Gamertag

sábado, 17 de janeiro de 2026

Harry Potter e a Pedra Filosofal — Capítulo 13


O Capítulo que Eu Quase Não Li

Projeto de leitura iniciado em 2026. Um capítulo por dia. Mas hoje, pela primeira vez, a leitura não foi apenas leitura.

1. A manhã depois de uma noite enlouquecedora

O capítulo 13 vai ficar marcado na minha jornada como o capítulo mais difícil de ler. E o curioso é que isso não tem a ver com o capítulo em si. Tem a ver comigo. Tem a ver com a noite anterior. Tem a ver com o tipo de exaustão mental que faz a gente acordar já distraído, já em outro lugar, já vivendo em cima de expectativas que não vão se cumprir.

Eu sempre leio pela manhã, com café. É a primeira coisa que eu faço no dia. Um ritual simples, quase um pequeno terreno seguro antes do mundo me pedir o resto. Mas ontem a tarde-noite foi completamente enlouquecedora. Eu fiquei esperando mensagens que não vão vir, pensamentos que não vão acontecer, situações que nunca irão acontecer. E quando você passa tempo demais esperando algo que não existe, você não descansa. Você só se desgasta.

“Há um tipo de cansaço que não vem do corpo. Vem do futuro que a gente imaginou e que não vai acontecer.”

Acordei ainda assim. Abri o livro digital. E aí veio o primeiro choque do dia: eu vi “Capítulo 14” como se eu já tivesse passado pelo 13. Mas na minha cabeça, o último capítulo lido era o 12. E a história começava como quem pulou alguma coisa. Aquela sensação ruim de lacuna. De falha. De estar perdendo um pedaço do caminho.

Voltei. Voltei. Voltei. E confirmei o que parecia absurdo: na versão digital que eu estava lendo, o capítulo 13 simplesmente não estava ali. É o tipo de coisa que me faz lembrar que o digital também falha. E que, às vezes, o conforto tecnológico é uma ilusão frágil.

2. O livro físico e o retorno ao chão

Eu tenho o livro físico. Peguei o exemplar, abri, e ali estava ele: Capítulo 13. Um capítulo que existia no papel, mesmo que tivesse desaparecido na tela. Foi uma daquelas pequenas ironias modernas: eu precisei voltar ao físico para encontrar a continuidade.

E o capítulo começa normal. As crianças conversando, conjecturando, tentando montar um quebra-cabeça com as peças que têm. Uma normalidade boa, até. Como se o livro dissesse “respira, a história está aqui”.

E então acontece aquela cena do cartão, da figurinha, e eu senti um prazer pequeno de confirmação: eu lembrava que Flamel tinha aparecido no trem. Eu lembrava disso. Só que eu lembrava errado um detalhe — eu achava que era uma figurinha do Flamel. Mas na verdade é a figurinha do Dumbledore que menciona Flamel.

E isso é bonito, porque mostra como a memória funciona: ela guarda o essencial e erra o acessório. O essencial estava certo — o nome tinha sido plantado no trem. O detalhe estava torto — era Dumbledore o portador da pista.

“A memória não é um arquivo. É uma narrativa que a gente tenta manter coerente.”

3. Flamel, alquimia e o título que finalmente aparece

Hermione, como era inevitável, é quem tem a chave do método. Ela sabe onde procurar. Ela sabe que existe um tipo de conhecimento que não aparece por acaso: ele precisa ser caçado. E então chega a revelação simbólica do capítulo: aparece, pela primeira vez com força, aquilo que dá nome ao livro.

A Pedra Filosofal.

É quase um momento de “ah, então é isso”. A história que vinha andando lateralmente agora se aponta para o centro. Descobrimos que Dumbledore escondeu em Hogwarts a Pedra Filosofal. E com isso o mistério deixa de ser apenas um corredor proibido com um cão. Agora existe um objeto. Uma razão. Um motivo real para alguém tentar invadir um lugar supostamente seguro.

E é nesse ponto que a narrativa ganha um cheiro de alquimia clássica, de mito antigo. Flamel, alquimista. Pedra. Transformação. Imortalidade. Ganância. Tudo isso começa a se desenhar sem precisar ser explicado demais.

4. Quadribol, Snape e a insistência da suspeita

O capítulo continua alimentando a aura em torno de Snape. Agora ele será o árbitro da partida. Mais um aceno. Mais um “olha pra ele”. A história insiste em fazê-lo parecer o centro da ameaça, mesmo para quem já sabe que ele não é o vilão final.

A partida acontece. Harry pega o pomo de ouro. Grifinória vence. E há um movimento interessante aqui: parte do capítulo é sobre vitória e celebração. Mas mesmo a vitória vem com a sensação de que existe algo por trás, como se o livro não deixasse o leitor relaxar completamente.

Neville e Rony reagindo aos bullies do Draco, perdendo parte do jogo, é um detalhe humano que gosto muito. Porque desloca o foco: o mundo não gira só em torno do herói. As coisas acontecem nos cantos. As pessoas reagem, se defendem, se perdem.

A Grifinória fica em festa. Harry vira herói do esporte. E, mesmo assim, a história continua puxando o olhar para Snape. Como se dissesse: “não se distraia”.

5. O espelho, os pesadelos e o desejo que não vem

Uma parte que me marcou no início do capítulo é o peso que o Espelho de Ojesed ainda deixa em Harry. Ele passa a ter pesadelos. E essa informação atravessou meu café como uma lâmina fina, porque eu venho tendo pesadelos nas últimas noites também.

E, curiosamente, por um motivo parecido: desejo. Desejar muito algo que não vai acontecer. Desejar muito algo que não virá. O espelho não mostra o futuro, mas ele deixa o desejo impregnado — como uma imagem que gruda por dentro e começa a aparecer quando a gente fecha os olhos.

“O desejo é cruel porque ele consegue sobreviver mesmo quando a esperança morre.”

O capítulo, sem querer, me encontrou num ponto frágil. E isso deixou a leitura mais longa, mais pesada, mais lenta. Não porque o texto fosse difícil, mas porque eu estava difícil.

6. Floresta Proibida, vassoura e o território que eu já pisei

Quando o capítulo se encaminha para o final, ele entrega mais uma camada: Snape vai para a Floresta Proibida. E Harry, de vassoura, segue e escuta.

Aqui, minha referência imediata não foi o filme. Foi Hogwarts Legacy. Eu entrei muitas vezes na Floresta Proibida no jogo, voando exatamente assim, esgueirando, tentando achar caminho, ouvindo coisas no escuro, sentindo aquele medo divertido de estar onde não deveria.

Essa foi uma das experiências mais “visuais” do capítulo para mim. A vassoura, o voo baixo, o silêncio, a conversa captada por acaso. O livro me levou para um lugar que eu já tinha atravessado — e isso fez a leitura ficar estranhamente viva.

7. Quirrell, Snape e a jornada do “como”, não do “quê”

Harry descobre que Snape está tentando que Quirrell o ajude a entrar na sala onde está a Pedra Filosofal. E, de novo, o livro joga luz em Snape como se ele fosse o centro do problema.

Eu me lembro que o vilão real é Quirrell — eu lembro disso do filme. Mas eu não me lembro do caminho exato. Eu não lembro do “como” com precisão. E isso, curiosamente, salva a minha leitura. Porque nem sempre o final é a parte mais interessante de uma história. Às vezes o que realmente vale é o percurso.

“Saber o fim não impede a surpresa. Só muda a pergunta: em vez de ‘o quê’, a gente passa a perguntar ‘como’.”

O capítulo termina com Harry contando a Rony e Hermione o que ouviu, e a Grifinória em festa pela partida ganha. A vida escolar segue. A alegria acontece. Mas a sombra do mistério se move por baixo de tudo.

E assim finda o capítulo 13: com uma revelação maior, com pistas mais claras, com o mundo em festa — e com alguém tentando invadir o coração do segredo escondido em Hogwarts.

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