A Chegada de Hagrid e o Dia em que Tudo Passa a Fazer Sentido
Projeto de leitura iniciado em 2026. Um capítulo por dia. Quando a verdade finalmente atravessa a porta.
Capítulo I — Um Capítulo que Termina com um Sorriso
Termino o Capítulo 4 com um sorriso no rosto. Não um sorriso de empolgação vazia, mas aquele sorriso silencioso de quando algo finalmente se encaixa.
Todo o capítulo gira em torno da chegada de Hagrid e da revelação da história de Harry. Não há grandes deslocamentos, não há múltiplos núcleos. Existe apenas um espaço apertado, uma cabana improvisada, uma família tentando se esconder — e a verdade batendo à porta.
“Há verdades que não chegam devagar. Elas arrombam.”
Capítulo II — O Tamanho Como Verdade do Mundo
Hagrid chega enorme. E isso não é um detalhe estético. É simbólico. Ele carrega uma das primeiras verdades duras do mundo: bullies são covardes.
Duda, acostumado a intimidar todos ao seu redor, encolhe. Tio Walter, que grita com todo mundo, perde a voz. A hierarquia muda no instante em que alguém maior entra na sala.
Esse momento é quase didático. Não no sentido moralista, mas no sentido cru: muitos abusos só existem porque não são confrontados.
“A violência costuma ser barulhenta apenas enquanto não encontra resistência.”
Hagrid não chega para negociar. Ele chega para interromper um ciclo.
Capítulo III — A Ignorância Como Violência
À medida que Hagrid conversa com Harry, sua irritação cresce. Não com o garoto, mas com a dimensão do que lhe foi roubado.
Harry não sabe sobre Hogwarts. Não sabe sobre magia. Não sabe sobre seus pais. Não sabe sobre si mesmo.
E isso dói.
A construção desse diálogo é brilhante porque nos coloca exatamente no lugar de Harry. Queremos saber mais. Queremos respostas. Queremos entender o que aconteceu, o que não aconteceu, o que vai acontecer.
“Quando alguém descobre que viveu uma mentira, cada detalhe do passado pede revisão.”
Capítulo IV — Quando o Passado Começa a Explicar o Presente
De repente, tudo começa a fazer sentido.
Os cortes de cabelo que nunca funcionam. O sumiço e o reaparecimento em outro ponto da escola. As reações de fúria dos tios sempre que algo estranho acontece.
Não era maldade gratuita. Era medo. Inveja. Ressentimento.
A revelação de que a tia viu a irmã aprender magia — e sentiu ciúme — é fundamental. Ela humaniza o ódio, sem justificá-lo. Mostra que aquilo nunca foi sobre Harry. Sempre foi sobre o que ele representava.
“Às vezes, odiamos nos outros aquilo que nunca tivemos coragem de desejar.”
Capítulo V — Um Espelho Incômodo
Em muitos momentos desse capítulo, me vi refletido em Harry. Não na magia, obviamente, mas na sensação.
A pergunta silenciosa: se eu sou tão bom nisso, se eu fui essa pessoa, por que passei por aquilo?
Essa dúvida atravessa a vida inteira. Da infância à maturidade. Situações em que você olha para si mesmo e pensa que deve estar errado — não porque fez algo errado, mas porque algo ruim aconteceu ao redor.
O livro toca nisso sem dizer explicitamente. Mas toca.
“Nem tudo que nos acontece é reflexo de quem somos.”
Capítulo VI — Hagrid: O Gigante Gentil
Hagrid é uma figura fascinante. Grande, assustador à primeira vista, quase grotesco — e ao mesmo tempo doce, cuidadoso, protetor.
O contraste é proposital. Ele parece perigoso, mas é amável. Ele parece bruto, mas é afetuoso. E isso o torna a figura perfeita para cuidar de Harry naquele momento.
Ele conheceu os pais. Ele trouxe o bebê. Ele é, de certa forma, um elo vivo entre o que Harry perdeu e o que está prestes a ganhar.
“Às vezes, quem mais assusta é quem melhor protege.”
Capítulo VII — A Sombra de Voldemort
A presença de Voldemort ainda é uma sombra. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Existe um mistério real ali.
Eu não sei se os filmes anteciparam essa revelação. Minha memória é confusa. Talvez eu tenha sido contaminado pelos filmes, porém a ordem, a cronologia me escapa.
Mas isso não estraga a experiência. Pelo contrário. O livro se sustenta por si.
Existe algo muito potente em saber que nem tudo está explicado — e talvez nem deva estar ainda.
Capítulo VIII — A Carta, o Nome e a Última Pergunta
O capítulo é rápido. Flui fácil. Todo focado naquele diálogo tenso e revelador dentro da cabana. Até que, finalmente, Harry lê a carta.
Hogwarts deixa de ser rumor. Deixa de ser insistência. Vira palavra escrita.
E eu gosto muito da expressão “trouxa”. Não apenas pelo humor, mas pelo que ela carrega. Não ser bruxo não é apenas não ter magia — é viver sem acesso a um mundo que existe, mas te foi negado.
“Talvez o verdadeiro feitiço seja acreditar que isso é tudo o que existe.”
E a última reflexão que esse capítulo me deixa é simples, quase infantil — e por isso mesmo poderosa:
Se eu receber uma carta de Hogwarts, eu deixo de ser trouxa?
Talvez não. Mas talvez eu passe a enxergar o mundo com outros olhos.


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