Capítulo I — A raiva que não deixa dormir
O Capítulo 11 começa com um Harry diferente. Não é apenas o aluno preocupado, nem apenas o garoto traumatizado pelos dementadores. É alguém profundamente perturbado pela revelação que ouviu no Três Vassouras. Sirius Black não era apenas um fugitivo. Era o melhor amigo de seu pai. Era seu padrinho. E, segundo a versão oficial, foi o traidor que entregou os Potters a Voldemort.
Essa informação não entra de forma neutra. Ela queima. Harry não consegue dormir. Ele revisita mentalmente a história. Tenta organizar os sentimentos. Raiva. Injustiça. Confusão.
Há revelações que não assustam — elas ferem.
Pela primeira vez neste livro, o conflito deixa de ser apenas externo. Não é mais apenas Sirius à solta. É a ideia de traição infiltrando o passado de seus pais.
Capítulo II — Natal e contraste emocional
E então, quase abruptamente, o calendário avança. É o primeiro dia das férias. O clima de Natal toma conta do castelo. E essa transição é curiosa: o coração de Harry está pesado, mas o ambiente ao redor é leve.
Hogwarts tem essa capacidade de continuar existindo mesmo quando alguém está em crise. O mundo não pausa. O Natal chega de qualquer forma.
O mundo nunca sincroniza perfeitamente com o que sentimos por dentro.
Capítulo III — A Firebolt e o mistério do presente
E então vem a surpresa. Harry recebe uma vassoura. A Firebolt.
Aquela mesma que ele observava com desejo. Aquela que ele namorava nas vitrines. O objeto máximo de excelência no Quadribol.
Mas ela chega sem cartão. Sem explicação. Sem assinatura.
Rony e Hermione imediatamente entram em alerta. Quem teria enviado? Dumbledore? Lupin? Ou… Sirius Black?
Às vezes o melhor presente carrega a pior suspeita.
Hermione toma a decisão difícil. Conta à professora Minerva. A vassoura é confiscada para inspeção. Harry perde a Firebolt antes mesmo de usá-la.
Não é apenas frustração. É desconfiança infiltrando a alegria.
Capítulo IV — Hagrid e o peso da injustiça
Paralelamente, há outra história. Hagrid está devastado. Bicuço pode ser sacrificado por causa do ataque a Malfoy.
A cena na cabana de Hagrid é uma das mais humanas do capítulo. Não há mistério ali. Há tristeza. Há medo de perder algo que se ama.
Harry sequer confronta Hagrid sobre a história de Sirius. Ele percebe que aquele não é o momento. Hagrid está vulnerável demais.
Às vezes a empatia fala mais alto do que a necessidade de respostas.
O trio começa a estudar para ajudar na defesa de Bicuço. O conflito deixa de ser apenas mágico — torna-se jurídico. Formal. Burocrático.
Capítulo V — Três linhas de tensão
O capítulo se sustenta em três tensões paralelas:
- Harry perturbado com a traição de Sirius.
- A Firebolt sob suspeita.
- O possível sacrifício de Bicuço.
Nenhuma delas explode. Mas todas crescem.
Nem todo capítulo avança pela ação. Alguns avançam pela pressão.
Capítulo VI — A sombra de Sirius continua
Mesmo com o clima natalino, mesmo com a vassoura, mesmo com a cabana de Hagrid, Sirius Black permanece como pano de fundo.
Ele deixa de ser apenas ameaça física e passa a ser ameaça moral.
A ideia de que alguém tão próximo poderia ter traído os pais de Harry é mais perturbadora do que qualquer dementador.
O passado, quando se revela distorcido, é mais assustador do que o presente.
E assim o capítulo termina: sem confronto direto, mas com o coração de Harry ainda mais pesado.


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