Gamertag

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2025, Sobre Tempo e Presença

O ano em que entendi que tempo não falta — ele apenas é escolhido.

Capítulo 1 – O que 2025 deixou claro

Encerrar um ano não é apenas trocar o número no calendário. É olhar para trás e reconhecer padrões que se repetiram vezes demais para serem ignorados.

2025 me deixou algumas certezas. Não muitas — mas profundas. E talvez a mais gritante delas seja sobre algo que todo mundo diz não ter: tempo.

Ou melhor: sobre como o tempo é usado como desculpa.

“Não existe falta de tempo. Existem escolhas bem claras.”

Capítulo 2 – Pessoas não têm falta de tempo

Durante muito tempo, eu acreditei na narrativa da falta de tempo. A vida é corrida, as responsabilidades são muitas, os dias passam rápido demais. Tudo isso é verdade.

Mas 2025 me ensinou algo mais específico: existem pessoas sem tempo para você.

E isso fica evidente de formas muito simples.

É aquela pessoa que demora vinte e quatro horas para responder uma mensagem, mas publica dezenas de stories no mesmo intervalo. É aquela pessoa que ignora um “bom dia” direto, mas faz questão de dar bom dia para uma multidão anônima.

Essa pessoa não quer falar com você. Ela quer falar com números. Com validação. Com alcance.

E está tudo certo. Cada um escolhe o que valoriza.

“Algumas pessoas não querem conversa. Querem plateia.”

Capítulo 3 – Presença não é proximidade física

Outra lição dolorosa de 2025 foi entender que, para algumas pessoas, presença é apenas física. Se você não está ali, ao alcance do toque, você é sempre adiado.

E mesmo quando está fisicamente perto, pode ser deixado de lado por um grupo mais interessante, um ambiente mais estimulante, algo que agrade mais naquele momento.

Essas pessoas não estão erradas. Mas também não são o tipo de vínculo que eu quero continuar cultivando.

Presença, para mim, passou a significar atenção, intenção e escolha.

“Estar perto não é o mesmo que estar junto.”

Capítulo 4 – Gente que só aparece na necessidade

Em 2025, percebi outro padrão com clareza desconfortável: pessoas que só tinham tempo quando precisavam de algo.

Quando havia uma demanda — física, emocional, psicológica, prática — o tempo surgia. A lembrança surgia. A disponibilidade surgia.

Essa foi uma lição dura. Porque ela escancara algo que eu precisei admitir: eu estava sendo útil demais.

E não no sentido saudável.

“Ser lembrado só na necessidade não é vínculo. É conveniência.”

Capítulo 5 – Eu não quero mais ser útil

Uma das decisões mais importantes que 2025 me forçou a tomar foi essa: eu não quero mais ser útil.

Não quero ser apoio circunstancial. Não quero ser o lugar onde as pessoas encostam quando tudo desmorona e esquecem quando tudo se ajeita.

Eu quero ser alguém que se ajuda. Que se preserva. Que escolhe melhor onde investe energia.

Isso não é egoísmo. É sobrevivência emocional.

Capítulo 6 – Gastar tempo, não sobrar tempo

Outra coisa ficou clara: conexões verdadeiras não acontecem no tempo que sobra.

Elas acontecem no tempo que se gasta.

Eu não quero mais relações feitas de restos de agenda. De encaixes apressados. De respostas atrasadas.

Quero conversas que aconteçam porque alguém quis estar ali. Seja presencialmente, numa ligação, numa chamada de vídeo, numa conversa virtual ou num encontro marcado.

“Quem quer, arranja tempo. Quem não quer, arranja desculpa.”

Capítulo 7 – Para ter pessoas presentes, é preciso abrir espaço

A conclusão mais difícil — e talvez a mais necessária — de 2025 foi entender que, para ter pessoas presentes, eu preciso me livrar das pessoas ausentes.

E isso é mais simples do que parece. Basta observar quem só aparece para pedir. Quem nunca pergunta. Quem nunca puxa conversa. Quem nunca permanece.

Não é sobre raiva. Não é sobre ressentimento. É sobre espaço.

Não cabe gente nova onde o lugar ainda está ocupado por ausências antigas.

“Às vezes, soltar não é perder. É finalmente abrir espaço.”

Capítulo 8 – O que levo para 2026

Eu termino 2025 com menos ilusões, mas com mais clareza.

Levo comigo a certeza de que tempo é escolha. Presença é decisão. E conexão é algo que só existe quando há reciprocidade.

Não quero mais pessoas que se lembrem de mim apenas quando precisam.

Quero pessoas que se lembrem. Simplesmente.

Esse foi o maior ensinamento de 2025. E é com ele que eu entro em 2026.

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