Gamertag

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Harry Potter e a Pedra Filosofal — Capítulo 10

Quadribol, feitiços iniciais e o nascimento de uma amizade improvável.

Encerrar a leitura de hoje com o capítulo 10 foi quase inevitável. Existe algo nesse ponto da história que começa, finalmente, a alinhar peças que estavam soltas desde o início do livro. Rivalidades deixam de ser apenas infantis, regras passam a ser questionadas, e o que antes era apenas convivência forçada começa a se transformar em vínculo.

“Algumas amizades não nascem da afinidade, mas do perigo compartilhado.”

1. Draco, ressentimento e a confirmação da rivalidade

O capítulo se inicia com Draco Malfoy incomodado. Não apenas irritado, mas frustrado. Ele quer saber por que Harry e Rony não foram expulsos. E nesse ponto fica claro algo que já vinha sendo insinuado: o duelo nunca foi o objetivo real. A armadilha era a exposição, a tentativa de punição, o prazer de ver o outro cair.

Para Harry, isso é quase um déjà-vu emocional. A convivência com Duda durante toda a infância criou nele um radar bastante afinado para esse tipo de comportamento. Draco não é novidade. Ele é apenas uma nova versão de algo antigo, agora vestida de túnicas e privilégios mágicos.

2. A vassoura, o talento e a quebra das regras

Quando Harry ganha sua vassoura, a reação de Draco é quase tão importante quanto o presente em si. O choque, a inveja, a sensação de injustiça. Pela primeira vez, Harry não é punido por algo que faz naturalmente bem. Pelo contrário: ele é reconhecido.

Hermione, como esperado, reage mal à quebra das regras. E isso não soa exagerado ou forçado. A personagem está sendo construída com consistência: alguém que acredita profundamente na estrutura, na ordem e no mérito acadêmico. Ver alguém ser premiado fora desse sistema naturalmente a incomoda.

3. Quadribol: o mundo cresce

A explicação das regras do Quadribol é um dos grandes acertos do capítulo. Não é simples criar um esporte fictício e torná-lo compreensível, interessante e funcional dentro de uma narrativa. Aqui, a autora consegue expandir o mundo sem quebrar o ritmo da história.

Enquanto lia, não consegui evitar a comparação com Hogwarts Legacy. A ausência do Quadribol no jogo sempre me pareceu estranha. Justamente por ser um elemento tão central nesse universo, sua falta deixa uma lacuna perceptível. Talvez técnica, talvez de escopo. Ainda assim, fica o desejo de ver isso explorado em algum momento.

“Quando um mundo fictício cria seus próprios jogos, ele deixa de ser cenário e passa a ser lugar.”

4. Feitiços, memória e deslocamento de referências

A aula de feitiços traz outro momento curioso: o aprendizado do feitiço Leviosa. Pela segunda vez, minha referência não veio dos filmes, mas do jogo. É interessante perceber como minha porta de entrada mais sólida nesse universo foi Hogwarts Legacy — e como agora os livros estão ressignificando essas memórias.

O mesmo acontece quando surge a ameaça do trasgo. A imagem mental que me veio não foi cinematográfica, mas interativa. No jogo, enfrentar trasgos no início é difícil, perigoso, caótico. Essa experiência prévia adiciona uma camada extra de tensão à leitura.

5. O banheiro, o trasgo e o nascimento do trio

O confronto com o trasgo no banheiro marca, finalmente, o ponto de virada. É ali que Harry, Rony e Hermione deixam de ser apenas colegas de casa ou sala e passam a ser amigos. Não por afinidade imediata, mas por sobrevivência.

Confesso que isso vinha me incomodando levemente. Eu sabia, por memória dos filmes, que eles se tornariam um trio inseparável. Mas não lembrava como isso acontecia. Descobrir que essa amizade nasce do medo, da improvisação e do erro torna tudo mais honesto.

Hermione não entra no grupo de forma simples ou automática. Existe atrito, existe julgamento, existe resistência. E isso torna a construção muito mais interessante do que uma amizade instantânea.

“Alguns laços só se formam quando ninguém sabe exatamente o que está fazendo — apenas que não pode fazer sozinho.”

6. Halloween e a sensação de território conhecido

O capítulo se encerra durante uma festa de Halloween. Um fechamento leve, quase simbólico. Algo mudou. O ambiente já não é mais estranho. Pela primeira vez, sinto que entrei em um território conhecido — não porque sei o que vai acontecer, mas porque reconheço a dinâmica.

Esse reconhecimento é curioso. Ele não vem apenas dos filmes, mas do jogo. Hogwarts, para mim, começou como um espaço interativo antes de ser literário. Agora, o livro reorganiza essa experiência, dando origem, contexto e densidade emocional ao que antes era apenas exploração.

Encerrar o dia nesse capítulo foi satisfatório. A história segue crescendo, não apenas para frente, mas para dentro. E essa talvez seja a melhor forma de continuar.

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