algo, foi para nos lembrar de que, nesse universo, as respostas não são lineares — e talvez, nem sejam respostas. São partes de um pesadelo compartilhado, onde ver demais é tão perigoso quanto não ver nada.


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