Gamertag

domingo, 11 de janeiro de 2026

Harry Potter e a Pedra Filosofal — Capítulo 7


O Chapéu, as Casas e as Primeiras Cicatrizes

Projeto de leitura iniciado em 2026. Um capítulo por dia. Quando o pertencimento deixa de ser abstração e passa a ter nome, cor e mesa no salão.

Capítulo I — O salão, a expectativa e a memória emprestada

O Capítulo 7 começa com a chegada dos alunos diante da professora Minerva para a cerimônia de seleção das casas. É um daqueles momentos em que o texto quase desacelera sozinho, como se soubesse que o leitor precisa olhar em volta, respirar, observar.

Aqui, para mim, a leitura já vem carregada de flashes. Não apenas do filme, mas também do jogo. Hogwarts Legacy começa numa pegada muito próxima da descrita no livro, quase como uma carta de amor a esse momento inaugural. É impossível não sentir que a minha imaginação já chega parcialmente mobiliada.

Ainda assim, o livro consegue algo interessante: ele não perde força mesmo quando a imagem já existe. Porque o que está sendo construído aqui não é só cenário — é ritual.

“Alguns momentos não importam pelo que mostram, mas pelo que decidem.”

Capítulo II — Fantasmas, Pirraça e o prazer do reconhecimento

A aparição dos fantasmas do castelo é uma delícia. Existe algo de lúdico e antigo na forma como eles atravessam o salão, como se Hogwarts fosse um lugar onde o passado nunca foi realmente embora.

E então surge Pirraça. Um detalhe pequeno, mas extremamente significativo para mim. Pirraça não aparece nos filmes — a minha primeira interação com ele foi no jogo. Então lê-lo agora é quase um reencontro invertido: uma figura que eu conheci primeiro fora do livro, agora ganhando origem no texto.

É um aceno curioso. Um lembrete de que o universo de Harry Potter se espalhou por mídias diferentes, e que a minha entrada tardia nele acontece por múltiplas portas.

“Às vezes, reconhecer um personagem é reconhecer o próprio caminho até a história.”

Capítulo III — O chapéu seletor e o medo de ser colocado no lugar errado

A seleção das casas é o coração do capítulo. O chapéu seletor não escolhe apenas talentos; ele toca medos. E isso fica muito claro em Harry.

Eu me lembro perfeitamente de Harry não querer ir para a Sonserina. E isso sempre me causou uma sensação curiosa, porque, honestamente, é a casa que eu acho mais interessante. Seria a minha escolha. Inclusive, foi a casa que me escolheu no jogo.

Existe algo de fascinante na Sonserina: ambição, inteligência estratégica, um certo desconforto moral que não é automaticamente vilão. Mas para Harry, naquele momento, Sonserina representa algo muito específico: o riso do Draco, a sombra do Duda, o eco de tudo aquilo que o machucou antes.

“O problema não é a casa. É o que ela lembra.”

Aqui o livro deixa escapar algo muito humano: Harry não tem medo de ser rejeitado — ele tem medo de ser escolhido errado. Medo de que o mundo repita, com outro nome, a mesma violência que ele já conheceu.

Capítulo IV — Trauma silencioso e escolhas moldadas pelo passado

Um detalhe que me chamou muita atenção relendo com mais calma é como a criação do Harry deixa marcas. Na seleção, fica claro que ele tem medo de não ser escolhido. Isso não surge do nada.

Na escola trouxa, ele não era escolhido. Por causa do Duda. Por causa do bullying. Por causa de uma estrutura inteira que dizia que ele não merecia espaço.

Então, naquele momento solene, o chapéu não está apenas decidindo uma casa. Ele está esbarrando em cicatrizes que ainda estão abertas.

“Nem toda ferida sangra. Algumas apenas decidem por nós.”

Quando Harry rejeita a Sonserina, eu não leio isso como coragem ou virtude. Eu leio como sobrevivência. Como alguém que aprendeu a reconhecer o perigo pelo cheiro.

Capítulo V — Grifinória, o jantar e o alívio coletivo

A escolha da Grifinória vem quase como um suspiro coletivo. As casas comemoram. O salão vibra. O jantar acontece. Os fantasmas reaparecem. É um capítulo leve, gostoso de ler, quase confortável.

Já aparecem ali as figuras mais icônicas: Dumbledore, professora Minerva, Severo Snape. Personagens que, mesmo para quem chegou pela via do cinema ou do jogo, carregam peso imediato.

É como se o livro dissesse: agora todos estão no tabuleiro.

Capítulo VI — O sonho, o turbante e o spoiler inevitável

O capítulo termina com Harry sonhando com o turbante do professor. Eu sei o que isso significa. Eu sei o que ele esconde. Spoiler inevitável de quem já viu o filme.

Ainda assim, o sonho não perde força. Pelo contrário: ele ganha uma camada de tensão antecipada. É curioso como saber o final não destrói o mistério — apenas muda a natureza dele.

“Quando a gente sabe demais, o mistério não morre. Ele apenas muda de lugar.”

O riso do Draco no sonho, a tentativa de empurrar Harry para a Sonserina, tudo isso parece misturar presente e passado. Dursleys, Duda, Draco — figuras diferentes ocupando o mesmo espaço emocional.

Encerramento — Casas escolhidas, vida começando

O Capítulo 7 é tranquilo. Não tem grandes conflitos, não tem ação intensa. E talvez por isso seja tão importante. Ele é o capítulo onde tudo se organiza.

As casas estão definidas. As amizades começaram. As rivalidades também. Hogwarts agora não é mais promessa nem expectativa — é rotina prestes a começar.

Terminamos com os alunos indo dormir, acordando no dia seguinte para o primeiro dia de aula. E eu termino a leitura com aquela sensação boa de quem finalmente chegou ao lugar certo.

“Alguns começos não fazem barulho. Eles apenas se acomodam.”

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