Entre Ruínas e Revelações: A Chegada à Colony 6
Devaneios entre mecanoides e memórias.
Seguir o caminho até Colony 6 foi como caminhar de volta até uma parte minha que ainda estava em ruínas. É curioso como um jogo consegue, mesmo na segunda vez, apertar os mesmos pontos de sentimento, mesmo que a pele já esteja mais grossa. A cidade... ou o que sobrou dela... não é apenas um cenário de destruição, mas o retrato de tudo aquilo que não conseguimos proteger — dentro e fora de nós.
Juju é a representação perfeita da rebeldia que carregamos quando ainda acreditamos que apenas vontade e coragem bastam para mudar o mundo. A forma impulsiva com que ele age, desafiando todos ao seu redor, me fez lembrar de quando eu também achava que bastava querer para consertar o que estava quebrado. E, assim como ele, às vezes a gente também se joga sem ver, esperando que alguém nos salve lá no fundo do abismo.
Shulk continua sendo esse paradoxo de conhecimento e impotência. Ver as visões do futuro e mesmo assim sentir que não pode impedir o que vai acontecer. A sensação de carregar um fardo que ninguém entende. As premonições dele ecoam de forma dolorosa — como quando a gente sente que algo vai dar errado, e mesmo assim, segue. Porque o destino, no fim das contas, sempre parece uma estrada sem bifurcações.
Colony 6 destruída me atingiu de uma forma nova dessa vez. Em 2011, eu senti pena. Agora, em 2025, eu senti saudade. Saudade de coisas que foram deixadas pra trás, de pessoas que desapareceram, de lugares que não existem mais. Há algo de profundamente triste ao caminhar por entre os destroços sabendo que muita coisa ali não voltará — e essa é uma metáfora cruel para quase tudo que já perdemos.
As sidequests nesse trecho são quase todas sobre sobreviventes tentando juntar os cacos. Crianças perdidas. Famílias separadas. Gente sem nome pedindo ajuda. Eu aceitei cada missão como quem segura um escombro e tenta reconstruir com as mãos nuas. A essa altura, o jogo deixa de ser só um jogo — e passa a ser um espelho do que a gente carrega.
Mas o ponto de respiro, o alívio, chega. E ele vem numa cena que, mesmo na segunda vez, me fez sorrir por dentro. Dickson e Dunban aparecem como se o universo tivesse escutado um pedido silencioso por socorro. A música sobe. A luz muda. E por um momento, parece que não estamos mais sozinhos nessa jornada. Dunban, com sua presença imponente e serena, é quase um lembrete de que ainda existe força em nós. Dickson traz aquele ar cínico de quem já viu tudo, mas ainda escolhe lutar. E juntos, nos mostram que a caminhada continua.
É hora de seguir até Colony 6. Não mais pela dor, mas pela promessa de recomeço. Porque mesmo entre ruínas, ainda há caminhos. Ainda há destino.



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